Tira Gosto
Shell em pedaços pequenos e gostosos
Em construção para sempre
Esta página, apesar de estar no escopo do Papo de Botequim, nunca foi publicada na
Linux Magazine. Trata-se de artigos que escrevi para outras mídias, dicas úteis que li pela internet afora (e neste caso com os devidos créditos), contribuições deste pessoal do
Software Livre, maravilhoso e sempre pronto a ajudar e da imperdível
Lista de Shell Script
Passando parâmetros com xargs
Existe um comando, cuja função primordial é construir listas de parâmetros e passá-la para a execução de outros programas ou instruções. Este comando é o
xargs e deve ser usado da seguinte maneira:
xargs [comando [argumento inicial]]
xargs combina o argumento inicial com os argumentos recebidos da entrada padrão, de forma a executar o comando especificado uma ou mais vezes.
Exemplo:
Vamos procurar em todos os arquivos abaixo de um determinado diretório uma cadeia de caracteres usando o comando
find com a opção
-type f para pesquisar somente os arquivos normais, desprezando diretórios, arquivos especiais, arquivos de ligações, etc, e vamos torná-la mais genérica recebendo o nome do diretório inicial e a cadeia a ser pesquisada como parâmetros. Para isso fazemos:
$ cat grepr
#
# Grep recursivo
# Pesquisa a cadeia de caracteres definida em $2 a partir do diretorio $1
#
find $1 -type f -print|xargs grep -l "$2"
Na execução deste script procuramos, a partir do diretório definido na variável
$1, todos os arquivos que continham a cadeia definida na variável
$2.
Exatamente a mesma coisa poderia ser feito se a linha do programa fosse a seguinte:
find $1 -type f -exec grep -l "$2" {} \;
O primeiro processo tem duas grandes desvantagens sobre o anterior:
- A primeira é bastante visível: o tempo de execução deste método é muito superior ao daquele, isso porque o
grep será feito em cada arquivo que lhe for passado pelo find, um-a-um, ao passo que com o xargs, será passada toda, ou na pior das hipóteses, a maior parte possível, da lista de arquivos gerada pelo find;
- Dependendo da quantidade de arquivos encontrados que atendem ao
find, poderemos ganhar aquela famosa e fatídica mensagem de erro Too many arguments indicando um estouro da pilha de execução do grep. Como foi dito no item anterior, se usarmos o xargs ele passará para o grep a maior quantidade de parâmetros possível, suficiente para não causar este erro, e caso necessário executará o grep mais de uma vez.

Aê pessoal do linux que usa o
ls colorido que nem porta de tinturaria: nos exemplos a seguir que envolvem esta instrução, você devem usar a opção
--color=none, senão existem grandes chances dos resultados não ocorrerem como o esperado.
Vamos agora analisar um exemplo que é mais ou menos o inverso deste que acabamos de ver. Desta vez, vamos fazer um
script para remover todos os arquivos do diretório corrente, pertencentes a um determinado usuário.
A primeira idéia que surge é, como no caso anterior, usar um comando
find, da seguinte maneira:
find . -user cara -exec rm -f {} \;
Quase estaria certo, o problema é que desta forma você removeria não só os arquivos do
cara no diretório corrente, mas também de todos os outros subdiretórios "pendurados" neste. Vejamos então como fazer:
ls -l | grep " cara " | cut -c55- | xargs rm
Desta forma, o
grep selecionou os arquivos que continham a cadeia
cara no diretório corrente listado pelo
ls -l. O comando
cut pegou somente o nome dos arquivos, passando-os para a remoção pelo
rm usando o comando
xargs como ponte
O xargs é também uma excelente ferramenta de criação de
one-liners (
scripts de somente uma linha). Veja este para listar todos os donos de arquivos (inclusive seus
links) "pendurados" no diretório
/bin e seus subdiretórios.
$ find /bin -type f -follow | \
xargs ls -al | tr -s ' ' | cut -f3 -d' ' | sort -u
Muitas vezes o
/bin é um
link (se não me engano, no Solaris o é) e a opção
-follows obriga o
find a seguir o
link. O comando
xargs alimenta o
ls -al e a seqüência de comandos seguinte é para pegar somente o 3º campo (dono) e classificá-lo devolvendo somente uma vez cada dono (opção
-u do comando
sort, que equivale ao comando
uniq).
Opções do xargs
Você pode usar as opções do
xargs para construir comandos extremamente poderosos.
Opção -i
Para exemplificar isso e começar a entender as principais opções desta instrução, vamos supor que temos que remover todos as arquivos com extensão
.txt sob o diretório corrente e apresentar os seus nomes na tela. Veja o que podemos fazer:
$ find . -type f -name "*.txt" | \
xargs -i bash -c "echo removendo {}; rm {}"
A opção
-i do
xargs troca pares de chaves
({}) pela cadeia que está recebendo pelo pipe
(|). Então neste caso as chaves
({}) serão trocadas pelos nomes dos arquivos que satifaçam ao comando
find.
Opção -n
Olha só a brincadeira que vamos fazer com o
xargs:
$ ls | xargs echo > arq.ls
$ cat arq.ls
arq.ls arq1 arq2 arq3
$ cat arq.ls | xargs -n1
arq.ls
arq1
arq2
arq3
Quando mandamos a saída do
ls para o arquivo usando o
xargs, comprovamos o que foi dito anteriormente, isto é, o
xargs manda tudo que é possível (o suficiente para não gerar um estouro de pilha) de uma só vez. Em seguida, usamos a opção
-n 1 para listar um por vez. Só para dar certeza veja o exemplo a seguir, quando listaremos dois em cada linha:
$ cat arq.ls | xargs -n 2
arq.ls arq1
arq2 arq3
Mas a linha acima poderia (e deveria) ser escrita sem o uso de
pipe (|), da seguinte forma:
$ xargs -n 2 < arq.ls
Opção -p
Outra opção legal do
xargs é a
-p, na qual o sistema pergunta se você realmente deseja executar o comando. Digamos que em um diretório você tenha arquivos com a extensão
.bug e
.ok, os
.bug estão com problemas que após corrigidos são salvos como
.ok. Dá uma olhadinha na listagem deste diretório:
$ ls dir
arq1.bug
arq1.ok
arq2.bug
arq2.ok
...
arq9.bug
arq9.ok
Para comparar os arquivos bons com os defeituosos, fazemos:
$ ls | xargs -p -n2 diff -c
diff -c arq1.bug arq1.ok ?...y
....
diff -c arq9.bug arq9.ok ?...y
Opção -t
Para finalizar, o
xargs também tem a opção
-t, onde vai mostrando as instruções que montou antes de executá-las. Gosto muito desta opção para ajudar a depurar o comando que foi montado.
Resumo
Então podemos resumir o comando de acordo com a tabela a seguir:
-t |
Mostra a linha de comando montada antes de executá-la |
| Opção |
Ação |
-i |
Substitui o par de chaves ({}) pelas cadeias recebidas |
-nNum |
Manda o máximo de parâmetros recebidos, até o máximo de Num para o comando a ser executado |
-lNum |
Manda o máximo de linhas recebidas, até o máximo de Num para o comando a ser executado |
-p |
Mostra a linha de comando montada e pergunta se deseja executá-la |
Here Strings
Acabei de dar um treinamento no Instituto de Pesquisas Eldorado, onde peguei uma turma de 12 alunos de altíssima qualidade. Devido ao preparo do pessoal, o nível do curso foi tão bom que cheguei a abordar alguns conceitos pouco usados como o redirecionamento por
here strings.
Então pensei: se é uma coisa tão útil, porque não mostrá-la a todos? Ai vai ...
Primeiro um programador com complexo de inferioridade criou o redirecionamento de entrada e representou-o com um sinal de menor
(<) para representar seus sentimento. Em seguida, outro sentindo-se pior ainda, criou o
here document representando-o por dois sinais de menor
(<<) porque sua fossa era maior. O terceiro, pensou: "estes dois não sabem o que é estar por baixo"... Então criou o
here strings representado por três sinais de menor
(<<<).
Brincadeiras a parte, o
here strings é utilíssimo e, não sei porque, é um perfeito desconhecido. Na pouquíssima literatura que há sobre o tema, nota-se que o
here strings é freqüentemente citado como uma variante do
here document, teoria com a qual discordo pois sua aplicabilidade é totalmente diferente daquela.
Sua sintaxe é simples:
$ comando <<< $cadeia
Onde
cadeia é expandida e alimenta a entrada primária (
stdin) de
comando.
Como sempre, vamos direto aos exemplos dos dois usos mais comuns para que vocês próprios tirem suas conclusões.
- Uso #1. Substituindo a famigerada construção
echo "cadeia" | comando, que força um fork, criando um subshell e onerando o tempo de execução.
Exemplos:
$ a="1 2 3"
$ cut -f 2 -d ' ' <<< $a # Normalmente faz-se: echo $a | cut -f 2 -d ' '
2
$ echo $NomeArq
Meus Documentos # Arrrghhh!
$ tr "A-Z " "a-z_" <<< $NomeArq # Substituindo o echo $NomeArq | tr "A-Z " "a-z_"
meus_documentos
$ bc <<<"3 * 2"
6
$ bc <<<"scale = 4; 22 / 7"
3.1428
Para mostrar a melhoria no desempenho, vamos fazer um loop de 500 vezes usando o exemplo dados para o comando
tr:
Veja agora esta seqüência de comandos com medidas de tempo:
$ time for ((i=1; i<= 500; i++)); { tr "A-Z " "a-z_" <<< $NomeArq >/dev/null; }
real 0m3.508s
user 0m2.400s
sys 0m1.012s
$ time for ((i=1; i<= 500; i++)); { echo $NomeArq | tr "A-Z " "a-z_" >/dev/null; }
real 0m4.144s
user 0m2.684s
sys 0m1.392s
Veja agora esta seqüência de comandos com medidas de tempo:
$ time for ((i=1;i<=100;i++)); { who | cat > /dev/null; }
real 0m1.435s
user 0m1.000s
sys 0m0.380s
$ time for ((i=1;i<=100;i++)); { cat <(who) > /dev/null; }
real 0m1.552s
user 0m1.052s
sys 0m0.448s
$ time for ((i=1;i<=100;i++)); { cat <<< $(who) > /dev/null; }
real 0m1.514s
user 0m1.056s
sys 0m0.412s
Observando este quadro você verá que no primeiro usamos a forma convencional, no segundo usamos um
named pipe temporário para executar uma substituição de processos e no terceiro usamos
here strings. Notará também que ao contrário do exemplo anterior, aqui o uso de
here strings não foi o mais veloz. Mas repare bem que neste último caso o comando
who está sendo executado em um
subshell e isso onerou o processo como um todo.
Vejamos uma forma rápida de inserir uma linha como cabeçalho de um arquivo:
$ cat num
1 2
3 4
5 6
7 8
9 10
$ cat - num <<< "Impares Pares"
Impares Pares
1 2
3 4
5 6
7 8
9 10
- Uso #2. Outra forma legal de usar o here strings é casando-o com um comando
read, não perdendo de vista o que aprendemos sobre IFS (veja aqui, na explicação do comando for). O comando cat com as opções -vet mostra o <ENTER> como $, o <TAB> como ^I e os outros caracteres de controle com a notação ^L onde L é uma letra qualquer. Vejamos então o conteúdo de uma variável e depois vamos ler cada um de seus campos:
Exemplos:
$ echo "$Linha"
Leonardo Mello (21)3313-1329
$ cat -vet <<< "$Linha"
Leonardo Mello^I(21)3313-1329$ # Os separadores sao branco e <TAB> (^I)
$ read Nom SNom Tel <<< "$Linha"
$ echo "${Nom}_$S{Nom}_$Tel" # Vamos ver se ele leu cada um dos campos
Leonardo_Mello_(21)3313-1329 # Leu porque os separadores casavam com o IFS
Também podemos ler direto para um vetor (
array) veja:
$ echo $Frutas
Pera:Uva:Maçã
$ IFS=:
$ echo $Frutas
Pera Uva Maçã # Sem as aspas o shell mostra o IFS como branco
$ echo "$Frutas"
Pera:Uva:Maçã # Ahhh, agora sim!
$ read -a aFrutas <<< "$Frutas" # A opção -a do read, lê para um vetor
$ for i in 0 1 2
> do
> echo ${aFrutas[$i]} # Imprimindo cada elemento do vetor
> done
Pera
Uva
Maçã
Rotatório Peczenyj
Estava, como faço todo dia, dando um lida nos e-mails da
"Lista de Shell Script" , quando vi uma "descoberta" totalmente inusitada do Tiago Barcellos Peczenyj.
Quando resolvi montar esta coletânea de dicas, me lembrei disso e pedi-lhe para me encaminhar aquele e-mail novamente. O texto a a seguir é o e-mail que ele me mandou, só inseri o último exemplo e tirei as abreviaturas.
Julio descobri uma forma para o
Shell criar combinaçãoes fazendo rotação com os elementos estipulados. Podemos gerar todos os binários de 0000 a 1111 da seguinte forma:
$ A={0,1}
$ eval echo $A$A$A$A
0000 0001 0010 0011 0100 0101 0110 0111 1000 1001 1010 1011 1100 1101 1110 1111
Uma aplicação pratica que vejo é para combinar valores diferentes sem ter que encadear
loops nem usar o
seq
$ A={`seq -s , -f "_%g" 3`}
$ eval echo -e $A$A$A |tr ' _' '\n ' | grep -vE '.+?(\b[0-9]+\b).+?\1'
1 2 3
1 3 2
2 1 3
2 3 1
3 1 2
3 2 1
Neste caso eu combinei os números de 1 a 3 eliminando repetições com o
grep. Usei um
tr 'podre' para melhor tratar os dados, saltando linha.
O
grep é simples como você pode notar, eu vejo se uma determinada parte da combinação (
.+?(\b[0-9]+\b).+?) existe em outra parte (
\1), se existe eu não deixo imprimir por causa da opção
-v, assim
1 1 2
1 2 1
1 1 1
não serão impressos.
Agora vai o meu exemplo: o one-liner a seguir gerará todas as permissões possíveis (em octal) para o arquivo
arq (o exemplo foi interrompido porque existem 512 combinações de permissões possíveis).
$ A={`seq -s , 0 7`}
$ eval echo -e $A$A$A | tr ' ' '\n' | xargs -i bash -c "chmod {} arq; ls -l arq"
---------- 1 julio julio 100 2006-11-27 11:50 arq
---------x 1 julio julio 100 2006-11-27 11:50 arq
--------w- 1 julio julio 100 2006-11-27 11:50 arq
--------wx 1 julio julio 100 2006-11-27 11:50 arq
-------r-- 1 julio julio 100 2006-11-27 11:50 arq
-------r-x 1 julio julio 100 2006-11-27 11:50 arq
-------rw- 1 julio julio 100 2006-11-27 11:50 arq
-------rwx 1 julio julio 100 2006-11-27 11:50 arq
. . . . . . . . . . . . . . . . . .
-rwxrwxrw- 1 julio julio 100 2006-11-27 11:50 arq
-rwxrwxrwx 1 julio julio 100 2006-11-27 11:50 arq
Vamos ver este exemplo passo-a-passo para entendê-lo:
$ echo $A
{0,1,2,3,4,5,6,7}
$ eval echo -e $A$A$A
000 001 002 003 004 005 006 007 010 ... ... 767 770 771 772 773 774 775 776 777
$ eval echo -e $A$A$A | tr ' ' '\n' # O tr trocará cada espaco em branco por um <ENTER>
000
001
002
003
. . .
774
775
776
777
A seguir o
xargs (
clique para dicas do xargs) executa o comando
bash -c (que serve para executar uma linha de comandos) que por sua vez executa o
chmod e o
ls -l para mostrar que as permissões estão sendo alteradas.
Aritmética em Shell
Antigamente usávamos o comando
expr para fazer operações aritméticas e muita gente ainda usa, pois é compatível com quaquer ambiente.
Exemplo:
$ expr 7 \* 5 / 3 # 7 vezes 5 = 35 dividido por 3 = 11
14
Neste artigo porém, vamos ver outras formas não tanto conhecidas, porém mais simples de usar, mais elaboradas e com precisão maior.
O uso do bc
Uma forma bacana de fazer cálculos em Shell – usada normalmente quando a expressão aritmética é mais complexa, ou quando é necessário trabalharmos com casas decimais – é usar a instrução calculadora do UNIX/LINUX. O
bc. Veja como:
Exemplo:
$ echo "(2 + 3) * 5" | bc # Parênteses usados para dar precedência
25
Para trabalhar com números reais (números não necessariamente inteiros), especifique a precisão (quantidade de decimais) com a opção
scale do comando
bc. Assim vejamos o penúltimo exemplo:
$ echo "scale=2; 7*5/3" | bc
11.66
Outros exemplos:
$ echo "scale=3; 33.333*3" | bc
99.999
$ num=5
$ echo "scale=2; ((3 + 2) * $num + 4) / 3" | bc
9.66
Obviamente todos os exemplos acima no caso de linux, poderiam (e deveriam) ser escritos usando
Here Strings. Veja os últimos como ficariam:
$ bc <<< "scale=3; 33.333*3"
99.999
$ num=5
$ bc <<< "scale=2; ((3 + 2) * $num + 4) / 3"
9.66
Uma vez apareceu na lista (excelente por sinal) de Shell script no Yahoo (
http://br.groups.yahoo.com/group/shell-script/) um cara com a seguinte dúvida: "eu tenho um arquivo cujos campos estão separados por
<TAB> e o terceiro deles possui números. Como posso calcular a soma de todos os números desta coluna do arquivo?"
Mandei a seguinte resposta:
$ echo $(cut -f3 num | tr '\n' +)0 | bc
20.1
Vamos por partes para entender melhor e primeiramente vamos ver como era o arquivo que fiz para teste:
$ cat num
a b 3.2
a z 4.5
w e 9.6
q w 2.8
Como pode-se ver, está dentro do padrão do problema, onde eu tenho como terceiro campo números reais. Vamos ver o que faria a primeira parte da linha de comandos, onde eu transformo os caracteres
<ENTER> (
new-line) em um sinal de mais (
+):
$ cut -f3 num | tr '\n' +
3.2+4.5+9.6+2.8+
Se eu mandasse desse jeito para o
bc, ele me devolveria um erro por causa daquele sinal de mais (
+) solto no final do texto. A minha saída foi colocar um zero no final, pois somando zero o resultado não se alterará. Vamos ver então como ficou:
$ echo $(cut -f3 num | tr -s '\n' +)0
3.2+4.5+9.6+2.8+0
Isso é o que se costuma chamar
one-liner, isto é, códigos que seriam complicados em outras linguagens (normalmente seria necessário criar contadores e fazer um
loop de leitura somando o terceiro campo ao contador) e em Shell são escritos em uma única linha.
Há também gente que chama isso de método
KISS, que é o acrônimo de
Keep It Simple Stupid.
Mas o potencial de uso desta calculadora não se encerra aí, existem diversas facilidades por ela propiciadas. Veja só este exemplo:
$ echo "obase=16; 11579594" | bc
B0B0CA?
$ echo "ibase=16;
B0B0CA?" | bc # B, zero, B, zero, C, e A
11579594
Nestes exemplos vimos como fazer mudanças de base de numeração com o uso do
bc. Na primeira explicitamos a base de saída (
obase) como
16 (hexadecimal) e na segunda, dissemos que a base da entrada (
ibase) era
10 (decimal).
Outras formas de trabalhar com inteiros
Outra forma muito legal de fazer cálculos é usar a notação
$((exp aritmética)). É bom ficar atento, porém, ao fato desta sintaxe não ser universalizada. O Bourne Shell (
sh), por exemplo, não a reconhece.
Exemplo:
Usando o mesmo exemplo que já havíamos usado:
$ echo $(((2+3)*5)) # Os parênteses mais internos priorizaram o 2+3
25
Agora olha só esta maluquice:
$ tres=3
$ echo $(((2+tres)*5)) # Variável tres não precedida pelo $
25
$ echo $(((2+$tres)*5)) # Variável tres precedida pelo $
25
Ué!! Não é o cifrão (
$) precedente que caracteriza uma variável? Sim, porém em todos os sabores UNIX que testei, sob bash ou ksh, ambas as formas de construção produzem uma boa aritmética.
Preste a atenção nesta seqüência:
$ unset i # $i mooorreu!
$ echo $((i++))
0
$ echo $i
1
$ echo $((++i))
2
$ echo $i
2
Repare que apesar da variável não estar definida, pois foi feito um
unset nela, nenhum dos comandos acusou erro, porque, como estamos usando construções aritméticas, sempre que uma variável não existe, é inicializada com zero (
0).
Repare que o
i++ produziu zero (
0). Isto ocorre porque este tipo de construção chama-se pós-incrementação, isto é, primeiramente o comando é executado e só então a variável é incrementada. No caso do
++i, foi feita uma pré-incrementação: primeiro incrementou e somente após o comando foi executado.
Também são válidos:
$ echo $((i+=3))
5
$ echo $i
5
$ echo $((i*=3))
15
$ echo $i
15
$ echo $((i%=2))
1
$ echo $i
1
Estas três operações seriam o mesmo que:
i=$((i+3))
i=$((i*3))
i=$((i%2))
E isto seria válido para todos os operadores aritméticos o que em resumo produziria a tabela a seguir:
| Expansão Aritmética |
|| |
OU lógico |
| Expressão |
Resultado |
id++ id-- |
pós-incremento e pós-decremento de variáveis |
++id -–id |
pré-incremento e pré-decremento de variáveis |
** |
exponenciação |
* / % |
multiplicação, divisão, resto da divisão |
+ - |
adição, subtração |
<= >= < > |
comparação |
== != |
igualdade, desigualdade |
&& |
E lógico |
Mas o auge desta forma de construção com duplo parênteses é o seguinte:
$ echo $var
50
$ var=$((var>40 ? var-40 : var+40))
$ echo $var
10
$ var=$((var>40 ? var-40 : var+40))
$ echo $var
50
Este tipo de construção deve ser lido da seguinte forma: caso a variável
var seja maior que
40 (
var>40), então (
?) faça
var igual a
var menos
40 (
var-40), senão (
:) faça
var igual a
var mais
40 (
var+40). O que quis dizer é que os caracteres ponto-de-interrogação (
?) e dois-pontos (
:) fazem o papel de "então" e "senão", servindo desta forma para montar uma operação aritmética condicional.
Da mesma forma que usamos a expressão
$((...)) para fazer operações aritméticas, também poderíamos usar a intrínseca (
built-in)
let ou construção do tipo
$[...].
Os operadores são os mesmos para estas três formas de construção, o que varia um pouco é a operação aritmética condicional com o uso do
let. Vejamos como seria:
$ echo $var
50
$ let var='var>40 ? var-40 : var+40'
$ echo $var
10
$ let var='var>40 ? var-40 : var+40'
$ echo $var
50
Baseando
Se você quiser trabalhar com bases diferentes da decimal, basta usar o formato:
base#numero
Onde
base é um número decimal entre 2 e 64 representando o sistema de numeração, e
numero é um número no sistema numérico definido por
base. Se
base# for omitida, então
10 é assumida como
default. Os algarismos maiores que 9 são representados por letras minúsculas, maiúsculas, @ e _, nesta ordem.
Se
base for menor ou igual a 36, maiúsculas ou minúsculas podem ser usadas indiferentemente para definir algarismos maiores que 9 (não está mal escrito, os algarismos do sistema hexadecimal, por exemplo, variam entre 0 (zero) e F). Vejamos como isso funciona:
$ echo $[2#11]
3
$ echo $((16#a))
10
$ echo $((16#A))
10
$ echo $((2#11 + 16#a))
13
$ echo $[64#a]
10
$ echo $[64#A]
36
$ echo $((64#@))
62
$ echo $((64#_))
63
Nestes exemplos usei as notações
$((...)) e
$[...] indistintamente, para demonstrar que ambas funcionam.
Funciona também uma mudança automática para a base decimal, desde que você esteja usando a convenção numérica do C, isto é, em
0xNN, o
NN será tratado como um hexadecimal e em
0NN, o
NN será visto como um octal. Veja o exemplo:
Exemplo
$ echo $((10)) # decimal
10
$ echo $((010)) # octal
8
$ echo $((0x10)) # hexadecimal
16
$ echo $((10+010+0x10)) # Decimal + octal + hexadecimal
64
Ah, já ia me esquecendo! As expressões aritméticas com os formatos
$((...)), $[...] e com o comando
let usam os mesmos operadores usados na instrução
expr, além dos operadores unários (
++, --, +=, *=, ...) e condicionais que acabamos de ver.
Testes usando expressões regulares
No
Papo de Botequim 004, nós falamos tudo sobre comandos condicionais, mas faltou um que não existia àquela época. Neste mesmo Papo de Botequim, na seção
E tome de test nós chegamos a falar de uma construção do tipo:
[[ Expressao ]] && cmd
Onde o comando
cmd será executado caso a expressão condicional
Expressao seja verdadeira. Disse ainda que
Expressao poderia ser estipulada de acordo com as regras de Geração de Nome de Arquivos (
File Name Generation). A partir do bash versão 3, foi incorporado a esta forma de teste um operador representado por
=~, cuja finalidade é fazer comparações com Expressões Regulares.
Exemplo:
$ echo $BASH_VERSION # Conferindo se a versão do Bash é igual ou superior a 3.0.0
3.2.17(15)-release
$ Cargo=Senador
$ [[ $Cargo =~ ^(Governa|Sena|Verea)dora?$ ]] && echo É político
É político
$ Cargo=Senadora
$ [[ $Cargo =~ ^(Governa|Sena|Verea)dora?$ ]] && echo É político
É político
$ Cargo=Diretor
$ [[ $Cargo =~ ^(Governa|Sena|Verea)dora?$ ]] && echo É político
$
Vamos dar uma esmiuçada na Expressão Regular
^(Governa|Sena|Verea)dora?$: ela casa com tudo que começa (
^) por
Governa, ou (
|)
Sena, ou (
|)
Verea, seguido de
dor e seguido de um
a opcional (
?). O cifrão (
$) serve para marcar o fim. Em outras palavras esta Expressão Regular casa com Governador, Senador, Vereador, Governadora, Senadora e Vereadora.
Colorindo a tela
Como você já havia visto no
Papo de Botequim 007, o comando
tput serve para fazer quase tudo referente a formatação de tela, mas o que não foi dito é que com ele também pode-se usar cores de frente (dos caracteres) e de fundo. Existem também outras formas de fazer o mesmo, acho porém, esta que veremos agora, mais intuitiva (ou menos
“desintuitiva”). A tabela a seguir mostra os comandos para especificarmos os padrões de cores de frente (
foreground) ou de fundo (
background):
| Obtendo cores com o comando tput |
tput setab n |
Especifica n como a cor de fundo (background) |
| Comando |
Efeito |
tput setaf n |
Especifica n como a cor de frente (foreground) |
Bem, agora você já sabe como especificar o par de cores, mas ainda não sabe as cores. A tabela a seguir mostra os valores que o
n (da tabela anterior) deve assumir para cada cor:
| Valores das cores com o comando tput |
| 7 |
Cinza claro |
| Valor |
Cor |
| 0 |
Preto |
| 1 |
Vermelho |
| 2 |
Verde |
| 3 |
Marrom |
| 4 |
Azul |
| 5 |
Púrpura |
| 6 |
Ciano |
Neste ponto você já pode começar a brincar com as cores.
- Mas peraí, ainda são muito poucas!
- É, tem toda razão... O problema é que ainda não lhe disse que se você colocar o terminal em modo de ênfase (
tput bold), estas cores geram outras oito. Vamos montar então a tabela definitiva de cores:
| Valores das cores com o comando tput |
| 7 |
Cinza claro |
Branco |
| Valor |
Cor |
Cor após tput bold |
| 0 |
Preto |
Cinza escuro |
| 1 |
Vermelho |
Vermelho claro |
| 2 |
Verde |
Verde claro |
| 3 |
Marron |
Amarelo |
| 4 |
Azul |
Azul Brilhante |
| 5 |
Púrpura |
Rosa |
| 6 |
Ciano |
Ciano claro |
Exemplo
Como exemplo, vejamos um
script que mudará a cor de sua tela de acordo com sua preferência.
$ cat mudacor.sh
#!/bin/bash
tput sgr0
clear
# Carregando as 8 cores básicas para um vetor
Cores=(Preto Vermelho Verde Marrom Azul Púrpura Ciano "Cinza claro")
# Listando o menu de cores
echo "
Opc Cor
= ==="
# A linha a seguir significa: para i começando de 1;
#+ enquanto i menor ou igual ao tamanho do vetor Cores;
#+ incremente o valor de i de 1 em 1
for ((i=1; i<=${#Cores[@]}; i++))
{
printf "%02d %s\n" $i "${Cores[i-1]}"
}
CL=
until [[ $CL == 0[1-8] || $CL == [1-8] ]]
do
read -p "
Escolha a cor da letra: " CL
done
# Para quem tem bash a partir da versao 3.2
#+ o test do until acima poderia ser feito
#+ usando-se Expressoes Regulares. Veja como:
#+ until [[ $CL =~ 0?[1-8] ]]
#+ do
#+ read -p "
#+ Escolha a cor da letra: " CL
#+ done
CF=
until [[ $CF == 0[1-8] || $CF == [1-8] ]]
do
read -p "
Escolha a cor de fundo: " CF
done
let CL-- ; let CF-- # Porque as cores variam de zero a sete
tput setaf $CL
tput setab $CF
clear
Ganhando o jogo com mais coringas
Estava eu lendo meus e-mails quando recebo um do Tiago enviado para a
lista de Shell Script (já falei da lista e do Tiago no
Rotatório Peczenyj). A seguir o conteúdo do e-mail:
Não sei se é conhecimento de todos mas o shell possui, alem do
globbing normal (a expansão
*,
? e
[a-z] de nomes de arquivos e diretórios), um
globbing extendido.
Acho que, em alguns casos, podera ser BEM util, eliminando um
pipe para um
grep por exemplo.
São eles:
?(padrao)
Casa zero ou uma ocorrência de um determinado
padrao
*(padrao)
Casa zero ou mais ocorrências de um determinado
padrao
+(padrao)
Casa uma ou mais ocorrências de um determinado
padrao
@(padrao)
Casa com exatamente uma ocorrência de um determinado
padrao
!(padrao)
Casa com qualquer coisa, exceto com
padrao
Para poder utilizá-lo precisa executar o
shopt conforme o exemplo abaixo:
$ shopt -s extglob
$ ls
file filename filenamename fileutils
$ ls file?(name)
file filename
$ ls file*(name)
file filename filenamename
$ ls file+(name)
filename filenamename
$ ls file@(name)
filename
$ ls file!(name) # divertido esse
file filenamename fileutils
$ ls file+(name|utils)
filename filenamename fileutils
$ ls file@(name|utils) # "lembra" um {name,utils}
filename fileutils
Usando o awk para pesquisar por equivalência
Aí vai mais uma que o Tiago mandou para a
lista de Shell Script do Yahoo (já falei da lista e do Tiago no
Rotatório Peczenyj e no
Ganhando o jogo com mais coringa)
Quem ja não passou por isso: Procurar uma palavra, porém uma letra acentuada, ou não, atrapalhou a busca?
Não descobri como fazer o
grep ou
sed aceitarem algo semelhante, mas o gawk aceita classes de equivalência!
Melhor explicar com um exemplo, onde vou listar o número da linha e a ocorrência casada:
$ cat dados
éco
eco
èco
êco
ëco
eço
$ awk '/^eco/{print NR,$1}' dados
2 eco
$ awk '/^e[[=c=]]o/{print NR,$1}' dados
2 eco
6 eço
$ awk '/^[[=e=]]co/{print NR,$1}' dados
1 éco
2 eco
3 èco
4 êco
5 ëco
Ou seja, usar
[=X=] permite que a expressão encontre a letra
X estando acentuada ou não (é sensivel à localização corrente!).
A sintaxe é parecida com a das classes POSIX, trocando os dois-pontos
(:) antes e depois da classe por sinais de igual
(=).
Achei curioso e deve servir para algum caso semelhante ao descrito.
find – Procurando arquivo por características
Se você está como o Mr. Magoo, procurando em vão um arquivo, use o comando
find que serve para procurar arquivos não só pelo nome, como por diversas outras características. Sua sintaxe é a seguinte:
find [caminho ...] expressão [ação]
Parâmetros:
caminho Caminhos de diretório a partir do qual (porque ele é recursivo, sempre tentará entrar pelos subdiretórios "pendurados" neste) irá procurar pelos arquivos;
expressão Define quais critérios de pesquisa. Pode ser uma combinação entre vários tipos de procura;
ação Define que ação executar com os arquivos que atender aos critérios de pesquisa definidos por
expressão.
Os principais critérios de pesquisa definidos por expressão são:
-name |
Procura arquivos que tenham o nome especificado. Aqui podem ser usados metacaracteres ou caracteres curingas, porém estes caracteres deverão estar entre aspas, apóstrofos ou imediatamente precedidos por uma contrabarra isso porque quem tem de expandir os coringas é o find. Se fosse o Shell que os expandisse, isto seria feito somente com relação ao diretório corrente, o que jogaria por terra a característica recursiva do find; |
-user |
Procura arquivos que tenham usuário como dono; |
-group |
Procura arquivos que tenham grupo como grupo dono; |
-type c |
Procura por arquivos que tenham o tipo c, correspondente à letra do tipo do arquivo. Os tipos aceitos estão na tabela a seguir: |
| |
Valores de c |
Tipo de arquivo procurado |
| |
b |
Arquivo especial acessado a bloco |
| |
c |
Arquivo especial acessado a caractere |
| |
d |
Diretório |
| |
p |
Named pipe (FIFO) |
| |
f |
Arquivo normal |
| |
l |
Link simbólico |
| |
s |
Socket |
-size ±n[unid] |
Procura por arquivos que usam mais (+n) de n unidades unid de espaço ou a menos (-n) de n unidades unid de espaço. |
| |
Unidades |
Valor |
| |
b |
Bloco de 512 bytes (valor default) |
| |
c |
Caracteres |
| |
k |
Kilobytes (1024 bytes) |
| |
w |
Palavras (2 bytes) |
-atime ±d |
Procura por arquivos que foram acessados há mais (+d) de d dias ou a menos (-d) de d dias; |
-ctime ±d |
Procura por arquivos cujo status mudou há mais (+d) de d dias ou a menos (-d) de d dias; |
-mtime ±d |
Procura por arquivos cujos dados foram modificados há mais (+d) de d dias ou a menos (-d) de d dias; |
Para usar mais de um critério de pesquisa, faça:
expressão1 expressão2
ou
expressão1 –a expressão2
para atender aos critérios especificados por
expressão1 e expressão2;
expressão1 –o expressão2
para atender aos critérios especificados por
expressão1 ou expressão2.
As principais ações definidas para
ação são:
-print |
Esta opção faz com que os arquivos encontrados sejam exibidos na tela. Esta é a opção default no Linux. Nos outros sabores Unix que conheço, se nenhuma ação for especificada, ocorrerá um erro; |
-exec cmd {} \; |
Executa o comando cmd. O escopo de comando é considerado encerrado quando um ponto-e-vírgula (;) é encontrado. A cadeia {} é substituída pelo nome de cada arquivo que satisfaz ao critério de pesquisa e a linha assim formada é executada. Assim como foi dito para a opção –name, o ponto-e-vírgula (;) deve ser precedido por uma contrabarra (\), ou deve estar entre aspas ou apóstrofos; |
-ok cmd {} \; |
O mesmo que o anterior porém pergunta se pode executar a instrução cmd sobre cada arquivo que atende ao critério de pesquisa; |
-printf formato |
Permite que se escolha os campos que serão listados e formata a saída de acordo com o especificado em formato. |
Exemplos:
Para listar na tela
(-print) todos os arquivos, a partir do diretório corrente, terminados por
.sh, faça:
$ find . -name \*.sh Ação não especificada –print é default
./undelete.sh
./ntod.sh estes quatro primeiros arquivos foram
./dton.sh encontrados no diretório corrente.
./graph.sh
./tstsh/cotafs.sh
./tstsh/data.sh Estes quatro foram encontrados no
./tstsh/velha.sh diretório tstsh, sob o diretório corrente
./tstsh/charascii.sh
Preciso abrir espaço em um determinado
file system com muita urgência, então vou remover arquivos com mais de um megabyte e cujo último acesso foi há mais de 60 dias. Para isso, vou para este
file system e faço:
$ find . –type f –size +1000000c –atime +60 –exec rm {} \;
Repare que no exemplo acima usei três critérios de pesquisa, a saber:
-type f |
Todos os arquivos regulares (normais) |
-size +1000000c |
Tamanho maior do que 1000000 de caracteres (+1000000c) |
-atime +60 |
Último acesso há mais de 60 (+60) dias. |
Repare ainda que entre estes três critérios foi usado o conector
e, isto é, arquivos regulares
e maiores que 1MByte
e sem acesso há mais de 60 dias.
Para listar todos os arquivos do disco terminados por
.sh ou
.txt, faria:
$ find / -name \*.sh –o –name \*.txt –print
Neste exemplo devemos salientar além das contrabarras
(\) antes dos asteriscos
(*), o uso do
–o para uma ou outra extensão e que o diretório inicial era o raiz
(/); assim sendo, esta pesquisa deu-se no disco inteiro (o que freqüentemente é bastante demorado).
Com o
printf é possível formatar a saída do comando
find e especificar os dados desejados. A formatação do
printf é muito semelhante à do mesmo comando na linguagem C e interpreta caracteres de formatação precedidos por um símbolo de percentual
(%). Vejamos seus efeitos sobre a formatação:
| Caractere |
Significado |
%U |
Número do usuário (UID) do dono do arquivo |
%f |
Nome do arquivo (caminho completo não aparece) |
%F |
Indica a qual tipo de file system o arquivo pertence |
%g |
Grupo ao qual o arquivo pertence |
%G |
Grupo ao qual o arquivo pertence (GID- Numérico) |
%h |
Caminho completo do arquivo (tudo menos o nome) |
%i |
Número do inode do arquivo (em decimal) |
%m |
Permissão do arquivo (em octal) |
%p |
Nome do arquivo |
%s |
Tamanho do arquivo |
%u |
Nome de usuário (username) do dono do arquivo |
Também é possível formatar datas e horas obedecendo às tabelas a seguir:
| Caractere |
Significado |
%a |
Data do último acesso |
%c |
Data de criação |
%t |
Data de alteração |
Os três caracteres anteriores produzem uma data semelhante ao do comando
date.
Veja um exemplo:
$ find . -name ".b*" -printf '%t %p\n'
Mon Nov 29 11:18:51 2004 ./.bash_logout
Tue Nov 1 09:44:16 2005 ./.bash_profile
Tue Nov 1 09:45:28 2005 ./.bashrc
Fri Dec 23 20:32:31 2005 ./.bash_history
Nesse exemplo, o
%p foi o responsável por colocar os nomes dos arquivos. Caso fosse omitido, somente as datas seriam listadas.
Observe ainda que ao final foi colocado um
/n. Sem ele não haveria salto de linha e a listagem anterior seria uma grande tripa.
Essas datas também podem ser formatadas, para isso basta passar as letras da tabela anterior para maiúsculas (
%A,
%C e
%T) e usar um dos formatadores das duas tabelas a seguir:
| Tabela de formatação de tempo |
Z |
Fuso horário (na Cidade Maravilhosa BRST) |
| Caractere |
Significado |
H |
Hora (00..23) |
I |
Hora (01..12) |
k |
Hora (0..23) |
l |
Hora (1..12) |
M |
Minuto (00..59) |
p |
AM or PM |
r |
Horário de 12 horas (hh:mm:ss) seguido de AM ou PM |
S |
Segundos (00 ... 61) |
T |
Horário de 24-horas (hh:mm:ss) |
| Tabela de formatação de datas |
Y |
Ano com 4 dígitos |
| Caractere |
Significado |
a |
Dia da semana abreviado (Dom...Sab) |
A |
Dia da semana por extenso (Domingo...Sábado) |
b |
Nome do mês abreviado (Jan...Dez) |
B |
Dia do mês por extenso (Janeiro...Dezembro) |
c |
Data e hora completa (Fri Dec 23 15:21:41 2005) |
d |
Dia do mês (01...31) |
D |
Data no formato mm/dd/aa |
h |
Idêntico a b |
j |
Dia seqüencial do ano (001…366) |
m |
Mês (01...12) |
U |
Semana seqüencial do ano. Domingo como 1º dia da semana (00...53) |
w |
Dia seqüencial da semana (0..6) |
W |
Semana seqüencial do ano. Segunda-feira como 1º dia da semana (00...53) |
x |
Representação da data no formato do país (definido por $LC_ALL) |
y |
Ano com 2 dígitos (00...99) |
Para melhorar a situação, vejamos uns exemplos; porém, vejamos primeiro quais são os arquivos do diretório corrente que começam por
.b:
$ ls -la .b*
-rw------- 1 d276707 ssup 21419 Dec 26 17:35 .bash_history
-rw-r--r-- 1 d276707 ssup 24 Nov 29 2004 .bash_logout
-rw-r--r-- 1 d276707 ssup 194 Nov 1 09:44 .bash_profile
-rw-r--r-- 1 d276707 ssup 142 Nov 1 09:45 .bashrc
Para listar esses arquivos em ordem de tamanho, podemos fazer:
$ find . -name ".b*" -printf '%s\t%p\n' | sort -n
24 ./.bash_logout
142 ./.bashrc
194 ./.bash_profile
21419 ./.bash_history
No exemplo que acabamos de ver, o
\t foi substituído por um
na saída de forma a tornar a listagem mais legível. Para listar os mesmos arquivos classificados por data e hora da última alteração:
$ find . -name ".b*" -printf '%TY-%Tm-%Td %TH:%TM:%TS %p\n' | sort
2004-11-29 11:18:51 ./.bash_logout
2005-11-01 09:44:16 ./.bash_profile
2005-11-01 09:45:28 ./.bashrc
2005-12-26 17:35:13 ./.bash_history
Algumas implementações do Bash 4.0
Aqui neste tópico lançarei somente o que é inteiramente novo a partir do Bash 4.0. O que já existia, mas que foi aprimorado a partir desta versão do Bash (como as expansões de parâmetro), está sendo publicado na seção correspondente.
Coprocessos
A partir da versão 4.0, o Bash incorporou o comando
coproc. Este novo intrínseco (
builtin) permite dois processos assíncronos se comunicarem e interagirem. Como cita Chet Ramey no Bash FAQ, ver. 4.01:
"Há uma nova palavra reservada, coproc, que especifica um coprocesso: um comando assíncrono que é executado com 2
pipes conectados ao Shell criador.
coproc pode receber nome. Os descritores dos arquivos de entrada e saída e o PID do coprocesso estão disponíveis para o Shell criador em variáveis com nomes específicos do
coproc."
George Dimitriu explica:
"O
coproc é uma facilidade usada na substituição de processos que agora está publicamente disponível."
A comprovação do que disse Dimitriu não é complicada, quer ver? Veja a substituição de processos a seguir:
$ cat <(echo xxx; sleep 3; echo yyy; sleep 3)
Viu?! O
cat não esperou pela conclusão dos comandos entre parênteses, mas foi executado no fim de cada um deles. Isso aconteceu porque estabeleceu-se um
pipe temporário/dinâmico e os comandos que estavam sendo executados, mandavam para ele as suas saídas, que por sua vez as mandava para a entrada do
cat.
Isso significa que os comandos desta substituição de processos rodaram paralelos, sincronizando somente nas saídas dos
echo com a entrada do
cat.
A sintaxe de um coprocesso é:
coproc [nome] cmd redirecionamentos
Isso criará um coprocesso chamado
nome. Se nome for informado,
cmd deverá ser um comando composto. Caso contrário (no caso de
nome não ser informado),
cmd poderá ser um comando simples ou composto.
Quando um
coproc é executado, ele cria um vetor com o mesmo nome
nome no Shell criador. Sua saída padrão é ligada via um
pipe a um descritor de arquivo associado à variável
${nome[0]} à entrada padrão do
Shell pai (lembra que a entrada padrão de um processo é sempre associada por
default ao descritor zero?). Da mesma forma, a entrada do
coproc é ligada à saída padrão do
script, via
pipe, a um descritor de arquivos chamado
${nome[1]}.
Assim, simplificando, vemos que o script mandará dados para o
coproc pela variável
${nome[0]}, e receberá sua saída em
${nome[1]}.
Note que estes
pipes serão criados antes dos redirecionamentos especificados pelo comando, já que eles serão as entradas e saídas do coprocesso.
A partir daqui, vou detalhar rapidamente uns estudos que fiz. Isso contém um pouco de divagações e muita teoria. Se você pular para depois desses
ls's, não perderá nada, mas se acompanhar, pode ser bom para a compreensão do mecanismo do
coproc.
Após colocar um
coproc rodando, se ele está associado a um descritor de arquivo, vamos ver o que tem ativo no diretório correspondente:
$ ls -l /dev/fd
lrwxrwxrwx 1 root root 13 2010-01-06 09:31 /dev/fd -> /proc/self/fd
Hummm, é um
link para o
/proc/self/fd... O que será que tem lá?
$ ls -l /proc/self/fd
total 0
lrwx------ 1 julio julio 64 2010-01-06 16:03 0 -> /dev/pts/0
lrwx------ 1 julio julio 64 2010-01-06 16:03 1 -> /dev/pts/0
lrwx------ 1 julio julio 64 2010-01-06 16:03 2 -> /dev/pts/0
lr-x------ 1 julio julio 64 2010-01-06 16:03 3 -> /proc/3127/fd
Epa, que o
0,
1 e
2 apontavam para
/dev/pts/0 eu já sabia, pois são a entrada padrão, saída padrão e saída de erros padrão apontando para o pseudo terminal corrente, mas quem será esse maldito device
3? Vejamos:
$ ls -l /proc/$$/fd # $$ É o PID do Shell corrente
total 0
lr-x------ 1 julio julio 64 2010-01-06 09:31 0 -> /dev/pts/0
lrwx------ 1 julio julio 64 2010-01-06 09:31 1 -> /dev/pts/0
lrwx------ 1 julio julio 64 2010-01-06 09:31 2 -> /dev/pts/0
lrwx------ 1 julio julio 64 2010-01-06 16:07 255 -> /dev/pts/0
l-wx------ 1 julio julio 64 2010-01-06 16:07 54 -> pipe:[168521]
l-wx------ 1 julio julio 64 2010-01-06 16:07 56 -> pipe:[124461]
l-wx------ 1 julio julio 64 2010-01-06 16:07 58 -> pipe:[122927]
lr-x------ 1 julio julio 64 2010-01-06 16:07 59 -> pipe:[168520]
l-wx------ 1 julio julio 64 2010-01-06 16:07 60 -> pipe:[121302]
lr-x------ 1 julio julio 64 2010-01-06 16:07 61 -> pipe:[124460]
lr-x------ 1 julio julio 64 2010-01-06 16:07 62 -> pipe:[122926]
lr-x------ 1 julio julio 64 2010-01-06 16:07 63 -> pipe:[121301]
Epa, aí estão os
links apontando para os
pipes. Esse monte de arquivo de
pipe que foi listado, deve ser porque estava testando exaustivamente essa nova facilidade do Bash.
Para terminar esta teoria chata, falta dizer que o
PID do Shell gerado para interpretar o
coproc pode ser obtido na variável
$nome_PID e o comando
wait pode ser usado para esperar pelo fim do coprocesso. O código de retorno do coprocesso (
$?) é o mesmo de
cmd.
Exemplo:
Vamos começar com o mais simples: um exemplo sem
nome e direto no
prompt:
$ coproc while read Entra # coproc ativo
> do
> echo -=-=- $Entra -=-=-
> done
[2] 3030
$ echo Olá >&${COPROC[1]} # Manda Olá para a pipe da saída
$ read -u ${COPROC[0]} Sai # Lê do pipe da entrada
$ echo $Sai
-=-=- Olá -=-=-
$ kill $COPROC_PID # Isso não pode ser esquecido...
Como você viu, o vetor
COPROC, está associado a dois
pipes; o
${COPROC[1]} que contém o endereço do
pipe de saída, e por isso a saída do
echo esta redirecionada para ele e o
${COPROC[0]} que contém o endereço do
pipe de entrada, e por isso usamos a opção
-u do
read que lê dados a partir de um descritor de arquivo definido, ao invés da entrada padrão.
Como o coprocesso utilizava a sintaxe sem nome, o padrão do nome do vetor é
COPROC.
Só mais uma teoriazinha chata:
$ echo ${COPROC[@]} # Lista todos os elementos do vetor
59 54
Como você viu
${COPROC[0]} estava usando o
pipe apontado por
/proc/$$/fd/59 e
${COPROC[1]} usava
/proc/$$/fd/54.
Agora chega de teoria mesmo! Vamos agora usar
nome neste mesmo exemplo, para ver que pouca coisa muda:
$ coproc teste {
> while read Entra
> do
> echo -=-=- $Entra -=-=-
> done
> }
[6] 3192
$ echo Olá >&${teste[1]}
$ read -u ${teste[0]} Sai
$ echo $Sai
-=-=- Olá -=-=-
$ kill $teste_PID
Nesse momento, é bom mostrar uma coisa interessante: Quais são os processos em execução?
$ ps # Somente no Bash em execução
PID TTY TIME CMD
1900 pts/0 00:00:01 bash
2882 pts/0 00:00:00 ps
Vamos executar 2 coprocessos simultâneos:
$ coproc nome1 { # Coprocesso nome1
> while read x
> do
> echo $x
> done; }
[1] 2883
$ coproc nome2 { # Coprocesso nome2
> while read y
> do
> echo $y
> done; }
bash: aviso: execute_coproc: coproc [2883:nome1] still exists
[2] 2884
Xiiii! Acho que deu zebra! Mas será que deu mesmo? Repare que além do
PID 2883 de
nome1, ele também me devolveu o
PID 2884, que deve ser de
nome2. Vamos ver o que está acontecendo:
$ ps
PID TTY TIME CMD
1900 pts/0 00:00:01 bash Esse já existia
2883 pts/0 00:00:00 bash Esse está executando nome1
2884 pts/0 00:00:00 bash Esse está executando nome2
2885 pts/0 00:00:00 ps
Parece que foi só um aviso, pois os dois PIDs informados quando iniciamos os dois coprocessos, estão ativos. Então vamos testar esses 2 caras:
$ echo xxxxxxxxx >&${nome1[1]} # Mandando cadeia para nome1
$ echo yyyyyyyyy >&${nome2[1]} # Mandando cadeia para nome2
$ read -u ${nome1[0]} Recebe
$ echo $Recebe
xxxxxxxxx
$ read -u ${nome2[0]} Recebe
$ echo $Recebe
yyyyyyyyy
$ kill $nome1_PID
$ kill $nome2_PID
Vetores associativos
A partir do Bash 4.0, passou a existir o vetor associativo. Chama-se vetor associativo, aqueles cujos índices são alfabéticos. As regras que valem para os vetores inteiros, valem também para os associativos, porém antes de valorar estes últimos, é obrigatório declará-los.
Exemplo:
$ declare -A Animais # Obrigatório para vetor associativo
$ Animais[cavalo]=doméstico
$ Animais[zebra]=selvagem
$ Animais[gato]=doméstico
$ Animais[tigre]=selvagem

É impossível gerar todos os elementos de uma só vez, como nos vetores inteiros. Assim sendo, não funciona a sintaxe:
Animais=([cavalo]=doméstico [zebra]=selvagem [gato]=doméstico [tigre]=selvagem)
$ echo ${Animais[@]}
doméstico selvagem doméstico selvagem
$ echo ${!Animais[@]}
gato zebra cavalo tigre
Repare que os valores não são ordenados, ficam armazenados na ordem que são criados, diferentemente dos vetores inteiros que ficam em ordem numérica.
Supondo que esse vetor tivesse centenas de elementos, para listar separadamente os domésticos dos selvagens, poderíamos fazer um script assim:
$ cat animal.sh
#!/bin/bash
# Separa animais selvagens e domésticos
declare -A Animais
Animais[cavalo]=doméstico # Criando vetor para teste
Animais[zebra]=selvagem # Criando vetor para teste
Animais[gato]=doméstico # Criando vetor para teste
Animais[tigre]=selvagem # Criando vetor para teste
Animais[urso pardo]=selvagem # Criando vetor para teste
for Animal in "${!Animais[@]}" # Percorrendo vetor pelo índice
do
if [[ "${Animais[$Animal]}" == selvagem ]]
then
Sel=("${Sel[@]}" "$Animal") # Gerando vetor p/ selvagens
else
Dom=("${Dom[@]}" "$Animal") # Gerando vetor p/ domésticos
fi
done
# Operador condicional, usado para descobrir qual
#+ vetor tem mais elementos. Veja detalhes na seção
#+ O interpretador aritmético do Shell
Maior=$[${#Dom[@]}>${#Sel[@]}?${#Dom[@]}:${#Sel[@]}]
clear
tput bold; printf "%-15s%-15s\n" Domésticos Selvagens; tput sgr0
for ((i=0; i<$Maior; i++))
{
tput cup $[1+i] 0; echo ${Dom[i]}
tput cup $[1+i] 14; echo ${Sel[i]}
}
Gostaria de chamar a sua atenção para um detalhe: neste
script me referi a um elemento de vetor associativo empregando
${Animais[$Animal]} ao passo que me referi a um elemento de um vetor inteiro usando
${Sel[i]}. Ou seja, quando usamos uma variável como índice de um vetor inteiro, não precisamos prefixá-la com um cifrão (
$), ao passo que no vetor associativo, o cifrão (
$) é obrigatório.
Lendo um arquivo para um vetor
Ainda falando do Bash 4.0, eis que ele surge com uma outra novidade: o comando intrínseco (
builtin)
mapfile, cuja finalidade é jogar um arquivo de texto inteiro para dentro de um vetor, sem
loop ou substituição de comando.
- EPA! Isso deve ser muito rápido!
- E é. Faça os teste e comprove!
Exemplo:
$ cat frutas
abacate
maçã
morango
pera
tangerina
uva
$ mapfile vet < frutas # Mandando frutas para vetor vet
$ echo ${vet[@]} # Listando todos elementos de vet
abacate maçã morango pera tangerina uva
Obteríamos resultado idêntico se fizéssemos:
$ vet=($(cat frutas))
Porém isso seria mais lento porque a substituição de comando é executada em um subshell.
Uma outra forma de fazer isso que logo vem à cabeça é ler o arquivo com a opção
-a do comando
read. Vamos ver como seria o comportamento disso:
$ read -a vet < frutas
$ echo ${vet[@]}
abacate
Como deu para perceber, foi lido somente o primeiro registro de frutas.
Vou aproveitar também para mandar o meu jabá: diga para os amigos que quem estiver afim de fazer um curso porreta de programação em
Shell que mande um e-mail para a nossa
gerencia de treinamento para informar-se.
Qualquer dúvida ou falta de companhia para um chope ou até para falar mal dos políticos é só mandar um e-mail para
mim.
Valeu!