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EvertonRodrigues - 12 Apr 2006
CARTA DE LANÇAMENTO
Frente Nacional por um Sistema Democrático de Rádio e TV Digital
Brasília, 4 de abril de 2006.
Nas decisões acerca da implantação do Rádio e da TV Digital no País reside boa parte do futuro da produção cultural brasileira. Neste processo, achamos possível e fundamental garantir avanços para um novo modelo de comunicação para o Brasil. Queremos democratizar as mídias, com a inclusão de mais atores na produção de conteúdo em rádio e TV; queremos um marco regulatório que prepare o Brasil para os desafios da convergência tecnológica; queremos que milhões de pessoas participem do maior programa de apropriação social das tecnologias de informação e comunicação da história do país; queremos fomentar uma cultura de participação e controle público da mídia; queremos impulsionar uma indústria audiovisual forte e plural; queremos ter na mídia a representação da diversidade cultural e regional brasileira; e queremos desenvolver a indústria nacional e, juntamente com o incremento da produção de conteúdo, gerar empregos e ajudar o país a superar o desafio da inclusão social. Em resumo, queremos utilizar o Rádio e TV Digital para impulsionar um projeto soberano e democrático de país garantindo direitos fundamentais consagrados pela Constituição Federal.
As decisões em curso podem ajudar o País a se desenvolver sob a égide do interesse público e promover a democratização das comunicações brasileiras. Mas também podem aprofundar os erros históricos cometidos na formação dos sistemas e mercados de radiodifusão no Brasil, com o acirramento de nossa dependência econômica em relação aos países mais ricos e produtores de tecnologia e conteúdo, além da continuidade do processo de concentração da mídia, com a falência do modelo de financiamento do setor e com a ausência de mecanismos de escoamento das produções audiovisuais independentes, locais e regionais. Ou seja, com a continuidade da prevalência dos interesses patrimonialistas e cartorialistas que sempre permearam as relações do Estado brasileiro com os grupos comerciais em detrimento dos interesses da população.
Com definições tão importantes a serem tomadas no próximo período, que incidirão profundamente na vida dos 180 milhões de brasileiros e brasileiras, nós – representantes de movimentos sociais e populares, organizações não-governamentais, sindicatos e associações de classe, conscientes da necessidade de somar esforços para participar politicamente do processo de tomada de decisão por parte do governo federal, constituímos na partir da presente data a Frente Nacional por um Sistema Democrático de Rádio e TV Digital.
A partir de hoje, atuaremos em conjunto para:
tornar o debate sobre a digitalização da radiodifusão brasileira realmente público, democrático, amplo e transparente;
formular propostas acerca do modelo de implantação e exploração dos serviços e das opções tecnológicas e econômicas mais adequadas para o Brasil;
defender a necessidade de que o Sistema Brasileiro de Televisão Digital (SBTVD) respeite os objetivos dispostos no Decreto 4.901 de 2003, que o criou, tais como a democratização da informação e o aperfeiçoamento do uso do espectro de radiofreqüências, a inclusão social, o desenvolvimento da indústria nacional e a garantia de um processo de transição que não onere os cidadãos;
defender um genuíno SBTVD a partir das inovações produzidas pelos pesquisadores brasileiros com a utilização de recursos públicos;
reivindicar a implementação de uma política pública que vise o desenvolvimento de um Sistema Brasileiro de Rádio Digital (SBRD) com os mesmos princípios do SBTVD; e
defender que as decisões tomadas abranjam também a definição de um marco regulatório que incorpore a convergência tecnológica e regulamente os artigos constitucionais que envolvem a área das comunicações, bem como a legislação infraconstitucional
Acreditamos que uma definição criteriosa, que conte com a participação dos diversos setores envolvidos no processo fará com que o Brasil tenha reais condições de desenvolver um sistema de comunicações que seja plural, diverso e verdadeiramente democrático. Uma decisão apressada e pouco transparente só beneficiará os grupos privados criando uma situação “de fato” que poderá inviabilizar a inclusão de milhões de cidadãos e cidadãs hoje excluídos do processo de produção e distribuição de informação e de conteúdos audiovisuais.
Integram a frente as seguintes organizações:
Abong - Associação Brasileira de ONGs
Associação Cultural Ferrabraz - Sapiranga
Abraço - Associação Brasileira de Radiodifusão Comunitária
ABCCOM – Associação Brasileira de Canais Comunitários
ABCTEL – Associação Brasileira dos Consumidores de Telecomunicações
ABTU - Associação Brasileira de Televisão Universitária
Ação Brasileira pela Nutrição e Direitos Humanos - ABRANDH
Age.Com - Agência de Cultura e Comunicação Comunitária
Amarc - Associação Mundial de Rádios Comunitárias
AMP – Articulação Musical de Pernambuco
Aneate - Associação Nacional de Técnicos em Artes e Espetáculos
ASCCOM - Associação dos Cantores e Compositores do Estado de Goiás
Associação Software Livre.org
Campanha “Quem Financia a Baixaria é Contra a Cidadania”
Cáritas Brasileira
CBC - Congresso Brasileiro de Cinema
CCLF - Centro de Cultura Luiz Freire
Central de Movimentos Populares do Rio Grande do Sul
Comunicativistas
CFP - Conselho Federal de Psicologia
CNC - Conselho Nacional de Cineclubes
Comissão Pastoral da Terra de Minas Gerais
Comitê Mineiro do Fórum Social Mundial
Confea – Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia
CREC - Centro Rio-Clarense de Estudos Cinematográficos
CRIS Brasil - Articulação Nacional pelo Direito à Comunicação
CUT – Central Única dos Trabalhadores
ENEC - Executiva Nacional dos Estudantes de Computação
Enecos - Executiva Nacional dos Estudantes de Comunicação Social
Estúdio Livre
Farc – Federação das Associações de Radiodifusão Comunitária do Rio de Janeiro
Fenaj – Federação Nacional dos Jornalistas
Fenajufe - Federação dos Trabalhadores do Poder Judiciário e Ministério Público da União
Fittert - Federação Interestadual dos Trabalhadores em Radiodifusão e Televisão
Fittel - Federação Interestadual dos Trabalhadores em Telecomunicações
FNDC - Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação
FNPJ - Fórum Nacional dos Professores de Jornalismo
FENDH - Fórum de Entidades Nacionais de Direitos Humanos
Fopecom - Fórum Pernambucano de Comunicação
Inesc - Instituto de Estudos Sócio-Econômicos
Intervozes - Coletivo Brasil e Comunicação Social
Instituto de Mídia Étnica
Jornal Brasil de Fato
Media Sana
MNDH - Movimento Nacional de Direitos Humanos
Movimento Capão Xavier Vivo
Projeto Software Brasil
Rádio Comunitária Esplanada FM
Rede Nacional de Advogados Populares
RITS - Rede de Informações para o Terceiro Setor
Sindicato dos Bibliotecários de Minas Gerais
Sindicato dos Jornalistas do DF
Sindicato dos Jornalistas de PE
Sindicato dos Jornalistas do RS
Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Minas Gerais
Sindicato dos Radialistas do DF
Sindjufego – Sindicato do Judiciário Federal em Goiás
Sinos
SintPq – Sindicato dos Trabalhadores em Pesquisa, Ciência e Tecnologia de São Paulo
Sitraemg – Sindicato dos Trabalhadores do Poder Judiciário Federal no Estado de MG
STIC – Sindicato Interestadual dos Trabalhadores na Indústria Cinematográfica e Audiovisual
TV Comunitária de Brasília
TV Cidade Livre
TVER Minas Gerais
Ventilador Cultural
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