Aqui vai o projeto preliminar do Serpro. Assim que tiver mais tempo, darei detalhes.
Sumário
1. Apresentação
2. Introdução
3. Objetivos
- 1. Visão
- 2. Objetivos gerais
4. Retornos esperados
- 1. Redução de custos
- 2. Longevidade das Informações
- 3. Segurança
- 4. Aumento na quantidade de serviços prestados
- 5. Liberdade na escolha de hardware
- 6. Redução de custo com hardware
- 7. Liberdade para escolher suporte técnico
- 8. Interoperabilidade
- 9. Performance
- 10.Suporte a iniciativas nacionais e internas, sem reserva de mercado e com qualidade mundial
- 11.Independência de fornecedor
- 12.Identificação e continuidade de esforços existentes
- 13.Envolvimento da comunidade de desenvolvedores brasileiros
5. Desafios esperados
- 1. Identificação de Itens que não são considerados desafios para o SERPRO 5.1.1. Segurança 5.1.2. Não é possível ganhar dinheiro com Software Livre 5.1.3. Falta de responsabilidade por aplicativos 5.1.4.Padronização 5.1.5. Falta de aplicações para estações de trabalho 5.2 Desafios a Superar 5.2.1. Desconhecimento 5.2.2. Mudança de postura do corpo técnico 5.2.3. Mudança na estratégia de negócios 5.2.4. Desenvolvimento 5.2.5. Relacionamento com a comunidade 5.2.6. Quantidade de aplicações para tarefas específicas/especializadas 5.2.7. Avaliação da continuidade da política de grandes fornecedores 5.2.8. Capacitação
6. Possíveis abrangências da aplicação de Software Livre no SERPRO
- 1. A utilização e a definição de padrões abertos como solução
- 2. Desenvolvimento multiplataforma
- 3. Desenvolvimento de aplicações em Software Livre
- 4. Alternativas para alta disponibilidade
- 5. Reforçar o reaproveitamento de código
- 6. Servidores de rede
- 7. Correio corporativo
- 8. Estações de trabalho
- 9. Software Livre em ambiente Windows
- 10.Ferramentas de produtividade
- 11.Reaproveitamento de estações de trabalho antigas
- 12.Serviço de terminal
- 13.Ambientes mistos
- 14.Gerência integrada de rede
- 15.Estudo de custo total de propriedade (TCO)
- 16.Criação de uma distribuição própria
7. Prioridades Iniciais - 1ª Etapa do Projeto
- 1. Definição de estratégia
- 2. O correio corporativo Direto
- 3. Protocolo de intenções com a PROCERGS
- 4. Criação do serviço Governo Livre
8. Conclusão
"PROGRAMA SERPRO SOFTWARE LIVRE”
1. Apresentação
A SUPAC, através da ACPAE, por meio desta proposta, apresenta o PROGRAMA SERPRO SOFTWARE LIVRE - PSSL. O objetivo do PSSL é prover a empresa de uma política de absorção, desenvolvimento e utilização de Software Livre, soluções utilizadas internamente e naquelas oferecidas aos clientes, como forma de possibilitar escolhas que melhor atendam aos requisitos de custo, segurança, disponibilidade, acompanhamento de tendências mundiais e manutenção do conhecimento.
O PSSL nasce em um contexto caracterizado pela necessidade de se otimizar a aplicação de recursos da área pública nas soluções providas pela Tecnologia da Informação. Os cortes no orçamento federal nos obrigam a resolver criativamente os problemas identificados nos clientes e na própria empresa, reduzindo custos, mantendo a qualidade dos nossos serviços e, inclusive, ampliando nosso atendimento.
Ressaltamos que utilização de Software Livre não é novidade no SERPRO, pois este foi, inclusive, a primeira grande empresa pública no Brasil que fez um estudo amplo sobre as possibilidades de uso de Software Livre. Isto ocorreu no ano de 1999. Hoje já possuímos um Centro de Especialização em Software Livre (Recife) com experiência acumulada significativa.
Acreditamos que o SERPRO está maduro para uma opção estratégica de uso de Software Livre. Nesse sentido, consideramos seriamente que a opção pela utilização de Software Livre é mais do que uma necessidade, uma imposição. Isto não significa mudarmos toda a infra-estrutura existente, mas sim criarmos mais uma alternativa estratégica, cujos resultados serão sentidos a médio e longo prazos. Para que isto aconteça é necessário que comecemos a trabalhar hoje. Este texto pretende servir de subsidio para esta opção estratégica.
2. Introdução
O Software Livre, apesar do grande impulso dos últimos anos, tem sua origem na década de 70, quando as grandes empresas produtoras de hardware que, via de regra, sempre incluíam o software e seu código-fonte em suas soluções, resolveram passar a vender separadamente o software e o hardware, tratando o código-fonte de seus programas como "segredo industrial".
A reação dos desenvolvedores e usuários da época foi contrária a esta modificação, pois se confrontava diretamente com os ambientes colaborativos e de liberdade que se conhecia até então. Havia uma comunidade que melhorava, adaptava e criava programas que podiam ser utilizados por qualquer pessoa. Porém, para desgosto dos “hackers”, esta tendência de mercado se consolidou ao longo de tempo.
Como reação a isto surgiu um movimento que se opunha à limitação da liberdade de modificar e distribuir programas o movimento GNU (1) que, pela liderança de seu fundador, um “hacker” chamado Richard Stallman, começou a criar aplicativos livres e a defender que mais programadores fizessem o mesmo. Estes grupos de programadores objetivavam criar um conjunto de aplicativos, compiladores e, principalmente um sistema operacional totalmente livre baseado no Unix. Contudo apenas no início dos anos 90 o trabalho que a comunidade de Software Livre já vinha desenvolvendo há um longo tempo se consolidou com o lançamento de um sistema operacional completo, o sistema GNU/Linux. Seu surgimento se deu através de um estudante finlandês chamado Linus Torvalds que, a partir de um sistema operacional usado em universidades para estudos, o Minix, criou e disponibilizou na internet uma versão de kernel (núcleo) de um sistema operacional que rodava em conjunto com outros aplicativos livres, principalmente provenientes do projeto GNU e formando um sistema operacional completo e plenamente funcional. Para fins de reconhecimento, tanto do trabalho elaborado pelos criadores do kernel do Linux quanto ao grupo GNU, estaremos nos referenciando a esse sistema operacional como GNU/Linux.
O surgimento posterior de inúmeros outros projetos livres derivados, chamou a atenção de outros programadores que foram se unindo à comunidade que já trabalhava voluntariamente nos mais variados projetos. Este crescimento acabou fazendo com que grandes empresas passassem a ver o Software Livre não mais como uma ameaça a seu antigo modelo de negócios, mas sim uma alternativa real de possibilidades de ganhos inserida em uma nova realidade de mercado (2).
Um bom exemplo do sucesso de Software Livre no mercado corporativos é o servidor web Apache. Este Software Livre consolidou-se como o mais usado servidor web do mundo (3) e do Brasil (4) e tem apresentado sempre grandes vantagens tanto em termos de segurança como em tempo de uptime que os seus principais concorrentes.
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1 - www.fsf.org
2 - Ficando em apenas dois exemplos:
www.hp.com/linux
www.ibm.com/linux
3 -
http://www.netcraft.com/survey
4 -
http://www.insite.com.br/pesquisa/Servidores.html
Várias grandes empresas no mundo passaram a adotar de forma crescente o Software Livre, como plataforma para seus sistemas computadorizados. Podemos citar como exemplo dessas empresas: Mercedes Benz, General Motors, Boeing Company, Sony Electronics Inc., Banco Nacional de Lavoro da Itália, Chrysler Automóveis, Science Applications International Corporatin - indústria de armamentos e os Órgãos públicos, Agência Nacional de Armamentos dos EUA, Marinha Americana - USA Navy, United States Postal Services - Correios Americanos. No Brasil várias empresas também viram no Software Livre, vantagens que as motivaram a substituir sua base instalada. Exemplos como as Lojas Renner, o Banco do Estado do Rio Grande do Sul, as Casas Bahia, a
PROCERGS e a VARIG demonstram como as soluções livres estão maduras para sua utilização no mercado profissional.
Além disto os mais diversos governos nacionais passaram a adotar alternativas livres, pelos mais diversos motivos. A NASA, por exemplo, aproveitou a liberdade de adequar o Software as suas necessidades específicas e passou a aproveitar o trabalho já realizado pela comunidade para seus projetos. O exército alemão para conhecer o código-fonte das suas aplicações críticas. A Suécia para reduzir custos. E muitos outros, pelos mais diversos motivos associados ao Software Livre.
Com as perspectivas de retornos que adiante pretendemos destacar, pode-se perceber o porquê de nos governos de todo o mundo o movimento de Software Livre vem ganhando espaço e continuamente vem sendo cada vez mais adotado em áreas de atuação governamental de diversos países.
O SERPRO, como provedor de soluções para o governo federal, tem um papel fundamental na definição e implantação de alternativas livres para o estado brasileiro. É necessário, portanto, que se defina na empresa uma estratégia de inserção no mundo do Software Livre. Para isto será fundamental proceder uma mudança de paradigma, pois a empresa terá que deixar de ser apenas um receptor de tecnologias oferecidas por fornecedores e tomar posição de participante efetivo no desenvolvimento de soluções livres para o país, devendo se portar como agente principal no direcionamento de tecnologia de software para o governo federal.
Depois de vários anos de estudos através de projeto piloto do Centro de Especialização Linux da SUPAC, em Recife, e de várias outras iniciativas que aconteceram na empresa, acreditamos que o SERPRO está maduro para uma opção estratégica no uso de Software Livre. O PSSL pretende auxiliar as várias áreas da empresa nesta empreitada.
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5 -
http://slashdot.org/apache/00/02/07/0611206.shtml
3. Objetivos
3.1. Visão
Atingir no SERPRO a excelência no uso da tecnologia de Software Livre. a exemplo de outras plataformas como, por exemplo, cliente-servidor e ambiente de mainframe.
3.2. Objetivos Gerais
Por tudo que será exposto no presente projeto acreditamos que o Software Livre seja uma alternativa viável e até mesmo fundamental para o SERPRO como referência de prestação de serviços de informática na administração pública ressaltando seu papel como empresa inovadora como tem se destacado em sua história.
Atualmente já existem várias iniciativas isoladas em diversos setores da empresa, que utilizam, estudam e até incluem em seus serviços comercializados o Software Livre. Porém estas iniciativas estão ocorrendo sem uma linha estratégica única, de maneira isolada e esparsa. A utilização de Software Livre vem envolvendo e motivando os profissionais da empresa em vários setores e achamos que agora cabe ao SERPRO aproveitar este ambiente de motivação e dar seu apoio e sentido empresarial para estas iniciativas aproveitando as condições já existentes.
O presente projeto pretende associar estas iniciativas ao planejamento estratégico da empresa e criar, baseado na própria filosofia da comunidade de Software Livre, um ambiente colaborativo no estudo, fomento, pesquisa e aplicação de alternativas livres em todas as suas correlações e implicações.
4. Retornos esperados
São inúmeros os retornos que podem ser esperados com a adoção de alternativas livres pelo SERPRO. Pretendemos neste item levantar alguns dos principais pontos em que o Software Livre pode trazer contribuições ao negócio do SERPRO e de seus Clientes.
4.1. Redução de Custos
Uma das grandes vantagens do Software Livre é a economia de custos associados com sua utilização. Por se tratar de tecnologias desenvolvidas através de ambiente colaborativo, e de maneira aberta e acessível a todos, as empresas que as produzem passam a ter menores custos para oferecer seus Serviços.
Em uma solução proprietária estão envolvidos inúmeros custos, entre os quais, licenças de uso, treinamentos, suporte, instalação e manutenção dos aplicativos. Estes custos, conforme experiência mundialmente confirmada, é muito superior ao custo de hardware para implantar uma solução (6). A grande vantagem na redução de valor associada com o Software Livre é a eliminação dos gastos envolvidos com as licenças de uso (7).
Estudos realizados pela Universidade Federal de Minas Gerais apontaram que as reduções apenas em termos de dispêndio inicial da utilização de alternativas livres chega em torno de 30% do valor do projeto (8).
Porém, se considerarmos ainda o aspecto da longevidade e da programação de gastos, este valor pode ser ainda mais significativo, pois quem determina o ritmo em que vão se dar às atualizações de software é o usuário e não a empresa detentora do código proprietário que, sendo a única que têm a possibilidade de fazer modificações em seus produtos, determina quando eles vão ser substituídos, principalmente pelo cancelamento de suporte e da publicação de correção de vulnerabilidades.
Outro ponto de grande importância para as grandes empresas é a diminuição dos custos envolvidos com a prevenção da instalação dos chamados "softwares ilegais” (9). Toda grande empresa, para se manter dentro das normas de licenciamento imposta através de contratos e licenças de uso, é obrigada a ter grandes gastos regulando os softwares instalados em suas estações de trabalho. Mesmo assim ainda corre o risco que, ao ser realizada uma auditoria, ela possa ser autuada por alguma falha ou brecha de sistema que tenha permitido a existência destes tipos de softwares. Este custo, devido a grande gama de opções livres para aplicativos pode ser consideravelmente reduzido, ou até mesmo eliminado.
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6 -
http://members.aol.com/staumch/comp.htm
7 - Licença de uso é um contrato firmado entre duas partes, na qual uma requer um certo valor e garantias, para que a outra possa utilizar aquele Software. Este contrato pode ser mais ou menos restritivo, mas normalmente se caracteriza pela não disponibilização do código-fonte, isto é, da tecnologia envolvida no programa.
8 -
http://www.solar.dcc.ufmg.br
9 - A comunidade de Software Livre repudia o termo "Software pirata" por entender que a cópia e distribuição de qualquer Software deveria ser direito de todos os usuários.
Um aspecto normalmente ignorado em estudos comparativos entre custo de softwares Proprietários e Livres é o entendimento que uma estação de trabalho não é apenas um sistema operacional, ferramentas de escritório e correio eletrônico. Normalmente o ganho de produtividade associado à utilização de microcomputadores é significativamente influenciado por vários aplicativos alternativos utilizados em conjunto com os anteriormente citados
Praticamente todos os microcomputadores também utilizam outros tipos de softwares para trabalhos específicos ou até mesmo gerais. Numa grande empresa sempre haverá ganhos de produtividade associados à utilização de ferramentas de publicação, compactadores de arquivos, para auxílio em downloads, tradução de textos, dicionários e outros. Num ambiente exclusivamente proprietário, para cada ferramenta adicionada é requerida mais uma licença de uso a ser gasta, o que impossibilita que muitos empregados tenham a possibilidade de utilizá-las. Usando alternativas livres têm-se as opções de utilizar inúmeras ferramentas adicionais que aumentam muito a produtividade de seus usuários, sem custos de licenças para as empresas. Inclusive pode-se comparar na própria forma com que os pacotes de softwares básicos são comercializados. Alternativas proprietárias normalmente incluem apenas o próprio sistema operacional e uma ou outra ferramenta auxiliar que geralmente não possibilita uma utilização profissional. Já as distribuições livres, por exemplo, sistemas GNU/Linux, incluem em seus pacotes comercializados milhares de softwares da mais ampla gama de funções (10).
4.2. Longevidade das Informações
As informações tratadas pelo governo têm caráter de permanência. Portanto, precisam estar sempre à disposição para uso. É necessário tratar o assunto sob o enfoque da armazenagem de dados e da longevidade dos próprios sistemas de informação.
A armazenagem dos dados precisa ser feita utilizando-se padronizações abertas e independentes de fornecedores, especificamente independente de formatos proprietários de arquivos, de forma que o governo não fique subordinado a soluções de propriedade de apenas uma empresa para acesso e manipulação das mesmas, podendo então gerar e consumir livremente suas próprias informações.
Os sistemas desenvolvidos são, em geral, utilizados por longos períodos de tempo. É necessário que continuem disponíveis quando forem tomadas decisões de mudanças de plataformas e fornecedores. Assim, não devem se basear em arquiteturas e tecnologias proprietárias, que podem ser descontinuadas, e sim em padrões públicos e abertos como os usados nos softwares livres. Esta seria a única forma de garantir a longevidade de informações compatível com o necessário.
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10 - Algumas distribuições, como a Mandrake e a Debian, têm alternativas de distribuição em DVD, nas quais uma quantidade impressionante de aplicativos é incluída.
4.3. Segurança
Segurança deve ser uma preocupação sempre presente em qualquer processo governamental. O software desenvolvido para o governo precisa possuir algumas garantias, entre elas a necessidade de que os padrões, formatos e tecnologias adotados estejam à disposição para que sejam amplamente avaliados pela comunidade, em busca de problemas e falhas de segurança. Esse processo de transparência é fundamental para suportar as necessidades de segurança e auditoria nas aplicações governamentais. Além disso, é importante que o governo tenha opção de troca de funcionalidades que sejam consideradas inseguras, ou que tenham sido descontinuadas pelos fornecedores, por outras implementações que garantam o nível de segurança desejado.
Outro ponto fundamental em relação à segurança é a possibilidade de se conhecer todas as funcionalidades envolvidas em um software. Numa alternativa proprietária não se tem o direito de realizar auditorias no software para verificar se ele contém algum código malicioso que possa representar uma falha de segurança. Temos vários exemplos de acontecimentos desta natureza, o mais recente, ocorreu com um software chamado
AudioGalaxy?, usado para transferência de arquivos pela Internet, que possuía um "spyware" que coletava e registrava os hábitos de navegação dos usuários. Ficou comprovado que nem a própria empresa tinha conhecimento da existência deste problema de segurança, pois ele estava num componente comprado de outra empresa do qual ela não tinha acesso ao código-fonte.
Por ter seu código-fonte aberto, o Software Livre permite que qualquer um, com um pouco de conhecimento e, principalmente, as empresas, verifiquem a existência ou não de falhas de segurança. Além disto, a comunidade de Software Livre, com seu desenvolvimento distribuído e colaborativo, tem se apresentado extremamente ágil para publicar correções de segurança, sendo inclusive mais rápida que empresas proprietárias tradicionais (11).
Interessante ressaltar o comportamento de governos importantes no mundo que baseiam suas estratégias de segurança em Software Livre. Nos EUA, a NSA (Agência de Segurança Nacional), tem sua própria versão de GNU/Linux. O governo da Alemanha patrocina o desenvolvimento do principal Software Livre na área da criptografia, GNU/PGP, além de utilizar preferencialmente sistemas com código aberto em suas forças armadas.
A recente declaração do presidente do ITI, Sérgio Amadeu da Silveira ressalta bem como o aspecto de segurança é fundamental para o governo e uma grande vantagem da adoção de Software Livre. Conforme ele, "Não é possível mais que nós utilizemos softwares de segurança e que nós não tenhamos conhecimento do seu código-fonte. Não é possível desenvolvermos uma idéia de segurança atrasada, quando nós temos que dominar o processo tecnológico do início ao fim" (12).
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11 -
http://www.securenet.com.br/artigo.php?artigo=96 Artigo sobre segurança em Software Livre
12 - SERPRO em Pauta nº 1753
4.4. Aumento na Quantidade de Serviços Prestados
Sabemos que o grande limitador para o processo de informatização do governo Federal são os altos custos envolvidos no processo. Com a redução do custo associada ao Software Livre, através da eliminação do valor da licença de uso, o SERPRO terá a possibilidade de aumentar a gama de serviços oferecidos a seus clientes.
Outro fator importante é que mesmo que apresente o mesmo custo que as soluções proprietárias há um deslocamento da composição dos componentes deste custo. Suprime-se a licença de uso e aumenta o valor dos serviços agregados ao produto, o que pode representar uma grande vantagem já que o aumento de participação de serviços representa a retenção por parte da empresa dos valores obtidos pela implantação de uma solução.
4.5. Liberdade na Escolha de Hardware
Geralmente os sistemas proprietários estão vinculados apenas a uma determinada arquitetura de processador, restringindo as escolhas dos clientes.
O GNU/Linux pode ser utilizado para processadores IA-32 da Intel (i386, i486, Pentium P MMX, P Pro, PII, PIII, PIV), AMD, Cyrix e Transmeta, ampla variedade de processadores Motorola (estações Sun3), computadores da Apple Machintosh, Atari, Amiga, Estações Sun SPARCStation, processadores Alpha, arquitetura MIPS, Intel IA-64, arquitetura S/390, entre outras.
Este aspecto pode ser uma vantagem estratégica para empresa na medida que lhe dá uma liberdade muito maior de que arquitetura utilizar em seus servidores e estações de trabalho.
4.6. Redução de Custos com Hardware
Um dos grandes problemas envolvido com a necessidade de constante atualização de versões associadas com o software proprietário é a obrigação de se fazer atualizações de hardware. Toda vez que um determinado fornecedor decide pela descontinuidade de uma versão de seu produto seus clientes obrigatoriamente tem que fazer uma atualização de versão. Esta nova versão por via de regra aumenta o número de funcionalidades a fim de possibilitar uma nova cobrança de licença de uso, mesmo que o cliente não tenha nenhum interesse nas novas funções do programa. Além de gastar com uma nova licença também será necessária uma máquina mais rápida e moderna para suportar a nova versão.
Com Software Livre temos uma situação diferente. Quem comanda o ritmo de atualização é o cliente, já que a própria comunidade tem o interesse de manter os seus programas em funcionamento, visto que, como não há cobrança de licença de uso, não existe motivação de criar novas versões apenas para gerar um ganho fácil.
Uma outra vantagem é que, por suas próprias características, todas as distribuições de sistemas GNU/Linux, assim como os Softwares Livres em geral, são altamente flexíveis, permitindo que no momento da instalação seja possível tanto ser customizada para máquinas mais antigas como para mais novas. Este fato associado a vários aplicativos, e até distribuições feitas especificamente para máquinas antigas (13), permite que seja dada uma sobrevida para as estações de trabalho mais antigas diminuindo sensivelmente a necessidade de atualização de hardware.
4.7. Liberdade para escolher suporte técnico
Nos softwares proprietários os clientes são obrigados a obter suporte da empresa que produz o software, pois é a única que conhece o código-fonte e, portanto, a única que pode criar soluções para bugs e vulnerabilidade de segurança. Com Software Livre se obtém uma grande liberdade na escolha de quem vai prestar suporte já que, com o conhecimento de todos do código-fonte têm-se a possibilidade de qualquer empresa possa dar suporte a estes programas.
Temos como exemplo neste item a política de vários fornecedores que descontinuam o suporte a versões de seus programas para incentivar a compra de uma nova versão. Atualmente todo o governo federal está tendo sérios problemas pela Microsoft ter interrompido completamente o suporte ao Windows 95 e parcialmente às versões do Windows 98 e Windows NT 4.0 de forma a obrigar que seus clientes atualizem as versões de seus sistemas operacionais (14).
Para ilustrar este problema apenas na regional Porto Alegre temos um total de 284 estações com Windows 95, sem nenhum tipo de suporte ou atualização de segurança que faça com que as estações fiquem protegidas a ataques e 23 estações com Windows 98 que, caso seja descoberto algum bug ou incompatibilidade com algum aplicativo não haverá possibilidade de obtenção de correção. Para uma empresa do tamanho e importância do SERPRO, situações como esta não podem ser consideradas normais sob nenhuma circunstância.
4.8. Interoperabilidade
A interoperabilidade é uma característica muito forte dos softwares livres em geral já que são feitos para suprir necessidades reais sem preocupação se é interessante ou não mercadologicamente manter alguma compatibilidade.
Uma empresa pode, em determinado momento criar benefícios de interoperabilidade para fomentar migrações para seu produto. No momento que o retorno dela com a migração de usuários para o seu produto for menor que o de pessoas que queiram migrar para outros, ela pode simplesmente eliminar o fornecimento desta característica.
No Software Livre não existem motivos para que um determinado grupo de desenvolvedores tente limitar as opções de seus usuários. Muito pelo contrário, em ambientes livres, por sua própria característica de multiplataforma e de ter nascido em um ambiente colaborativo de diferentes usuários com diferentes necessidades têm-se uma situação muito mais propícia para a existência e manutenção de ambientes interoperáveis.
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13 -
http://www.vectorlinux.com/
14 -
http://www.microsoft.com/windows/lifecycle.mspx
Como exemplo da capacidade de interoperabilidade do Software Livre o "Programa para Intercâmbio de Dados entre Administrações da União Européia" lançou um relatório recomendando o uso de Software Livre como forma de facilitar a troca de informações entre os diferentes países da comunidade Européia (15).
4.9. Performance
Em relação à qualidade dos aplicativos, o Software Livre possui, normalmente, um código-fonte mais limpo e enxuto, já que os programadores sabem que outras pessoas terão acesso àquelas linhas escritas por ele. No software proprietário não se sabe o que se está rodando, de forma que não há essa preocupação.
Como um bom exemplo de performance, podemos citar os sistemas GNU/Linux que, por serem extremamente customizáveis, permitem que todos os serviços e aplicativos não necessários para a atividade que está sendo executado permaneçam inativos, o que reduz muito o consumo de máquina. Em algumas soluções proprietárias, por exemplo, temos que carregar pesados sistemas gerenciadores de janelas e mais uma boa quantidade de programas para simplesmente rodar um Servidor de ftp (16).
Originado dos extremamente maduros sistemas Unix os sistemas GNU/Linux tem apresentado performance superior em vários itens a seus concorrentes proprietários e uma escalabilidade superior a qualquer outra plataforma(17).
4.10. Suporte a iniciativas nacionais e internas sem reserva de mercado e com qualidade mundial
O mercado de tecnologia é mundial e a evolução tecnológica de um país deve acontecer com ampla participação nessa comunidade global. Para tanto o governo deve basear suas decisões tecnológicas de forma que propicie a expansão da participação de iniciativas nacionais em nível mundial, ao invés de pensar apenas no seu mercado interno.
Dessa forma, é fundamental que nas diretivas para o desenvolvimento de software para o governo sejam incluídas garantias que permitam a participação de empresas nacionais. E longe de se tentar excluir a participação de empresas estrangeiras, o objetivo deve ser sempre garantir que as decisões tecnológicas permitam com que empresas nacionais possam concorrer em condições de igualdade com demais empresas. Para exemplificar o impacto da grande dependência em relação a licenças de uso obtidas de empresas de outros países, podemos citar recente entrevista do Sr. Roberto Castelo, vice-presidente da Organização Mundial de Propriedade Intelectual (OMPI), na qual informa que o Brasil paga cerca de um bilhão de dólares por ano em termos de licença de Software. É necessário, portanto, garantir que os padrões de desenvolvimento estejam facilmente acessíveis ao desenvolvedor nacional para que possa utilizá-lo e participar das decisões técnicas que levem à evolução desses padrões utilizados e que possa concorrer em condições de igualdade com as empresas estrangeiras.
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15 -
http://europa.eu.int/ISPO/ida
16 -
http://www.softwarelivre.unicamp.br/sl/artigos/pastas/mostra_artigo
17 -
http://idgnow.terra.com.br/idgnow/corporate/2002/07/0008
Como benefício complementar, além de garantir o envolvimento de empresas nacionais nesses processos e o aumento da qualidade técnica do profissional brasileiro será permitido maior participação do país no mercado de desenvolvimento de Software internacional. Este benefício é, sem dúvida estendido ao corpo funcional do SERPRO que passará a ter uma nova perspectiva de qualificação e desenvolvimento.
Quando se trabalha com Softwares Proprietários, o conhecimento que pode ser adquirido com sua utilização e na pesquisa de seu funcionamento é limitado pelas informações que a empresa que produz o software disponibiliza para seus consumidores. No Software Livre não há limites para o conhecimento. O técnico envolvido em uma solução pode ir até o seu limite, ou até a totalidade daquele conhecimento, visto que, se assim desejar, ele poderá ter acesso completo ao funcionamento do sistema, sem nenhuma restrição que dificulte seu trabalho. Amplia-se desta forma a capacidade de absorção de tecnologias pela corporação como um todo já que todos poderão ter informações amplas e irrestritas sobre as ferramentas com que trabalha.
4.11. Independência de Fornecedor
Dentro das iniciativas do governo, é fundamental a independência em relação a qualquer fornecedor. O governo não pode ter suas decisões direcionadas ou guiadas pelas decisões comerciais desta ou daquela empresa, sejam elas nacionais ou estrangeiras.
No desenvolvimento de software, o governo brasileiro precisa utilizar soluções que sejam baseadas em padrões abertos e consolidados, implementados por diversas empresas, a fim de garantir a independência de fornecedores. Somente com a adoção de padrões fortes, que garantam que as implementações sejam intercambiáveis, é que teremos como garantir que a qualquer momento o governo tenha opção de escolha, e também que sempre haverá a possibilidade de outros fornecedores, e até mesmo que o próprio governo venha a criar uma implementação adequada.
Para exemplificar o direcionamento que deve ser dado neste item é interessante citar a entrevista concedida por Rogério Santana dos Santos, Secretário de Logística e Tecnologia da Informação do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, publicada na Revista Tema, na qual defende que "Existem estratégias que são recomendáveis para qualquer organização. Uma delas é diminuir a dependência de um fornecedor ou de fornecedores oligopolistas. O Software Livre é uma alternativa nessa direção. Existem grandes fornecedores que são poderosos, praticam preços elevados, têm soluções fechadas, dificultam soluções integradoras. Com isso, não há como aprimorar processos sem abertura de código e padrões. Mas não digo que a solução de software será a única e que nos próximos quatro anos irá substituir todas os sistemas de informação. Mesmo se tomássemos essa decisão ela seria inviável, custosa. Vamos trabalhar progressivamente em cima de normas e padrões abertos e internacionalmente aceitos." (18)
___________
18 - Revista Tema nº 165, jan/fev 2003.
4.12. Identificação e continuidade dos esforços existentes
Já existem esforços iniciados dentro do governo brasileiro que representam casos de sucesso de implantação de sistemas baseados em padrões abertos, ambientes multiplataforma e sistemas de código livre. Essas iniciativas precisam ser identificadas e apresentadas para a comunidade e para outros setores do governo. É preciso também dar continuidade a esses projetos, de forma a sedimentar e demonstrar as vantagens existentes de maneira a permitir a materialização da política de inserção do SERPRO no mercado de soluções de Software Livre para área governamental.
4.13. Envolvimento da comunidade de desenvolvedores brasileiros
A comunidade de desenvolvimento no Brasil é forte, apesar de muitas vezes desconhecida da grande mídia. É preciso agregar essa comunidade e discutir abertamente as vantagens de uma proposta baseada em padrões abertos, e clarificar as razões para a adoção dessa estratégia pelo governo. É importante também levantar e entender as possíveis restrições da comunidade a essas propostas e, procurar na medida do possível, chamá-las para colaborar na solução dessas restrições. Um grande exemplo de como a comunidade está focada no apoio a alternativas livres por parte do governo é o “Manifesto: Padrões e multiplataforma” (19) assinado por vários grupos de usuários ligados à Sucesu.
A verdadeira onda de otimismo e colaboração que parece estar varrendo o país indica um momento propício para essas discussões que não pode ser desconsiderado. Ao SERPRO cabe aproveitar este movimento para construir de maneira colaborativa soluções para seus Clientes.
5. Desafios esperados
A adoção de Software Livre por parte do SERPRO não indica uma opção em que não existem dificuldades. Muitos entraves e desafios estarão envolvidos nesta iniciativa. Com isto decidimos fazer uma pesquisa usando várias fontes para verificar as críticas existentes sobre a utilização de Software Livre. Vários artigos e sites encontrados mostram que ainda não existe um ambiente totalmente claro sobre o assunto, seja pelo entusiasmo na abordagem dos defensores do Software Livre seja por desinformações publicadas por empresas que vêm tendo dificuldade de se adaptar as alterações de mercado decorrentes do avanço do Software Livre.
Assim decidimos que, para clarificar a descrição, teríamos que dividir os problemas elencados em dois grandes grupos, aqueles que, apesar de críticas existentes ou não são problemas reais ou ainda não são considerados entraves para adoção de Software Livre pelo SERPRO e aqueles que realmente representam desafios que teremos que superar.
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19
http://www.soujava.org.br/manifesto/
5.1. Identificação de itens que não são considerados desafios para o SERPRO
5.1.1. Segurança
Ouve-se falar que a utilização de Software Livre pode trazer uma falha de segurança já que todos conhecem o código-fonte da Aplicação, Consideramos que na verdade isto é uma vantagem em termos de segurança.
Um programa para ser considerado seguro não deve conter falhas que permitam que algum “cracker” malicioso possa se apossar de dados do usuário. No Software Livre podem existir problemas de segurança, porém ele vai estar visível a todos, ao contrário de quando utilizamos alternativas proprietárias que podem conter várias falhas esperando que alguém as descubra. Caso isto ocorra podemos ficar um longo período de tempo sem ter o conhecimento do problema e com nossos dados disponíveis para especialistas em burlar sistemas. Consideramos desta forma que, no ponto de vista de segurança, o conhecimento do código-fonte, em verdade, é uma vantagem, pois nele sabemos exatamente o que é executado, ao contrário do software proprietário, no qual não temos qualquer possibilidade ou garantia do que ele realmente faz.
5.1.2. Não é possível ganhar dinheiro com Software Livre
Uma das críticas mais comuns ao Software Livre é que ele não possibilita que os programadores ganhem dinheiro com seu Serviço. A verdade é justamente o contrário, a utilização de Software Livre permite que os clientes tenham menos necessidade de gasto com licenças do que teriam com alternativas proprietárias. Assim um programador ao implantar uma solução para seus clientes pode ganhar mais fazendo com que seu cliente gaste menos (20).
Podemos trazer este raciocínio para o SERPRO. Sempre haverá necessidade dos órgãos governamentais de possuir aplicações para suas necessidades específicas. Atualmente para vender uma solução o SERPRO tem que fazer com que seu cliente esteja sobre uma certa plataforma com determinados tipos de aplicativos e equipamentos para que sua solução possa ser aplicada. O uso de Software Livre e de ambientes multiplataforma não vão alterar as necessidades de aplicações específicas de nossos clientes. Apenas eles terão a possibilidade de escolher a plataforma que melhor se aplica a sua realidade.
Este pode ser um ganho competitivo gigantesco para o SERPRO, já que hoje nos governos temos uma grande quantidade dos mais diferentes tipos de ambientes e fazer uma aplicação que se adapte a qualquer um deles será um diferencial fundamental da empresa.
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20 -
http://www.guiadohardware.net/artigos/243/
5.1.3. Falta de responsabilidade por aplicativos
Uma outra crítica bem comum é que não existe garantia de funcionamento de um aplicativo livre porque não existe nenhuma empresa por trás de seu desenvolvimento. Na verdade esta crítica nasceu de algumas grandes empresas que tentam confundir o público afirmando que não existe suporte para Software Livre.
O que ocorre é o contrário. Quando tratamos de um software proprietário, estamos atrelados a apenas uma empresa que pode dar suporte a um determinado aplicativo já que apenas ela conhece como ele funciona. No Software Livre, como todos têm acesso ao seu código-fonte, qualquer empresa que deseje pode prestar suporte para qualquer aplicativo já que terá pleno conhecimento de como ele é feito. Assim, se uma empresa que desenvolva e suporte um Software Livre deixe de existir ou resolva abandonar o produto basta que se contrate outra empresa capacitada para executar o serviço.
5.1.4. Falta de padronização
Uma crítica causada pelo grande número de distribuições que empacotam o sistema GNU/Linux com vários outros pacotes de softwares é a falta de padronização dentro do Software Livre. Acreditamos que ocorra justamente o contrário. Em alternativa proprietárias estamos presos a um padrão comandado por apenas uma empresa. No Software Livre podem existir diferenças, mas todos podem saber o que e como os softwares funcionam. Basta ao SERPRO escolher que tipo de padrão vai utilizar, sempre procurando ficar de acordo com as diferentes tendências de mercado, que teremos uma padronização muito mais livre e eficiente que a do software proprietário.
5.1.5. Falta de aplicativos para estação de trabalho
Uma preocupação antiga a cerca de aplicações livres, sobretudo para sistemas GNU/Linux era a falta de aplicações para estações de trabalho. Atualmente podemos ver que existe um grande número de aplicativos para as mais diferentes necessidades. Para exemplificar sugerimos que seja conferida nas seguintes páginas a quantidade de aplicativos existentes:
www.savanah.org
sourceforge.net
www.freshmeat.org
5.2. Desafios a superar
Agora que já tentamos destacar os mitos que normalmente surgem nas críticas sobre Software Livre vamos a partir deste ponto tentar enumerar e fazer alguns comentários sobre as dificuldades que esperamos superar neste campo.
5.2.1. Desconhecimento
Uma primeira etapa que teremos que nos defrontar é com o desconhecimento do que é exatamente Software Livre tanto na esfera governamental como um todo como internamente ao SERPRO, ainda mais por ser um fenômeno de mercado relativamente novo.
A Free Software Foundation (21) define um Software como Livre quando contém todas as quatro liberdades citadas abaixo:
Liberdade 0 – A liberdade para executar o programa para qualquer propósito.
Liberdade 1 – A liberdade para estudar como o programa funciona e adaptá-lo para as suas necessidades. Acesso ao código-fonte é um pré-requisito para esta liberdade.
Liberdade 2 – A liberdade de redistribuir cópias de modo que você possa ajudar ao seu próximo.
Liberdade 3 – A liberdade de aperfeiçoar o programa, e liberar os seus aperfeiçoamentos, de modo que toda a comunidade se beneficie. Acesso ao código-fonte é um pré-requisito para esta liberdade.
O fundamental a ser entendido é que no Software Livre o conhecimento, a tecnologia está ao alcance de todos e que qualquer um pode beneficiar-se deste conhecimento. No software proprietário temos apenas uma licença de uso, nunca uma relação de propriedade do item consumido, pois existe uma série de cláusulas que proíbem várias atividades em relação ao software.
Contudo percebe-se que não existe uma clareza com o conceito de Software Livre. Esta situação ainda é mais complicada por campanhas de desinformação que certas companhias estão realizando. Freqüentemente vemos na mídia pessoas se referenciando a Software Livre como software grátis ou ainda freeware que são conceitos totalmente distintos.
Não é prerrogativa do Software Livre que ele seja grátis e sim que ele tenha as quatro liberdades básicas citadas anteriormente. Um software pode ser distribuído gratuitamente e não ser livre se contrária pelo menos uma dessas liberdades.
Este entendimento é fundamental para a absorção dos reais benefícios associados ao Software Livre e com certeza será necessária a realização de campanhas de esclarecimento tanto internamente como para nossos clientes para que fique claro o conceito envolvido quando falamos em Software Livre.
5.2.2. Mudança de postura do corpo técnico
Um item que terá de ser trabalhado é a necessidade de mudança de postura do corpo técnico da empresa, pois será preciso uma alteração na atitude frente a problemas surgidos na adoção de alternativas livres.
Com software proprietário, os técnicos estão acostumados a uma maneira de trabalhar com o problema. Normalmente os passos de para a solução são: O técnico de 1º nível identifica o problema, procura uma solução nas bases de conhecimento internas, desinstala e reinstala o Software, reinstala o sistema operacional. Caso nenhuma destas alternativas resolva o problema como, por exemplo, uma incompatibilidade entre o sistema Operacional e um aplicativo (22) o problema é repassado para diferentes níveis de suporte que pesquisa o problema com as diferentes ferramentas ao seu alcance. Caso não ocorra solução será necessário acionar o suporte técnico do fornecedor.
___________
21 -
http://netcraft.com/survey
22 - Fato que ocorre com relativa freqüência.
No Software Livre teremos uma situação diferente, pois existindo total transparência tanto do código como do funcionamento do sistema operacional e de seus aplicativos o corpo técnico terá, em sua tarefa de resolução de problemas, a possibilidade de melhor avaliar o que está ocorrendo praticamente até o limite de seu conhecimento. Claro que não se espera que todos tenham conhecimentos até o nível de programação, mas sim que o limite para entendimento dos problemas não será a falta de informação por parte do software usado, mas sim o limite da possibilidade tanto de conhecimento como de disponibilidade do técnico envolvido. Isto requer uma postura diferente ao encarar problemas, pois ele terá uma maior possibilidade de atuação e, portanto, mais responsabilidade. Esta mudança de atitude frente a problemas poderá ser ainda mais sentida para os técnicos envolvidos no suporte de segundo e terceiro níveis, pois terão melhores condições de aprofundar ainda mais seu conhecimento.
5.2.3. Mudança na estratégia de negócios
Nenhuma quebra de paradigmas se dá sem controvérsias, nem oposições. Na área de estratégia de negócios, isto se torna ainda mais perceptível já que é uma definição crítica, no qual não há margem para erros de avaliação. Será necessário neste novo contexto que os diferentes níveis de direção definam e assimilem as vantagens estratégicas que o Software Livre pode trazer para suas soluções. Esta não será uma tarefa fácil já que por se tratar de um novo enfoque de negócio será preciso mudar também o enfoque de análise das diferentes soluções possíveis.
Quando ocorre o surgimento de novas tecnologias temos invariavelmente, resistências a sua aplicação. No caso específico do Software Livre além de uma simples mudança de tecnologia temos uma alteração do enfoque da abordagem de negócios. Diferentemente de quando se contratava uma grande empresa internacional com uma solução acabada, no Software Livre não existe uma solução pronta para sua aplicação e sim um ambiente de constante construção de alternativas. O SERPRO, ao se inserir neste diferente contexto, deve ter o cuidado de que não se criem barreiras para o desenvolvimento e maturação dessas soluções, e sim que se propicie um ambiente positivo no qual, relacionando-se com a comunidade, fornecedores e clientes, seja possível a constante construção de Soluções Livres.
5.2.4. Desenvolvimento
O maior custo da área de desenvolvimento é a assimilação da plataforma que se está trabalhando pelo corpo de desenvolvedores. O SERPRO não poderá diretamente mudar completamente de plataforma perdendo todo o conhecimento já adquirido. Porém também será necessário dar passos decisivos no sentido de que novos projetos devam ser realizados num novo ambiente que seja multiplataforma.
Avaliamos também que outro desafio a ser resolvido seja a substituição das antigas padronizações do desenvolvimento para que se compatibilize com a adoção de ambientes multiplataforma, principalmente em ambiente Web. Trocas de padrões nunca ocorrem sem impacto, por mais vantajosa que seja a sua substituição.
Outro paradigma que terá de ser quebrado e que pode trazer grandes dificuldades é começar a disponibilizar os aplicativos desenvolvidos como Software Livre sempre que for possível. Quando se tomar esta decisão, o código-fonte, por ser de acesso público, terá de ser feito com mais cuidado e precisão já que indicará claramente a qualidade do aplicativo desenvolvido.
Ainda teremos que avaliar o papel que a empresa terá em relação a softwares básicos, de rede, de segurança e para a automatização de tarefas para seu corpo técnico já que, com a utilização de Software Livre, torna-se viável que exista um corpo técnico capacitado no desenvolvimento dessas Aplicações que possa interagir com a comunidade desenvolvedora mundial tanto para que se criem novas soluções como para que se aperfeiçoe aplicativos conforme as necessidades que poderão aparecer.
5.2.6. Relacionamento com a comunidade
Um dos objetivos de qualquer projeto de utilização de Software Livre deve ser o de obter apoio e reconhecimento da comunidade já existente, tanto nacional como internacional de Software Livre, principalmente pelo seu grande poder de apoio a novas iniciativas.
Porém este não é uma estratégia fácil de ser adotada, principalmente porque esta comunidade tem um alto grau de exigência já que se trata de pessoas que dedicam o seu tempo, sobretudo por trabalho voluntário, por motivações não financeiras. Assim tornar-se difícil obter a confiança desta comunidade. Podemos citar, por exemplo, situações onde se faz uma defesa de Software Livre pode acabar sendo duramente criticada se sua página de divulgação for hospedada em software proprietário.
Contudo esta comunidade pode prestar grandes serviços a qualquer empresa, mas para que isto ocorra, ela também espera um retorno do projeto que estão apoiando. É fundamental que o SERPRO, ao decidir utilizar um Software Livre repasse para a comunidade o conhecimento por ela adquirido assim como as melhorias, textos, soluções de problemas e, em suma, compartilhe com a comunidade a fim de criar um relacionamento sólido e de confiança.
5.2.7. Quantidade de aplicativos para tarefas específicas ou especializadas
Apesar o grande número de aplicações para estações de trabalho e para serviços de rede ainda existem carência em alguns pontos específicos, sobretudo em aplicativos mais especializados que poderão dificultar a migração para a nova plataforma.
5.2.8. Avaliação da continuidade da política de grandes fornecedores
Outro item que terá de ser avaliado é como será à busca de suporte por parte da empresa nas plataformas livres. Atualmente o SERPRO, de maneira geral, tem procurado o relacionamento com grandes empresas para obtenção de suporte. Ainda existe a possibilidade de se obter suporte de empresas menores mais especializadas em itens específicos, como segurança ou para um software específico. Caso se avalie que será necessário continuar com uma grande empresa, como a HP, IBM e outras que prestam este tipo de suporte, o modelo atual do SERPRO não sofrerá grandes mudanças, porém, com isto, haverá menos espaço para as empresas e iniciativas nacionais, além do que normalmente se reconhece que o melhor suporte pode ser prestado por Empresas focadas em determinados itens e não generalistas como normalmente o suporte prestado por grandes empresas é feito. A escolha de qual alternativa será usada será fundamental para avaliação das dificuldades que serão enfrentadas no decorrer deste processo.
5.2.9. Capacitação
Qualquer mudança de plataforma sempre tem associado um custo de treinamento. No Software Livre não poderia ser diferente. Numa época de cortes orçamentários teremos com certeza problemas para que se consiga treinar o número de pessoas necessário para esta nova realidade.
Caberá a este programa avaliar de que forma este gasto inicial poderá ser executado, principalmente por que a economia na compra de licenças de uso virá, principalmente, em médio prazo e este gasto terá de ser executado no curto prazo.
6. Possíveis abrangências da aplicação de Software Livre no SERPRO
Entre os trabalhos propostos pelo projeto é aprofundar a discussão sobre as áreas já identificadas de possível utilização de Software Livre e prospectar novas que possam ser de interesse para o SERPRO e para os seus clientes.
Inicialmente foram identificados alguns setores que possam iniciar a discussão sobre as diferentes áreas de atuação, nos quais a utilização e fomento de soluções livres podem trazer grandes vantagens. Entre elas podemos citar:
6.1. A utilização e definição de padrões abertos como solução
A principal forma de dependência, principalmente no mercado de desenvolvimento, é a utilização de bibliotecas, linguagens e formatos proprietários. Sem a existência de padrões abertos reconhecidos e, mais importante, de implementações reais de diversos fornecedores, o sistema desenvolvido em cima de tecnologias e soluções proprietárias ficará para sempre dependendo do fornecedor.
Portanto, como política é necessário exigir a utilização de bibliotecas, linguagens e formatos que possuam um processo de padronização livre e bem definido, que exista a participação de grande número de fornecedores na evolução do padrão, que a participação de empresas e do próprio governo brasileiro no processo seja uma possibilidade concreta e efetiva e cujas especificações estejam à disposição de forma aberta, ou ainda, que estejam definidas através de código livre.
No quesito armazenamento de informações, a utilização de formatos de armazenamento abertos, de especificação livre e padronizados, é algo que deveria nortear não só o desenvolvimento de software, mas também a aquisição de sistemas diversos. Como vimos, a informação armazenada pelo governo é de longa duração, quase sempre processada e compartilhada por sistemas diferentes e é uma informação que deveria estar à disposição dos cidadãos. Por isso, a capacidade de armazenar textos, arquivos, planilhas e qualquer tipo de informação não podem estar sujeita a formatos proprietários.
Quase sempre os fornecedores utilizam formatos proprietários como forma de obrigar atualizações de sistemas e manter afastados os concorrentes. Dentro do governo, uma informação armazenada hoje, pode vir a ser acessada daqui a cinco, dez ou cinqüenta anos, e isso não pode depender da existência de versão futura do software, ou mesmo do Fornecedor desse Software.
Dessa forma, baseando o desenvolvimento de software em tecnologias e bibliotecas padronizadas, em linguagens e formatos abertos, fica garantida ao governo brasileiro a independência no uso das tecnologias definidas pelos fornecedores.
É importante notar que a definição de padrão aberto não pode ser manipulada livremente. Para que um padrão seja aberto, é necessário que exista um processo participativo de definição do padrão, e que a padronização final possa ser utilizada de forma não discriminatória pelo governo brasileiro. Indo mais longe, caso seja decisão do governo ou de empresas brasileiras, deverá ser possível participar ativamente das definições e direcionamento do padrão.
A possível participação no processo de definição dos padrões nos leva a um passo importante. Não só o governo deve se preocupar em utilizar os padrões abertos, mas deve ir além, deve defini-los. E isso envolve duas situações distintas. É importante que o governo brasileiro possua representantes e incentive as empresas privadas a participar, nos processos nacionais ou internacionais de padronização de tecnologias, bibliotecas, linguagens e formatos mais utilizados dentro de seus sistemas. E do outro lado, é importante que os sistemas definidos e implantados pelo governo brasileiro possuam também uma especificação aberta, para que mais de um fornecedor seja capaz de implementar esse sistema de forma completa.
A criação e adoção de padrões é um processo às vezes complexo, mas permite com que o governo adquira a independência necessária, maximizando suas opções de escolha. A elevação do nível do profissional brasileiro e a independência de fornecedores são vitais para a soberania nacional, e a adoção de padrões é um passo importante para garantir esses benefícios.
6.2. Desenvolvimento multiplataforma
Uma das grandes preocupações de qualquer grande consumidor é não ficar atrelado a um único fornecedor, pois ele terá o poder de ditar regras e preços já que o custo de substituição de plataforma é normalmente muito alto. Atualmente o governo brasileiro para não correr este risco tem usado várias plataformas de diferentes fornecedores.
Porém a solução ideal é definir e implementar sistemas que possam ser utilizados em mais de uma plataforma, para permitir que o governo possa utilizar o seu parque existente; poder ter a opção de escolher a plataforma mais adequada a uma determinada situação; poder se manter independente do controle exercido pelo Fornecedor; passar a possuir um maior poder de negociação; e, finalmente, poder garantir a continuidade de seus sistemas, qualquer que seja a plataforma escolhida no futuro. Somente através da definição pelo desenvolvimento de sistemas multiplataforma é que o governo garante a sua liberdade de opção. Não só do governo, já que inúmeros sistemas desenvolvidos são utilizados por seus cidadãos, e é, portanto, fundamental garantir a liberdade de opção aos cidadãos e empresas.
O desenvolvimento de sistemas exclusivos para uma única plataforma dificulta migrações, exige que softwares sejam escritos novamente, força a continua dependência de um fornecedor. A introdução de plataformas baseadas em código livre no governo, por exemplo, seria grandemente facilitada se os sistemas desenvolvidos atualmente fossem capazes de rodar em mais de uma plataforma. E o mesmo vale para futuras migrações, por exemplo, para novas plataformas de Software Livre que surgirem. Essa já é uma orientação tecnológica da SUPAC em suas diretrizes tecnológicas. Agora cabe expandi-la para as unidades que desenvolvem sistemas ou aplicações.
6.3. Desenvolvimento de aplicações em Software Livre
Ao contrário dos produtos voltados para a infra-estrutura de software (sistemas operacionais, ferramentas de infra-estrutura ou de produtividade) existentes no mercado (de código livre ou não), o desenvolvimento de sistemas de governo é uma atividade que é feita dentro do próprio governo. O desenvolvimento de um sistema é realizado sempre sob-medida, isto é, procura atender a funcionalidades específicas do segmento ao qual atende. Em particular no Brasil, especialmente pela abrangência geográfica, quantidade de usuários e outras características nacionais, na área de tecnologia é comum não existirem produtos que atendam às necessidades específicas de governo. Assim, o desenvolvimento de software é uma necessidade permanente quando se trata de solucionar problemas para as diversas áreas governamentais.
Ao especificar um sistema a ser desenvolvido, não se leva em conta se o mesmo será feito em código livre ou não. Entretanto, tendo em vista o fato de o governo ser produtor de software para uso dos cidadãos e em razão de atuar como mantenedor do software desenvolvido por longo período de tempo, é importantíssimo que se coloque a solução em código livre. Isto provoca a autonomia decisória dos gestores que ficam à vontade para adotar ou não as novas soluções tecnológicas, na maioria das vezes impostas por fornecedores.
6.4. Alternativas para alta disponibilidade
Na evolução da informática todos nós convivemos com diferentes momentos e marcos tecnológicos na computação. Num primeiro momento, apenas grandes empresas e governos possuíam capacidade de informatização, que se baseava na utilização de supercomputadores com processamento centralizado, nos quais todas as operações eram realizadas. Com a popularização e disseminação dos microcomputadores e sua produção em grande escala associado com a evolução das telecomunicações houve a revolução da microcomputação graças à significativa redução do preço de hardware e comunicação. Foi o tempo de filosofias de "downsizing", que se defendia um ambiente completamente distribuído. Nos dias de hoje, com o amadurecimento do mercado de informática, percebeu-se que existem situações em que um ou outro modelo apresenta vantagens.
Atualmente existem várias empresas, governos e Universidades que resolveram esta dicotomia associando o baixo custo de hardware dos microcomputadores com a necessidade de alta disponibilidade e capacidade de processamento que antigamente requeria supercomputadores através da utilização conjunta de várias máquinas atuando como "cluster”.
Para o SERPRO, que sempre necessitou de soluções de alta confiabilidade, disponibilidade e capacidade esta solução pode ser uma alternativa extremamente vantajosa seja para aplicações que atualmente funcionam em pequenos Servidores de rede como para grandes soluções baseadas em mainframes. Como exemplo, podemos utilizar um serviço de rede como o Lotus Notes. Com o crescimento de sua utilização e atualização de versão poderia ser necessário fazer um upgrade no servidor. Com este upgrade o seria gasto uma grande quantia para garantir a disponibilidade requerida para o serviço. Uma alternativa possível utilizando Software Livre seria, ao invés de comprar um novo servidor, interligar vários pequenos servidores que seriam considerados isoladamente ultrapassados, com GNU/Linux em "cluster", de maneira que juntos eles atuassem como apenas uma máquina. Esta poderia ser uma alternativa com custo bem menor que comprar um novo servidor com capacidade e disponibilidade semelhante (23).
6.5. Reforçar o reaproveitamento de código
No surgimento dos primeiros computadores a reduzida capacidade das máquinas requeriam para o seu funcionamento programas pequenos, sobretudo extremamente leves e enxutos.
O avanço destas tecnologias trouxe de maneira associada o aumento exponencial do tamanho das aplicações, pois, cada vez mais, buscava-se associar funcionalidade com facilidade de uso. Esta situação causou um problema para o os desenvolvedores, sobretudo para as grandes empresas que passaram a se defrontar com as dificuldades de realizar a manutenção e criação de programas neste ambiente.
Os próprios paradigmas de desenvolvimento passaram por uma reformulação significativa. A antiga programação procedural não conseguiu responder a necessidade de facilitar a reutilização de códigos e a manutenção dos diferentes módulos que compõem uma Aplicação. Com isto, houve a pesquisa de novas formas de programação, do qual emergiu a programação orientada a objetos, como solução para estes problemas.
Porém, apesar de suas vantagens este novo paradigma de desenvolvimento se mostrou incapaz de por si só de facilitar a manutenção e reutilização de código de programas. Praticamente todas as grandes empresas ainda continuavam fazendo de maneira excessiva o chamado "retrabalho", isto é, fazendo várias vezes os mesmos trechos de código que realizam as mesmas tarefas, principalmente por não saberem que em alguma situação já havia sido realizado este trabalho e ainda não encapsulando e disponibilizando os componentes que poderiam a vir ser utilizado por outros projetos.
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23 -
http://www.multipinguim.underlinux.com.br/artigos.htm
O Software Livre tem apresentado uma importante contribuição para a solução destes problemas. Através de ambientes colaborativos entre diferentes projetos passa-se a ter uma maior reutilização de programas além de se ter acesso ao que já foi feito por outros colegas. Cria-se assim uma grande capacidade de economia de tempo de trabalho seja no desenvolvimento propriamente dito, seja na manutenção dos aplicativos que, por terem partes de seu código reutilizados em outros projetos, tendem a ser mais bem criticados e depurados já que várias pessoas passam a depender de sua utilização e qualidade. O SERPRO, com sua larga experiência de 40 desenvolvendo soluções para administração pública tem muito a ganhar absorvendo a experiência de desenvolvimento utilizada pela comunidade de Software Livre (24).
6.6. Servidores de rede
Atualmente existem softwares livres para as mais diferentes funções. Na questão de servidores de rede a quantidade e qualidade se tornam ainda mais notórios. Entre os serviços atualmente existentes na plataforma GNU/Linux muitos apresentam grande superioridade em relação às plataformas proprietárias, e a maioria compete em plena condição de igualdade.
Já no ano de 1999, um estudo realizado pelo Centro de Especialização Linux conclui que a plataforma estava plenamente madura para utilização em servidores. No decorrer deste tempo, o leque de opções de serviços aumentou consideravelmente, ampliando ainda mais as possibilidades de utilização de sistemas livres na área de servidores.
Entre os serviços que poderiam ser realizados por servidores livres temos servidores Web (Apache), Proxy (Squid), Firewall (Iptables), VPN (
FreeSwan?), Ferramentas de Monitoramento (MRTG), Servidores de Aplicação (Php e Java), Banco de Dados (
PostgreSql? e
MySql?), Dns, ftp (proftpd), Servidores de arquivos e muitos outros.
Poderia-se com vantagens substituir tanto serviços internos como prestados a clientes que atualmente são realizados em plataformas proprietárias para alternativas livres reduzindo muito o custo de licenciamento requerido.
6.7. Correio corporativo
Uma alternativa viável para o SERPRO seria absorver ferramentas de correio livres já consolidadas no mercado corporativo como o Direto (25) desenvolvido inicialmente pela
PROCERGS e utilizado por várias empresas e órgãos. Com este produto seria possível realizar uma customização e aperfeiçoamento gerando uma solução própria que poderia ser disponibilizada para nossos clientes de maneira com que fosse evitado um gasto excessivo com as licenças cobradas por caixa de correio. Sabe-se também que atualmente existem muitos servidores públicos que não possuem correio corporativo justamente pela dificuldade de se obter recursos necessários para uma implantação tão dispendiosa indicando uma oportunidade única de negócios para a Empresa.
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24 -
http://www.geocities.com/CollegePark/Union/3590/pt-cathedral-bazaar.html
25 - www.direto.org
6.8. Estações de Trabalho
Há algum tempo os Sistemas GNU/Linux deixaram de ser “bons para servidores” e passaram definitivamente para os desktops. Suas estabilidade, escalabilidade e robustez, associadas a gerenciadores de janelas de grande qualidade gráfica o tornaram em um grande sistema operacional para estações de trabalho.
Conforme estudos publicados pelos mais diferentes órgãos de pesquisa vê-se que o custo do sistema operacional é uma pequena parcela do custo de manutenção de uma estação de trabalho. Neste ponto mais uma vez o GNU/Linux mostra sua força, na medida que tem apresentado em várias experiências, muito menos necessidade de manutenção que soluções proprietárias já que é muito mais estável, menos propenso a erros, e mais maduro na característica de multi-usuário, o que permite que o administrador determine que o usuário tenha suas próprias configurações privadas, independentes dos recursos de software básico da estação de trabalho que faz com que não seja possível ao usuário provocar inadvertidamente um defeito no sistema operacional.
6.9. Software Livre em ambiente Windows
Uma das grandes dificuldades da migração para ambientes GNU/Linux é a incompatibilidade que diversos aplicativos e serviços possam ter entre as duas plataformas. Uma maneira de minimizar este dificuldade seria passar a adotar cada vez mais soluções livres rodando sobre sistema operacionais Windows já que normalmente estes aplicativos possuem versões tanto para plataforma Windows quanto para GNU/Linux.
Um grande limitador para a produtividade dos usuários é a falta de aplicativos auxiliares para seu trabalho. Numa grande corporação os custo de licenciamento soma grandes quantias, sendo necessário limitar o número de aplicativos que são disponibilizados para o usuário. Isto pode ser contornado através da prospecção de ferramentas livres que possam ser utilizadas sem necessidade de licenças dentro da corporação. Como exemplo deste tipo de aplicativo existe o Gimp, editor gráfico muito utilizado profissionalmente, totalmente livre e que possui tanto versão para Windows quanto para GNU/Linux.
6.10. Ferramentas de produtividade
Ferramentas de escritório como o Microsoft Office são fundamentais para o trabalho de praticamente todas as estações de trabalho numa empresa. Porém, sua licença de uso apresenta um custo significativo. Como exemplo, a versão do Office XP professional custa no mercado algo em torno de 2.200 reais.
Uma alternativa livre seria a utilização do
OpenOffice? (26), em substituição ao Microsoft Office. Ele é um Software Livre desenvolvido tanto para a plataforma Windows quanto para a plataforma GNU/Linux, apresentando um ambiente de trabalho muito semelhante à ferramenta da Microsoft. Com muito pouco treinamento, seria possível realizar a migração das estações de trabalho da própria empresa ainda em ambiente Windows, sendo minimizado o custo na aquisição de novas licenças e de upgrade para nova versão.
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26 -
http://www.openoffice.org.br/
É importante ressaltar que o suporte para a versão 95 do MS Office já foi totalmente encerrada no final de 2001 e a do Office 97 está encerrada para qualquer atualização que não seja de segurança. Assim se for descoberto um novo bug ou incompatibilidade que não comprometa a segurança do ambiente, a Microsoft não lançará correção para seu produto e as correções de seguranças serão suspensas em janeiro de 2004. (Fonte :
http://www.microsoft.com/windows/lifecycle.mspx ).
Tanto o SERPRO como os seus clientes não podem continuar utilizando aplicativos que não possuam suporte para correções e, como ninguém mais pode prestar este suporte já que se trata de um Software Proprietário, se tornará obrigatório fazer o upgrade de verão do Office. Entendemos que esta pode ser uma grande oportunidade de introdução do
OpenOffice?, tanto no SERPRO como para seus clientes.
6.11. Reaproveitamento de estações de trabalho antigas
O parque de estações de trabalho do governo federal como um todo é composto em sua maioria por máquinas relativamente antigas, de pouca capacidade. A maioria destas estações funciona atualmente com o sistema operacional Windows 95. A Microsoft em sua política de continuidade de produtos terminou seu suporte no final de 2001 e agora no final de 2002 encerrou totalmente o chamado ciclo de vida do Windows 95, o que significa que novas vulnerabilidades de segurança não terão mais correções publicadas.
A importância das informações governamentais impõe que sejam utilizados sistemas seguros para seus funcionários. Para compatibilizar este ponto será obrigatório à realização da colocação de um novo sistema operacional a fim de possibilitar os requisitos mínimos de segurança. Como estamos tratando de estações antigas, caso seja realizado um upgrade de versão no Windows, será necessário também à realização conjunta de um upgrade de hardware nas estações de trabalho. Percebe-se pelas restrições orçamentárias que nossa realidade não permitirá a realização da atualização de Hardware e por conseqüência não haverá possibilidade da realização de upgrade de versão do Windows. Porém esta situação causa sérios riscos para a segurança dos sistemas governamentais sendo uma decisão inviável.
Neste ponto, dentro das alternativas livres surge a possibilidade de instalarmos sistemas GNU/Linux nas estações de trabalho graças a sua reconhecida capacidade de personalização que possibilita que rode mesmo em estações antigas com um desempenho aceitável sendo possível desta forma fazer a atualização das estações de trabalho mantendo o nível de segurança requerido pelo ambiente sem grande custo e com vantagens.
6.12. Serviço de terminal
Um serviço que vem despontando como de grande utilidade no que se refere à economia de gastos em estações de trabalho e ainda fornece a possibilidade de uma administração centralizada, o que diminui sensivelmente o gasto de manutenção dos aplicativos, são os serviços de terminal fornecidos, popularmente, pela Citrix com seu Metaframe e pela Microsoft com o Terminal Services. Estas alternativas proprietárias, contudo, não são acessíveis requerendo um grande gasto em licenças a ponto de se impossibilitar a sua utilização. Inclusive estava orçado para este ano um projeto piloto de utilização do Metaframe para a SUPST que, devido aos cortes orçamentários, foi suspensa pela impossibilidade de se comprar licenças de uso.
Como não podia deixar de ser, existem alternativas livres para este serviço, dentre elas o Terminal Linux Server (27) e o próprio ambiente de janelas utilizado no GNU/Linux, o XFree.
Sua implantação seria de grande utilidade para empresa e para seus clientes na medida que novas aplicações desenvolvidas na plataforma GNU/Linux poderiam ser executadas em estações Windows sem nenhum impacto e ainda com ganhos tanto em termos de performance como na economia de hardware, já quer será um aplicativo a menos que estará sendo executado na estação de trabalho.
6.13. Ambientes heterogêneos
A fim de evitar todo o trabalho de reescrever as aplicações na plataforma GNU/Linux surgiram várias alternativas para execução de aplicativos Windows dentro do sistema operacional livre e vice-versa. Sem dúvida um estudo sobre esta área poderá verificar que muitos aplicativos feitos, por exemplo, para Microsoft Windows rodam perfeitamente através de diferentes soluções livres para GNU/Linux.
O SERPRO, empresa que trabalha com um ambiente extremamente complexo e heterogêneo, pode aproveitar toda a flexibilidade que existe no mundo do Software Livre para poder interligar os diferentes ambientes e permitir que aplicações feitas ainda em ambiente proprietário, normalmente restritas a um único tipo de sistema operacional, possam ser executados em outros tipos de ambiente. Destacamos, inclusive, que este não se trata de um assunto novo para a empresa, existindo já alguns estudos nesta área.
6.14. Gerência integrada de redes
Um dos maiores custos associados à manutenção e prevenção de problemas em ambientes complexos é a gerência e identificação de problemas.
Atualmente o SERPRO possui como uma das suas metas corporativas para este ano aumentar o número de redes administradas a distância. Avaliou-se que, com as ferramentas existentes hoje para ações tanto de recuperação como de manutenção de ambiente já haveria possibilidade desta alteração na forma com que o Serviço será prestado. Porém verificou-se que seria necessária uma ferramenta para acompanhamento e gerência de redes como, por exemplo, o HP
OpenView?. Porém, com os recentes cortes orçamentários, não será possível dar continuidade na aquisição de ferramentas proprietárias para este intento, tanto por parte da SUPAC para gerência remota como por parte da SUPST para gerência interna.
Como possível contorno para este problema acreditamos que deve ser avaliado, em todos os aspectos envolvidos, a adoção de uma ferramenta livre para gerência integrada de redes, como por exemplo, o
FreNMS? (28).
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27 -
http://www.ltsp.org/
28 -
http://www.freenms.org
6.15. Estudo de custo total de propriedade (TCO)
Uma área de grande interesse para as corporações é possuir uma análise detalhada e completa de todos os custos envolvidos nos processos de informatização. Existe pleno conhecimento que estes custos representam mais do que simplesmente o custo de aquisição de hardware e software. Porém não existe hoje uma metodologia plenamente aceita pelas empresas e pela Academia para apuração dos reais custos envolvidos.
O SERPRO tem a possibilidade de realizar um estudo de caso único de apuração de custos entre alternativas livres e software proprietário na administração pública. Este estudo pode lhe trazer grandes benefícios tanto em termo de criar uma metodologia exata para comparação de custos entre diferentes plataformas como para avaliar quais são os reais ganhos em termos de custo pela adoção de Software Livre.
6.16. Criação de uma distribuição própria
O Secretário de Logística e Tecnologia da Informação do Ministério de Planejamento e Gestão, Rogério Santanna declarou recentemente que estava sendo avaliada a possibilidade de criação de uma distribuição GNU/Linux exclusiva para o governo federal. Uma distribuição nada mais é do que um conjunto de aplicativos livres que são selecionados, organizados e distribuídos de maneira consistente através de um pacote único.
Esta não seria uma iniciativa nova, pois vários países no mundo como, por exemplo, a China, já adotaram esta prática que irá facilitar tanto a padronização como o intercâmbio de esforços entre os diferentes órgãos e poderes pertencentes à esfera pública federal. No Brasil já existem exemplos destas iniciativas já que tanto a
PROCERGS para o Estado do Rio Grande do Sul e a Prodabel para a Prefeitura de Belo Horizonte criaram sua própria distribuição.
Este é um ponto que terá de ser debatido com muita seriedade, pois caso exista a possibilidade de criação de uma distribuição de GNU/Linux personalizada para o governo federal, acreditamos que o SERPRO teria todas as condições de personalizar algumas das distribuições totalmente livres existentes e distribuí-la como versão oficial para o governo passando a ter um papel fundamental neste projeto.
7. Prioridades iniciais - 1ª etapa do projeto
7.1. Definição de estratégia
Um dos principais objetivos do programa, é verificar como o SERPRO vai se inserir na nova realidade de utilização de Software Livre nos seus negócios.
Para alcançar este objetivo, será necessário identificar os pontos, convocar as partes envolvidas e construir junto com o corpo técnico do programa as estratégias, formas de inserção e prioridades na internalização de alternativas livres.
Vamos neste ponto adiantar que, na nossa visão, terá de ser feito um trabalho de prospecção e estudo fundamental para se escolher os melhores pontos, dos quais serão criados estes grupos e, principalmente, quais as áreas que cada grupo de trabalho específico terá que abordar.
Numa primeira análise teremos que contemplar os seguintes itens:
Estratégias de negócios com Software Livre
Aplicativos para estação de trabalho
Sistema operacional GNU/Linux em ambiente interno de desktop
Sistema operacional GNU/Linux em ambiente de clientes em desktop
Definição de novos padrões
Sistema operacional GNU/Linux e demais soluções livres em ambiente de servidor
Sistema operacional GNU/Linux e demais soluções livres em ambiente de servidor em clientes
Soluções livres para infra-estrutura de rede
Política de relacionamento com a comunidade
Estudo de redução de custo
Desenvolvimento de aplicações
Relacionamento de fornecedores
Desenvolvimento de distribuição para o governo Federal
7.2. O correio corporativo Direto
Uma dos serviços mais importantes utilizado hoje na administração pública são as ferramentas de correio. Atualmente parte da administração funciona com o Lotus Notes e outra parte com o Exchange o que não permite que todos os órgãos disponibilizem ferramentas de correio para todos os servidores pelo alto custo envolvido na aquisição de licença de uso destas duas alternativas .
Propõe-se neste contexto a avaliação da utilização da ferramenta de correio Direto/GNU, desenvolvido pela Empresa de Processamento de Dados do Rio Grande do Sul (
PROCERGS) em conjunto com algumas universidades e da comunidade de Software Livre. Esta ferramenta já é utilizada em vários órgãos e empresas, das quais podemos destacar o estado do Rio Grande do Sul, aonde já existe um total de 8.100 caixas de correio funcionando com o Direto.
Caso verifique-se a viabilidade desta alternativa, o SERPRO tem a possibilidade de ofertar um novo serviço para a administração pública, com baixo custo e grande qualidade técnica, que permitirá finalmente que vários órgãos passem a disponibilizar caixas de correio para seus servidores e terá a função estratégica de servir de grande “case” de aplicação de alternativas livres, ajudando de maneira significativa a inserção do SERPRO no mundo do Software Livre.
7.3. Protocolo de intenções com a
PROCERGS e ABEP
No dia 27 de novembro de 2002 foi assinado em um protocolo de intenções que visa o compartilhamento de informações e a colaboração entre o SERPRO a
PROCERGS e a ABEP. O Programa SERPRO Software Livre terá como prioridade a implementação desse protocolo que tem por objeto a:
"(...) declaração de intenção dos partícipes em assinar Convênio de Cooperação Técnica em Software Livre, a partir do estabelecimento de um programa de cooperação e intercâmbio técnico entre si, abrangendo atividades de pesquisa, desenvolvimento, formação e treinamento de recursos humanos, absorção e transferência de tecnologias em Software Livre”.(29)
Entendemos que o aprofundamento de protocolos e outras formas de relacionamento com outras empresas públicas e privadas e, principalmente, com a comunidade de Software Livre seja fundamental para criar um ambiente colaborativo que terá um papel insubstituível na consolidação do programa SERPRO Software Livre.
7.4. Criação do serviço Governo Livre
Uma das primeiras preocupações de um programa que tenha intenção de dar um direcionamento estratégico para as mais diferentes iniciativas já existentes na empresa é criar, mais do que um simples cadastro de iniciativas, um ponto único, no qual os projetos possam vir a compartilhar suas experiências.
Dentro da comunidade de Software Livre já são consolidadas formas de desenvolvimento colaborativo, seja de software, como de documentos. É fundamental para nós aprendermos com a comunidade e implantarmos também no SERPRO um ambiente que propicie a troca de informações, a soma de esforços individuais para um resultado melhor, que evite a realização de trabalhos duplicados e que, em última análise, nos permita aproveitar tudo o que de melhor existe na experiência mundial de desenvolvimento livre.
Desta forma pretendemos criar, dentro desta filosofia, um serviço que será oferecido como maneira de integrar todas as iniciativas, trabalhos e documentos produzidos relacionados com Software Livre, formando um ponto único de congregação de todos os esforços em andamento no assunto. Este deve ser um componente estratégico fundamental para o andamento do programa já que não estaremos começando um novo trabalho e sim dando uma forma às iniciativas já existentes.
Este serviço será chamado de Governo Livre e será constituído de uma aplicação web, totalmente baseada em Software Livre, que será ponto de referência para a utilização de Software Livre para no SERPRO além de componente fundamental para integração dos diferentes projetos tanto os novos como os já em andamento que passarão a ter o apoio deste programa.
8. Conclusão
Por tudo exposto no presente projeto acreditamos que a adoção do Software Livre pelo SERPRO tanto em seus processos internos como para as soluções que são desenvolvidas para os clientes faz-se uma tarefa fundamental para manutenção do papel de liderança do SERPRO em soluções de tecnologia da informação para o governo brasileiro.
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29 – O protocolo Serpro / Procergs foi assinado na cidade de Brasília, em 19/11/2002.
Inúmeras são as possíveis vantagens levantadas pelo projeto, mas seria importante ressaltar novamente que num ambiente de grandes cortes orçamentários e extrema dificuldade financeira por parte do estado as soluções governamentais devem ser realizadas sob o ponto de vista do mínimo gasto possível. Acreditamos que apenas utilizando Software Livre podermos fazer com que os custos de TI sejam consideravelmente reduzidos sem perda da qualidade ou quantidade de serviço prestado.
Outras vantagens que também devem ser destacadas seria a criação e o desenvolvimento de inteligência em Software Livre dentro da própria empresa, assumir uma posição de independência em relação a fornecedores, possibilidade de aumentar a quantidade de serviços prestados pelo SERPRO e, no conjunto, uma elevação dos padrões de informatização e produtividade de todo o governo federal.
Devemos centrar como componente estratégico preponderante a adoção de alternativas livres para a administração pública, pois, além de uma tendência de mercado, trata-se de um direcionamento claro do governo federal, conforme podemos ver pelas recentes declarações do Sr. Sérgio Amadeu, presidente do ITI em que expõe que "Na área de Tecnologia da Informação, não tenham dúvida, nós vamos avançar com Software Livre". (30)
Esta mudança de paradigma não é, contudo, algo simples de ser realizado. Atualmente a empresa tem se colocado apenas como consumidora de tecnologias desenvolvidas pelo mercado, sobretudo externo. Será necessária uma nova visão, na qual além de consumidora será também participante efetiva, em conjunto com a comunidade de Software Livre e aos demais parceiros que encontraremos neste processo, no desenvolvimento de soluções para o país. Deve caber ao SERPRO um papel de destaque nesta nova realidade, ressaltando seu papel de empresa inovadora e de liderança na adoção de tecnologias para administração pública.
Neste contexto, nos propomos, através do presente projeto, realizar a associação das iniciativas existentes, de forma a aproveitar toda a experiência e cultura já adquirida, de realizar prospecção de novas áreas de atuação, tanto internamente como para nossos clientes, de incentivar e apoiar novos projetos que possam vir a ser implantados, de realizar levantamentos sobre os ganhos obtidos com a adoção do Software Livre e, principalmente, vincular os serviços existentes ou futuros baseados em alternativas livres ao direcionamento estratégico da empresa, de forma a consolidar no SERPRO a cultura e a utilização de Software Livre nas soluções que desenvolve para os seus clientes.
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30 - SERPRO em Pauta n° 1753
FICHA TÉCNICA
Serviço Federal de Processamento de Dados (SERPRO)
Presidente: Wolney Mendes Martins
Diretor Superintendente: Gilson Lariú
Diretoria de Serviços
José Henrique Santos Portugal
Superintendência de Atendimento a Clientes
Jorge Luiz Guimarães Barnasque
Coordenação Geral: Marcio André Martimbianco Brigidi
Coordenação Técnica: Mário Luís Teza
Grupo de Trabalho:
Márcio André Martimbianco Brigidi
Mário Luís Teza
Deivi Lopes Kuhn
José Carlos Volpatto
Cícero dos Reis Vargas
José Alberto Costa Sobral
Redação: Deivi Lopes Kuhn
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MarioTeza - 27 Jun 2004