O papel da comunidade no ecossistema do software livre
Mario Teza
Cada uno da lo que recibe
y luego recibe lo que da
nada es más simples
no hay otra norma
nada se pierde
todo se transforma
(Todo se transforma - Jorge Drexler)
A Investigacion Sobre Software Libre en América Latina y el Caribe (3) lança luz sobre a principal protagonista no Ecossistema do Software Livre, a Comunidade. Ao definir aprofundar o conhecimento nesta figura quase sem forma, a investigacion contribui para o avanço na compreensão deste fenômeno que intriga Universidades, Grande Corporações e a mídia tradicional. Quem é, por que se move, para onde vai?
1. O papel da comunidade no ecossistema do software ivre
O Ecossistema do Software Livre está em construção. Ainda será merecedor de um estudo mais aprofundado. Agora, nos interessa ressaltar que neste enorme mosaico multicolorido em que a pesquisa científica, empresas privadas, governos, legislações, usuários em geral de TICs, a Comunidade tem papel fundamental. A comunidade ora pesquisada, congrega desenvolvedores(as) e usuários(as) de software livre.
O software livre alimenta-se da sinergia de todos estes entes entre outros. Para auxiliar o raciocínio, imaginemos por um instante a inexistência da Comunidade neste processo. Certamente haveria pesquisa científica, mas quantos a aplicariam? Empresas privadas que vivessem de/para software livre seriam encontradas mas num volume muito menor. Os Governos teriam pouquíssimas soluções livres. O número de usuários em geral seria inexpressivo. Graças a Comunidade software livre, o mundo tem alternativas na área da tecnologia.
2. A vantagem de compartilhar
O filósofo espanhol Javier Bustamante desenvolve uma interessante linha de pesquisa em que tenta elucidar o fenômeno Comunidade Software Livre. Ele trabalha a idéia de convergência entre o dever e o interesse. Sustenta sua visão baseado na:
teoria dos jogos (J. Von Neuman, O. Morgenstern, 1944): modelo de interação humana;
na teoria da escolha racional (T.E.R.) (J. Harsanyi, 1976): entornos paramétricos e estratégicos;
no Dilema do prisioneiro: como justificar a colaboração (Amartya Sen, J. Elsten, D. Porfitt, D. Gauthier) :
No Egoista Esclarecido: o problema da sustentabilidade (A. E. Ben Bela) : o campo de golfe e a favela;
e na idéia que software livre e a ética dos hackers pode ser um novo paradigma ético.
Bustamante explica " a medida que aumenta o número de iterações, cresce também o nível de colaboração entre estratégias:
"Em condições normais, as estartégias egoistas são benéficas no curto prazo, sendo as estratégias colaborativas as ganhadoras a médio e longo prazo." É preciso uma "massa critica" para que uma estratégia colaborativa prospere. A popularização da internet e a acessibilidade global da rede permitiram que o software livre atingisse sua "massa critica"atual.
Segue Bustamante, "para um observador neutro, acaba sendo impossível distinguir uma estratégia genuinamente altruísta de uma colaboração egoísta. É perfeitamente possível que existam diversos pontos de equilíbrio em que a colaboração não é total, mas a população permanece estável. As estratégias colaborativas potencializam a captação de novos colaboradores.
Finalmente, Bustamante elenca as razões comportamentais para o sucesso da estratégia:
Bondade: nunca é a primeira a jogar Trair
Retaliação: joga Trair sempre que o oponente jogar Trair.
Perdoar: tem memória curta ( uma iteração)
Não é Invejosa: não se preocupa em ganhar mais que o oponente, mas sim no valor total.
Clareza: os oponentes entendem rapidamente que para ganhar muitos pontos devem jogar Cooperar.
Robustez: a estratégia é bem sucedida em uma variedade de ambientes.
Estabilidade: nenhuma estratégia pode invadir um ambiente dominado pela estratégia colaborativa (TFT)
Viabilidade: a partir de um pequeno número de jogadores com a estratégia colaborativa (TFT), estes, colaborando uns com os outros, podem dominar o ambiente. (2)
3 . O "Resultado" do Compartilhamento
Em um estudo recente, (Taurian C., 2005) demonstra o quanto custaria um desenvolvimento colaborativo caso fosse baseado no modelo de desenvolvimento tradicional. Os números saltam aos olhos e, talvez, expliquem porque o Mercado de TICs abre-se cada vez mais para a opção software livre. Se filosofia ainda não atraia, as vantagens competitivas que esta opção tecnológica disponibiliza são tentadoras, se não irresistiveis.
"A distribuição livre
RedHat? Linux 7.1 tem mais de 30 milhões de linhas de código e custaria mais de 1 bilhão de dólares para desenvolve-la neessitando de alocar mais de 8.000 desenvolvedores/ano
A distribuição livre Debian GNU/Linux 2.2 tem mais de 55 milhões de linha de código e custaria 1 bilhão e 900 milhões de dólares necessitando a alocação de mais de 14.000 desenvolvedores/ano.
O MS-Windows 2000 tem 35 millhões de linhas de código.
O MS-Windows XP tem 40 milhões de linhas de código." (1)
4. Conclusão
Software livre não é sinônimo de software grátis. A Investigacion vai detalhar esse conceito. Por ora basta-nos termos em conta que o código do software deve ser livre, compartilhado.
Quando da publicação desta Investigacion será noticia nos sites especializados o crescimento do navegador livre para internet, Mozilla Firefox. A cada mês ele morde um pedaço do universo de usuários no mundo. Há poucos anos a empresa detentora do código original, Netscape, acabara de perder a corrida dos navegadores para a Microsoft. Antes que o código do Netscape caisse no esquecimento da história da tecnologia, a empresa decidiu libera-lo para a comunidade software livre. Aqui vale a frase:
"Tudo o que não se dá, se perde." (2)
5. Referências
1.
http://www.its.org.br/subportais/IDO2005/Cezar%20Taurion.pdf
2.
http://portal.softwarelivre.org/downloads/BR%20sustentabilidade,%20teoria%20jogos%20e%20SL%20versao%20Porto%20Alegre.odp
3.
http://www.sulabatsu.com/voces/
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MarioTeza - 26 May 2006