Economia solidária e apropriação tecnológica
Na sociedade capitalista contemporânea a tecnologia está a serviço de uma parte da humanidade. E esta parte que ao longo dos tempos através da manipulação privada da tecnologia obteve o controle dos meios de produção. Portanto, a tecnologia está ao lado dos sujeitos que visualizam o lucro através da exclusividade de utilização e acesso a tecnologia.
Diante dessa realidade a cada dia que passa as vagas nas empresas privadas ou públicas diminiuem. A mão de obra humana é substituída por computadores e robôs. Essa conjuntura social com a automação industrial é comum por exemplo na automação bancária ver a cada dia o aumento de desemprego.
“Nos últimos 11 anos, os bancos reduziram a categoria bancária, de 655 mil empregados, para 400 mil trabalhadores. Ao mesmo tempo, o setor registrou um aumento no número de contas correntes de 44 milhões para 72 milhões, conforme o balanço social da Febraban. O corte nos postos de trabalho, somado ao aumento no volume de serviço, resultou em novas pressões aos bancários, dentre as quais o cumprimento de metas, desrespeito à jornada de trabalho e, conseqüentemente, agravos à saúde física e mental dos trabalhadores”. (FBRG, 2005)
http://www.espacoacademico.com.br/059/59cesarjr.htm
E essa questão se repete em todas as áreas que se utilizam da tecnologia para aumentar a produtividade e diminuir gastos com recursos humanos.
Perante esse cenário devastador a economia solidária já é alternativa viável para milhares de trabalhadoras e trabalhadores brasileiros. Além disso, é assunto estratégico para quem quer construir uma sociedade solidária. Hoje já são mais de 22 mil empreendimentos trabalhando com economia solidária. E estes movimentam 20 milhões de reais por ano (checar isso). A Economia Solidária é um conjunto de atividades econômicas desenvolvidas coletivamente por trabalhadores e trabalhadoras em inúmeros ramos da produção, prestação de serviço, consumo, crédito e distribuição, com um modelo administrativo autogestionário, conceitos e práticas fundantes na emancipação, sustentabilidade e democracia radical a partir da solidariedade. Visa-se com a Economia Solidária, não apenas gerar renda e trabalho, mas um experiência local exemplar para um projeto de sociedade com qualidade de vida mais ampla e sustentável.
Para a economia solidária é fundamental se apropriar das tecnologias de forma coletiva e compartilhada. Não com visão do lucro, mas de construção de redes colaborativas.
O software Livre é uma das primeiras experiências relevantes de inversão de apoio das Tecnologias da Informação e Comunicação para o trabalho e a classe que vive do trabalho, ainda que possível de apropriação parcial desta pelo capitalismo, podemos dizer que o LINUX, um dos principais produtos do Software Livre, é “o primeiro produto moderno e competitivo criado de forma não-capitalista”¹, este permite acesso ao código-fonte, a livre distribuição, e o direito de alterar o programa, traz em sua prática novas relações na produção das tecnologias e conhecimentos – a colaboratividade livre sem propriedade privada. Ainda que possamos explicar muito do seu sucesso pela fato da sua imaterialidade enquanto produto, o Software Livre agrega hoje experiências possíveis de articulação com a Economia Solidária, sejam essas através do aporte tecnológico, sejam essas através da apropriação de um modelo aberto de disseminação do conhecimento livre.