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Educação à Distância

Um debate prioritário que precisa ser encarado de frente e sem preconceito pelo movimento estudantil


Durante os debates relativos ao regimento do 50o. CONUNE, uma pergunta difícil foi lançada: alunos(as) de cursos regulares de graduação à distância votam e são votáveis ao CONUNE? Essa pergunta causou calafrios em alguns(mas) militantes e chegamos até ao absurdo de ter coordenadores(as) de forças políticas que participam da UNE defendendo que esses(as) estudantes não devem sequer participar do movimento estudantil, muito menos votar e serem votados(as) para o Congresso da UNE. Com um quadro como esse, chegamos a um fato inquestionável: já passou da hora de o ME definir a sua posição sobre o tema e, além disso, qual vai ser a postura do movimento estudantil em relação a esses(as) estudantes.

O Ensino à Distância (EAD) nas faculdades particulares hoje

Salvo raras exceções, o EAD vem crescendo muito nas universidades particulares em forma de graduação, pós-graduação, MBA, cursos sequenciais, de extensão e complementares. Ou seja, todos os tipos de curso já possuem versões à distância. O maior problema é que na maioria dos casos, os cursos oferecem pouco suporte aos(às) alunos(as), e qualidade altamente questionável. Mas não mais questionável do que os cursos presenciais nessas mesmas universidades. O MEC é bastante severo com as instituições particulares que desejam credenciar cursos à distância, e isso é bom.

O Ensino à Distância nas Universidades Públicas

As Públicas tem atirado em duas frentes: em uma, cursos de pós-graduação, muitos deles pagos tem sido oferecidos e em outra, algumas universidades tem sido pioneiras na oferta de graduações à distância. Na região norte esse processo dá-se de maneira bem agressiva, dado as dificuldades de locomoção na Amazônia. A UFAM é a pública brasileira com mais alunos(as) à distância, espalhados por toda Amazônia. Mas esse cenário está mudando com a inserção do projeto Universidade Aberta do Brasil (UAB), do MEC.

O Projeto Universidade Aberta do Brasil (UAB)

O UAB pode ser encarado como uma das maiores ofertas de ensino não-presencial já ocorridas no mundo, e com iniciativa do governo. Esse projeto coloca as universidades federais em parceria com as prefeituras dos municípios, e com isso, essas IFES passam oferecer algum de seus cursos, em outras cidades e como EAD. O UAB funciona assim: a prefeitura disponibiliza um Pólo Presencial. Esse pólo é uma pequena escola, com sala de aula tradicional, um laboratório, com Internet, multi-mídia e monitores-professores para o suporte aos alunos. As IFES oferecem os cursos. Um Pólo pode abrigar diferentes cursos de diferentes universidades. Uma aula gerada no campus de uma IFES, pode ser transmitida ao vivo para Pólos espalhados por todo o País. E os(as) alunos(as) têm acesso aos(às) professores(as) por vídeo-conferência, chat ou e-mail.

O UAB pretende oferecer mais de 60.000 vagas já em 2007, com parte das turmas começando em junho deste ano. Do mesmo modo que, no passado, não era de se esperar que o movimento estudantil surgisse e se organizasse dentro das instituições particulares, não é de se esperar que isso ocorra com o ensino à distância, na conjuntura atual. É de se esperar, que o movimento estudantil à distância surja dentro das salas do UAB.

O Movimento Estudantil à Distância (MEAD)

Em 2007, a projeção do MEC é que existam mais de 200.000 estudantes de cursos à distância e pelo menos metade disso cursando graduações à distância. Ou seja, assim como o PROUNI, que deixou de ficar no plano das idéias e se tornou uma realidade nas universidades brasileiras, a EAD também está se tornando aos poucos. Aqueles(as) que eram críticos(as) mortais ao projeto do governo Lula, hoje maneiram nas críticas, visto que grande parte da sua base pode ser formada por esses(as) estudantes.

Bom, no caso do EAD, como o ME pode ser possível se os(as) estudantes não se encontram e não existe o contato pessoal? Essa é o primeiro mito a ser derrubado. Pelo projeto do UAB, os(as) alunos(as) terão sim aulas presenciais, mas em quantidade pequena, mas ainda sim, eles(as) encontrar-se-ão com frequência pelo menos semanal. Além disso, o Pólo Presencial vai funcionar de modo parecido ao Lab. de Informática do seu curso, que não deixa de ser um ponto de encontro de todas em turmas, em todas universidades. Outro ponto é que o ME tradicional já aprendeu a romper essas barreiras. Taí o movimento das Executivas e Federações de curso, e a própria UNE e UEEs, que não nos deixam mentir. As TICs(Tecnologias da Informação e Comunicação) estão aí tanto para o ensino, como para a militância. Cabe a nós saber utilizar as tecnologias em prol da organização do ME (vide ponto Wiki da UNE).

Por fim, a estrutura do UAB sugere uma organização estudantil um pouco diferente da tradicional. Especialmente pelo fato de se ter cursos de diferentes universidades em um mesmo local. O “campus“ do EAD é mais diversificado do que o nosso campus atual. É um local onde alunos(as) de diferentes cursos, de diferentes universidades federais se encontram, e a representação estudantil desse “campus” deverá refletir esse cenário. É nesse cenário que o UNELivre sugere a existência do Polo Estudantil Acadêmico(PEA). O nome é o que menos importa, o importante é a idéia.

Polo Estudantil Acadêmico (PEA): a entidade de base dos(as) estudantes à distância

Para refletir a realidade dos Pólos Presenciais, a representação estudantil deve também ser organizada em torno dos pólos, e não somente em torno do curso ou da universidade do estudante. O PEA nada mais é do que o DCE do Pólo Presencial. Que pode contar com “n” cursos de “x” universidades diferentes. Será uma representação estudantil localizada, mas que fará a interface dos(as) estudantes com as coordenações de todos os cursos ali presentes, especialmente com a Prefeitura da cidade, que é a responsável pelo Polo Presencial. Fica aqui a proposta do Movimento UNELivre: a UNE e as UEEs devem incentivar a criação de PEAs como entidades de base para representação dos(as) estudantes de ensino à distância, especialmente dentro dos cursos do UAB.

Um último debate, para os próximos Congressos da UNE, é em relação à eleição de delegados(as) dos cursos à distância. A nossa proposta é que seja por Pólo. Nesse caso, em um mesmo pólo votam alunos(as) de diferentes universidades, em mesmas chapas. Até por se tratar de um setor que será cada vez mais representativo no movimento estudantil, vemos como uma evolução natural a criação de uma Diretoria de Ensino à Distância na UNE e em todas entidades gerais.

Uma das bandeiras do movimento estudantil é a defesa e expansão da universidade pública, sonhando com um cenário onde não houvessem mais universidades particulares e ensino mercantilizado. No entanto a UNE conta com a Diretoria de Públicas e a Diretoria de Particulares. Se existe um(a) diretor(a) encarregado(a) de coordenar ações em favor dos(as) alunos(as) das instituições particulares de ensino, deve-se também criar uma pasta para cuidar de assuntos referentes aos(às) alunos(as) do ensino à distância.

-- LeandroChemalle - 17.04.2007


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