WagnerSaback

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A Alegria e o contentamento do manter-se

(11 May 2008 - 20:37)

A Alegria e o contentamento em manter-se

Aos que me conhecem, costumo dizer que ser constante é mais importante do que ser ágil, normalmente designado como sinônimo de uma eficiência que vai muito além da eficácia de transpassar um pensamento à prática ou de uma prática a outra melhor, seja uma prática mental ou material. Tal intenção nem sempre é percebida, contudo, em um palco onde a velocidade dos fatos, das pessoas e de suas intenções determinam o ritmo do dia-a-dia. É assombroso sentir que, em tantas oportunidades, elementos de vida e de pensamento valorosos passam-se desapercebidos como inúteis de forma indolor, marginal, omissa e passiva.

E, quando me questionam sobre esta constatação, respondo jocosamente:

_ De pressa já basta a pressa do mundo.

Recebi há pouco uma mensagem eletrônica do meu amigo, querido e amado amigo bahiano, Elvis Kempes com o pano de fundo do Dia das Mães (curiosidade: em Portugal, comemora-se esta data no 1º domingo de maio) em cujo final havia um excerto bíblico, o seguinte:

"Alegrei-me, sobremaneira, no Senhor porque, agora, uma vez mais, renovastes a meu favor o vosso cuidado; o qual já tínheis antes, mas vos faltava oportunidade. Digo isto, não por causa da pobreza, porque aprendi a viver contente em toda e qualquer situação. Tanto sei estar humilhado como também ser honrado; de tudo e em todas as circunstâncias, já tenho experiência, tanto de fartura como de fome; assim de abundância como de escassez; tudo posso naquele que me fortalece".

(Trecho da carta de S. Paulo aos Filipenses: 4.10-13)

Há também uma versão do mesmo trecho no Bíblia Online.

Sempre, dia após dia, tento pôr em prática o mote acima mencionado, algo muito difícil de realizar e que, muitas vezes, foge até à minha tangibilidade.

Sabemos nós, ao menos, que, ainda acordados, se vive em um grande turbilhão de experiências, num processo claudicante, torto, instável. No entanto, não saboreamos muitas vezes (no caso de alguns, nunca degustaram de fato) este mesma longa cadeia vital. Portanto, no fim, não sabemos, mesmo, de nada, de como se constitui uma vida.

Faz-se necessário, sempre que possível, tornar-se ao nosso íntimo e contemplarmos de que maneira estamos sendo constantes conosco mesmos e com os nossos sentimentos, que mais tarde expressar-se-ão em atitudes concretizadas, conscientemente ou não, que queiramos que sejam nobres e sinceros. Aos outros e, em primeiro lugar, a nós mesmos. É imperioso, como importante passagem deste trabalho subjetivo, exercitarmos a espiritualidade (o que não é exatamente a religiosidade embora, para muitos, ambos estejam interligados; no meu caso, um agnóstico teísta, há uma esforço no exercício da espiritualidade mesmo sem eu ser religioso no qual muitos versículos da Bíblia ajudam-me com meditações oportunas).

Acredito piamente em que o exercício subjetivo da contumácia nos torna fortes e contentes. No meu caso, o contentamento vem acompanhado da Alegria, do regozijo oriundo dAquele sempre presente, que tudo pode realizar e de tudo ciente.

-- WagnerSaback - 11 May 2008

A grande armada (dos caminhos da organização social, de volta)

(17 Mar 2008 - 14:03)

A grande armada: dos caminhos da organização social, de volta

Já se passaram alguns bons meses desde que escrevi neste espaço pela última vez. Pessoas foram e vieram, tudo permaneceu praticamente na mesma, porque as situações de vida soam repetitivas, muitos conhecidos pediram (com uma medida de exigência por vezes) a mim para redigir. Não sei por qual motivo, pediram. Pediram por motivos variados, sei bem. Eu, por relutância, decidi calar-me nas notas. Nas anotações de meu cotidiano e de muitos pensamentos que me permeiam. Calar-se é melhor do que falar, sabem? E eu sinto-me cansado de arrebentar-me em cima das mesmas notas.

Mas, ao ouvir uma canção do Radiohead agora há pouco, parei e veio-me a intenção de colocá-la aqui. O que sempre bato em cima, com grande desespero e ardor, com grande verdade e conflito: A Grande Armada. Usarei a metonímia para tentar abarcar o máximo de coisas possível que vicejo, que comigo coexiste (convivencia?). Parei: e, como em poucas oportunidades, estive em harmônico estado -- tudo está tão parado mesmo?

Quando penso em uma grande estrutura social, que é militarizada, desvaneço. Pareço que estou borrado no meio de tantas confusões. Será a vida sempre assim? A Grande Armada.

Há crônicas e casos de Portugal, que se ressente historicamente de sua áurea de grande esquadra naval em século XVI, a contar. Muitos, inenarráveis, ficaram apenas em minha mente como um negativo fotográfico. Não contarei a ninguém e não digo isto para açodar os mais curiosos. Não contarei mesmo, recuso-me. Sou o que escrevo e só escrevo o que me dá na telha, de rompante, mas sem liberalidade. Não sou blogueiro. Alguns que me conhecem podem supor o que desejaria dizer. Ficam com vocês esta impressão empática.

Somos grandes, mas a nossa evolução prima pela retrocesso às claras.

You and Whose Army?
(Radiohead, Amnesiac, 2001)

Come on, come on
You think you drive me crazy
Come on, come on
You and whose army?
You and your cronies
Come on, come on
Holy roman empire
Come on if you think
Come on if you think
You can take us all on
You can take us all on

You and whose army?
You and your cronies

You forget so easily
You ought to know
You ought to know
Oh so sad
Oh so sad
Oh so sad
You ought to know
You ought to know
I'm so sad
I'm so sad
I'm so sad..

-- WagnerSaback - 17 Mar 2008

Os pequenos detalhes III (dos caminhos da organização social)

(27 Oct 2007 - 16:22)

Detalhes e outras pequenas impressões dos primeiros dias (parte III -- dos caminhos da organização social)

Para que todo contigente de sujeitos possa minimamente progredir em manada (sem entrar em detalhes de quem progride ou não neste meio de lobos e cordeiros), estabelecem-se mecanismos, procedimentos, ações compulsórias, regras de filtragem, liberdades oferecidas (ou eximidas) a depender das comprovações de que você é quem você é. De que você veio fazer o que veio fazer. De que você não quer corromper a legitimidade daquele meio «comum» (entre aspas certamente), instituído por não-sei-quem, nomeado como Estado, um Estado de Direito (do seu, direito; do outro, o que se torna dever seu), sobrepujar a dignidade de todo o outro que não é você.

É necessário comprovar a sua identidade, a autoridade de que você dispõe (e muitas vezes sabe que tem quando se é digno). É necessário comprovar a sua identidade pela importância da alteridade. Respeito a outro, outros.

Em curta extensão de letras: burocracia. Faz-se necessário, como em toda nação minimamente organizada, encarar esta figura que representa a natureza de um estado moderno (digo em termos de linha do tempo, não porque o seja moderno como sofisticado, com bom custo-benefício, justo, sem inconsistências e absurdos e por aí vai), o sistema social.

_ Quem você é? O que veio fazer aqui? É alguém com dignidade? Mora onde? Possui renda? Vai oferecer algo de bom ao nosso território? Não vai roubar ninguém? -- essas, e questões similares, são as que poderiam ser feitas pela Sra. Burocracia.

Departamentos, Bureaus, Burocracias.

Em Portugal, não é diferente. Sabia eu, desde o Brasil, de que, aqui, em terra lusitana, o papel que você supostamente tem para quem o vê, o que se comprova pelas suas titulações e outros certificados formais, valeria bastante. Seria colocado você em posição de destaque (ou subjugo) completo acaso você fosse quem fosse, e este «fosse» fosse alguém muito válido aos olhos dos outros que também mantêm os seus «fosses». Trata-se de uma sociedade, como qualquer outra, ocidental ou oriental, do hemisfério norte ou sul do planeta Terra, do parecer ser. Sociedade do Parecer Ser.

Mesmo assim, vim para cá. No Brasil, não me suscitou algo distinto, correto? Haveria eu, em Lisboa, de me achar em situação corriqueira portanto.

A lista de documentos, dentro da qual sempre há um passaporte e um pagamento, que serve de documento de identidade cá, de que eu precisava tão logo cheguei a Portugal compreende:

  • Um documento com o seu registro no serviço de impostos como pessoa física com alguma natureza de pagante de impostos. No Brasil, seria o CPF. Aqui, «cartão do contribuinte» (se bem que uma senhora que me atendeu a respeito deste documento o chamou de CPF, com as três letras, exatamente, cê-pê-efe, ou cê-pê-fê, em homenagem aos bahianos e outros nordestinos brasileiros que aprenderam o alfabeto como eu, onde efe é fê, gê é guê, jota é ji...). Requisitos: se eu tiver visto como residente, nada, só eu. Se não (meu caso até então, possuo apenas um visto temporário com validade de 4 meses: a lei portuguesa referente à fronteira e ao estrangeiro mudou, e o consulado português no Brasil, por exemplo, não emite mais vistos da magnitude de um visto de estudo, trabalho, residência, etc. Tudo fica a cargo do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, o SEF, sobre o qual já tive péssimas observações. Por enquanto, contudo, ficaremos, leitor prezado, sem as críticas, visto que não me embrenhei por esta agência governamental, haverá outra oportunidade). Valeu-me 6 ¤ e alguns centavos («cêntimos»);
  • Um registro («registo») no bairro («freguesia») onde vivo. É o «registo de freguesia». Do que é preciso? Duas testemunhas que sejam eleitoras (há outro nome para tanto aqui, não me recordo de qual é no momento), o cartão do contribuinte e o preenchimento de um formulário («impresso»);
  • Um registro no posto de saúde do bairro, o «cartão de saúde». Necessidades: documento do serviço de saúde, o que pode ser um seguro particular («privado»), público (no caso nosso, brasileiro, um formulário PB4, obtido quando se paga a seguridade social brasileira, o INSS, seja como autônomo ou não); e o cartão de contribuinte;
  • Um cartão do metro (conforme comentei na última nota) para entrar e sair uma miríade de vezes das estações de metrô lisboetas. Na entrega do formulário preenchido, sai 7 ¤. No recebimento, a ser feito na estação do metrô donde você pegou aquele formulário (importante saber por motivos de consumição, pretendo comentar mais depois a respeito), porém em branco, há duas opções. A primeira cede-lhe apenas a garantia de liberdade de ser transeunte no metrô ao sabor de 17,80 ¤. A segundo lhe dá direito, leitor, também ao transporte de ônibus em troca de 27 ¤ (ou 27,80 ¤? É algo disto, entre 27 e 28 euros);
  • Uma conta bancária. Além do dinheiro, dinâmico (obviamente, não existem instituições financeiras a fim de manter em letargia o seu montante nas mãos deles, é preciso dar o dinheiro a correr para que sobrem rastros de pequenos dinheiros, oriundos de cada montante de cada um que colocou o seu montante em banco, e, ao cômputo dos pequenos dinheiros, a instituição, salvaguarda postiça, receba, embora não percebida e incrivelmente aplaudida por muitos, a sua razão social verdadeira: acumular rendimentos do esforço alheio).

Do rol, não incluo os papéis acadêmicos. Deixo-os de lado para encutar este papo.

Para consegui-los o que fiz? Ah, leitor, não me provoque! Foram muitas investidas, diversas. Que duraram, felizmente, 1 semana e pouquinhos dias (penso que 1 semana e mais 5 dias, ou seja, 2 semanas quase).

O começo de tudo foi o cartão-contribuinte. Sem poder de nada, tive que levar uma testemunha portuguesa comigo. Qual alma mais vizinha a que recorrer? O voluntário foi o orientador acadêmico («tutor»), o (digno) Prof. Miguel Correia. Por desventura, acabou substanciando-se em instante inoportuno: Miguel estava ocupadíssimo no dia, uma quarta-feira (dia 17.10.2007 salvo engano), haveria uma reunião que, com o risco de atraso, acabaria pouco antes do nosso horário marcado para irmos à Loja do Cidadão (aos bahianos: é a mesma coisa do SAC, com as suas facilidades e obstáculos e cheias de pessoas; aos não-bahianos: vocês devem saber do que falo, não? Elucido-lhes: uma localidade responsável pelo controle de emissões de documentos formais como carteiras de identidades ou «bilhetes de identidades» (os «BI» daqui) e, como vêem, o cartão do contribuinte). Marcamos, no dia anterior, às 11h. Sem erro de atrasar-se, Miguel, compreensivelmente, chegou às quase 11h30. Fomos.

Na porta da Loja do Cidadão, fomos ao local onde emitem o cartão. Peguei a senha. Havia umas 30 pessoas na minha frente a ser atendidas. Desistimos. Miguel não merecia ficar sem almoçar. Era 12h15, e ele teria aula às 13h. Deixaria para outra oportunidade, contudo havia um problema: a quem recorrer? Se não Miguel, haveria outro português próximo?

Claro:

_ Zé, ele mesmo! -- pensava eu ao comentar com Alysson, que achou a idéia ótima.

José Pinto Santos, Zé, português da região de Porto, de um lugar («sítio») de cujo nome não me lembro. Morador do apartamento onde eu convivo com Alysson e ele. Estudante de licenciatura em Psicologia na Universidade Lusófona. Sujeito gozador, ateu, agnóstico, racional (até demais!), detentor de um humor picante, ácido e, por vezes, infame. Por outro lado, gentil, compreensível e reto. Um cidadão luso.

Foi Zé quem me ajudou. Titubeou de início (justificadamente, depois Alysson me explicou a motivação: alguém foi por ele ajudado e o sacaneou, o que o deixou desconfiado com esses furtivos chamados por socorro) e aceitou sem me conhecer direito. Foi no dia seguinte à tentativa de Miguel. Ele necessitaria de uma atualização em seu BI. Eu, do meu querido comprovante de contribuinte ao fisco português e, por tabela, de que eu poderia obter uma série doutros documentos imprescindíveis à minha existência social aqui.

Por sorte e, quem sabe, por malandragem de Zé (ele foi a minha testemunha de fato, mas o seu documento estava com a validade vencida -- não era por este motivo pelo qual ele fora à Loja do Cidadão? -- e retiraria logo mais adiante ao meu pedido -- a sua senha proporcionava uma atendimento posterior ao meu, havia mais gente a querer um BI do que um cartão do contribuinte certamente), e benevolência desconfiada da atendente, conseguimos. Um grande ganho! Pago o comprovante, pude seguir para casa com Zé e agradecê-lo seguidamente.

Esta foi a primeira de muitas histórias a vir.

-- WagnerSaback - 27 Oct 2007

Os pequenos detalhes II

(21 Oct 2007 - 14:54)

Detalhes e outras pequenas impressões dos primeiros dias (parte 2)

A acomodação no moradia foi agradável e ocorreu sem maiores problemas. Moro em um apartamento grande no bairro («freguesia») de Benfica: Avenida do Uruguai (uma coincidência com a Rua Direta do Uruguai, local onde morei em Salvador antes de ir para Fpolis), 51, 6º Frente, 1500-611. Trata-se de um endereço («morada») em avenida principal, portanto bastante movimentado, perto de um shopping (Colombo, falo do mesmo depois noutra nota quando tiver maior familiaridade com o local), de um supermercado (Pingo Doce) e de vários pequenos pontos comerciais, sobretudo cafeterias («cafetarias») e restaurantes.

O posto de saúde de Benfica também é próximo, o ponto de ônibus («parada», creio) idem, a estação de metrô (o Metropolitano de Lisboa ou, simplesmente, «metro») ibidem. Há um terminal de ônibus maior perto também, bem em frente ao Colombo. O estádio do Benfica, um dos principais clubes de futebol português (creio que possui o maior número de títulos nacionais inclusive), ao lado do Sporting Lisboa e Porto, fica bem próximo também de casa. O Colombo, a estação de ônibus e o estádio do Benfica ficam na (ou próximo da) Avenida Lusíada. O recorte de mapa abaixo (extraído do Google Maps exibe fielmente a localidade que acabo de descrever em suma (notem a letra «M» dentro de um pequeno quadrado em azul. Significa «estação do metrô». Notem também a seta verde, a rua onde moro):

casa_benfica_googlemaps_2.png

Veja aqui também o mesmo mapa, só que em versão de satélite com algumas informações de ruas.

Para chegar à UL, posso ir de autocarro ou metro. Em suma, o metro constitui-se em 4 linhas básicas (rosa, azul, verde e amarela), distribuídas dentro de um espaço delimitado da cidade lisboeta (não sei quais são essas zonas, preciso aprofundar-me no assunto ainda. De qualquer maneira, os leitores podem achar mais informações no sítio do metro referenciado anteriormente). Por enquanto, só sei andar de metrô, embora já tenha pegado um autocarro com Miguel e Alysson (o 750) para voltar da UL para casa um dia. Para ir de metro, pego a linha azul (sentido Baixa Chiado) na estação Colégio Militar/Luz, passo por uma seqüência de estações até a Marquês de Lisboa. Nesta estação, vou para a linha amarela (sentido Odivelas) e dirijo-me para a estação Cidade Universitária.

O metro é um transporte eficiente, barato, rápido, confortável (em geral) e ventilado, ainda que no subsolo (ao menos, no caminho que utilizo diariamente). Não há o que reclamar. É comum encontrar pessoas de toda sorte pegando um metro: portugueses, estrangeiros de origem lusa (africanos em boa parte das vezes e, mais raramente, a menos que abram a boca, brasileiros) e outros estrangeiros, não-lusos, (já ouvi alemães, japoneses e franceses). O mecanismos de controle de pagamento do metro decorre por meio de catracas eletrônicas: passa-se um bilhete (comprado nas máquinas de bilhete presente na entrada de qualquer estação, não sei se são vendidas noutro lugar) ou um cartão do metro, que pode ser feito por estudantes, cidadãos, idosos e pensionistas ao preço (penso que isento para as duas últimas categorias de indivíduos citadas) de 7 ¤ e carregado mensalmente por 20 ¤, em um artefato de leitura e, em caso de sinal positivo, abrem-se duas pequenas porteiras de vidro, que permitem a passagem do sujeito. Aliás, isto é fabuloso: paga-se, excetuando-se a taxa de inscrição de 7 ¤ obviamente, 27 ¤ por mês para pegar quantos autocarros e metros quiser! Isto mesmo, 27 ¤ mensais! smile

Como dizia, o controle de entrada e saída do metro dá-se por catracas. Ocorre que alguns, desonestos e espertinhos, aproveitam-se da lentidão do fechamento das porteiras para «pular a catraca». É soda, cá ou allhures (como se expressam os portugueses), sempre há gente querendo passar por cima das regras...

Nas estações de metro, algumas, as maiores, equipadas com escadas rolantes ou vias rolantes (para os mais apressados), há maquininhas de lanches, lojas de cafezinho, casas de bingo e pequenas livrarias (na Marquês de Pombal, bem no entrocamento com a linha amarela). Para relaxar, datashows que exibem vídeos projetados nas paredes internas das estações enquanto se aguarda, normalmente, durante poucos minutos, menos de 5, pelo metrô («comboio»).

Fico imaginando se, em Salvador, o tal projeto do metrô saísse ou se, em outras cidades populosas -- bem como metrópoles, capitais, etc. --, existissem transportes do mesmo tipo, certamente o conceito de transporte coletivo seria bem mais significativo. Talvez, e não me custa projetar isto, o número de veículos automotivos a rodar pelas ruas seria bem menor de igual forma.

-- WagnerSaback - 21 Oct 2007

Os pequenos detalhes

(17 Oct 2007 - 23:23)

Detalhes e outras pequenas impressões dos primeiros dias (parte 1)

Na nota anterior, disse que faltavam alguns detalhes para completar as primeiras informações sobre a minha chegada e os primeiros momentos (e dias) em Lisboa. Descreverei aos poucos. Primeiro, do aeroporto à saída definitiva do terminal de desembarque em Lisboa:

  1. O vôo que peguei de Salvador para Lisboa, pela TAP teve os seus momentos bons e ruins. Como tudo na vida. De bom, o que me deixou muito contente (e não haveria de ser diferente), as refeições foram dignas: muito diferente das companhias áreas brasileiras, sobretudo a Gol, que possui um péssimo costume de servir barra de cereal aos seus clientes como compensação aos seus «baixos» preços. A descrição do que comi (e gostei) está ainda em mente:
    1. Janta: entrada com um tabule (salada à moda árabe com alface e limão), prato principal de carne (filé de porco assado com um molho de cujo nome eu nem me recordo, mais batatas cozidas), acompanhado com uma salada de cenoura cozida e abacaxi, ambas em cubinhos; sobremesa: cuscuz de tapioca ao leite condesado, ou algo que lembrava leite condesado (isto mesmo!); para completar, um pão de sal (ou cacetinho, ou de trigo, ou qualquer outra coisa, a depender da região onde você, leitor, mora ou nasceu); bebidas (refrigerante, água ou suco de caixinha);
    2. Pós-janta: café (era fraco, mas não chegou a ser ralo demais) e mais um pãozinho. Opções de recheio: pequenas porções de margarina ou queijo processado; bebidas (refrigerante, suco de caixinha ou água);
    3. Café da manhã (ou «pequeno almoço», como falam por cá): sanduíche de queijo e presunto mais bolacha de água e sal mais café; bebidas (como nos itens anteriores).
  2. A parte ruim do vôo ficou com as acomodações. Eu fui de classe econômica, o que já daria para prever uma noite de sono prejudicada, mas não imaginava que, de tão grande que era o avião (um Airbus A-330), os espaçamentos dos bancos fossem tão pequenos! Para completar, os comissários de bordo (eram numerosos, algo como 2 mulheres e 3 homens, ao menos na seção econômica do aparelho), acordavam, como se o acendimento total das luzes não fosse necessário, os passageiros exatamente 1 hora antes do pouso («amparagem») com uma medida para mim surpreendente: um seco toque no corpo do sujeito (no meu ombro, por exemplo) e uma oferta presta de uns lenços umedecidos com água quente. Ah, que horror!
  3. Depois do pouso, pegamos um ônibus («autocarro») em direção às dependências internas do aeroporto internacional lisboeta. Primeira fila («bicha»): alfândega. Uma fila para falantes de português, uma fila para os que possuíam passaportes da União Européia, outra em zigue-zague de uma sorte de pessoas de não-sei-onde. Depois de uns 30 minutos (previsão de lembrança otimista minha), fui atendido. E rapidamente. O próximo passo foi resgatar as malas;
  4. Para minha alegria, peguei as bagagens rapidinho. Com um porém: umas das bases da alça superior da mala maior (preta) descolou. Paciência. Ao passar pela seção de revista de malas da alfândega, nova parada. Um homem, meia idade, me olhou e, talvez desconfiado que eu fosse um mau elemento, me parou (pediu para que eu «encostasse»). Fi-lo:

_ Passaporte? -- disse o homem.

_ Sim, está aqui. -- respondi.

_ O que veio fazer no país?

_ Estudo. Doutoramento.

_ Primeira vez que está aqui? -- falou-me rapidamente, com o que eu retruquei:

_ Como?

_ Está pela primeira vez aqui?

_ Sim.

Em seguida, começou a abrir minhas malas. Na sacola (azul), havia um saco de farinha, uma garrafa de dendê, uma coador de pano e um pacote de café Pilão de 250g. À medida que ele abria, perguntava. E eu punha-me solícito a auxiliá-lo. Em determinado momento, ele questionou o que havia na sacola. Em seguida, já cansado daquilo tudo, disse:

_ Alguns alimentos para consumo próprio. Dendê, café brasileiro e farinha...

Sem querer ensejar algum pensamento equivocado ao sujeito da alfândega, completei:

_...de mandioca.

Depois, disto. Ele nem quis mais ver o restante da bugiganga. Principalmente depois de ver o que havia na minha mochila: papéis a perder de vista.

Na saída (ainda bem!), estava Alysson para me pegar. Estava louco para ir ao banheiro. smile

-- WagnerSaback - 17 Oct 2007

Primeiros momentos (versão resumida)

(17 Oct 2007 - 02:35)

Primeiros momentos (versão quase pronta)

Este texto foi, na verdade, um e-mail que enviei a Daniel Batista (a.k.a. Daniel «Linux»). Reflete, ainda que falte alguns poucos detalhes que espero pôr depois noutra nota, como foram os primeiros momentos em Lisboa. Vamos a ele:

Já estou em Lisboa. Cheguei aqui na segunda-feira, dia 15.10, 6h15 (horário local) mais ou menos. Cheguei cansado e, por infelicidade, com o estômago a cair pelas tabelas. Porém, destes dois pontos já estou recuperado.

Ainda na segunda, fui à FCUL (Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa) a fim de conhecer o espaço de trabalho, conversar com o Prof. Miguel (orientador ou, como dizem os lusitanos, o tutor), conhecer o pessoal que realiza doutorado (dentre as pessoas, brasileiros, inclusive a pessoa com quem eu conversava durante todo o andamento do AlBan e afins), outros docentes do DI (Depto. de Informática), as dependências da universidade, etc.

Fui bem recebido. O local é aprazível, as pessoas foram simpáticas e respeitosas. Tenho direito a um espaço próprio (uma baia) com uma pequena-grande estante de três níveis, gavetário com chave, lixeira, ramal, mural para colagem de papéis e uma mesa para computador. Falando neste, tenho em mãos um equipamento novo, um computador Dell com processador Intel Duo Core 2, monitor tela-plana de 17". Não sei o restante das configurações ainda (somente recebi a máquina hoje), mas, pelo que vejo, o bicho é dos bons. Vem com Windows Vista, que será imediatamente substituído, com todo gosto, pelo Debian GNU/Linux 4.0 sabor "testing".

Antes, no entanto, obtive um portátil (jeito de os portugueses chamarem um notebook) emprestado, do grupo de pesquisa mesmo, um equipamento velho (entre aspas): Pentium III com 1Ghz, 256 MB de RAM, 30 GB de disco. Veio com Windows XP Professional, mas já contém, além deste sistema, um Debian 4.0 testing (do qual eu digito esta mensagem). Posso usar este portátil de onde eu quiser, trata-se de um computador para uso pessoal e de trabalho. Isto é muito bom porque, na casa onde moro, tem Internet. smile

Moro no bairro de Benfica, próximo ao estádio do Benfica. É uma freguesia (como dizem aqui) bacana, há um supermercado perto (Pingo Doce é o nome), shopping perto (Colombo), metrô perto, ponto de ônibus perto, posto de saúde perto... Como vê, é uma localidade boa. A universidade fica a uns 15 minutos de metrô ou de 10 a 15 minutos de buzu. A pé, de 40 a 50 minutos. No apartamento, tenho um quarto (cada morador da república tem o seu) com mesa de computador com 3 gavetas, armário (grande) embutido, estante e um aquecedor.

Em geral, os preços dos produtos e serviços aqui são acessíveis. Nos meus gastos pessoais corriqueiros, pago ¤ 0,70 ou ¤ 1,35 de metrô (respectivamente, para bilhete só de ida ou ida e volta no metrô), ¤ 1,30 de coletivo, 2 euros de RU (não comi lá ainda, preciso obter a carteira antes, possivelmente amanhã). No shopping, segundo Alysson -- o amigo que está aqui há mais de 1 ano, hoje docente da UL, e que tem me dado uma ajuda fenomenal, moro com ele no apartamento e mais um cara português --, pode-se comer por até ¤ 5, sem contar a bebida. No supermercado, os alimentos não são caros em geral caso não se leve em consideração a cifra monetária, apenas a numérica (conversões para real não são factíveis, pois que se ganha em euro por aqui).

Quanto ao meu trabalho, não iniciei. Amanhã, com o computador instalado e já melhor habituado ao fuso horário (em relação à Brasília, com o horário de verão estabelecido, Lisboa fica 3 horas à frente; à Bahia, são 4h de diferença), poderei começar algumas leituras. Como o orientador viajará amanhã pela tarde, somente nos reuniremos com fins de discutir os primeiros passos do projeto na próxima semana. Creio que somente pegarei matérias no próximo trimestre, hei de acertar com Miguel.

A cidade, não a conheço por demais. Pude apenas passar por algumas ruas. Do que vi, penso que seja aprazível. As pessoas, no geral, não são antipáticas. Tratam-lhe com seriedade, mas sem maiores intenções maledicentes. Em Lisboa, percebe-se um número um tanto considerável de africanos (as cores de pele não mentem). De brasileiros, não posso falar, não pude deparar-me com os mesmos ainda, com a exceção do pessoal que trabalha no grupo de pesquisa e do próprio Alysson. Na língua, há dificuldades, sobretudo quando as pessoas falam muito rapidamente. De fato, é um novo dialeto, adicionado não somente ao ritmo de fala, incluem-se aqui também novos léxicos (palavras) e construções frasais. Novidades a serem assimiladas ao sabor do tempo.

De documentação, necessito de acertar as emissões do cartão do contribuinte (o CPF daqui), cartão do metrô (¤ 27 por mês para pegar quantos metrô, também denominados "comboio", e buzus, os autocarros, quiser, acredita?), cartão de saúde e conta bancária. Tudo pendência a resolver ao longo da semana.

-- WagnerSaback - 17 Oct 2007

De primeira!

(17 Oct 2007 - 02:15)

Dos montes verdes à península da baixa soteropolitana, ao bem ficante lusitano

Olá a todos! Este é um modesto espaço para dizer o que dizem por cá: estou cá. Um espaço para oferecer aos amigos, que tanto, sabiamente, me pediram quando ainda estava no Brasil, notícias, casos, impressões, o que seja por via textual (e, quem sabe, visual, há possibilidade de colocar imagens por aqui), de Lisboa, Portugal. Cá estou.

Certamente, o Diário de Cá serve de estímulo. O Blog de Luiz Alcides, também; sem falar do Farinha com Rapadura. Todos eles são referências, e eu espero propiciar aos que chegam aqui algumas idéias de um sujeito completamente perdido, de quem nunca esteve noutro país para morar e que, por força do acaso e de muitos auxílios, acabou saindo de Monte Verde (Florianópolis, Santa Catarina), parou na Península de Itapagipe (Cidade Baixa, Salvador, Bahia) e descansa, neste instante, na freguesia de Benfica (Lisboa, Portugal).

Que seja um período frutífero e benfazejo.

E bem-vindos sejam vocês. Às próximas leituras!

P.S.: Por muito pouco, não faço deste blog uma página Wiki, o que já seria legal, mas, talvez, sem alguns recursos de blog mesmo, ao menos com alcance mais facilitado. Mas, e esta sacada certamente eu devo ao meu amigo Terceiro, que tem um blog aqui também, percebi que poderia fazer um aqui. Para mim, caiu como uma luva! smile

-- WagnerSaback - 17 Oct 2007