
Os pequenos detalhes
Detalhes e outras pequenas impressões dos primeiros dias (parte 1)
Na
nota anterior, disse que faltavam alguns detalhes para completar as primeiras informações sobre a minha chegada e os primeiros momentos (e dias) em Lisboa. Descreverei aos poucos. Primeiro, do aeroporto à saída definitiva do terminal de desembarque em Lisboa:
- O vôo que peguei de Salvador para Lisboa, pela TAP teve os seus momentos bons e ruins. Como tudo na vida. De bom, o que me deixou muito contente (e não haveria de ser diferente), as refeições foram dignas: muito diferente das companhias áreas brasileiras, sobretudo a Gol, que possui um péssimo costume de servir barra de cereal aos seus clientes como compensação aos seus «baixos» preços. A descrição do que comi (e gostei) está ainda em mente:
- Janta: entrada com um tabule (salada à moda árabe com alface e limão), prato principal de carne (filé de porco assado com um molho de cujo nome eu nem me recordo, mais batatas cozidas), acompanhado com uma salada de cenoura cozida e abacaxi, ambas em cubinhos; sobremesa: cuscuz de tapioca ao leite condesado, ou algo que lembrava leite condesado (isto mesmo!); para completar, um pão de sal (ou cacetinho, ou de trigo, ou qualquer outra coisa, a depender da região onde você, leitor, mora ou nasceu); bebidas (refrigerante, água ou suco de caixinha);
- Pós-janta: café (era fraco, mas não chegou a ser ralo demais) e mais um pãozinho. Opções de recheio: pequenas porções de margarina ou queijo processado; bebidas (refrigerante, suco de caixinha ou água);
- Café da manhã (ou «pequeno almoço», como falam por cá): sanduíche de queijo e presunto mais bolacha de água e sal mais café; bebidas (como nos itens anteriores).
- A parte ruim do vôo ficou com as acomodações. Eu fui de classe econômica, o que já daria para prever uma noite de sono prejudicada, mas não imaginava que, de tão grande que era o avião (um Airbus A-330), os espaçamentos dos bancos fossem tão pequenos! Para completar, os comissários de bordo (eram numerosos, algo como 2 mulheres e 3 homens, ao menos na seção econômica do aparelho), acordavam, como se o acendimento total das luzes não fosse necessário, os passageiros exatamente 1 hora antes do pouso («amparagem») com uma medida para mim surpreendente: um seco toque no corpo do sujeito (no meu ombro, por exemplo) e uma oferta presta de uns lenços umedecidos com água quente. Ah, que horror!
- Depois do pouso, pegamos um ônibus («autocarro») em direção às dependências internas do aeroporto internacional lisboeta. Primeira fila («bicha»): alfândega. Uma fila para falantes de português, uma fila para os que possuíam passaportes da União Européia, outra em zigue-zague de uma sorte de pessoas de não-sei-onde. Depois de uns 30 minutos (previsão de lembrança otimista minha), fui atendido. E rapidamente. O próximo passo foi resgatar as malas;
- Para minha alegria, peguei as bagagens rapidinho. Com um porém: umas das bases da alça superior da mala maior (preta) descolou. Paciência. Ao passar pela seção de revista de malas da alfândega, nova parada. Um homem, meia idade, me olhou e, talvez desconfiado que eu fosse um mau elemento, me parou (pediu para que eu «encostasse»). Fi-lo:
_ Passaporte? -- disse o homem.
_ Sim, está aqui. -- respondi.
_ O que veio fazer no país?
_ Estudo. Doutoramento.
_ Primeira vez que está aqui? -- falou-me rapidamente, com o que eu retruquei:
_ Como?
_ Está pela primeira vez aqui?
_ Sim.
Em seguida, começou a abrir minhas malas. Na sacola (azul), havia um saco de farinha, uma garrafa de dendê, uma coador de pano e um pacote de café Pilão de 250g. À medida que ele abria, perguntava. E eu punha-me solícito a auxiliá-lo. Em determinado momento, ele questionou o que havia na sacola. Em seguida, já cansado daquilo tudo, disse:
_ Alguns alimentos para consumo próprio. Dendê, café brasileiro e farinha...
Sem querer ensejar algum pensamento equivocado ao sujeito da alfândega, completei:
_...de mandioca.
Depois, disto. Ele nem quis mais ver o restante da bugiganga. Principalmente depois de ver o que havia na minha mochila: papéis a perder de vista.
Na saída (ainda bem!), estava Alysson para me pegar. Estava louco para ir ao banheiro.
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WagnerSaback - 17 Oct 2007
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