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Aqui temos um livro livre e completo sobre Shell

Os sedentos do "saber livre" são muito benvindos.

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Controles: EDITAR ANEXAR MAIS MAIS ALTERACOES IMPRIMIR - Última Atualização: [29 Apr 2015 - V.21]

Papo de botequim parte VII



     - Cumequié rapaz! Derreteu os pensamentos para fazer o scriptizinho que eu te pedi?

     - É, eu realmente tive de colocar muita pensação na tela preta mas acho que consegui! Bem, pelo menos no testes que fiz a coisa funcionou, mas você tem sempre que botar chifres em cabeça de cachorro!

     - Não é bem assim, programar em shell é muito fácil, o que vale são as dicas e macetes que não são triviais. As correções que te faço, são justamente para mostrá-los. Mas vamos pedir dois chopes enquanto dou uma olhadela no teu script.

     - Aê Chico, traz dois. Não esqueça que um é sem colarinho.


$ cat restaura #!/bin/bash # # Restaura arquivos deletados via erreeme #

if [ $# -eq 0 ] then echo "Uso: $0 <Nome do Arquivo a Ser Restaurado>" exit 1 fi # Pega nome do diretório original na última linha Dir=`tail -1 /tmp/$LOGNAME/$1` # O grep -v exclui última linha e cria o # arquivo com diretorio e nome originais grep -v $Dir /tmp/$LOGNAME/$1 > $Dir/$1 # Remove arquivo que jah estava moribundo rm /tmp/$LOGNAME/$1

     - Peraí, deixa ver se entendi. Primeiramente você coloca na variável Dir a última linha do arquivo cujo nome é formado por /tmp/nome do operador ($LOGNAME)/parâmetro passado com nome do arquivo a ser restaurado ($1). Em seguida o grep -v que você montou exclui a linha em que estava o nome do diretório, isto é, sempre a última e manda o restante do arquivo, que seria assim o arquivo já limpo, para o diretório original e depois remove o arquivo da "lixeira"; S E N S A C I O N A L! Impecável! Zero erro! Viu? você já está pegando as manhas do shell!

     - Então vamulá chega de lesco-lesco e blá-blá-blá, de que você vai falar hoje?

     - É tô vendo que o bichinho do Shell te pegou. Que bom, mas vamos ver como se pode (e deve) ler dados e formatar telas e primeiramente vamos entender um comando que te dá todas as ferramentas para você formatar a sua tela de entrada de dados.

O comando tput

O maior uso deste comando é para posicionar o cursor na tela, mas também é muito usado para apagar dados da tela, saber a quantidade de linhas e colunas para poder posicionar corretamente um campo, apagar um campo cuja crítica detectou como errado. Enfim, quase toda a formatação da tela é feita por este comando.

Uns poucos atributos do comando tput podem eventualmente não funcionar se o modelo de terminal definido pela variável $TERM não tiver esta facilidade incorporada.

Na tabela a seguir, apresenta os principais atributos do comando e os efeitos executados sobre o terminal, mas veja bem existem muito mais do que esses, veja só:

$ tput it 8

Neste exemplo eu recebi o tamanho inicial da <TAB> ( Initial T ab), mas me diga: para que eu quero saber isso? Se você quiser saber tudo sobre o comando tput (e olha que é coisa que não acaba mais), veja em: http://www.cs.utah.edu/dept/old/texinfo/tput/tput.html#SEC4.

Principais Opções do Comando tput
setf   Altera a cor da fonte (set foreground)
Opções do tput   Efeito
cup lin col   CUrsor Position - Posiciona o cursor na linha lin e coluna col. A origem é zero
home   O mesmo que tput cup 0 0, isto é, coloca o cursor no vertice superior esquerdo da tela
bold   Coloca a tela em modo de ênfase
rev   Coloca a tela em modo de vídeo reverso
smso   Idêntico ao anterior
smul   A partir desta instrução, os caracteres teclados aparecerão sublinhados na tela
blink   Os caracteres teclados aparecerão piscando (nem todas as definições de terminais aceitam esse)
invis   A partir desse ponto, nada do que for digitado aparecerá no vídeo (Obs: Inseguro para ler senhas)
sgr0   Após usar um dos atributos acima, use este para restaurar a tela ao seu modo normal
reset   Limpa o terminal e restaura suas definições de acordo com o terminfo ou seja, o terminal volta ao padrão definido pela variável $TERM  
lines   Devolve a quantidade de linhas da tela no momento da instrução
cols   Devolve a quantidade de colunas da tela no momento da instrução
el   Erase Line - Apaga a linha a partir da posição do cursor
ed   Erase Display - Apaga a tela a partir da posição do cursor
il n   Insert Lines - Insere n linhas a partir da posição do cursor
dl n   Delete Lines - Remove n linhas a partir da posição do cursor
ech n   Erase CHaracters - Apaga n caracteres a partir da posição do cursor
sc   Save Cursor position - Salva a posição do cursor
rc   Restore Cursor position - Coloca o cursor na posição marcada pelo último sc
flash   Faz um vídeo reverso muito rápido. Ideal para chamar a atenção sobre erros ou ocorrência interessantes
smcup   Bate uma foto atual da tela e a salva para posterior recuperação
rmcup   Repõe na tela a foto batida com o comando tput smcup
setb   Altera a cor de fundo (set background)

Vamos fazer um programa bem besta (e portanto fácil) para mostrar alguns atributos deste comando. É o famoso e famigerado Alô Mundo só que esta frase será escrita no centro da tela e em vídeo reverso e após isso, o cursor voltará para a posição em que estava antes de escrever esta tão criativa frase. Veja:

$ cat alo.sh #!/bin/bash # Script bobo para testar # o comando tput (versao 1)

Colunas=`tput cols` # Salvando quantidade colunas Linhas=`tput lines` # Salvando quantidade linhas Linha=$((Linhas / 2)) # Qual eh a linha do meio da tela? Coluna=$(((Colunas - 9) / 2)) # Centrando a mensagem na tela tput sc # Salvando posicao do cursor tput cup $Linha $Coluna # Posicionando para escrever tput rev # Video reverso echo Alô Mundo tput sgr0 # Restaura video ao normal tput rc # Restaura cursor aa posição original

Como o programa já está todo comentado, acho que a única explicação necessária seria para a linha em que é criada a variável Coluna e o estranho ali é aquele número 9, mas ele é o tamanho da cadeia que pretendo escrever (Alô Mundo).

Desta forma este programa somente conseguiria centrar cadeias de 9 caracteres, mas veja isso:

$ var=Papo $ echo ${#var} 4 $ var="Papo de Botequim" $ echo ${#var} 16

Ahhh, melhorou! Então agora sabemos que a construção ${#variavel} devolve a quantidade de caracteres de variavel. Assim sendo, vamos otimizar o nosso programa para que ele escreva em vídeo reverso, no centro da tela a cadeia passada como parâmetro e depois o cursor volte à posição que estava antes da execução do script.

$ cat alo.sh #!/bin/bash # Script bobo para testar # o comando tput (versao 2)

Colunas=`tput cols` # Salvando quantidade colunas Linhas=`tput lines` # Salvando quantidade linhas Linha=$((Linhas / 2)) # Qual eh a linha do meio da tela? Coluna=$(((Colunas - ${#1}) / 2)) #Centrando a mensagem na tela tput sc # Salvando posicao do cursor tput cup $Linha $Coluna # Posicionando para escrever tput rev # Video reverso echo $1 tput sgr0 # Restaura video ao normal tput rc # Restaura cursor aa posição original

Este script é igual ao anterior, só que trocamos o valor fixo da versão anterior (9), por ${#1}, onde este 1 é o $1 ou seja, esta construção devolve o tamanho do primeiro parâmetro passado para o programa. Se o parâmetro que eu quiser passar tiver espaços em branco, teria que colocá-lo todo entre aspas, senão o $1 seria somente o primeiro pedaço. Para evitar este aborrecimento, é só substituir o $1 por $*, que como sabemos é o conjunto de todos os parâmetros. Então aquela linha ficaria assim:

    Coluna=$(((Colunas - ${#*}) / 2))  #   Centrando a mensagem na tela

e a linha echo $1 passaria a ser echo $*. Mas não esqueça de quando executar, de passar como parâmetro, a frase que você deseja centrar.

Um outro exemplo, todo comentado, que usa um monte de artifício do comando tput é o que veremos a seguir. Ele serve principalmente para mostrar como se salva uma tela para posterior recuperação. Enfim, uma aula de fotografia de telas ;), veja:

$ cat salva_tela seq 2000 | xargs # Sujando a tela Lin=$(($(tput lines) / 2)) # Calculando linha e coluna centrais da tela Col=$(($(tput cols) / 2)) tput cup $Lin; tput el; tput setf 1 # Posicionando, apagando a linha central e colorindo echo "Em 10 segundos essa tela será fotografada e se apagará" tput civis # Cursor invisível para melhorar apresentação for ((i=10; i!=0; i--)) { tput cup $Lin $Col; tput el # Posiciona no centro da tela e limpa núm anterior echo $i sleep 1 } tput smcup # Tirando uma foto da tela clear # Poderia ter usado tput reset tput cup $Lin echo "Dentro de 10 segundos a tela inicial será recuperada" for ((i=10; i>0; i--)) { tput cup $Lin $Col; tput el # Posicionou no centro da tela echo $i sleep 1 } tput rmcup # Restaurou a foto tput cvvis;tput setf 9 # Restaurou o cursor e cor

Para que você possa ver todas as combinações de cores de fonte e fundo (tput setf e tput setb), execute o script a seguir:

$ cat colors1.sh #!/bin/bash for ((b=0; b<=7; b++)) { tput setb 9; tput setf 9; echo -n "|" for ((f=0; f<=7; f++)) { tput setb $b; tput setf $f; echo -n " b=$b f=$f " tput setb 9; tput setf 9; echo -n "|" } echo } tput setb 9; tput setf 9

Antes eu disse que essas eram todas as combinações, mas se o tput bold estiver ativo, você terá mais 7 cores de fonte.

Se estavas sem saco e não quisestes executar esse script para ver as cores, seus códigos são os seguintes:

Cores do terminal
9   Volta a cor default  
  Símbolo     Cor
0   Preto  
1   Azul  
2   Verde  
3   Ciano  
4   Vermelho  
5   Magenta  
6   Amarelo  
7   Branco  

E agora podemos ler os dados da tela

Bem a partir de agora vamos aprender tudo sobre leitura, só não posso ensinar a ler cartas e búzios porque se eu soubesse, estaria rico, num pub londrino tomando scotch e não em um boteco desses tomando chope. Mas vamos em frente.

Da última vez que nos encontramos aqui eu já dei uma palinha sobre o comando read. Para começarmos a sua analise mais detalhada. veja só isso:

$ read var1 var2 var3 Papo de Botequim $ echo $var1 Papo $ echo $var2 de $ echo $var3 Botequim $ read var1 var2 Papo de Botequim $ echo $var1 Papo $ echo $var2 de Botequim

Como você viu, o read recebe uma lista separada por espaços em branco e coloca cada item desta lista em uma variável. Se a quantidade de variáveis for menor que a quantidade de itens, a última variável recebe o restante.

Eu disse lista separada por espaços em branco? Agora que você já conhece tudo sobre o $IFS (Inter Field Separator) que eu te apresentei quando falávamos do comando for, será que ainda acredita nisso? Vamos testar direto no prompt:

$ oIFS="$IFS" $ IFS=: $ read var1 var2 var3 Papo de Botequim $ echo $var1 Papo de Botequim $ echo $var2

$ echo $var3

$ read var1 var2 var3 Papo:de:Botequim $ echo $var1 Papo $ echo $var2 de $ echo $var3 Botequim $ IFS="$oIFS"

Viu, estava furado! O read lê uma lista, assim como o for, separada pelos caracteres da variável $IFS. Então veja como isso pode facilitar a sua vida:

$ grep julio /etc/passwd julio:x:500:544:Julio C. Neves - 7070:/home/julio:/bin/bash $ oIFS="$IFS" # Salvando IFS $ IFS=: $ grep julio /etc/passwd | read lname lixo uid gid coment home shell $ echo -e "$lname\n$uid\n$gid\n$coment\n$home\n$shell" julio 500 544 Julio C. Neves - 7070 /home/julio /bin/bash $ IFS="$oIFS" # Restaurando IFS

Como você viu, a saída do grep foi redirecionada para o comando read que leu todos os campos de uma só tacada. A opção -e do echo foi usada para que o \n fosse entendido como um salto de linha (new line), e não como um literal.

Sob o Bash existem diversas opções do read que servem para facilitar a sua vida. Veja a tabela a seguir:

Opções do comando read no Bash
  -s     O que está sendo teclado não aparece na tela  
  Opção     Ação
  -p prompt     Escreve o prompt antes de fazer a leitura  
  -n num     Lê até num caracteres  
  -t seg     Espera seg segundos para que a leitura seja concluída  

E agora direto aos exemplos curtos para demonstrar estas opções.

Para ler um campo "Matrícula":

$ echo -n "Matricula: "; read Mat # -n nao salta linha Matricula: 12345 $ echo $Mat 12345

Ou simplificando com a opção -p:

$ read -p "Matricula: " Mat Matricula: 12345 $ echo $Mat 12345

Para ler uma determinada quantidade de caracteres:

$ read -n5 -p"CEP: " Num ; read -n3 -p- Compl CEP: 12345-678$ $ echo $Num 12345 $ echo $Compl 678

Neste exemplo fizemos dois read: um para a primeira parte do CEP e outra para o seu complemento, deste modo formatando a entrada de dados. O cifrão ($) após o último algarismo teclado, é porque o read não tem o new-line implícito por default como o tem o echo.

Para ler que até um determinado tempo se esgote (conhecido como time out):

$ read -t2 -p "Digite seu nome completo: " Nom || echo 'Eta moleza!' Digite seu nome completo: JEta moleza! $ echo $Nom

$

Obviamente isto foi uma brincadeira, pois só tinha 3 segundos para digitar o meu nome completo e só me deu tempo de teclar um J (aquele colado no Eta), mas serviu para mostrar duas coisas:

  1. O comando após o par de barras verticais (||) (o ou lógico, lembra-se?) será executado caso a digitação não tenha sido concluída no tempo estipulado;
  2. A variável Nom permaneceu vazia. Ela será valorada somente quando o <ENTER> for teclado.

Para ler um dado sem ser exibido na tela:

$ read -sp "Senha: " Senha: $ echo $REPLY segredo :)

Aproveitei um erro para mostrar um macete. Quando escrevi a primeira linha, esqueci de colocar o nome da variável que iria receber a senha, e só notei quando ia listar o seu valor. Felizmente a variável $REPLY do Bash, possui a última cadeia lida e me aproveitei disso para não perder a viagem. Teste você mesmo o que acabei de fazer.

Mas o exemplo que dei, era para mostrar que a opção -s impede o que está sendo teclado de ir para a tela. Como no exemplo anterior, a falta do new-line fez com que o prompt de comando ($) permanecesse na mesma linha.

Bem, agora que sabemos ler da tela vejamos como se lê os dados dos arquivos.

Vamos ler arquivos?

Como eu já havia lhe dito, e você deve se lembrar, o while testa um comando e executa um bloco de instruções enquanto este comando for bem sucedido. Ora quando você está lendo um arquivo que lhe dá permissão de leitura, o read só será mal sucedido quando alcançar o EOF (end of file), desta forma podemos ler um arquivo de duas maneiras:

1 - Redirecionando a entrada do arquivo para o bloco do while assim:

    while read Linha
    do
        echo $Linha
    done < arquivo

2 - Redirecionando a saída de um cat para o while, da seguinte maneira:

    cat arquivo |
    while read Linha 
    do
        echo $Linha
    done

Cada um dos processos tem suas vantagens e desvantagens:

Vantagens do primeiro processo:

  • É mais rápido;
  • Não necessita de um subshell para assisti-lo;

Desvantagem do primeiro processo:

  • Em um bloco de instruções grande, o redirecionamento fica pouco visível o que por vezes prejudica a vizualização do código;

Vantagem do segundo processo:

  • Como o nome do arquivo está antes do while, é mais fácil a vizualização do código.

Desvantagens do segundo processo:

  • O Pipe (|) chama um subshell para interpretá-lo, tornando o processo mais lento, pesado e por vezes problemático (veja o exemplo a seguir).

Para ilustrar o que foi dito, veja estes exemplos a seguir:

$ cat readpipe.sh #!/bin/bash # readpipe.sh # Exemplo de read passando arquivo por pipe.

Ultimo="(vazio)" cat $0 | # Passando o arq. do script ($0) p/ while while read Linha do Ultimo="$Linha" echo "-$Ultimo-" done echo "Acabou, Último=:$Ultimo:"

Vamos ver sua execução:

$ readpipe.sh -#!/bin/bash- -# readpipe.sh- -# Exemplo de read passando arquivo por pipe.- -- -Ultimo="(vazio)"- -cat $0 | # Passando o arq. do script ($0) p/ while- -while read Linha- -do- -Ultimo="$Linha"- -echo "-$Ultimo-"- -done- -echo "Acabou, Último=:$Ultimo:"- Acabou, Último=:(vazio):

Como você viu, o script lista todas as suas próprias linhas com um sinal de menos (-) antes e outro depois de cada, e no final exibe o conteúdo da variável $Ultimo. Repare no entanto que o conteúdo desta variável permanece como (vazio).

     - Ué será que a variável não foi atualizada?

     - Foi, e isso pode ser comprovado porque a linha echo "-$Ultimo-" lista corretamente as linhas.

     - Então porque isso aconteceu?

     - Por que como eu disse, o bloco de instruções redirecionado pelo pipe (|) é executado em um subshell e lá as variáveis são atualizadas. Quando este subshell termina, as atualizações das variáveis vão para os píncaros do inferno junto com ele. Repare que vou fazer uma pequena mudança nele, passando o arquivo por redirecionamento de entrada (<) e as coisas passarão a funcionar na mais perfeita ordem:

$ cat redirread.sh #!/bin/bash # redirread.sh # Exemplo de read passando arquivo por redirecionamento de entrada.

Ultimo="(vazio)" while read Linha do Ultimo="$Linha" echo "-$Ultimo-" done < $0 # Passando o arq. do script ($0) p/ while echo "Acabou, Último=:$Ultimo:"

E veja a sua perfeita execução:

$ redirread.sh -#!/bin/bash- -# redirread.sh- -# Exemplo de read passando arquivo por por redirecionamento de entrada.- -- -Ultimo="(vazio)"- -while read Linha- -do- -Ultimo="$Linha"- -echo "-$Ultimo-"- -done < $0 # Passando o arq. do script ($0) p/ while- -echo "Acabou, Último=:$Ultimo:"- Acabou, Último=:echo "Acabou, Último=:$Ultimo:":

Bem amigos da Rede Shell, para finalizar o comando read só falta mais um pequeno e importante macete que vou mostrar utilizando um exemplo prático. Suponha que você queira listar na tela um arquivo e a cada dez registros esta listagem pararia para que o operador pudesse ler o conteúdo da tela e ela só voltasse a rolar (scroll) após o operador digitar qualquer tecla. Para não gastar papel (da Linux Magazine) pra chuchu, vou fazer esta listagem na horizontal e o meu arquivo (numeros), tem 30 registros somente com números seqüênciais. Veja:

$ seq 30 | xargs -i echo lin {} > numeros # Criando arquivo numeros $ paste -sd':' numeros # Este paste é para exibir o conteúdo sem ser um #+ por linha, usando dois-pontos como separador lin 1:lin 2:lin 3:lin 4:lin 5:lin 6:lin 7:lin 8:lin 9:lin 10:lin 11:lin 12:lin 13:lin 14:lin 15:l in 16:lin 17:lin 18:lin 19:lin 20:lin 21:lin 22:lin 23:lin 24:lin 25:lin 26:lin 27:lin 28:lin 29: lin 30 $ cat 10porpag.sh #!/bin/bash # Prg de teste para escrever # 10 linhas e parar para ler # Versão 1

while read Num do let ContLin++ # Contando... echo -n "$Num " # -n para nao saltar linha ((ContLin % 10)) > /dev/null || read done < numeros

Na tentativa de fazer um programa genérico criamos a variável $ContLin (por que na vida real, os registros não são somente números seqüenciais) e parávamos para ler quando o resto da divisão por 10 fosse zero (mandando a saída para /dev/null de forma a não aparecer na tela, sujando-a). Porém, quando fui executar deu a seguinte zebra:

$ 10porpag.sh lin 1 lin 2 lin 3 lin 4 lin 5 lin 6 lin 7 lin 8 lin 9 lin 10 lin 12 lin 13 lin 14 lin 15 lin 16 l in 17 lin 18 lin 19 lin 20 lin 21 lin 23 lin 24 lin 25 lin 26 lin 27 lin 28 lin 29 lin 30 $

Repare que faltou a linha lin 11 e a listagem não parou no read. O que houve foi que toda a entrada do loop estava redirecionada do arquivo numeros e desta forma, a leitura foi feita em cima deste arquivo, desta forma perdendo a lin 11 (e também a lin 22 ou qualquer linha múltipla de 11).

Vamos mostrar então como deveria ficar para funcionar a contento:

$ cat 10porpag.sh #!/bin/bash # Prg de teste para escrever # 10 linhas e parar para ler # Versão 2

while read Num do let ContLin++ # Contando... echo -n "$Num " # -n para nao saltar linha ((ContLin % 10)) > /dev/null || read < /dev/tty done < numeros

Observe que agora a entrada do read foi redirecionada por /dev/tty, que nada mais é senão o terminal corrente, explicitando desta forma que aquela leitura seria feita do teclado e não de numeros. É bom realçar que isto não acontece somente quando usamos o redirecionamento de entrada, se houvéssemos usado o redirecionamento via pipe (|), o mesmo teria ocorrido.

Veja agora a sua execução:

$ 10porpag.sh lin 1 lin 2 lin 3 lin 4 lin 5 lin 6 lin 7 lin 8 lin 9 lin 10 lin 11 lin 12 lin 13 lin 14 lin 15 lin 16 lin 17 lin 18 lin 19 lin 20 lin 21 lin 22 lin 23 lin 24 lin 25 lin 26 lin 27 lin 28 lin 29 lin 30

Isto está quase bom mas falta um pouco para ficar excelente. Vamos melhorar um pouco o exemplo para que você o reproduza e teste (mas antes de testar aumente o número de registros de numeros ou reduza o tamanho da tela, para que haja quebra).

$ cat 10porpag.sh #!/bin/bash # Prg de teste para escrever # 10 linhas e parar para ler # Versão 3

clear while read Num do ((ContLin++)) # Contando... echo "$Num" ((ContLin % (`tput lines` - 3))) || { read -n1 -p"Tecle Algo " < /dev/tty # para ler qq caractere clear # limpa a tela apos leitura } done < numeros

A mudança substancial feita neste exemplo é com relação à quebra de página, já que ela é feita a cada quantidade-de-linhas-da-tela (tput lines) menos (-) 3, isto é, se a tela tem 25 linha, listará 22 registros e parará para leitura. No comando read também foi feita uma alteração, inserido um -n1 para ler somente um caractere sem ser necessariamente um <ENTER> e a opção -p para dar a mensagem.

     - Bem meu amigo, por hoje é só porque acho que você já está de saco cheio...

     - Num tô não, pode continuar...

     - Se você não estiver eu estou... Mas já que você está tão empolgado com o Shell, vou te deixar um exercício de apredizagem para você melhorar a sua CDteca que é bastante simples. Reescreva o seu programa que cadastra CDs para montar toda a tela com um único echo e depois vá posicionando à frente de cada campo para receber os valores que serão teclados pelo operador.

Vou aproveitar também para mandar o meu jabá: diga para os amigos que quem estiver afim de fazer um curso porreta de programação em Shell que mande um e-mail para a nossa gerencia de treinamento para informar-se.

Qualquer dúvida ou falta de companhia para um chope ou até para falar mal dos políticos é só mandar um e-mail para mim.

Valeu!


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