Entrevista Mario Teza – 30/06/2000

P – Sobre o Fórum de SL? R – O evento em si foi uma fusão de várias iniciativas. Uma delas, então, foi – no caso que te interessa para o teu trabalho - este texto que rodado pelo gabinete de um deputado gaúcho Elvino Bohn Gass, mas na realidade, nós pedimos para vários deputados que nos dessem alguma força, a maioria deu, mas no caso ele deu e rodou na Corag um texto que é o histórico do movimento GNU. GNU não tem uma tradução para o português, porque é um jogo de palavras em inglês que querem dizer “não é Unix”. O Unix tu já ouviste falar? Todo este movimento surgiu nos anos 60 para a gente ter um Unix livre, um Unix, alguma XXX que fosse compatível como sistema Unix, que era o padrão na época, era o mais forte e ainda é um dos melhores do mundo, apesar de pouco conhecido para o usuário caseiro, mas em termos de grandes empresas de Internet, principalmente Internet, o Unix é – a internet surgiu com o Unix. Então, o teu trabalho, de certa é interessante porque ao tu falares de SL, ao falar de Linux, de Unix tu estás retomando a questão da Internet, que a Internet surgiu com o Unix, só que ele foi uma – bom, aqui tu vais ver, tem toda a história (mostrando o texto) – fala mais do que eu. O trabalho que a gente fez foi traduzir para o português brasileiro e o que tu quiseres está aqui. Tem vários links também. Tu podes encontrar várias coisas que, por exemplo, que a gente fez com o Walter Pinheiro lá da Bahia, aqui está o projeto. Este projeto na verdade foi feito aqui, a gente fez e mandou para ele. É aqui.

P- Como se deu a sua aproximação com este projeto? A sua trajetória pessoal? R – Você acha isso importante? Bom, desde que o Governo Estadual assumiu, o Governo de Olívio Dutra, já tinha essa discussão. Em janeiro surgiu, começou a circular uma discussão entre nós, entre varais pessoas que estavam fora do governo e que estavam o Governo sobre a conveniência da gente usar SL nos órgãos públicos do Rio Grande do Sul. E aí durante um ano eu fiquei – existe o Movimento de Software Livre, é isso que você vai ver aqui -, então, este movimento é...

P – Internacionalista, interligando com o open source? R – É internacional. Existe uma divisão entre open source e free software. Opens source é o pessoal que, mesmo empresas, participam do open source, então é só o código do programa aberto, mas ele continua sendo, alguém é dono daquele programa. O movimento opens source é importante, por quê? Muitas empresas passaram a – pelo menos – disponibilizar o código dos softwares delas para a comunidade. Mas iss é, no caso o pessoal do SF, do free software, considera isso importante, mas limitado. Nós vamos além disso, a gente além do código fonte estar aberto, estar disponível (ele vem junto num CD) aqui que eu vou te dar, aqui que você vai poder ver, tem o código fonte que é a essência do open source, ele também é livre, ou seja, tu podes copiar, distribuir, fazer o que tu quiseres, alterar e o open source não permite. O open source é – popularmente é conhecido como se as duas fossem a mesma coisa, mas não são. Tu verás neste texto, ele vai te elucidar melhor. Então, durante um ano teve universidades, empresas, pessoas que dentro e fora do governo foram constituindo o que hoje é conhecido como projeto Software Livre RS, que é um projeto que tem a ver com tudo isso, pegar um software...

P – E essas pessoas foram se agregando a partir de onde? Teve alguma iniciativa? De quem foi esta iniciativa? R – É que assim, é difícil tu, para mim é ruim identificar quem, porque parece um troço personalista, é uma conjunção de interesses da....começou na Procergs. Quem começou foi a Procergs publicamente. Então, a diretoria da Procergs, o Marcelo, o Mazzoni.

P - Bom, desculpe insistir, mas para mim isso é importante, porque quero identificar como começou este projeto dentro do Governo do Estado e como isso se organizou oficialmente, porque conheço a trajetória da VIA RS desde 95,, então eu sei como os técnicos se portam, como pensam, trabalhei com eles diretamente. Tenho uma percepção de como isso se deu na parte tecnológica, o conhecimento foi sendo adquirido para chegar e propor, por exemplo, o Direto. Havia uma massa crítica conhecedora da tecnologia para isto proceder. Mas, assim, este movimento de vocês estar desenvolvendo SL agora se é uma iniciativa política, uma decisão política ou se é um conhecimento técnico e tecnológico que chegou a um ponto que não tem como segurar? R – Não, não é, ainda não é... (interrupção)

P- Esta revista, a entrevista do Olívio que você está me passando? R – Foi a revista distribuída no evento, foi o ápice das nossa articulações aqui na procergs, das empresas. Esta entrevista estava preparada há uns dois, três meses e conseguiu, foi todo um movimento coordenado, quer dizer, aconteceu o evento, aconteceu a entrevista com Olívio que foi distribuída no evento – foi um puta de uma impacto, né? Depois a mídia – tu vais ver o material depois que a Patrícia vai te passar só de clipping da imprensa, um a loucura, então rolou XXX do evento, da iniciativa toda. Mas si, voltando para a tua questão da origem. Esse movimento existe há mais de 15 anos, o Movimento do SL no mundo, ta? No Brasil, ele já existe há bastante tempo, só que nunca teve muita forca em termos de mídia porque era algo muito marginal, eram iniciativas de pessoas e com o esquema do Governo do Estado mudou, porque empresas já usam o SL, inclusive. Só que, assim, elas usam para elas e ficam na delas.O Governo do Estado é que disse: “vamos comprar esse troço”. Ai tu perguntavas sobre o que é este projeto.É assim: foi dividido em três fases. A primeira fase durante todo o ano passado (1999) e até maio deste ano (2000) era a de divulgação da existência do SL, ta? Então, a gente constatou o seguinte: nem nós sabíamos - e muito menos a sociedade e as empresas, né? -, de que existem softwares compatíveis ou semelhantes ao Windows, né? E muitas vezes melhor do que ele. E mais ainda, em português, inclusive estou rodando tudo em português aqui. Então, a primeira fase do projeto esse era o quê? Era anunciar aos quatro cantos que tem software e tem alternativa a Microsoft, né? Essa era a primeira fase que culminava com o evento. A idéias do evento era o quê? Nós fizemos, tu vais ver, tem um outro livro que vou te dar que tem a nossa historia. Isso aqui foi feito, a gente lançou também no evento – este trabalho aqui "dinheiro para quem precisa”. Aqui tu vais encontrar toda a história deste movimento, a história que a gente publica. Mas detalhes e a justificativa toda, as primeiras empresas quando foi a primeira reunião do lançamento, do que é o projeto, quais são os parâmetros, tudo. Esse também fala sobre o evento. Então, este projeto é dividido em três partes. A primeira é essas, divulgação, muita divulgação – foi o que a gente fez. A segunda a gente está começando agora que é o uso intensivo de SL, tá? O uso intensivo aonde? Aonde quer, quem quiser. No caso da Procergs, a gente está estudando a forma aonde nós vamos aplicar, aonde a gente já tem um conhecimento suficiente e a onde já tem software com qualidade – e tem muita, né? A gente sabe. Mas daí é mais do nosso desconhecimento em relação à ferramenta. Então, a gente está estudando isso e começando já implantar em algumas atividades, além da VIA RS que já tem bastante. Essas é a segunda fase. Isso vai ser em todo o Estado, universidade, este conjunto de participantes. A terceira e última fase é a de desenvolvimento de SL. A gente quer transformar aqui o RS, por exemplo, no que é a Austrália, a Alemanha. Esses países são muito fortes em termos de SL, apesar de ninguém ver porque a mídia, claro, é muito focada em quem paga, é a Microsoft, aquela história toda. Mas existe um mundo à parte, real (TRAZER MAFFESOLI, redes subjacentes), né? – e muito grande. A idéia, então, ;e que o RS seja também um pólo mundial de desenvolvimento de SL. Só que, claro, estas trÊs fases não são estanques, no meio co caminho, por exemplo, XX saindo da fase de divulgação, a gente já usa o SL em algumas coisas, nós já estamos na segunda fase e já estamos na terceira. O Direto já faz parte de uma estratégia d terceira fase que seria no final do Governo – que a gente dividiu isso para terminar com a gestão do Governo, né? Não que o movimento termine, mas a gente fez um planejamento que conseguisse pelo menos evitar, independente se tiver ou não reeleição deste Governo, né? Se a gente continuar, a coisa só vai aumentar a nossa contribuição para a sociedade. Se terminar este Governo e não tiver reeleição, então, paciência. Aí a gente vê o que dá para fazer.

P – Mesmo que haja... R – Ë, vai dar mais dificuldade para as pessoas que estão fora do Governo, né? Mas aí a gente já cria a cultura, porque, por exemplo, na parte – isso são as fases – aí o que são os projetos que a gente está desenvolvendo em paralelo? Um: laboratório integrador – então – claro, hoje nós temos laboratórios da Procergs lá no Centro De treinamento – no Ctre. E tem laboratórios em universidades, empresas. Agora, nós vamos fazer a interligação desses laboratórios para trocar experiência, conhecimento. Isso se não tiver, se a gente perder o governo, claro vai ter mais dificuldade, mas vai continuar existindo para quem quiser, é claro, não depende do Governo. A outra fase, quer dizer, o outro projeto, é o consorcio editorial que já são dois títulos, num curto espaço de tempo nós já lançamos este caderno e este livro. Então, o que é o consórcio editorial? Existem muitos softwares, por exemplo, estou te dando aqui (um kit do movimento) deve ter mais de seis mil softwares aqui dentro. São seis CDs ou oito, não me lembro, mas é um monte. Então só de coletado aqui tem mais de seis mil softwares. Isso aí se você fosse pagar da Microsoft seria 40 a 50 mil reais. Tem muito software caros ainda e esse é livre ou são open source – códigos abertos. São grátis, mas não são livre, porque aí você vai ver a diferença entre o que é grátis e o que é livre, né? O Star Office, da Sun, ele é igual ao Office da Microsoft, ele é de graça, então qualquer um pode pegar na Internet ou pegar o CD, copiar. Tu podes usar, é teu, o equivalente da Microsoft, tu pagarias três mil reais – por tudo que tem dentro – mas ele não é livre e nem é open Source, porque o código não está aberto e nem pode reproduzir, fazer o que quiser. Tu podes pegar para ti, instalar em 200 maquinas, com o teu CD. Então, essas variações tu vais começar a entender quando começar a ler a diferença entre ser um free software, software livre ou software aberto, open source, e grátis. São coisas completamente diferentes.

P- São feita muitas confusões? R – A ZH aqui conseguiu entender, então tem um caderno, por exemplo, tu nunca vais usar Linux, tu vais chamar sempre GNU-Linux. Por que na verdade o Linux em si, ele cabe em um disquetezinho, é menos que um disquete, é só um código, um programa, só. O linux que a gente conhece popularmente, que tem tudo isso que a gente vê é um conjunto de ferramentas que dá mais que um CD, ele foi popularizado com o nome Linux, mas na realidade é GNU-Linux. São todas ferramentas da GNU- que é este movimento da Free Software Foundation que tu vais ver aqui do Stalman. Já existem ferramentas da FSF que coordena este movimento GNU ou Movimento Free Software. Tema a fundação que organiza o movimento que é este Movimento de Software Livre, que também é conhecido como GNU. Ta, porque para nós a gente não consegue associar a mesma coisa, mas em termos de softwares a gente sempre respeita: GNU-Linux. Porque, na realidade, é fazer justiça aos milhares que fizeram o software, porque não realidade é o seguinte: quando o cara que fez o Linux, o Linus Torvals, quando ele escreveu o código, ele disse assim: “eu tenho um negócio”, por que o que faz o Linux do Linus Torvals? Ele diz assim, tu colas o Linux na tomada e ele diz: tu tens um teclado, tu tens um mouse, um monitor – é isso que tu tens. O resto não tem mais nada, editor de texto, calendário, relógio, o que tu quiseres, um software para aplicação gráfica, tudo o mais ele não tem. Quem escreveu foi a FSF, as pessoas que estão ligadas a FSF, ao movimento GNU. Por isso que a gente chama GNU-Linux, que é a fusão dos dois. Aí os caras d0o GNU viram: “Pô, este negócio que o cara escreveu, se a gente juntar com o nosso vai ficar um pacote interessante, né?” E ficou tão interessante que espalhou pelo mundo é esse XX . É muito bom. Por quê? Porque não soltava exatamente só quilo que conversasse com a maquina física, hardware.

P – e no fórum, como foi isso? R – O evento foi planejado há um ano para ser o ápice desta primeira fase de divulgação da existência do SL. Então, era um momento de concentração de forças, de debate, a gente não fez um evento feira. Não teve feira neste evento, não teve um estande para vender nada, foi só um evento filosófico mesmo. A gente botou mais de duas mil pessoas lá na Reitoria, com todos os eventos que estão em paralelo.

P- Brasil todo? R – Brasil todo. No site e no material que Patrícia vai lhe passar tem todas as entidades do mundo que participaram, as entidades brasileiras, os palestrantes. Foi uma loucura mesmo, um troço muito interessante, e o evento serviu para quê? Para – primeiro – concentrar tudo que nós já tínhamos feito: o caderno, o livro, nós transmitimos pela Internet em tempo real, estamos digitalizando isso para gerar um CD, a gente já viu que vai dar mais de 10 CDs do evento todo só de vide o e áudio. Transmitimos na Internet rápida, a I2 que não tem no Brasil todo, ma tem nas regiões metropolitanas. São em altíssimas velocidade, quase tempo real, mesmo para vídeo-conferência, transmitimos através dela também. E foi isso, no evento a gente lançou várias coisas, teve assinatura de convênio para fazer uma fábrica de SL aqui, é um consórcio de fábricas, de empresas, são sete empresas que a gente vai licitar agora para o Brasil inteiro. Vão disputar, né, para desenvolver projeto de SL. Vai ser uma porrada de coisas. Mas agora é esta segunda fase, a do uso intensivo. Mas o evento é isso. Foi um evento que trouxe gente do Brasil inteiro e do mundo todo. As principais figuras foi o Stalman, o presidente da FSF, a Free Software Foundation e as outras principais estrelas internacionais foi o pessoal da rede Escolar que é uma das maiores experiências do uso massivo de SL – que é o pessoal do Ministério da Educação do México, que está informatizando 22 mil escolas, em torno de um milhão de equipamentos, de máquinas só com SL.

P – Vocês têm contato com o pessoal da França, sobre o projeto de lei... R – Não, nós tentamos, mas não conseguimos. Mas aquele projeto é bem mais limitado que o nosso, né? Mas a gente até está tentando trazer os caras aqui. Vai ter um seminário agora na Câmara Federal, aprovado pela Comissão de Ciência e Tecnologia, é um seminário oficial que o Walter Pinheiro lá da Bahia, ele é da comissão, solicitou e os caras bancaram, onde a Procergs vai estar junto. Estará por trás ajudando como Governo do Estado que a gente vai tentar que o pessoal da França, o senador que esta à frente. São que assim, existem, tem também as características da Franca. A França tem uma organização Federativa diferente e tem uma cultura em relação ao software diferente. Lá não existe estado regional, Governo do Estado, poder estadual como o nosso, a República Federativa é diferente. Lá o que a Assembléia Nacional definirá o que a Assembléia Nacional definir, o Senado é lei em qualquer lugar. A questão do Software Livre também é diferente – que é a história da França - a cultura antianglo-saxão, a língua inglesa e a cultura inglesa de uma forma geral é muito maior. Então, a cultura pré-software alternativo, software livre de preferência é maior. Tanto que a própria direita francesa, o governo Francês repudia a Microsoft em função das ligações da Microsoft com as agencias de espionagens americanas e inglesas, que é chamada a rede Echelon, não sei se você já ouviu falar. Echelon é uma rede que surgiu na 2ª Guerra Mundial e com a Guerra Fria, a União Soviética e tal. Ela cresceu muito com o uso de satélite e de softwares e, depois da Guerra Fria, cresceu mais ainda. Aí não mais tanto em relação a questões políticas, mas em relação à questão econômica, né? Ao poder econômico, então muitas licitações que os europeus entram, se não for europeu inglês, geralmente perde. Porque é uma rede que envolve os EUA e todos os paises de língua inglesa que a cabeça maior é a Inglaterra, porque existe muita contrariedade dentro dos EUA contra esta rede e eles usam principalmente windows. Então, como o código fonte do Windows é fechado, foi já detectado que é fechado para o usuário, para as empresas, mas é aberto para as agências de inteligência americanas. Então, você estando interligado numa rede e esta rede tendo alguma forma de acesso externo, tem como entrar nesta rede. Então, tu não precisas mais espionar mandando um espião físico, espiona via Internet ou voa redes locais. Existe uma porta - que é como a gente chama lá no Windows - aberta para a principal agência de espionagem que não é a Cia nem o FBI, é a NSA – National Security Agency. É pior do que qualquer coisa que tu imaginas, tem mais de 40 XXX – é um escândalo. E os caras controlam. Tanto que a globo andou anunciando há algum tempo tanto na Globo News quanto na Globo aberta uma reportagem. Não sei se tu viste – sobre a NSA e a rede Echelon. E tem o parlamento Europeu que está investigando isso. Então, o que isso tem a ver com o Software Livre? Tudo. Porque na verdade o Echelon e a NSA usam das portas do Windows para fazer espionagem mesmo. E o governo francês para combater isso porque eles perderam uma licitação de aviões nos paises árabes, perderam o Sivam na Amazônia e através da espionagem americana eles detonaram, e agora a Reiton americana ganhou. Há um tempo foi aquele escândalo das antenas - foi esse Echelon. Então, em cima de todas essas licitações que os europeus têm perdido, eles se revoltaram e estão fazendo um movimento anti-Echelon e, conseqüentemente, para ser anti-Echelon, tu vais ter que fechar tuas portas de espionagem e como as pares são usadas através do Windows, tu tens que fechar o Windows. Mas tu não tens como fechar o Windows, porque ele já é fechado para ti e aberto para eles, então tu tens que ter um software que seja aberto para ti e que possas fechar o windows, né, o sistema operacional. Então, o único software que te permite fechar é um que seja aberto. É a contradição, ele tem que ser aberto para ti para que tu possas fechar o que quiseres e aí tu fechas.

P- A questão da segurança em rede, como fica com os SLs? R – Eu não vou dizer o que nós pensamos, direi o que as Forcas Armadas Americanas pensam, o que a Agência Nacional de Segurança – a ASN pensa. Eles estão pedindo um orçamento agora no Congresso Americano para fazer uma implementação mais segura ainda do GNU-Linux – então eles usam o GNU-Linux e agora querem ter grana para desenvolver softwares para dar mais segurança do que já tem, porque hoje as principais ferramentas de segurança são da plataforma Linux. Estão, por exemplo, aqui no VIA, tu conheceste, começou com o Free DST, que é um clone do Unix, que é um clone do Linux. Então é a mesma coisa, né? É o mesmo estilo, comando, é tudo igual só tem variação em função do uso, então eu uso para servidor de web, então ele tem outras aplicações, tem outras funcionalidades, mas é a mesma coisa. Então, a questão da segurança é que as Forças Armadas Americanas usam GNU-Linux. Tem coisa que ainda não pode colocar no seu trabalho, mas que a gente está trabalhando nas internas, por exemplo, o Comando Militar do Exercito, estamos no contato através do Comando Militar do Sul, e os caras vão adotar o Direto porque é mais seguro. Primeiro porque é o custo que reduz, principalmente pela segurança. Que segurança, por exemplo, tem o Notes? Não te dá a segurança que o nosso produto vai ter. Nós vamos ter chave criptográfica feita com SL. Então, em vez de tu pagares 100, 200 mil reais para gerares a chave de criptografia que seria a tua forma de ter segurança, né? Nos Estados Unidos nós temos softwares que vão gerar as chaves de criptografia aqui ou em qualquer lugar que queira, né, fora e é livre. Então, o Exercito vai poder gerar a sua chave criptográfica, vaio ter a sua segurança de rede, né? Vai ter muito mais, como nós vamos ter no Governo do Estado. Claro, tu vais dizer, software proprietário até te dá isso. Até te dá, só que primeiro tu vais pagar muito caro por isso, segundo tu não sabes o que tem dentro da maquina. Então, é aquela historia, tu nunca põe para dentro de casa, tu nunca vai por para dentro de casa uma televisão que não tenha confiança que aquilo funcione,que não vai explodir a tua casa. Tu vais colocar uma coisa que conheça o que tem lá dentro, tu podes não entender o que tem lá dentro, da;i tu contratas alguém para olhar, mas tu sabes o que tem lá dentro em tese, tu tens noção. O computador é a única coisa que tu colocas dentro da tua casa e tu abre a tua casa para o mundo e tu não sabes o que tem lá dentro. A não ser que seja software livre. Se tiver SL, tu tens como abrir. Tu vais ver aqui um caso, eu vou fazer uma coisa aqui que estava instalando ontem, vou gerar uma segurança para mim.

P – Toda a idéia do Movimento de Software Livre está baseada no que o usuário final terá de possibilidades. O que você acha deste usuário, como será informado para ter este interesse de mexer, alterar? Hoje, ele pega o computador, é uma máquina praticamente fechada, aciona alguns comandos, coloca o mouse em cima e está funcionando. Você está falando de um outro perfil do usuário final. Como você acha que isso se dará? R – Esta é a segunda fase. Aí nós vamos falar do movimento mais internacional. Só para te mostrar, isso aqui seu estou abrindo o código de todas as minhas portas, as que meu computador tem abertas para o mundo. Olha que moleza para fechar, eu dou, só este, só o cerquinha, na verdade é um recurso que você tem dentro dele que é linguagem C, né? Fechei duas portas. P – Isso porque você está trabalhando com alguns conhecimentos específicos que... R – Sim, que eu tenho.

P – Que você tem e alguns conhecimentos específicos que qualquer pessoa com interesse possa vir a ter. Então, o que te diz que estas pessoas venham a ter interesse em fazer isso? R – Estou fechando. Ninguém mais entra em minha máquina, entendeu? De lugar nenhum. Só se eu permitir, mas não tem como entrar, eu estou seguro, da minha maquina para cá, pode a empresa não estar segura.

P – Porque quando eu trabalhei na VIA, por exemplo, a gente tinha muito esta questão do usuário que chega e: “Ah, com o cara entrou em minha máquina? – como obteve esta ou aquela informação?” E toda a explicação de configuração de programas (você abra tal e tal), os tutoriais, o be-a-bá da tecnologia? R – Esta é a fase que está agora, era isso que eu ia te dizer. Em nível mundial o que se tem? Como o Software Livre é uma conjunção de pessoas, ONGs, empresas e governo, é uma soma de tudo isso, e universidades. Ah, até o ano passado, ano retrasado, não tinha muita preocupação essa com o usuário final e leigo. Desde uns dois anos para cá a preocupação é exatamente esta. Então, hoje, no Brasil tem a Conectiva. Conectiva Linux, não sei se você já ouviu falar – que edita esta revista aqui – tu vais ver aqui. Eles fizeram uma versão agora do GNU-Linux, é a versão deles, né? Que é exatamente para o usuário final.Tu colocas o CD na maquina e sai fazendo, ele faz como o Windows. Faz até melhor do que o Windows, porque reconhece mais componentes de hardware, ele te pergunta menos coisas e se um usuário caseiro tiver que instalar o Windows e se tiver que instalar o Linux, hoje é mais fácil instalar o Linux. Se pegar o conectiva do Linux, por exemplo, se tu pegares o usuário comum, se ele tiver que pegar uma máquina zerada colocar o Windows e se tiver que botar o Linux, o Linux hoje te pergunta menos coisas para tu fazeres do que o Windows.

P – Sim, mas ele já compra o computado com o Windows. R – Aí vem uma segunda área, vem a outra questão, o seguinte: as grandes empresas, as grandes empresas internacionais já estão acordando que elas podem vender computador mais barato se venderem com o Linux dentro. Elas já estão disponibilizando, a Dell aqui tem isso; tu queres ter uma máquina com Windows, tu vais pagar 150, 200 pilas a mais; tu queres com Linux eles já instalam para ti.

P – Sem qualquer problema de plataforma? R – Não, inclusive o Linux tem muito mais plataformas, plataforma de hardware, ele é mais confortável com muito mais plataformas que o Windows. O Windows hoje está descontinuando plataformas de vários perfis de hardwares que eles já não fazem mais, eles não dão suporte, e nós damos. Então a gente data a IBM, INTEL, RD, Macintosh, tem Macintosh, alpha, hp solar, tudo que você imagina nós temos

P – vocês se preocupam com a postura passiva do usuário inerte perante o computador ?

R – a gente não se preocupa no caso do movimento software livre, você vai ver no texto do Stalman não há uma preocupação de que o usuário saia mexendo na máquina, mas se ele quiser mexer, ele tem essa possibilidade. Então, o que as empresas que ganham dinheiro com o software livre – porque o software livre não é tão contrário a que pessoas ganhem dinheiro, a gente é contrário a que pessoas se apossem do conhecimento que não é de um só. É que nem a questão da matemática – que é o mais perto que tem a ver com a nossa área -, então, tu imaginas se todo conhecimento matemático fosse, cada vez que alguém descobrisse uma nova fórmula matemática registrasse uma licença, como windows, e cobrasse. Então até hoje nós estaríamos pagando a Pitágoras, Newton, Aristóteles, qualquer coisa que qualquer filósofo ou matemático inventou nós estaríamos pagando para seus descendentes. Imagem a careza que ia ser... não existe isso. Na realidade é o seguinte: conhecimento é conhecimento, é da humanidade. Ele não chegou a inventar uma fórmula porque é um grande gênio, foi porque alguém antes pensou algumas coisas que ele ou utilizou como reforço, como base, ou rejeitou aquilo. Mas rejeitando ele estava comparando para gerar uma idéia nova. E o software é a mesma coisa, o software no início – tu vais ver ali no livro também – o software era algo livre, quer dizer, não existia nem o termo “livre”, o software em essência era livre, depois que começou a existir a patente, a licença foi que ele foi se tornando um negócio. Tanto que o que é que o Bill Gates faz? Ele não inventa nada novo. Ele pega um padrão que existe e az uma adaptação, ele faz uma roupagem dele e cria um padrão específico da Microsoft, por quê? Porque, primeiro ele justifica patentear; segundo ele cria um domínio, porque na medida que ele começou dando software, que aí a ente ala de novo: o fato de ser grátis não quer dizer que seja bom. Ou não é bom ou pode ser bom em um momento,mas ele está te prendendo para o futuro. Então, o fato da Microsoft tomar conta do mercado mundial acabou criando as amarras. Mesmo a Microsoft usando padrões internacionais que qualquer um poderia usar, criou padrões seus e ao criar padrões seus vinculou todo mundo aquele padrão. Então t começas a te amarrar. O Office tu só rodas no windows, mas poderia rodar no linux – só que eles não querem. Nós não temos a preocupação que o usuário final use todo potencial do software livre, mas se ele quiser usar vai estar disponível. Agora, a gente quer que cada vez mais o software livre seja amigável e para isso tem muitos projetos internacionais. Tanto que – isto aqui é uma interface – eu estou copiando o McIntosh?, eu gosto do mac, mas eu não tenho mac aqui, aí o que eles fizeram ? eu tenho a carinha do MacIntosh? e todo o funcionamento como se fosse o MacIntosh?.

P – E você mesmo se engana?

R – É, tu te enganas, eu tenho a ilusão, tenho a satisfação, eu não tenho mac mas tenho a sua forma de funcionamento. É esta aqui toda a arte do macaqqua, como cama, com GNU-linux. Mas isto é uma das interfaces, agora tu não queres esta interface, ta, o usuário não gostou da interface. Oh, to rebutando o modo gráfico, olha a agilidade que é o negócio, estou desligando tudo mas continua o linux. Eu poderia fazer isto aqui automático, mas deixo assim porque aço outras coisas na máquina, mas isto aqui tudo é automático para o usuário. Oh, entrei na outra interace, windwmaker, essa aqui foi um gaúcho que fez, Alfredo Cogina. Isso aqui olha só o que eu vou fazer, normal né? Primeiro não estou xxxxxx porque ali, está parado, já no windows não teria isto, mas ou fazer melhor, fiquei só com um pedaço do menu que eu queria e aí vamos botas qualquer coisa né? Isso aqui são artistas pelo mundo, os caras fazem isto aqui. Isso aqui e a união dos três Unix, que é o FreeBST?, o GNU-Linux, o PHP solar, alguma coisa assim, mas aí ta tu não gostas disso, daí vamos dar um salvador dali aqui. Bom, mas tu não gostas nem disso, eu vou alterar para que? Eu vou botar windows 95, não é o caso, este aqui é outro windows. Eu saí daquele windows que era do gaúcho aquele e estou em outro windows, ta mas não quero este também. Sem problemas.

P – vocês consideram esta visão revolucionário dentro da informática, essa que foi criada como uma ferramenta de controle? Você chamaria estas pessoas de cyberpunk?

R – o que é um cyberpunk? Qual o seu conceito de cyberpunk?

P – e qual é o seu?

R – eu não tenho nenhum.

P – seriam os crackers, os hackers, os freakers...

R – ah, essa discussão nós temos, nesse texto você vai encontrar essa discussão. Essa nos interessa. Nós nos consideramos hackers.

P – são as pessoas que possuem uma visão de...

R – ah, entendi. Se for esta idéia sim. O que é? Você vai ver que o Stalman coloca isto. Ele coloca o seguinte: a partir de um determinado momento quando a internet se popularizou, a mídia em geral associou algumas atitudes de intrusão, de invasão, de detonação, de páginas com o termo hacker. A comunidade software livre não aceita isto, porque hacker, no sentido original da palavra é o escovador de bit, e a pessoa que gosta de programar, que gosta de futricar. Mas futricar para a comunidade, não para destruir alguma coisa, não para ganhar dinheiro em cima desse tipo de pirataria, para pegar cartão de crédito, isso é babaquice né? Então isso que aí tem o termo de cracker, então qualquer outro termo menos hacker. Hacker a ente não aceita. Agora, nem todas as pessoas do mundo livre são hackers, o que hacker é? Para a pessoa se considerar um hacker, ele tem que ser muito bom. Mas não tem aquela coisa: “oh !”. agora o hacker pode ser qualquer pessoa, por exemplo, eu posso não entender muito de técnica, mas eu tenho noção de mídia, de sacação, de divulgação, montar boletim, montar jornal de divulgação. Então, o meu negocio não é desenvolver, o meu negócio é divulgar, então – pô – tu é um hacker do movimento. Não no sentido lá da origem da palavra de “escovador de bit”.

P – Então, este conceito cyberpunk, que está sendo utilizado no meio acadêmico apara as pessoas que têm essa visão mais ‘libertária’da tecnologia. Eu, particularmente, não considero um bom termo. R – É, porque o termo punk está associado a um outro movimento, né? E é um movimento que não tem nada a ver, é de contestação – interessante – mas, digamos assim, ele é “só” contestação, né, quando os punks surgiram. Ele não cria, não cria no sentido assim – ele cria uma comunidade em trono dele, um estereotipo de visual. Música, arte, mas é isso. Nós não, o movimento de software livre e os hackers que estão nele - é um movimento super propositivo. No sentido assim, nos temos, nos botamos em prática aquilo que a gente acha correta e o que a gente acha correto, a gente disponibiliza para todos e que todos usufruam disso. É o que tu vais ver aqui. Ele é de reconstruir uma comunidade antiga, porque na verdade este pessoal que veio do SL é o pessoal que veio do movimento hippie da década de 60, de 70, antivietnã. A tentativa deles, eles tentaram recriar uma comunidade livre, realmente no tempo dos hippies, só que adequada ao novo tempo. Então, e no caso naquilo que eles gostam que seja a tecnologia que a gente esta envolvido. Então como é que tu recrias uma comunidade que envolva tecnologia, mas com aquele espírito de liberdade, de igualdade, de visão comunitária, de compartilhamento – a aí então foi surgindo. Os caras são gênios, são mais que o PT, né? O Stalman em si, ele é anarquista, anarquista, anarquista. Não, ele é genial, o cara. Só que ele não acreditou que tivesse um governo de esquerda aqui e um governo com a visão que a gente tem. Porque a esquerda nos Estado Unidos, na Europa é completamente diferente. Ele ficou assim, de cara, pô, de cara, ele adorou. A gente foi com o Olívio, ele gostou muito do Olívio. A patrícia tem as fotos, você pode pegar. Mas ele é anarquista mesmo, mas é um anarquismo construtivo, não é aquele anarquismo babaca que: “olha aqui, vão colocar a porra”. É anarquista na concepção, sabe, ele não precisa estar com a bandeira com o A, não, ele vai na prática.

P – E você se considera o quê? R – Eu já sou outra corrente, né? Eu sou trotsko, trotskista, é outro grupo. Mas para nós não faz diferença tanto que a esquerda original sempre conseguiu trabalhar bem com o anarquismo. Tanto Lênin, o Trotsky, na época da revolução russa, antes de dar a descambada geral, eles já tinham – na discussão com os anarquistas russos – programadas já várias regiões da Rússia onde o anarquismo era forte para se transformarem em repúblicas autônomas e eles implantarem o anarquismo como queriam lá, com a comunidade que topava fazer aquilo. Só que aí degringolou, Lênin morreu, Stalin tomou conta e foi aquela zona generalizada, e aí fudeu todo mundo, né? Morreu Trotsky, morreu todo mundo.

P – e na rede como você se considera?

R – eu na me rotulo de nada. É que é difícil, né? Aí que está, Stalman, por exemplo, ele é anarquista mas não se autotitula, ele é. Conversando, ele te diz: não, sou anarquista. Ele Poe na prática a filosofia. A linha nossa é essa, é todo mundo assim.nós temos uma frente única, digamos assim, anarquista, trotsko ou democrata, qualquer um, ou burguês mesmo que tenha alguma afinidade com a filosofia. Vamos defender isso né? A gente tem pontos em comum, a gente caminha juntos, onde tem diferenças a gente se separa, paciência. Que nem ele diz: a diferença entre o open source e free software: o open source é provavelmente a maioria, o que hoje é conhecido como movimento software livre, aliás, são milhões de pessoas que usam o gnu-linux hoje no mundo, desses milhões, a minoria é do free software, o movimento mais radical. A grande maioria é open source, ela tem essa visão mais ampla, o negócio, não diferencia muito, não em esta maldade, por exemplo, em relação as grandes empresas. A IBM está entrando em nosso mundo, mas não quer dizer que ela está entrando para deixá-lo mais livre, ela está para usar o conhecimento, usar a plataforma que já está distribuída no mundo, para botar os produtos dela e fechar assim que puder. Porque na medida que ela vai colocando os produtos da IBM, vai indo junto a licença dela – é um troço completamente desgraçado. Ao mesmo tempo em que para nós a IBM venha porque reforça a nossa filosofia, ao mesmo tempo a gente tem que ter a noção que ela visa, que ela vai nos acabar nos fudendo, como a Microsoft acabou. Isso quem diz é o Stalman, não sou eu, os outros não viram, eles não tem essa visão. Mas, por exemplo, nós temos então, a gente reforça a free software foundation, a gente reforça porque a gente quer que este movimento se fortaleça.

P – Com esta visão... R- e não com a outra visão, mas nos não descartamos quem defende a outra visão, entendeu? A gente trabalhava em harmonia, mas só que nos trabalhávamos com a noção de limite. O pessoal que é open source ele é limitado. Ele vai a te um determinado ponto – pra a gente – depois nós vamos sozinhos, mas nós vamos sozinhos, não tem problema.

P – uma das características dos hackers que são contratados pela empresas é a super exposição na mídia. Então, o que se ressalta é que essas pessoas não têm uma filosofia, eles têm é o conhecimento técnico que pode estar vinculado ao dinheiro. R – uns não vão quere nem dinheiro.

P- Querem só renome? R – Isso. O que ‘Stalman diz, o pessoal do open source diz o seguinte: que nesta disputa é º..ego, né? Que é prestigiar o ego. E Stalman diz: “não, existe gente assim", claro é obvio, né? Está cheio. As pessoas vão dizer: “o ‘meu’programa é o programa mais usado no mundo”. Os caras querem renome, ter a maior quantidade de usuários pó um determinado software. Nós já pensamos diferente. O seguinte: a gente quer ter o maior numero de pessoas livres que tenham um software que lê pode não ser o mais usado, mas ele é o mais livre, que tu possa alterar, modificar, fazer o que tu quiseres. Porque tu fazendo o software mais usado no mundo, mas que tu não tens liberdade sobre ele, tu não tem função nenhuma, entendeu? Um dia tu ou a empresa que tu trabalhas ou teus filhos, alguém vai colocar no conjunto das pessoas que usam aquele software que é ‘teu’e, por exemplo, ninguém tem liberdade. A tua liberdade cada vez vai sendo mais restrita. É difícil de falar desta forma – e não consigo me expressas, mas tu l6es isso aqui que tu vais babar, o cara é genial, o cara é massa e é...é bem isso que a gente quer trabalhar.

P – na formação desta cultura? R – É.

P – Com uma filosofia que seria muito mais importante...como você considera isso? A cultura, a filosofia, o conhecimento técnico... R – Não, é a cultura e a filosofia que são superiores a questão técnica. Tanto que no final do evento ele termina assim: o evento foi super serio, tu vais ver depois que assistir a palestra. deve estar na próxima revista, não nessa seguinte. a seguinte vem com a cobertura do evento, será tri boa para ti. aí na próxima, na de julho vai vir com o cd que nós estamos mandando com a palestra do Stalman, aí tu vais ver tudo o que ele pensa e o pessoal está legendando ela agora, ta? Mas igual no inglês tu vais te defender legal e vais vê, não tem problema, que é basicamente este caderno, o que lê falou é o que está aqui, só com algumas coisas a mais. Mas tu vai ver, a palestra dele inteira ele é serio pra caramba e tal, mas é irônico e a gente ri bastante também. Aí no final ele se veste de santo...ele faz uma sacanagem anarquista. Ele põe – tem os padres com as roupinhas brancas – ele Poe uma túnica preta,né? E aí ele diz: “bom, eu sou o santo gnus”. Ele tem o movimento GNU, como as pessoas eu não gosto muito disso, né, por que ele é ateu – “eu sou ateu X, mas como as pessoas têm uma relação com a religião muito forte e à vezes para entender certos conceitos que a gente faz. É bom a gente fazer relações com a religiosidade das pessoas, né? Bom, já que é assim, botou a túnica preta dele, botou uma puta de um disco antigo, lá de um micro, de um computador de grande porte. Então, eu vou agora me vestir de santo E-Gnusius e vou dizer então já que nós somos uma igreja, pensar que nós somos uma igreja e como qualquer igreja aqui a gente tem as nossas regras, Nós não temos deus porque nós somos contra deus, mas nos temos santos e para ser um santo, então tu vai ter que, tu vais ter que penar. E a primeira coisa que tu vais ter que abrir mão não é de certas regalias que o mundo do software convencional te dá, então . Realmente o SL é fruto do trabalho do tempo livre ou do horário de folga do domingo de algum horário que tu tenhas e de pessoas que tenham, que se doaram para aquilo. Dificilmente uma empresa doe alguma coisa. Nós estamos fazendo o Direto que será já na filosofia, então nós vamos botar algumas coisas que realmente vai ser livre e surgiu de uma empresa. Então, nos vamos colocar para u mundo, vai ser grátis, vai ser não sei o que , quem quiser o suporte vai pagar, né? Como qualquer coisa, como ele diz, o trabalho humano tem que ser remunerado, não a apropriação da idéia que não é tua. Então, se teve gente trabalhando até os funcionários do Direto estão ganhando para isso. Quando um trabalhador for lá ensinar uma empresa a fazer alguma coisa, esta empresa vai pagar para a Procergs, porque nós vamos pagar os trabalhadores que vão lá trabalhar. Mas, agora, se ela quiser o software vai estar no VIA de graça, vai ta lindo, como escala, tudo. Vai ter o código fonte se ele quiser alterar, mudar, botar a logomarca da empresa dele e não a do VIA ou a Procergs, pode botar. É livre. Mas, então, voltando, né, às comodidades: “Então, quem quiser na nossa igreja do SL vai ter que abrir mao de algumas comodidades que o software convencional tem. Realmente alguns softwares nossos são feios, alguns não fazem tudo o que o software convencional faz- e não fazem – mas este é o preço que a gente paga para ser livre, para tu teres um software que é teu, que é da comunidade. Então, melhora aquele teu software, né? Em vez de tu ficar usando uma merda que tu ta gastando dia e noite dinheiro dia e noite, tu poderias estar alimentando as pessoas, desenvolvendo políticas publicas, saneamento...”

P – E rebutando a sua máquina a cada momento... R – É, sem contar isso, né? Que aí vem a consciência técnica que tu viu, né? Eu troquei de windows três vezes já e continua bem.

P – e a tua formação? R – Aí nesta parte se tu fores colocar no trabalho eu preferia que tu pegasses os diretores – eu não – o Marcelo, por exemplo, o Marcelo é o nosso maior...é o vice-presidente.

P – Marcelo Branco? R – Branco, é. O Marcelo que estava ali. Eu Não gosto de botar meu nome.

P – Não é propriamente colocar o seu nome no trabalho, é a sua formação mesmo. R – eu sou técnico, sou técnico.

P – Tipo formação acadêmica. R – Nível superior incompleto.

P – É Mesmo? E nível superior incompleto em? R – Nada a ver, em História.

P – E como você se aproximou disso? R – É que eu trabalho na área. Na área tem muito disso, né? No Via, tu sabes, tem pessoas que ou tem formação específica na área ou às vezes não tem nada a ver com a área, mas tem...é aquela história de uso do cérebro, né? Tu gostas de varais coisas ao mesmo tempo, né? Eu estou há uns 15 anos, 20 anos na área – 16 anos na área de informática. Só que eu não sou daqui, sou do Serpro e lá no Serpro são técnicos em informática. A minha atividade era a atividade comum: compilação de software, área de suporte, assistência técnica, qualquer coisa. Essas coisas triviais, né? Mas o interesse no SL foi por causa da filosofia. Quando eu li o primeiro artigo, eu chorei quando li este troço aqui, eu li em espanhol este louco aqui. Eu disse: “porra, que genial. Ah, mas é isso aí, é isso aí que tem que ser.”

P – Isso faz quanto tempo? R – Faz tempo, uns doía nos. Foi bem quando começou a se tornar popular o Linux, porque aí juntou, na realidade, é o seguinte: eu comecei a ouvir falar de Linux, já existia com o pessoal da Conectiva do Paraná, mas era isso só no Paraná, né? Mas começou a sair em alguns jornais, revistas, e eu disse: Pô, isso aqui é interessante”. Aí comecei a entra na Internet para pesquisar sobre Linux, aí encontrei Linux e fui indo, né? Achei Linux, daí achei o open source, daí o Open Source disse: Bah, legal, mas vou continuar a pesquisar”. Daí achei a Free Software Foundation e disse: Pô, mas é aqui que é o troço”. Aí comecei a ler mais e disse: “Pô, mais tá aqui”. Porque eu sempre achar a origem do Linux ou dos softwares livres já, e achei na Free Software Foundation. Aí, com isso aí coincidiu, isso foi antes do Governo Olívio. Aí quando conseguimos o Governo Olívio, O Marcelo Branco é da Embratel, trabalhava na Procempa, o Mazzoni trabalhava na Procempa, eles já defendiam isso. Eles defendiam? Há anos que a gente vêm lutando no Brasil pelos padrões abertos – com ao gente chama, né? – então em termo de hardware e de software. E coincidimos, eles estavam aqui, já tinham esta visão, né? E tinham agora um produto, uma mídia, um serviço, um software que era o GNU-Linux, né. Mas não era só isso, aí a gente foi ver que era, são milhares de softwares, então ao gente começou a trocar e-mail e a Procergs chamou uma reunião. Disse: “Ah, vamos reunir pra ver”. Aí dissemos: nós vamos chamar uma reunião com todo mundo. Como tu vais ver neste texto aqui. Ah, a idéia é boa, mas não pode ser só nos, tem que ser todo mundo, porque tu tens que mudar a cultura da sociedade. Então, vamos chamar Universidade, empresas, todo mundo, e pessoas. E aí fizemos a Primeira reunião em julho do ano passado que deu 46 pessoas, né? – que eram só representantes mesmo. A ideais não era ter massa, mas era um numero significativo e desses 46 surgiu o projeto. E aí, um ano depois, eu vim para cá em fevereiro, nos estamos conversando desde janeiro de 99, logo depois da posse. Tomaram posse e a gente já começou a trocar e-mail.

P – e você trabalha no serpro? R - No Serpro, por quê? Eu estou no Serpro, tem gente da Procempa, do .... quer dizer, o movimento é maior né? Mas então eles convidaram: tu estás trabalhando lá, a ente lá também tem um movimento de SL, tem um monte de coisa, mas é governo federal né? Aí, eles disseram: tu não queres trabalhar aqui pelo menos por um período? Daí, tudo bem, acabei vindo, né? Financeiramente pra mim não foi vantagem, porque eu ganhe menos do que eu ganho lá, porque perdi as gratificações que tenho como função técnica. E aqui aí não sou cargo de confiança, eu não sou nada. Mas eu ganhei e termos de ... eu to ajudando mais a comunidade e a nós mesmos, to ganhando um conhecimento para mim né? E fazendo com mais liberdade de ação, porque lá eu estava muito limitado aos horários.

P – mérito?

R – mas o grande mérito mesmo é da diretoria, porque a diretoria é que viu isso, né? E abriu espaço. Então, Mazzoni, Marcelo, Clarice.

P – vou ver se consigo falar com Marcelo, mas aí você me fornece mais algumas dicas

R – não, eu – digamos – eu te dou a origem, mas aí o lance é com eles, daí eles têm a agilidade do Estado – claro eu tenho também – mas é mais interessante para o ponto de vista do teu trabalho falar com estas pessoas – elas é que vão estar na origem ...

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Confira a Tese de Carla Schwinge sobre o assunto:

comunicacaoecriacaonainternet_Carla_S.pdf:

-- MarioTeza - 17 Sep 2004

Topic revision: r1 - 17 Sep 2004 - 20:04:23 - MarioTeza
 
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