Por dentro do Computador Conectado e Livre

"As coisas têm peso,

massa,

volume,

tamanho,

tempo,

forma,

cor,

posição,

textura,

duração,

densidade,

cheiro,

valor,

consistência,

profundidade,

contorno,

temperatura,

função,

aparência,

preço,

destino,

idade,

sentido.

As coisas não têm paz."

(Arnaldo Antunes in "As Coisas", Ed. Iluminuras 1993)

O Projeto de Computador Conectado está ganhando mais espaço na mídia. A curiosidade tem sido proporcional às possíbilidades que a idéia permite. Resolvi então detalhar mais nesta coluna o assunto da coluna[1] da semana passada.

Vamos começar pelos proponentes da idéia. Yon Moreira a apresentou para o Presidente Lula. Sérgio Amadeu teceu seus comentários sobre a proposta. Confira a seguir.

Segundo Yon Moreira[2], da Brasil Telecom, o "Projeto de Massificação tem duas etapas:

Etapa de impacto, com quatro ações fortes, com resultados em seis meses:

  1. Computador popular para uso residencial ou para pequenas e médias empresas por R$ 50,00 ao mês;

  1. Acesso discado para mais de 90% da população com tarifas sociais;

  1. Provedor de contéudo e e-mail grátis, com acesso inicial à página do Governo Federal;

  1. Contratação de monitores no Programa Primeiro Emprego.

Segunda etapa de consolidação de todos os serviços públicos - educação, saúde, segurança, seguridade social, administração pública em todas as esferas, etc:

  1. Benchmark com países de notório sucesso - exemplo Coréia do Sul;

  1. Criação de Grupo Multidisciplinar ligado à Presidência da República;

  1. Mudança do papel do Estado de reativo para um papel ativo na vida do cidadão."

Segundo Sérgio Amadeu[3], do ITI[4]:

  1. "Objetivos do program,a computador conectado: Incentivar a classe média baixa a adquirir um computador conectado à Internet;

  1. Permitir às pequenas empresas o acesso ao computador conectado;

  1. Ampliar significativamente o número de famílias inseridas na sociedade da informação;

  1. Criar uma grande mobilização nacional para a capacitação digital de nossa população;

  1. Gerar uma grande rede de suporte em software livre que gere novos empregos;

  1. Levar os serviços públicos de governo eletrônico a um maior número de brasileiros;

  1. Abrir as portas do comércio eletrônico para as camadas de menor poder aquisitivo;

  1. Tornar o Brasil o maior usuário de software livre do planeta."

Minha avaliação é que a idéia tem possibilidade real de se realizar. A experiência do Computador Popular tentada na gestão do Presidente Fernando Henrique[5] me serve de baliza para analisar a tentativa do Governo Lula. A primeira grande diferença é o público alvo. Em 2000/2001 o alvo eram as escolas beneficiadas pelo FUST. Hoje o alvo é a classe média baixa e pequenas e médias empresas.

De acordo com os proponentes, um mercado possível inicial de cinco milhões de equipamentos. A proposta atual embute a idéia de conexão internet para uso massivo do público alvo. Era assim também no Computador Popular, mas dependia do FUST. Durante 5 anos as escolas teriam o apoio. Após, dependeriam de orçamento próprio. Hoje depende das pessoas pagarem sua mensalidade (máquina) entre R$ 50,00 ou R$ 60,00 mais o custo para acesso discado de R$ 6,00 para 20 horas de uso ou R$ 30,00 para 50 horas em banda larga.

O computador Popular tinha uma configuração básica diferente da utilizada pelo mercado de então. Hoje o hardware é o de prateleira. Nos dois casos, teríamos/teremos o uso de software livre. A parte mais díficil é a isenção tributária/encargos. Em primeiro lugar porque esse precedente será questionado por outros setores econômicos. Em segundo lugar, mesmo com isenção total, ainda assim o preço do mercado "oficial" é maior do que o mercado "cinza". Isso foi dito pela representação da ABINEE. Sendo assim, será preciso muita ginástica por parte do Governo Federal para equilibrar uma solução.

Está claro que existe demanda, condições técnicas e escala, para que o mercado ofereça um produto, que atenda as expectativas. O Computador Conectado e livre independe da solução do Governo Federal. Está na hora das empresas privadas acreditarem em si mesmas e no "mercado". Está na hora de arriscar.

[1] http://www.baguete.com.br/coluna.php?id=285687&nome=marioteza

[2] http://www.softwarelivre.org/downloads/Plano_de_Aceleraca_da_Inclusao_Digital_yonmoreira.pdf

[3] http://www.softwarelivre.org/downloads/insercaodigital%20avan%E7ada_sergioamadeu.pdf

[4] http://www.iti.br

[5] http://www.softwarelivre.org/news/84

-- MarioTeza - 22 Sep 2004

Topic revision: r1 - 22 Sep 2004 - 14:15:53 - MarioTeza
 
This site is powered by FoswikiCopyright © by the contributing authors. All material on this collaboration platform is the property of the contributing authors.
Ideas, requests, problems regarding Wiki-SL? Send feedback