Para entender a importância do ODF
Durante a idade média, a população era excluída do processo político por não ter acesso aos documentos públicos que o organizavam. A língua oficial do Estado e da Igreja era o Latim. Com isso, todos os documentos, leis e atos eram publicados em Latim e somente os letrados podiam ter acesso aos mesmos. À população, analfabeta em sua própria língua, cabia obedecer aos mandos daqueles que dominavam a língua, e portanto, tinham acesso aos documentos e aos processos públicos.
Open Document ou ODF:
Abreviação de "OASIS Open Document Format for Office Applications", é um formato aberto para armazenar e trocar documentos de escritório como textos, planilhas, gráficos e apresentações. Esse padrão foi desenvolvido pelo consórcio OASIS e é baseado no formato XML. O ODF foi aprovado como um padrão OASIS em 1 de maio de 2005 e também foi aprovado e lançado como um padrão ISO/IEC em maio de 2006 (ISO/IEC 26300). O padrão ODF foi desenvolvido por uma grande variedade de organizações e seu acesso é público. Isso significa que pode ser implementado em qualquer sistema, seja ele de código aberto ou proprietário, sem incidência de qualquer tipo de pagamento. A intenção do formato ODF é prover uma alternativa aos formatos proprietários de documentação, para que organizações e indivíduos não fiquem aprisionados em um único fornecedor. O ODF é o primeiro formato de documentos digitais que é uma norma ISO.
Fonte: Wikipedia
A chegada dos computadores e da Internet anunciou uma nova era na disponibilização de documentos. E, também, pela primeira vez, conteúdo e suporte foram separados. Até a chegada dos computadores, o documento e seu suporte, geralmente papel, eram inseparáveis. Havia um original e cópias produzidas a partir dele. Com a chegada dos documentos eletrônicos, o arquivo passou a ser um repositório contendo o documento propriamente dito. A Internet, por sua vez, tornou possível a distribuição praticamente sem custos dos documentos gerados por órgãos e entidades públicas. Leis, decretos, portarias e diversas outras normas passaram a existir não mais em papel apenas, mas em um mundo virtual onde qualquer um, de qualquer lugar, pode lê-los.
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OpenDocument? foi desenvolvido por uma grande variedade de organizações e seu acesso é público. Isso significa que pode ser implementado em qualquer sistema, seja ele de
código-fonte aberto|código aberto? ou proprietário, sem incidência de qualquer tipo de pagamento. A intenção do formato
ODF é prover uma alternativa aos formatos proprietários de documentação, para que organizações e indivíduos não fiquem aprisionados em um único fornecedor.
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ODF é o primeiro padrão para documentos de escritório editáveis que foi aprovado por uma instituição de padronização independente.
Em fins de 2004 ocorreu uma grande tragédia na Ásia, com um tsunami destruindo regiões costeiras e matando centenas de milhares de pessoas. Logo após a tragédia, equipes internacionais de resgate acorreram. Entretanto, sua ação foi prejudicada por um problema tecnológico: muitos dos formatos dos arquivos que precisavam ser trocados entre estas equipes não eram compatíveis entre si e consequentemente muito tempo e vidas humanas foram perdidas.
O que aconteceu? Devido ao padrão de fato dos formatos dos arquivos de texto ou planilhas manuseados pelas suítes de escritório ser fechada (proprietária) e haver uma relação direta entre este formato do arquivo e o software, tornou-se-se muito difícil trocar-se arquivos entre softwares diferentes (como entre um Word e um
WordPerfect?) ou mesmo entre versões antigas e mais novas do mesmo software (como entre um Word XP e um Word 6).
De forma a acomodar os recursos que cada editor de textos desenvolvia, as empresas criaram não apenas programas mas, principalmente, formatos de arquivos. Formatos fechados que são protegidos por licenças de uso que acabaram com uma das principais características dos documentos como os conhecemos: a liberdade para copiá-los.
Quando um documento era produzido, fosse através de uma máquina de escrever ou mesmo com caneta e papel, a propriedade do documento era certa. O(A) autor(a) tinha total controle sobre quem poderia ou não obter uma cópia do mesmo. O processo de cópia também era simples: bastava uma autorização do(a) autor(a). No caso de documentos públicos, bastava uma mera requisição. Com a criação de formatos fechados para a gravação de documentos eletrônicos este cenário mudou. Não basta ter autorização ou requisitar a cópia. Quando um documento é armazenado em um formato fechado, é necessário, também, o pagamento de uma licença de uso de um software capaz de abrir o arquivo e exibir o seu conteúdo.
Todos(as) já passamos pela experiência de receber um documento, geralmente urgente, em um formato que não podíamos abrir por não termos um determinado software instalado. O resultado disso era uma troca de e-mails desnecessára pedindo para que o documento fosse enviado em outro formato. Em alguns casos, esta troca de formato era impossível e, na maioria das vezes, perdia-se formatação ou mesmo parte do conteúdo.
O pior aconteceu quando documentos públicos passaram a ser distribuídos em formatos eletrônicos fechados.
Quando um ente público disponibiliza documentos eletrônicos em formatos fechados, está instituindo a criação de um tributo privado. Para o(a) cidadão(ã) ter acesso a documentos e informações públicas tornou-se necessária a realização de uma compra de uma ferramenta. Hoje, uma suite de escritório fechada chega a custar mais de R$ 1500,00.
Corremos o risco de voltarmos à Idade Média, a um tempo onde somente aqueles com recursos financeiros podem ter acesso aos atos e documentos da vida pública. A diferença é que hoje, ao invés do Latim, temos o MSOffice. Chegamos a um ponto onde concursos públicos passaram a exigir e testar conhecimentos de programas fechados.
É necessário promover um novo renascimento. É necessário uma proposta que passe pela criação de um padrão de documento aberto, que não imponha restrições de licenciamento, que não seja necessariamente definido em formato binário (não aprisione o usuário a um determinado software ou plataforma), que suporte as funcionalidades atuais e futuras da tecnologia dos processadores de texto, planilhas e apresentações, bem como seja armazenado de uma forma que não tenha tanta
encheção de lingüiça (que leva o arquivo a maior tamanho sem necessidade) e seja de ampla aceitação pela indústria e pelo mercado. É neste contexto que o
ODF, o OpenDocument? Format, se apresenta.
O Estado não pode distribuir documentos em formatos que exijam o pagamento por licenças de produtos fechados. Como cidadãos, temos que ter acesso a documentos públicos sem nos preocuparmos se temos ou não um programa específico. Temos que ter acesso a documentos públicos de forma irrestrita usando a ferramenta que for mais apropriada para as nossas necessidades.
Com mais de 20 produtos suportando o formato e com mais se juntando à lista a cada dia, o
ODF se apresenta como o melhor padrão para o armazenamento e distribuição de documentos eletrônicos. A adoção do
ODF como padrão ISO somente reforça a sua relevância. Diversos governos já acordaram para a importância da adoção do
ODF como formato de distribuição de documentos públicos. No Brasil, a iniciativa do e-PING mostra que o governo federal, apesar de ainda de forma tímida, não está omisso nesta discussão. Precisamos promover cada vez mais a utilização do
ODF nestes tempos de governos eletrônicos e mídias digitais.
Precisamos preservar nossa cidadania.
Contribuição de Roberto Salomon da ONG BrOffice?.org e Cezar Taurion, Diretor da IBM
Voltando aos exemplos automobilísticos, imaginem que o governo pavimentasse uma roodovia e dissesse: "Só veículo da Honda pode andar nela!". Quem tem moto Yamaha ou carro da Toyota reclamaria, afinal trata-se de um absurdo (queremos deixar claro que a intenção desta Tese não é falar bem ou mal dos fabricantes de veículos e de hipoclorito de sódio citados, mas apenas usá-los como exemplo). Mas novamente quase ninguém reclama quando exige-se formatos proprietários no envio de arquivos eletrônicos, quando exige-se que se tenha o veículo de determinada empresa para trafegar na
superinfovia (ironicamente, termo cunhado por Bill Gates).
Imaginemos outra situação: numa hipotética universidade pública todos(as) os(as) alunos(as) têm boa condição ficanceira. Os pais têm bons carros e eles(as) já ingressam no ensino superior com com sua Carteira de Hablitação em mãos. Estão acostumados a dirigir carros grandes e confortáveis. Dentro da universidade pedem para o(a) aluno(a) pegar um carro compacto (digamos que seja para coletar uns insetos na mata ou uma amostra de água num rio), sem ar-condicionado, direção hidráulica ou outros requintes.
-Eu não vou dirigir essa porcaria! Só dirijo carro igual ou melhor ao de meu pai/mãe!
O automóvel caro e confortável é o pacote Microsoft Office. Os(as) alunos(as) estão acostumados a usá-lo em casa e nas empresas onde trabalham, na analogia têm dinheiro para comprar ou roubaram os veículos (pirataria). A universidade pública precisa gastar seus recursos de forma responsável, e não pode "dar um relaxo" desses com a Lei, pirateando. Que os(as) alunos(as) façam o que quiser em casa, mas dentro da universidade pública eles(as) devem aprender a usar software livre, ou seja, acostumar-se com a direção de um veículo mais apertadinho, porém que atende perfeitamente às necessidades da maioria esmagadora da população. É um pequeno esforço, não vai aleijar ninguém acostumar-se ao
BrOffice?. Não se deve esperar que tudo venha do governo de mão beijada, temos que fazer um pouco também!
Outro percalço sofrido por alunos(as) de graduação e pós-graduação, especialmente na área de Exatas, devido à exigência de envio de artigos científicos em formato do MS Word, é a impossibilidade de usar editores tipográficos que não sejam WYSIWYG (what you see is what you get). O pacote Open Office/BROffice, cujo editor de texto também é WYSIWYG salva seus documentos em formato do MS Word com algumas imperfeições, "quebra um galho". Mas (tornamos a dizer que fora do meio tecnológico algumas questões importantes são pouco divulgadas) existem editores que não seguem essa linha e que são mais apropriados para textos científicos, longos, com muitas citações, figuras e fórmulas. A proposta esse tipo de editor é fazer o(a) autor(a) concentrar-se na estrutura lógica do texto e não na sua formatação. Comparar esses editores, livres ou não, com os WYSIWYG, equivale a comparar um trator com uma motocicleta.
O editor não-WYSIWYG mais conhecido é o
TeX?/LaTeX, um
software livre criado nos primórdios do projeto GNU (esse animal africano é o mascote do movimento pelo software livrre) e exaustivamente testado quanto a falhas nos últimos 22 anos. Pode-se saber mais sobre ele em <www.tug.org> e em <http://www.sancalivre.org.br/artigos/artigo1.html>. Apesar de ser muito usado por alunos(as) e profissionais de Engenharia, Matemática e Computação; esse
software tambémé útil para a confecção de livros e artigos em outras áreas do conhecimento.
Muitos(as) alunos(as) ficam descontentes com exigências de trabalhos acadêmicos redigidos em editores WYSIWYG quando vêem no
TeX? uma alternativa muito mais produtiva e fácil de usar. Alguns(mas) chegam ao ponto de recusar-se a enviar artigos para congressos e periódicos científicos se algum editor WYSIWYG, mesmo que livre, for exigido. Não se trata de
frescura ou questão técnica/pontual de alunos(as) de Exatas. Nós usuários(as) de Tex/LaTeX exigimos respeito!
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LeandroChemalle - 17.04.2007