Primeiros momentos (versão quase pronta)
Este texto foi, na verdade, um e-mail que enviei a Daniel Batista (a.k.a. Daniel «Linux»). Reflete, ainda que falte alguns poucos detalhes que espero pôr depois noutra nota, como foram os primeiros momentos em Lisboa. Vamos a ele:
Já estou em Lisboa. Cheguei aqui na segunda-feira, dia 15.10, 6h15 (horário local) mais ou menos. Cheguei cansado e, por infelicidade, com o estômago a cair pelas tabelas. Porém, destes dois pontos já estou recuperado.
Ainda na segunda, fui à FCUL (Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa) a fim de conhecer o espaço de trabalho, conversar com o Prof. Miguel (orientador ou, como dizem os lusitanos, o tutor), conhecer o pessoal que realiza doutorado (dentre as pessoas, brasileiros, inclusive a pessoa com quem eu conversava durante todo o andamento do AlBan e afins), outros docentes do DI (Depto. de Informática), as dependências da universidade, etc.
Fui bem recebido. O local é aprazível, as pessoas foram simpáticas e respeitosas. Tenho direito a um espaço próprio (uma baia) com uma pequena-grande estante de três níveis, gavetário com chave, lixeira, ramal, mural para colagem de papéis e uma mesa para computador. Falando neste, tenho em mãos um equipamento novo, um computador Dell com processador Intel Duo Core 2, monitor tela-plana de 17". Não sei o restante das configurações ainda (somente recebi a máquina hoje), mas, pelo que vejo, o bicho é dos bons. Vem com Windows Vista, que será imediatamente substituído, com todo gosto, pelo Debian GNU/Linux 4.0 sabor "testing".
Antes, no entanto, obtive um portátil (jeito de os portugueses chamarem um notebook) emprestado, do grupo de pesquisa mesmo, um equipamento velho (entre aspas): Pentium III com 1Ghz, 256 MB de RAM, 30 GB de disco. Veio com Windows XP Professional, mas já contém, além deste sistema, um Debian 4.0 testing (do qual eu digito esta mensagem). Posso usar este portátil de onde eu quiser, trata-se de um computador para uso pessoal e de trabalho. Isto é muito bom porque, na casa onde moro, tem Internet.
Moro no bairro de Benfica, próximo ao estádio do Benfica. É uma freguesia (como dizem aqui) bacana, há um supermercado perto (Pingo Doce é o nome), shopping perto (Colombo), metrô perto, ponto de ônibus perto, posto de saúde perto... Como vê, é uma localidade boa. A universidade fica a uns 15 minutos de metrô ou de 10 a 15 minutos de buzu. A pé, de 40 a 50 minutos. No apartamento, tenho um quarto (cada morador da república tem o seu) com mesa de computador com 3 gavetas, armário (grande) embutido, estante e um aquecedor.
Em geral, os preços dos produtos e serviços aqui são acessíveis. Nos meus gastos pessoais corriqueiros, pago ¤ 0,70 ou ¤ 1,35 de metrô (respectivamente, para bilhete só de ida ou ida e volta no metrô), ¤ 1,30 de coletivo, 2 euros de RU (não comi lá ainda, preciso obter a carteira antes, possivelmente amanhã). No shopping, segundo Alysson -- o amigo que está aqui há mais de 1 ano, hoje docente da UL, e que tem me dado uma ajuda fenomenal, moro com ele no apartamento e mais um cara português --, pode-se comer por até ¤ 5, sem contar a bebida. No supermercado, os alimentos não são caros em geral caso não se leve em consideração a cifra monetária, apenas a numérica (conversões para real não são factíveis, pois que se ganha em euro por aqui).
Quanto ao meu trabalho, não iniciei. Amanhã, com o computador instalado e já melhor habituado ao fuso horário (em relação à Brasília, com o horário de verão estabelecido, Lisboa fica 3 horas à frente; à Bahia, são 4h de diferença), poderei começar algumas leituras. Como o orientador viajará amanhã pela tarde, somente nos reuniremos com fins de discutir os primeiros passos do
projeto na próxima semana. Creio que somente pegarei matérias no próximo trimestre, hei de acertar com Miguel.
A cidade, não a conheço por demais. Pude apenas passar por algumas ruas. Do que vi, penso que seja aprazível. As pessoas, no geral, não são antipáticas. Tratam-lhe com seriedade, mas sem maiores intenções maledicentes. Em Lisboa, percebe-se um número um tanto considerável de africanos (as cores de pele não mentem). De brasileiros, não posso falar, não pude deparar-me com os mesmos ainda, com a exceção do pessoal que trabalha no grupo de pesquisa e do próprio Alysson. Na língua, há dificuldades, sobretudo quando as pessoas falam muito rapidamente. De fato, é um novo dialeto, adicionado não somente ao ritmo de fala, incluem-se aqui também novos léxicos (palavras) e construções frasais. Novidades a serem assimiladas ao sabor do tempo.
De documentação, necessito de acertar as emissões do cartão do contribuinte (o CPF daqui), cartão do metrô (¤ 27 por mês para pegar quantos metrô, também denominados "comboio", e buzus, os autocarros, quiser, acredita?), cartão de saúde e conta bancária. Tudo pendência a resolver ao longo da semana.
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WagnerSaback - 17 Oct 2007