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Amem

(11 Dec 2007 - 04:07)

Pelo retrovisor enxergamos tudo ao contrário

Letras, lados, lestes

O relógio de pulso pula de uma mão para outra e na verdade... nada muda

A criança que me pediu dez centavos é um homem de idade

no meu retrovisor

A menina debruçando favores toda suja

É mãe de filhos que não conhece

Vendeu-os por açúcar

Prendas de quermesse

A placa do carro da frente se inverte quando passo por ele

E nesse tráfego acelero o que posso

Acho que não ultrapasso e quando o faço nem noto

O farol fecha...

Outras flores e carros surgem em meu retrovisor

Retrovisor é passado

É de vez em quando... do meu lado

Nunca é na frente

É o segundo mais tarde... próximo... seguinte

É o que passou e muitas vezes ninguém viu

Retrovisor nos mostra o que ficou; o que partiu

O que agora só ficou no pensamento

Retrovisor é mesmice em dia de trânsito lento

Retrovisor mostra meus olhos com lembranças mal resolvidas

Mostra as ruas que escolhi... calçadas e avenidas

Deixa explícito que se vou pra frente

Coisas ficam para trás

A gente só nunca sabe... que coisas são essas

É com esta letra do Teatro Mágico que começo este post. Sim, porque hoje começa um novo dia da minha vida, uma nova fase se abre. Há seis meses atrás estava acontecendo tanta coisa que hoje me dou conta, tanta coisa que mudou, que pelo "espelho retorvisor" da minha consciência consigo entender hoje, e vejo que as melhores escolhas em nossas vidas são realmente aquelas que são as que se apresentam a princípio mais tenebrosas, mas que lá no fundo, nos batem sempre como uma indagação do porquê de não tentar, de acreditar que as coisas se ajeitarão.

Comemoro hoje, depois de tanto tempo um final de ano alegre, feliz. Tanta coisa aconteceu nestes últimos anos, muito sofrimento, muita tensão e preocupação. Além disto, muito descaso. Descaso meu, comigo mesmo. De passar tanto tempo a sofrer por um passado que cada vez estava mais longe, e que eu sentia muita falta. Mas hoje, o futuro parece tão mais próximo que olho o passado lá de longe, com uma longa caminhada.

2007 foi um ano de muitas coisas boas, de muito esforço, suor, trabalho, mudanças. Coisas que precisavam acontecer para eu realmente perceber que o futuro é isto, é cada gotinha de suor que a gente constrói no dia-a-dia. É cada pedra que a gente escala e cada escorregão que a gente dá para sentir aquele medo, aquela incerteza, os momentos de sufoco. É este o motivo da felicidade, de chegar próximo ao fim de uma caminhada e estar contente por ter conseguido, de olhar pra trás e ver que passamos por cada coisa, cada loucura, que nos faz engradecer o fim das diversas caminhadas que damos na vida. Eu estou me aproximando do fim de mais uma jornada, mas isto não me dá tanto medo quanto dava antes, pelo contrário, hoje sim me sinto forte e apto a dar vôos cada vez mais altos, de superar as perdas, de lembrar do passado com carinho e principalmente saber que as amizades são importantes em certas momentos de nossas vidas. Muitas pessoas, muitos amigo ficaram para trás, mas hoje desejo e eles toda a felicidade que tenho dentro de mim, e aqueles que fazem parte deste momento comigo, irei comemorar, porque afinal, esta é realmente a época de comemorar com a família, com os amigos e matar as saudades que apertam o peito.

Um bom final de ano a todos, e um 2008 repleto de mais e mais momentos como estes.

Abraços!!

Divulgação: Campus Party

(19 Nov 2007 - 08:47)

Campus Party Brasil - 2008

http://www.campus-party.com.br/

Local: Bienal de São Paulo (Parque Ibirapuera, São Paulo, SP)

Data: 11 à 17 de dezembro de 2007.

O que é:

A Campus Party é o maior encontro de comunidades da Internet do mundo. É um espaço pensado para incentivar o compartilhamento, a aprendizagem e a transferência de conhecimentos. Nele, durante 7 dias e 7 noites, milhares de participantes acampam em suas barracas, com seus computadores a tira-colo trocando momentos, idéias e experiências.

É com esse mesmo espírito que carrega a Campus Party da Espanha, que de 11 a 18 de fevereiro de 2008 a Bienal do Ibirapuera será transformada numa grande cidade tecnológica.

Entre de um conjunto de atividades baseado em oficinas, palestras e competições (com direitos a prêmios), visa-se alcançar uma evolução do conhecimento dos participantes, através da troca de experiências do cotidiano.

As áreas macros apresentadas durante os 7 dias, serão: Astronomia, CampusBlog?, Criação, Desenvolvimento, Games, Modding, Música, Robótica, Simulação e Software Livre.

As inscrições podem ser realizadas através do sítio do evento.

Reverência do Destino

(19 Sep 2007 - 05:07)

Estranha esta natureza antagonista do ser humano. Somos em nós mesmos nosso maior desafio, nosso maior inimigo.

Somos por nós que vivemos no ostracismo deste sentimento de angústia, pela sedenta e eterna busca de tropeçar em nossas próprias pernas, para saber que sobrevivemos, que choramos e rimos, que amamos e desiludimos, que consquistamos e perdemos. Sem isto a vida perde seu sentido.

E é nesta falta de sentido, neste viver sem graça que entregamos os pontos, desejamos a "morte". E sonhamos com uma nova jornada rodeada de incertezas, para o recomeço, do ponto em que podemos voltar a ser nós contra nós mesmos, dia após dia. Do ponto em que o fácil volta a ser difícil ....


Falar é completamente fácil, quando se tem palavras em mente que expressem sua opinião.

Difícil é expressar por gestos e atitudes o que realmente queremos dizer, o quanto queremos dizer, antes que a pessoa se vá.

Fácil é julgar pessoas que estão sendo expostas pelas circunstâncias.

Difícil é encontrar e refletir sobre os seus erros, ou tentar fazer diferente algo que já fez muito errado.

Fácil é ser colega, fazer companhia a alguém, dizer o que ele deseja ouvir.

Difícil é ser amigo para todas as horas e dizer sempre a verdade quando for preciso. E com confiança no que diz.

Fácil é analisar a situação alheia e poder aconselhar sobre a situação.

Difícil é vivenciar esta situação e saber o que fazer. Ou ter coragem pra fazer.

Fácil é demonstrar raiva e impaciência quando algo a deixa irritado.

Difícil é expressar o seu amor a alguém que realmente te conhece, te respeita e te entende. E é assim que perdemos pessoas especiais.

Fácil é mentir aos quatro ventos o que tentamos camuflar.

Difícil é mentir para o nosso coração.

Fácil é ver o que queremos enxergar.

Difícil é saber que nos iludimos com o que achávamos ter visto.

Admitir que nos deixamos levar, mais uma vez, isso é difícil.

Fácil é dizer "oi" ou "como vai?" Difícil é dizer "adeus".

Principalmente quando somos culpados pela partida de alguém de nossas vidas...

Fácil é abraçar, apertar as mãos, beijar de olhos fechados.

Difícil é sentir a energia que é transmitida.

Aquela que toma conta do corpo como uma corrente elétrica quando tocamos a pessoa certa.

Fácil é querer ser amado.

Difícil é amar completamente só.

Amar de verdade, sem ter medo de viver, sem ter medo do depois.

Amar e se entregar.

E aprender a dar valor somente a quem te ama.

Fácil é ouvir a música que toca.

Difícil é ouvir a sua consciência.

Acenando o tempo todo, mostrando nossas escolhas erradas.

Fácil é ditar regras. Difícil é seguí-las.

Ter a noção exata de nossas próprias vidas, ao invés de ter noção das vidas dos outros.

Fácil é perguntar o que deseja saber.

Difícil é estar preparado para escutar estas respostas.

Ou querer entender a resposta.

Fácil é chorar ou sorrir quando tem vontade.

Difícil é sorrir com vontade de chorar ou chorar de rir, de alegria.

Fácil é dar um beijo. Difícil é entregar a alma.

Sinceramente, por inteiro.

Fácil é sair com várias pessoas ao longo da vida.

Difícil é entender que pouquíssimas delas vão te aceitar como você é e te fazer feliz por inteiro.

Fácil é ocupar um espaço na caderneta telefônica.

Difícil é ocupar o coração de alguém.

Saber que se é realmente amado.

Fácil é sonhar todas as noites.

Difícil é lutar por um sonho.

Eterno é tudo aquilo que dura uma fração de segundo, mas com tamanha intensidade, que se eterniza, e nenhuma força jamais o resgata.

(Carlos Drummond de Andrade)

O vazio

(03 Aug 2007 - 03:55)

Por muito tempo achei que a ausência é falta.

E lastimava, ignorante, a falta.

Hoje não a lastimo.

Não há falta na ausência.

A ausência é um estar em mim.

E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,

que rio e danço e invento exclamações alegres,

porque a ausência, essa ausência assimilada,

ninguém a rouba mais de mim.

Saudades de tudo ou de todos, tanto faz. Saudades da família, dos amigos, das venturas e desventuras, dos tempos de mulecagem. Esses novos tempos em que me divido entre universitário e "trabalhador" tem sido difíceis. Nada mais de baladas à partir de quinta-feira, de imendar feriado em casa com os amigos, de viajar pra cá e pra lá, na casa de um ou outro, de festa em festa. Nem mesmo tempo pra pensar na vida, em meus planos, refazer as metas, os caminhos, agora é tudo na base da prática e em um estúpido jogo da tentativa e erro.

Mas sinto que valhe a pena. As noites mal dormidas corrigindo projeto e estudando para a pré-incubação, as férias trabalhando na b2, os pensamentos que vêem a cabeça cada vez que coloco a cabeça no travesseiro e lembro de alguma coisa importante para o SECOMP deste ano. Espero realmente que sim, e que ao final de tudo isto, possa matar a falta dos amigos, da família, e um pouco das mulecagens. Enquanto isto, vou guardando este sentimento para dentro e erguendo a cara diante de cada batalha, pois afinal, o semestre está apenas começando!!

Do blog do Juca Kfouri

(30 Jul 2007 - 03:25)

Retirado do Blog do Juca Kfouri, este trecho do jornal "O Globo" de ontem, domingo (29/07).

Simplesmente brilhante, sem maiores comentários. Acredito que o texto fala por si, e exprime sinceramente o que qualquer cidadão deste país pode esperar.

A hora da verdade é agora. O investimento realizado pelo governo será realmente considerado válido a partir do fechar das cortinas deste Pan no Rio de Janeiro, pois é ali que surge na cabeça de milhares de crianças e jovens o sonho de um futuro melhor através do esporte.

Que exista uma grande mobilização da sociedade, da mídia e das ONG´s esportivas deste país para cobrar de fato o legado deste evento. Pois se depender da boa vontade de nossos políticos, perderemos mais uma vez o trem da alegria.


Um parêntese de felicidade

Dorrit Harazim

Desde que as rotas do XV Pan e do Airbus da Tam se cruzaram na funesta terça-feira de 17 de julho, o país passou a alternar momentos de alegria vulcânica com abismos de horror. Para quem assistiu de casa ao noticiário ininterrupto e consecutivo dos dois dramas, as lavadas d’alma e o medo foram sendo expiados um após o outro, em privado.

Resultado: um estado de bipolaridade (termo tão na moda) nacional que especialistas haverão de estudar por muito tempo ainda.

Já para quem saiu de casa e foi assistir aos Jogos com o coração verde-amarelo, a solução foi abrir um parêntese de felicidade e deixar de fora o Brasil real — aquele que há 500 anos opta pelo descaso. De fora dos estádios, dos campos, das pistas, das piscinas, e torcer até se esbaldar. Ocorre que os dois brasis são indissolúveis. As cenas de pugilato nos aeroportos e nas bilheterias dos estádios são fruto da mesma impotência diante do abandono à própria sorte. Criado para durar 16 dias, o Brasil do Pan terá sua festa de encerramento hoje marcada por um “ufa” de alívio com tantos ouros e louros conquistados.

Só que a corrida não acabou. Este Brasil do Pan terá sido apenas uma linda miragem se ele não prorrogar o embate com o seu maior adversário — o Brasil de sempre.

Coube a dois Silva serem os primeiros a sinalizar o que está em jogo, e sempre esteve. Ambos nasceram do lado errado da escada social brasileira, com direito a uma ladainha de queixas. Ambos venceram.

Um fez a dura travessia do campo nordestino para a cidade grande, abriu picadas impensáveis na política e foi instalado pelo voto num palácio. O outro sequer precisou se mover — já nasceu na periferia do crime urbano, dela saiu dando chutes de taekwondo e chegou ao pódio do Pan com uma medalha de ouro no pescoço.

Luiz Inácio Lula da Silva levou a já célebre nunca-na-história-destepaís maior vaia do Maracanã, pelo que não faz, não diz, não decide.

Diogo Silva, além de primeiro medalhista de ouro brasileiro nestes Jogos, foi aplaudido de pé pelo que faz, como faz e quando faz. Lutou e venceu com uma das mãos quebradas desde abril — “ele é assim mesmo, enfaixa e vai em frente”, diz a mãe manicure, com a maior naturalidade.

Diogo usa dreads, fala claro e não tem espaço para se declarar triste. Continua exigindo e cobrando, dentro e fora do tatame.

Se os atletas de elite do taekwondo continuarem a receber apenas R$ 600 mensais, com três meses de atraso e com a mesma estrutura esquálida de hoje, o Pan ficará menor do que foi. E mais parecido com o país que ainda hoje tem mais de um milhão de almas sem certidão de nascimento É ao mesmo tempo comovente e aterrador que o esporte de alto rendimento abrigue talentos como o carateca da Baixada Fluminense Juarez Santos, que precisou conquistar o ouro “com a ajuda de Deus”. Sempre Ele. Ou que a figura maior e mais arrebatadora deste Pan, a atacante Marta, tenha precisado aprender a jogar bola “com a natureza”, lá no fundão de Alagoas, antes de acender ao topo movida a gana. Aliás, ela e suas companheiras de exuberância suada merecem o técnico que têm.

Qual é mesmo o nome dele? Poucos, entre os 70 mil torcedores em estado de graça na final dourada de quinta-feira, saberiam responder.

Mérito de Jorge Barcellos manter perfil tão anônimo no comando de um time em pico de celebridade e de uma jogadora eleita pela Fifa como a melhor do mundo. Para Barcellos, quem deve estar na vitrine, para os aplausos, são as atletas.

A necessária apuração sobre os custos e os gastos do Pan-2007 só fará sentido quando se souber qual o destino reservado a tanto investimento.

Que toda cidade-sede ultrapassa o orçamento original, seja em Pan-Americanos ou olímpicos, tornou-se fato quase inseparável do evento. Ainda em maio último, uma acusação varreu as galerias do Parlamento britânico diante das novas cifras para a Olimpíada de 2012, em Londres: “escândalo”, “escândalo”, apontou a oposição conservadora.

O orçamento triplicara em menos de um ano, saltando de 3 bilhões de libras esterlinas para mais de 6 bilhões.

E ainda faltam cinco anos.

O real valor da conta do Pan2007 só ficará claro dentro de alguns anos. Se, por exemplo, o Parque Aquático Maria Lenk estiver funcionando a pleno vapor como centro de treinamento para a elite e competições de alto nível, com alojamento para os atletas, o seu custo terá sido menor. Inversamente, o preço se tornará estratosférico se, como chegou a anunciar o governador Sérgio Cabral, o antigo Parque Aquático Julio de Lamare ou o Estádio Célio de Barros, ambos vizinhos do Maracanã e utilizados para o esporte de base, forem demolidos para dar lugar a um shopping center, hotel ou centro de convenções. Seria o retrato do Brasil de sempre.

O Rio não apenas sobreviveu ao Pan, mas acabou torcendo por ele.

Não houve o temido apagão terminal do trânsito, os atletas não se viram encurralados num arrastão, as instalações não revelaram falência múltipla de órgãos — à exceção da arena de beisebol e softbol. Houve falhas graves, outras releváveis.

Mas no cômputo final quem apanhou não foram as competições nem os atletas. Foi o público.

— Do que o senhor tem mais medo? — perguntou-se ao presidente do Comitê Olímpico Brasileiro, Carlos Nuzman, três dias antes da abertura da Vila Pan-Americana.

— Dos serviços — respondeu na lata. Tradução: transporte, alimentação, ingressos. Tendo trocado quatro vezes de motorista-voluntário durante os Jogos de Atlanta, por ter ficado a pé ou não ter chegado a lugar algum naqueles Jogos, Nuzman tinha optado pela contratação de motoristas remunerados, e não voluntários, para dirigir os ônibus e viaturas da chamada família panamericana.

Deu certo e nenhum atleta foi parar no Morro do Alemão.

Em contrapartida, a mistura de ganância e bagunça que regeu os dois outros quesitos conseguiu superar os temores. A cadeia de lanchonete Bob’s, responsável pelo fornecimento de alimentação em todos os estádios e arenas, fabricou lindos cartazes apregoando: “O sanduíche exclusivo dos XV Jogos Pan-Americanos”.

Só que, de tão exclusivo, o sanduíche costumava acabar em meia hora. Foram dias e mais dias de cachorro quente frio e bebida racionada quente. Caixotes de madeira fazendo as vezes de caixa registradora, atendentes às voltas com contas rabiscadas em pedaços de papel, notas fiscais inexistentes, houve de tudo. A troca de acusações entre a Comitê Organizador e a rede de alimentação promete se estender bem além dos Jogos, mas de uma coisa o público não duvida: qualquer ambulante ou flanelinha de engarrafamento teria previsto melhor o fluxo da demanda.

A falência da operação de venda de bilhetes antecipados, por sua vez, que se desdobrou numa peregrinação de troca de vouchers por ingressos e bilheterias abarrotadas, levou a Força Nacional enviada de Brasília a usar gás pimenta contra famílias que apenas tentavam entrar no Maracanãzinho no jogo de estréia do vôlei brasileiro e anteontem. Para quem se propõe a se candidatar aos Jogos Olímpicos de 2016 este foi, talvez, o desastre maior e mais evitável.

O pecado nacional mais ruidoso — as vaias aos atletas , bandeiras e hinos de países considerados adversários — é o mais fácil de consertar. Basta a televisão, a imprensa, os locutores de competição, e os próprios atletas brasileiros sinalizarem que civilidade esportiva e patriotismo também combinam.

Tudo computado, mas diferentemente da Eco-92, o Pan-2007 lotou o metrô de desertores do transporte público, encheu calçadas, devolveu ruas aos passantes e vestiu o Rio com sua gente. Não erradicou a violência nem eliminou a criminalidade. Apenas plantou raízes para apaixonar pelo esporte toda uma geração de menores semrumo — e estes sim, no futuro, talvez diminuam a violência e a criminalidade. Há tempos não se tem uma chance tão grande. Ela não se repetirá tão cedo.

Resta àquele Brasil de sempre parar de discursar e começar a fazer.

A todos nós, cabe cobrar e correr atrás.

"Cartola não existiu, foi um sonho que a gente teve ..."

(29 Jul 2007 - 05:31)

Vale a visita: http://www.cartola.org.br/

Cartola, no moinho do mundo - por Carlos Drummond de Andrade

Jornal do Brasil - 27/11/1980

Fonte: http://www.algumapoesia.com.br/drummond/drummond34.htm

Você vai pela rua, distraído ou preocupado, não importa. Vai a determinado lugar para fazer qualquer coisa que está escrita em sua agenda. Nem é preciso que tenha agenda. Você tem um destino qualquer, e a rua é só a passagem entre sua casa e a pessoa que vai procurar. De repente estaca. Estaca e fica ouvindo.

Eu fiz o ninho.

Te ensinei o bom caminho.

Mas quando a mulher não tem brio,

é malhar em ferro frio.

Aí você fica parado, escutando até o fim o som que vem da loja de discos, onde alguém se lembrou de reviver o velho samba de Cartola; Na Floresta (música de Sílvio Caldas).

Esse Cartola! Desta vez, está desiludido e zangado, mas em geral a atitude dele é de franco romantismo, e tudo se resume num título: Sei Sentir. Cartola sabe sentir com a suavidade dos que amam pela vocação de amar, e se renovam amando. Assim, quando ele nos anuncia: “Tenho um novo amor”, é como se desse a senha pela renovação geral da vida, a germinação de outras flores no eterno jardim. O sol nascerá, com a garantia de Cartola. E com o sol, a incessante primavera.

A delicadeza visceral de Angenor de Oliveira (e não Agenor, como dizem os descuidados) é patente quer na composição, quer na execução. Como bem me observou Jota Efegê, seu padrinho de casamento, trata-se de um distinto senhor emoldurado pelo Morro da Mangueira. A imagem do malandro não coincide com a sua. A dura experiência de viver como pedreiro, tipógrafo e lavador de carros, desconhecido e trazendo consigo o dom musical, a centelha, não o afetou, não fez dele um homem ácido e revoltado. A fama chegou até sua porta sem ser procurada. O discreto Cartola recebeu-a com cortesia. Os dois convivem civilizadamente. Ele tem a elegância moral de Pixinguinha, outro a quem a natureza privilegiou com a sensibilidade criativa, e que também soube ser mestre de delicadeza.

Em Tempos Idos, o divino Cartola, como o qualificou Lúcio Rangel, faz o histórico poético da evolução do samba, que se processou, aliás, com a sua participação eficiente:

Com a mesma roupagem

que saiu daqui

exibiu-se para a Duquesa de Kent

no Itamaraty.

Pode-se dizer que esta foi também a caminhada de Cartola. Nascido no Catete, sua grande experiência humana se desenvolveu no Morro da Mangueira, mas hoje ele é aceito como valor cultural brasileiro, representativo do que há de melhor e mais autêntico na música popular. Ao gravar o seu samba Quem Me Vê Sorrir (com Carlos Cachaça), o maestro Leopold Stockowski não lhe fez nenhum favor: reconheceu, apenas, o que há de inventividade musical nas camadas mais humildes de nossa população. Coisa que contagiou a ilustre Duquesa.

(...)

Mas então eu fiquei parado, ouvindo a filosofia céptica do Mestre Cartola, na voz de Sílvio Caldas. Já não me lembrava o compromisso que tinha de cumprir, que compromisso? Na floresta, o homem fizera um ninho de amor, e a mulher não soubera corresponder à sua dedicação. Inutilmente ele a amara e orientara, mulher sem brio não tem jeito não. Cartola devia estar muito ferido para dizer coisas tão amargas. Hoje não está. Forma um par feliz com Zica, e às vezes a televisão vai até a casa deles, mostra o casal tranqüilo, Cartola discorrendo com modéstia e sabedoria sobre coisas da vida. “O mundo é um moinho...” O moleiro não é ele, Angenor, nem eu, nem qualquer um de nós, igualmente moídos no eterno girar da roda, trigo ou milho que se deixa pulverizar. Alguns, como Cartola, são trigo de qualidade especial. Servem de alimento constante. A gente fica sentindo e pensamenteando sempre o gosto dessa comida. O nobre, o simples, não direi o divino, mas o humano Cartola, que se apaixonou pelo samba e fez do samba o mensageiro de sua alma delicada. O som calou-se, e “fui à vida”, como ele gosta de dizer, isto é, à obrigação daquele dia. Mas levava uma companhia, uma amizade de espírito, o jeito de Cartola botar em lirismo a sua vida, os seus amores, o seu sentimento do mundo, esse moinho, e da poesia, essa iluminação.

A crônica acima não está em nenhum livro de Drummond. É um tributo ao compositor mangueirense Angenor de Oliveira, o Cartola (1908-1980), e tem uma história curiosa. Foi publicada no Jornal do Brasil em 27/11/1980, três dias antes da morte do criador de "As Rosas Não Falam".

Qual o motivo de tantas tragédias ?

(20 Jul 2007 - 23:51)

Amigos,

Gostaria de não estar aqui escrevendo sobre um assunto com tanta tristeza. Porém, não pude conter minha indignação diante de fatos tão inexplicáveis para minha cabeça.

Quanto tempo mais teremos que esperar que o amadorismo político que se instalou em nosso país mude ?

Quanto tempo mais teremos que ver nossos irmãos de nação sofrerem a perda de entes queridos por pura e simples falta de consideração e desrepeito com nosso país ?

Quanto tempo mais teremos que nos afugentar dos problemas em nosso país, sendo vítima de nossos próprios problemas ?

Me faço estas perguntas, com extrema tristeza, pois é sempre assim que funcionam as coisas em nosso país. Assistir a aparição em rede nacional de nosso presidente da República, que se diz ser uma pessoa do povo, lamentando mais uma "fatalidade" ?

Isto é vergonhoso. Isto não foi uma fatalidade ou uma tragédia, foi conseqüência da falta de vergonha da corja amadora que tomou conta de nosso país. É pura e simplesmente explicado pelas leis da física da ação e reação, e não pelas Leis de Murphy. Retratado perfeitamente na declaração do excelentíssimo senhor Ministro da Defesa, alegando não ser um administrador do sistema aero-portuário de nosso país, e muito menos com competência para desempenhar tal função.

Podemos perceber mesmo a contestação de sua defesa, diante da situação de caos que se instala em nossa nação.

Condolências a todos nós e força às familias pela perda de 187 BRASILEIROS que tiveram com sua morte o mais básico dos direitos previstos em nossa Constituição ferido: o direito de ir e vir.

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(12 Jul 2007 - 07:05)

Viva a finda obra de Ludwig Van Beethoven!

Ode à Alegria - Friederich von Schiller

Fonte: http://www.starnews2001.com.br/nona_sinfonia.html

Oh amigos, mudemos de tom!

Entoemos algo mais prazeroso E mais alegre!

Alegre, formosa centelha divina,

Filha do Elíseo, Ébrios de fogo

Entramos em teu santuário celeste!

Tua magia volta a unir

O que o costume rigorosamente dividiu.

Todos os homens se irmanam

Ali onde teu doce vôo se detém.

Quem já conseguiu o maior tesouro

De ser o amigo de um amigo,

Quem já conquistou uma mulher amável

Rejubile-se conosco!

Sim, mesmo se alguém conquistar apenas uma alma,

Uma única em todo o mundo.

Mas aquele que falhou nisso

Que fique chorando sozinho!

Alegria bebem todos os seres

No seio da Natureza:

Todos os bons, todos os maus,

Seguem seu rastro de rosas.

Ela nos deu beijos e vinho e

Um amigo leal até a morte;

Deu força para a vida aos mais humildes

E ao querubim que se ergue diante de Deus!

Alegremente, como seus sóis corram

Através do esplêndido espaço celeste

Se expressem, irmãos, em seus caminhos,

Alegremente como o herói diante da vitória.

Alegre, formosa centelha divina,

Filha do Elíseo,

Ébrios de fogo entramos

Em teu santuário celeste!

Abracem-se milhões!

Enviem este beijo para todo o mundo!

Irmãos, além do céu estrelado

Mora um Pai Amado.

Milhões se deprimem diante Dele?

Mundo, você percebe seu Criador?

Procure-o mais acima do céu estrelado!.

Sobre as estrelas onde Ele mora.

A Verdade do Pan

(12 Jul 2007 - 05:26)

Caros colegas,

É inegável o legado deixado pela realização do Pan-Americano na cidade do Rio de Janeiro, a partir da próxima Sexta-feira (12/07). Centros esportivos dos mais modernos no mundo hoje foram construídos e reformados e nunca houve na história do Brasil um investimento tão alto na área esportiva. Porém, qual será o verdadeiro custo de tudo isto sobre os cofres públicos e principalmente sobre a população do Brasil ?

Acredito ser de suma importância como ferramenta para inclusão social a difusão do esporte, como grande combatente a garantir ao menos um futuro aos jovens menos favorecidos de nosso país. Mas devemos abrir nossos olhos e estar cientes da real condição dos fatos que não são divulgadas pela grande mídia em nosso país.

Segue abaixo um link para um interessantíssimo sítio que traz comprovadamente, através de clipping para reportagens jornalísticas, os reais custos da realização deste evento em nosso país. Se agora muitos podem acreditar ser muito tarde, pode ser apenas o começo da uma luta não contra a candidutra brasileira a Copa do Mundo em 2014, ou as Olimpíadas em 2016, mas para que planejamentos e orçamentos sejam seguidos, os direitos do cidadão sejam respeitados de acordo com nossa Constituição, inclusive no que diz respeito ao dinheiro público em nosso país.

http://averdadedopan2007.blogspot.com/

Espero que seja do interesse de todos.

[ ]´sss

As mentes criam a realidade. As culpas criam o inferno.

(07 Jul 2007 - 06:02)

Por Ricardo Kelmer (escritor, letrista e roteirista)

Fonte: http://www.ricardokelmer.net/rktxtpesadelosreais.htm

Para quem ainda não assistiu este imperdível filme, uma pequena resenha e em seguida, a interessante análise pelo autor (Ricardo Keller) dos fatos, aos quais, como fã deste longa, acredito serem um bom retrato do mesmo.

Alucinações do Passado (Jacob's Ladder, EUA, 1990)

figAlucinacoesDoPassadoPoster1.jpg

Suspense - 115 min

Direção: Adrian Lyne

Roteiro: Bruce Joel Rubin

Elenco: Tim Robbins, Elizabeth Peña e Danny Aiello

Jacob Singer é um veterano da guerra do Vietnã que de repente se vê atormentado por estranhas visões e idéias de perseguição e morte. Fatos inexplicáveis se sucedem e sua noção de realidade se fragiliza. O casamento desfeito, a culpa pela morte do filho e a suspeita de estar sendo vítima de uma incrível conspiração o levam ao limite da sanidade e sua vida se torna um pesadelo insuportável. Tudo que Jacob deseja é um pouco de paz mas para isso terá que descer ainda mais as escadas de seu inferno.

- A Análise do Filme

Pesadelos Reais

Alucinações do Passado é um grande filme e mostra que o inferno existe, sim, mas que ele não tem de ser um lugar cheio de chamas e diabos cruéis. O inferno pode ser aqui e agora e acontece quando nos apegamos demasiadamente a idéias ou comportamentos que não são mais úteis ao crescimento pessoal. Desse modo obstruímos o fluxo natural da vida a tal ponto que ela apodrece dentro de nós e viver se torna um pesadelo real.

O magistral roteiro do filme prende a atenção desde o início e não permite que compreendamos toda a história antes da sequência final. Somente então é que entendemos que Jacob embarcara para o Vietnam afetado por sua imensa culpa pela morte do filho. Lá, ferido mortalmente, sua consciência o transporta para uma realidade onde ele segue normalmente vivendo sua vida após retornar da guerra, com a namorada Jeze e o emprego de carteiro. É como se sua própria psique, através de um providencial mecanismo de autocura, houvesse criado essa realidade para que ele se libertasse da culpa que ainda carrega e assim pudesse voltar a seu corpo agonizante no Vietnam e finalmente morrer em paz.

A tarefa, porém, não vai ser fácil. Por que haveria de ser? Essa nova realidade em que Jacob é inserido mostra-se um confuso e perigoso labirinto onde ele tem frequentes pesadelos com o Vietnam, é envolvido numa conspiração assassina e chega, inclusive, a sonhar um sonho dentro de outro sonho, o que o deixa à beira da loucura. No auge do sofrimento, sem saber mais a que apelar para entender o que acontece, Jacob segue seu terapeuta que o aconselha a se desapegar daquilo que ainda o prende ao inferno em que vive. Ele então se dirige ao prédio onde morava com a ex-mulher e os filhos e lá, entre recordações de um tempo feliz, dorme para no outro dia despertar finalmente livre da culpa e subir a escada de sua tão buscada salvação.

No início do século 20 os físicos quânticos desconcertaram o meio científico ao relatarem suas experiências com as partículas subatômicas. Estudando-as minuciosamente, perceberam que o simples ato de observá-las já alterava seu comportamento. Isso os levou à inquietante conclusão que a realidade, em si, não existe - o que existe é nossa interação com ela. Pois bem. O que mais me tocou em Alucinações do Passado foi ver em ação, ainda que numa obra de ficção, essa incrível possibilidade. A realidade em que Jacob passa a viver após ser ferido no Vietnam só existe porque ele, inconscientemente, a criou através da projeção mental de sua imensa culpa. Essa tal realidade não deve ser entendida como mera alucinação (como, aliás, o infeliz título em português faz supor) apenas porque é criação de sua mente. Na verdade toda realidade é criação mental, algumas individuais, outras coletivas. A realidade para a qual a psique de Jacob o encaminha com o objetivo de curá-lo é tão real quanto a realidade do Vietnam - mas só existirá enquanto ele não se conciliar com seu passado.

A realidade não é algo que existe lá fora, separado de nós, algo que possamos observar à distância, analisar friamente e entender como funciona. Infelizmente não é tão simples assim. O sagrado princípio científico da isenção e neutralidade nos serve para entender certos aspectos da realidade, sim, mas se quisermos compreendê-la mais profundamente, teremos sempre que considerar nossa interação com ela, teremos que nos implicar, o que faz com que nossa percepção da realidade tenha papel fundamental para definir o que ela de fato é.

Sei que isso é confuso. Os próprios cientistas ainda não conseguem lidar muito bem com tais constatações. Mas disso tudo podemos extrair coisas úteis. Podemos, por exemplo, nos esforçar para compreender a vida sem o peso de velhos bloqueios e culpas, afinal eles influenciam no modo como a realidade se apresenta a nós. Podemos ficar mais atentos para não permitir que, assim como Jacob, nossa vida não se transforme num inferno real, criado exatamente por idéias, sentimentos e atitudes aos quais nos apegamos mais que deveríamos. Porém, se infelizmente nossas culpas já permitiram ao inferno se instalar em nossas vidas, então só nos resta uma saída se quisermos realmente escapar dele: localizar as culpas e fazer as pazes com nós mesmos. Assim como a física quântica já provou em seus laboratórios, tudo que precisamos para transformar a realidade é mudar a nós próprios.

Leitura

(16 Jun 2007 - 06:42)

Socialismo do século 21 - Boaventura de Sousa Santos

Qual o significado desse aparente desmentido do fim da história? Qual o perfil da alternativa ao capitalismo? Que potenciais e riscos tem?

O Que de mais relevante está ocorrendo a nível mundial acontece à margem das teorias dominantes e até em contradição com elas.

Há 20 anos, o pensamento político conservador declarou o fim da história, a chegada da paz perpétua dominada pelo desenvolvimento "normal" do capitalismo – em liberdade e para benefício de todos –, finalmente libertado da concorrência do socialismo, lançado este irremediavelmente no lixo da história. À revelia de todas essas previsões, houve, neste período, mais guerra que paz, as desigualdades sociais se agravaram, a fome, as pandemias e a violência se intensificaram, a China "se desenvolveu" sem liberdade e mediante violações massivas dos direitos humanos e, finalmente, o socialismo voltou à agenda política de alguns países.

Concentro-me neste último, pois constitui um desafio tanto ao pensamento político conservador como ao pensamento político progressista. A ausência de alternativa ao capitalismo foi tão interiorizada por um quanto pelo outro. Daí que, no campo progressista, tenham dominado "terceiras vias", buscando achar no capitalismo a solução dos problemas que o socialismo não soubera resolver.

Em 2005, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, colocou na agenda política o objetivo de construir o "socialismo do século 21". Desde então, dois outros governantes – tal como Chávez, democraticamente eleitos –, Evo Morales (Bolívia) e Rafael Correa (Equador), tomaram a mesma opção.

Qual o significado desse aparente desmentido do fim da história? Qual o perfil da alternativa proposta ao capitalismo? Que potencialidades e riscos ela contém?

O socialismo re-emerge porque o capitalismo neoliberal não só não cumpriu suas promessas como tentou disfarçar o fato com arrogância militar e cultural; porque sua voracidade por recursos naturais o envolveu em guerras injustas e acabou por dar poder a alguns países que os detêm; porque Cuba – seja qual for a opinião a respeito do seu regime – continua a ser exemplo de solidariedade internacional e de dignidade na resistência contra a superpotência; porque, desde 2001, o Fórum Social Mundial tem vindo a apontar para futuros pós-capitalistas, ainda que sem os definir; porque nesse processo ganharam força e visibilidade movimentos sociais cujas lutas pela terra, pela água, pela soberania alimentar, pelo fim da dívida externa e das discriminações raciais e sexuais, pela identidade cultural e por uma sociedade justa e ecologicamente equilibrada parecem estar votadas ao fracasso no marco do capitalismo neoliberal.

O socialismo do século 21, como o próprio nome indica, define-se, por enquanto, melhor pelo que não é do que pelo que é: não quer ser igual ao socialismo do século 20, cujos erros e fracassos não deseja repetir.

Não basta, porém, afirmar tal intenção. É preciso realizar um debate profundo sobre os erros e fracassos para que seja credível a vontade de evitá-los. Se tal desidentificação em relação ao socialismo do século 20 for levada a cabo, alguns dos seguintes traços da alternativa deverão emergir:

1.Um regime pacífico e democrático, assentado na complementaridade entre democracia representativa e democracia participativa;

2.Legitimidade da diversidade de opiniões, não havendo lugar para a figura sinistra do "inimigo do povo";

3.Modo de produção menos assentado na propriedade estatal dos meios de produção que na livre associação de produtores;

4.Regime misto de propriedade em que coexistem propriedade privada, estatal e coletiva (cooperativa);

5.Concorrência por um período prolongado entre a economia do egoísmo e a economia do altruísmo, digamos, entre Microsoft Windows e Linux;

6.Sistema que aprenda e saiba competir com o capitalismo na geração de riqueza e lhe seja superior no respeito à natureza e na justiça distributiva;

7.Nova forma de Estado experimental, mais descentralizada e transparente, de modo a facilitar o controle público do Estado e a criação de espaços públicos não estatais;

8.Reconhecimento da inter-culturalidade e da pluri-nacionalidade (onde for o caso);

9.Luta permanente contra a corrupção e os privilégios decorrentes da burocracia ou da lealdade partidária;

10.Promoção da educação, dos conhecimentos (científicos e outros) e do fim das discriminações sexuais, raciais e religiosas como prioridades governamentais.

Será tal alternativa possível? A questão está em aberto. Nas condições do tempo presente, parece mais difícil do que nunca implantar o socialismo num só país, mas, por outro lado, não se imagina que o mesmo modelo se aplique em diferentes países. Não haverá, pois, o socialismo, e sim os socialismos do século 21. Terão em comum reconhecerem-se na definição de socialismo como democracia sem fim.

BOAVENTURA DE SOUSA SANTOS , 66, sociólogo português, é professor catedrático da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra (Portugal). Escreveu, entre outros livros, "A Gramática do Tempo: para uma Nova Cultura Política" (Cortez, 2006).

Microsoft vs. Google

(14 May 2007 - 04:26)

São duas as maiores certezas à todos nós na vida: a chegada da morte e que o excesso de preciosismo sempre leva a derrota.

Com certeza, ao que vejo em meus pensamentos, e também o deve fazer um certo rapaz chamado Bill Gates ao ver a espantosa cotação da ações da Google no mercado americano (batendo perto dos US$400,00 nos últimos tempos), a Microsoft está experimentando de seu próprio veneno. Claro que continuo achando a "genialidade" empreendedora do Bill Gates na época em que deu o "pulo do gato" nas duas das maiores empresas de Computação do mundo (a IBM e a emergente Apple) um fato memorável e que o fazem merecer o posto de homem mais rico do mundo. E mesmo os novos afortunados, Larry Page e Sergey Brin, não imaginavam ter seus momentos de Bill Gates quando criaram o seu projeto universitário "Google", com certeza. Mas é fato que, as oportunidades que aparecem à Google hoje, estiveram todo este tempo à frente da Microsoft, que não achou um "momento oportuno" de mudar seu planejamento para investir na nova forma de negócio em que a Internet trabalha hoje. Quando digo "não achou", leia-se: o próprio Bill Gates, ora vejam, cometeu o mesmo pecado que Steve Jobs há mais de 20 anos atrás e ficou certo de que era inatingível. A Microsoft não acreditou que pudesse existir uma empresa que tivesse a mesma coragem que Bill Gates teve ao "revolucionar" a história da Computação. Bom, mas acontece que não só encontrou um adversário a altura como o desespero já bate a porta da sede americana da Microsoft, pois o Google a cada dia inventa novas "genialidades" (seu último brinquedo, o Google Maps, excelente por sinal) e me anima até a dizer que Larry e Sergey são a mistura no ponto exato da genialidade que teve Steve Jobs e o visionismo de Bill Gates. Posso ser louco de pensar assim, mas se o for, pelo menos agora temos uma bela disputa no mercado da Internet, e esta bipolarização só é favorável a nós, usuários consumistas e ansiosos por bons e novos produtos. Ah, sem esquecer que agora nosso amigo Bill não sonha mais só com carnerinhos. wink

Segue link de uma reportagem acerca do tema, publicada no Computer World por Elizabeth Montalbano.

http://idgnow.uol.com.br/internet/2007/05/09/idgnoticia.2007-05-09.0041650931/IDGNoticia_view?pageNumber:int=2

Abraço a todos!!

A história da minha vida

(22 Apr 2007 - 01:23)

João amava Teresa que amava Raimundo

que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili

que não amava ninguém.

João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento,

Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,

Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes

que não tinha entrado na história.

E assim é que a vida, às vezes só damos importância as coisas quando as perdemos. Difícil entender esta essência do ser humano. Talvez seja a visão acomodada de pessoas mal-acostumadas (eu me incluo neste grupo), que sempre tiveram tudo a mão. Mas serve também para amadurecer e aprender a fazer as coisas certas numa próxima. Sei lá, neste momento apenas curto a minha fossa em um Sábado a noite, com bons filmes e uma boa garrafa de vinho para ludibriar o sentimento de solidão que me acompanha hoje.

E neste momento então, contemplando a situação penosa que me encontro, ergo a taça e brindo a minha companheira solidão!

Que assim seja!!

" Todo brasileiro traz na alma e no corpo a sombra do indígena ou do negro."

(14 Apr 2007 - 04:56)

Fonte: http://www.tvcultura.com.br/aloescola/estudosbrasileiros/casagrande/index.htm

Num processo de equilíbrio de antagonismos, o branco e o negro se misturavam no interior da casa-grande e alteravam as relações sociais e culturais, criando um novo modo de vida no século XVI. As relações de poder, a vida doméstica e sexual, os negócios e a religiosidade forjavam, no dia-a-dia, a base da sociedade brasileira.

A casa-grande abrigava uma rotina comandada pelo senhor de engenho, cuja estabilidade patriarcal estava apoiada no açúcar e no escravo. O suor do negro ajudava a dar aos alicerces da casa-grande sua consistência quase de fortaleza. Ela servia de cofre e de cemitério. Sob seu teto viviam os filhos, o capelão e as mulheres, que fundamentariam a colonização portuguesa no Brasil. Embora diretamente associada ao engenho de cana e ao patriarcalismo nortista, a casa-grande não era exclusiva dos senhores de engenho. Podia ser encontrada na paisagem do sul do país, nas plantações de café, como uma característica da cultura escravocrata e latifundiária do Brasil.

O clima tropical e as formas agressivas de vida vegetal e animal impossibilitavam a implantação de uma cultura agrícola, nos moldes do costume europeu. O português teve então de mudar seus hábitos alimentares. A mandioca substituía o trigo; no lugar das verduras, o milho; e as frutas davam um colorido novo à mesa do colonizador. Mas sua dieta ficava empobrecida, devido à ausência de leite, ovos e carne, que só apareciam em datas especiais, festas e comemorações. A terra foi usada para o cultivo da cana em detrimento da pecuária e da cultura de alimentos, o que provocou a apatia, a falta de robustez e a incapacidade para o trabalho. Males geralmente atribuídos à mestiçagem. Os portugueses não traziam para o Brasil nem separatismos político, nem divergências religiosas, e não se preocupavam com a pureza da raça. Assim o país se formava. E a unidade dessa grande extensão territorial com profundas diferenças regionais, garantida muitas vezes com o uso da força, aconteceu devido à uniformidade da língua e da religião.

A Igreja desenvolvia planos ambiciosos de evangelização da América Latina, toda ocupada por países de tradição católica. Nessa quase cruzada no Novo Mundo, os padres jesuítas desempenhavam um papel importante na tentativa de implantar uma sociedade estruturada com base na fé católica. Para catequizar os índios, os jesuítas decidiram vesti-los e tirá-los de seu hábitat. Já o senhor de engenho tentava escravizá-los. Nos dois casos, o resultado era o extermínio e a fuga dos primitivos habitantes da terra para o interior.

A sociedade brasileira, entre todas da América, era a que se formava com maior troca de valores culturais. Havia um aproveitamento de experiências dos indígenas pelos colonizadores. Mesmo quando inimigo, o índio não provocava no branco uma reação que levasse a uma política deliberada de extermínio, como a que ocorria no México e Peru. A reação dos índios ao domínio do colonizador era quase contemplativa. O português usava o homem para o trabalho e a guerra, principalmente na conquista de novos territórios, e a mulher para a geração e formação da família. Esse contato provocava o desequilíbrio das relações do índio com o seu meio ambiente.

SECOMP 2007 - Chamada de Trabalhos

(05 Apr 2007 - 05:40)

CHAMADA DE TRABALHOS - SECOMP 2007

Seminário em Computação 2007: Tecnologias Móveis

29 de agosto a 1º de setembro de 2007

Universidade Federal de Itajubá, MG, Brasil

A Comissão Organizadora do SECOMP 2007 convida todo os interessados pela área Computacional a submeterem propostas de trabalhos com o tema Tecnologias Móveis, para serem apresentados durante o evento, que será realizado nos dias 29, 30 e 31 de agosto e 1º de setembro no campus da UNIFEI.

As categorias de trabalhos serão: palestras técnicas, mini-cursos e mini-apresentações.

Segue abaixo a descrição de cada categoria de trabalho e as instruções sobre como submeter propostas.

Descrição das categorias:

Palestra Técnica

Apresentação de estudos, resultados de pesquisas, projetos de desenvolvimento ou discussões acerca do tema Tecnologias Móveis.

A duração é de 1 hora, com tolerância máxima de 10 minutos, incluído o tempo para esclarecimento de dúvidas e comentários.

Devem ser apresentados os conceitos fundamentais que permitam o entendimento do assunto discutido, explicação de sua importância e/ou aplicabilidade e, quando necessário, apresentação de dados, comparações e quaisquer outros itens que sejam relevantes.

Mini-curso

Apresentação didática de princípios, conceitos e/ou técnicas sobre um determinado assunto. Podendo ser em nível introdutório, ou seja, não exigindo conhecimentos prévios sobre o assunto, ou em nível intermediário, exigindo conhecimentos básicos.

Mini-cursos deverão ter duração máxima de 6 horas (divididos em 2 dias) e serão ministrados no período da manhã.

Mini-apresentação

Apresentação de projetos, dicas, curiosidades e afins sobre temas ligados à área da computação e/ou eletrônica. Sendo que para esta categoria as propostas não precisam ser necessariamente ligadas ao tema Tecnologias Móveis.

A duração da apresentação é de 10 minutos, e mais 5 minutos para esclarecimento de dúvidas e comentários. A apresentação desta categoria de trabalho será realizada sempre nos intervalos de coffee-break.

Regras para envio de propostas:

A proposta a ser submetida, tanto para palestra, mini-curso ou mini-apresentação, deve conter obrigatoriamente:

título, nome(s) do(s) palestrante(s) / apresentador(es) e sua formação

um resumo introdutório do assunto a ser discutido e que justifique sua importância

descrição detalhada do conteúdo da apresentação / mini-curso

relação dos recursos necessários à apresentação / mini-curso (data-shows, projetores, computadores, etc.)

informações para contato

O texto deve ser redigido de maneira clara e objetiva, respeitando a estrutura acima mencionada, não deve ultrapassar o volume de 3 páginas e deve ser enviado em formato PDF.

As propostas devem ser enviadas para cacomp@unifei.edu.br. O prazo final para a submissão de propostas é 16/05/2007.

As propostas serão avaliadas e em caso de aprovação os proponentes serão devidamente notificados.

Atenciosamente,

Comissão Organizadora do SECOMP 2007

Criatividade, a boa nova do mercado

(05 Apr 2007 - 05:56)

Bom, vou fazer um pouco de merchan aqui agora.

Atualmente fala-se muito em criatividade, pró-ativismo (como uma qualificação desejável dos profissionais) e investe-se tempo na carga horário de trabalho das empresas de tecnologia no desenvolvimento do potencial do indíviduo, trabalhando o quesito individualidade como uma atividade necessária para um bom desempenho profissional e, acima de tudo, como uma fonte barata e acessível de um turbilhão de boas idéias em potencial, sedentas pela famosa oportunidade.

Sim, o mercado está mudando, e os profissionais também o devem.

Então fica aqui a minha dica, visitem o sítio http://www.euquerotrabalharnogoogle.com, dêem uma olhada e percebam como uma boa idéia (um sonho), pode se tornar uma oportunidade.

Abraço a todos,

E agora, José ?

(29 Mar 2007 - 05:18)

Fuçando pela Internet a esta altura da noite (ou seria dia ?), achei este texto em um blog de um conhecido. Achei interessante para voltar a dar as caras por aqui. O autor é desconhecido.

E agora, José?

A festa acabou,

a luz apagou,

o povo sumiu,

a noite esfriou,

e agora, José?

E agora, você?

você que é sem nome,

que zomba dos outros,

você que faz versos,

que ama, protesta?

e agora, José?

Está sem mulher,

está sem discurso,

está sem carinho,

já não pode beber,

já não pode fumar,

cuspir já não pode,

a noite esfriou,

o dia não veio,

o bonde não veio,

o riso não veio

não veio a utopia

e tudo acabou

e tudo fugiu

e tudo mofou,

e agora, José?

E agora, José?

Sua doce palavra,

seu instante de febre,

sua gula e jejum,

sua biblioteca,

sua lavra de ouro,

seu terno de vidro,

sua incoerência,

seu ódio - e agora?

Com a chave na mão

quer abrir a porta,

não existe porta;

quer morrer no mar,

mas o mar secou;

quer ir para Minas,

Minas não há mais.

José, e agora?

Se você gritasse,

se você gemesse,

se você tocasse

a valsa vienense,

se você dormisse,

se você cansasse,

se você morresse...

Mas você não morre,

você é duro, José!

Sozinho no escuro

qual bicho-do-mato,

sem teogonia,

sem parede nua

para se encostar,

sem cavalo preto

que fuja a galope,

você marcha, José!

José, para onde?

A primeira vez a gente nunca esquece

(02 Jul 2006 - 21:27)

Ministro confirma acordo com Japão para a TV digital

(24 Jun 2006 - 03:23)

Como já havia falado a um tempo atrás aqui, estou postando esta mensagem apenas para dar continuidade ao assunto. Em época de Copa do Mundo, em que os brasileiros esqueçam do mundo e temos um carnaval armado fora de época, é bom ao menos estarmos por dentro das notícias do que tem acontecido. Está é uma boa notícia, pelo menos uma na semana. Mas enfim.

Segue abaixo o link para o texto publico no FolhaOnline?.

Abraços

http://www1.folha.uol.com.br/folha/dinheiro/ult91u108796.shtml

Dance, Monekys, Dance!

(07 Jun 2006 - 19:58)

Muito boa a produção.

Show de bola!

[ ]´sss

http://www.youtube.com/watch?v=iuJ_XRjDRQU