Software livre ou proprietário, eis a questão no Brasil Editoria: Geral 07/Feb/2003 - 20:34

Acabam de ganhar versão em português duas das maiores iniciativas de representantes do software proprietário e livre. A campanha Sincere Choice do movimento a favor de software livre ou open source ganhou a versão Escolha Sincera. Já a campanha Software Choice, liderada pela Microsoft, chegou no Brasil chamada ironicamente de Livre Escolha.

A insólita batalha de idéias ganha forças no Brasil devido à luta para cair na preferência do governo federal recém-empossado.

"O Brasil envia anualmente para o exterior cerca de US$ 1 bilhão em royalties pelo uso de software proprietário, quantia equivalente ao dobro do orçamento do ministério de Ciência e Tecnologia", afirmou Marcelo Branco, do projeto Software Livre RS. "Temos esperança no governo federal, queremos que o Lula adote o software livre como política pública", afirmou ainda Branco durante debate no Fórum Social Mundial. "Iniciamos conversas com assessores de Lula e estamos na expectativa", afirmou Branco. "Entendemos, no entanto, que é uma questão de correlação de forças e por isso precisamos da pressão da sociedade para nos ajudar", completou o representante do SoftwareLivre.org.

O movimento do software livre tem a seu favor a proximidade do Fórum Internacional do Software Livre, que ocorrerá de 5 a 7 de junho em Porto Alegre. Antes do FISL, Brasília terá um evento de software livre em março e São Paulo terá outro em maio. O Rio de Janeiro também terá evento sobre software livre em agosto.

"Trouxemos para o Brasil a campanha Escolha Sincera nos mesmos moldes da iniciada por Bruce Perens nos EUA", conta Mário Teza, outro representante do Projeto Software Livre. "Queremos iniciar discussões e talvez até encontros sobre o tema", completou Teza. "Apoiamos também a petição que pede software livre no governo federal e fizemos um manifesto para chegar ao presidente", afirmou o representante, ex-vice-presidente da Procergs.

A Sincere Choice fez barulho nos EUA mas também mostrou um embate onde a comunidade do sofware livre ainda deixa muito a desejar em relação à grandes empresas como a Microsoft, a batalha do lobby. "Nos EUA, alguns organizadores chegaram a sofrer represálias", afirmou Teza. O próprio Bruce Perens, líder da campanha, acabou por não trabalhar mais para a HP em circunstâncias ainda controversas.

A campanha do software proprietário, Software Choice, é um lobby, uma atividade legal e reconhecida nos EUA onde profissionais de marketing tentam convencer políticos de suas propostas. No Brasil, o lobby é proibido por lei. A proibição pode se tornar uma vantagem inesperada. Enquanto a Microsoft paga por seu lobby, a comunidade descentralizada de software livre conta apenas como voluntários para convencer o governo federal.

"Sabemos que Bill Gates chegou a contatar Lula novamente em Davos", conta Teza. "Lá, Gates estava promovendo seu trabalho assistencialista através da Fundação Bill & Melinda Gates Foundation", conta o ativista de software livre, um pouco preocupado. O governo federal, preocupado com o programa Fome Zero, pode acabar seduzido pelo potencial apoio assistencialista das grandes empresas de tecnologia. A Microsoft é, por exemplo, uma das maiores patrocinadoras do CDI (Comitê de Democratização da Informática). A comunidade de software livre teria no potencial assistencialista uma visível desvantagem.

A campanha da Microsoft, chamada Livre Escolha, desembarcou este mês no Brasil. O lançamento pode ter sido apressado pela campanha do software livre que está para download em PDF no site do Projeto Software Livre.

É possível que a campanha da Microsoft seja dirigida a alunos de cursos de tecnologia e venha até à mídia geral, como outdoors e propagandas televisivas.

Renata Aquino

Fonte: http://portal.softwarelivre.org/news/790

-- MarioTeza - 10 Aug 2004

Topic revision: r1 - 10 Aug 2004 - 21:32:09 - MarioTeza
 
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