Eleições do Comitê Gestor da Internet no Brasil: Balanço 2004/2007, Compromissos 2007/20010
Mario Teza
Elaborei um balanço do mandato no Comitê Gestor da Internet no Brasil,
juntamente com os colegas Marcelo Fernandes, Carlos Afonso e Gustavo
Gindre, conselheiros eleitos do terceiro setor no mandato que agora
finda.
Informe resumido sobre a atuação do CGI.br na gestão 2004-2007
Cada um dos representantes eleitos do terceiro setor (ONGS) teve
participação destacada nas diversas etapas de desenvolvimento do
CGI.br. Entre as principais iniciativas e atividades do Comitê entre
2004 e 2007, destacamos:
1.Transformar o CGI.br em uma instituição efetivamente pluralista, em
que os membros não governamentais do Conselho são maioria e eleitos
por seus próprios setores de atuação, como está acontecendo agora pela
segunda vez (2004-2007);
2.Concluir o processo de institucionalização, que se arrastava há
muitos anos, com a criação da entidade civil sem fins de lucro NIC.br
(Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR), como gestora
operacional do dominio brasileiro, migrando a administração do
registro da FAPESP para o NIC.br. O terceiro setor tem dois membros no
Conselho de Administração (de sete membros) e um membro no Conselho
Fiscal do NIC.br, garantindo a presença das entidades civis na sua
gestão operacional e administrativa;
3.Desenvolver e consolidar o modelo brasileiro de governança
democrática, pluralista e transparente dos recursos centrais da
infra-estrutura lógica ? números IP e nomes de domínio ? do ccTLD .br,
hoje considerado uma referência mundial de governança em seu campo. Os
domínios brasileiros são geridos pelo CGI.br como um patrimônio da
comunidade e não uma mercadoria, ao contrário de muitos outros países;
4.Presença destacada nos principais fóruns mundiais sobre a Internet,
em estreita colaboração com o Caucus da Sociedade Civil sobre
Governança da Internet (IGC) e a Campanha de Direitos da Comunicação
na Sociedade da Informação (CRIS), bem como apoio crucial para
viabilizar a realização do Fórum Mundial da Governança da Internet
(IGF) no Rio de Janeiro, em novembro de 2007;
5.O CGI.br aprofundou suas atividades no campo da segurança das redes
no país (projeto CERT.br), mantendo seminários de treinamento,
produzindo materiais educativos, ouvindo a sociedade, o governo, as
empresas de telecomunicações, os provedores de Internet, os membros do
Judiciário e Legislativo, para colaborar no combate internacional ao
spam, à pedofilia e às fraudes na Internet. O CGI.br produz e gerencia
trabalhos inovadores nesta área, bem como propostas de legislação,
contribuindo fortemente para que o Brasil se destaque em grupos de
desenvolvimento de tecnologias e ações de combate a fraudes na rede no
país e no exterior;
6.O CGI.br consolidou sua infra-estrutura, com a aquisição das
dependências onde funcionam o comitê, o NIC.br e o serviço
registro.br, bem como o centro de operações responsável pelo
endereçamento de nomes e números relativos ao domínio .br, que tem que
garantir funcionamento estável e confiável 24 horas por dia todos os
dias do ano;
7.Recentemente foi criado o CETIC.br, Centro de Estudos sobre as
Tecnologias da Informação e Comunicação, responsável pela produção de
indicadores e estatísticas sobre a Internet no Brasil, divulgando
análises e informações periódicas sobre o desenvolvimento da rede no
país. Já foram divulgadas as pesquisas dos anos 2006 e 2007, revelando
dados que caracterizam a enorme exclusão digital do nosso país, e que
servem de base para a formulação de políticas públicas de inclusão
digital;
8.Em 2007 foi ultrapassada a marca de um milhão de domínios .br
registrados. O registro brasileiro é o oitavo no mundo entre os
registros nacionais;
9.No WGIG, Grupo do Trabalho sobre Governança da Internet, da ONU, o
CGI.br teve participação destacada, através da presença de um dos
conselheiros das ONGs nesse grupo (Carlos Afonso), bem como da
participação de vários conselheiros no Grupo Interministerial
Brasileiro da Sociedade da Informação, que orientou as posições do
governo brasileiro durante a CMSI/WSIS;
10.Na ICANN (a entidade internacional sediada nos EUA que administra a
infra-estrutura lógica da rede a nível mundial) os representantes das
ONGs no CGI.br exercem ou exerceram neste período papéis importantes.
Carlos Afonso (ex-conselheiro da GNSO e presidente na NCUC, Assembléia
de Usuários Não Comerciais de Nomes de Domínio até 2007, e Marcelo
Fernandes como membro executivo da NCUC para América Latina e Caribe,
eleito em 2006 e reeleito em 2007;
11.Em 2004 o CGI.br criou o projeto nacional de implantação e
manutenção de pontos de troca de tráfego (PTTs) nas principais cidades
brasileiras estão atualmente operacionais os PTTs de Belo Horizonte,
Brasília, Curitiba, Florianópolis, Porto Alegre, Rio de Janeiro e São
Paulo. Com isso o tráfego entre as principais infovias brasileiras é
otimizado nos pontos de maior fluxo, melhorando a qualidade e
reduzindo custos. Os PTTs são operados sem finalidade lucrativa, como
um serviço prestado à Internet brasileira com o apoio e coordenação
técnica do CGI.br em conjunto com a Rede Nacional de Ensino e Pesquisa
(RNP).
12.O CGI.br atuou em defesa da liberdade de expressão e neutralidade
da rede, como amicus curiae junto ao desembargador que recebeu uma
petição de Daniela Cicarelli para que o serviço Youtube fosse
bloqueado para a Internet brasileira.
13.O CGI.br apoia o projeto Safernet, que produz indicadores e realiza
campanhas pelo respeito aos direitos humanos na Internet, em
particular o combate à pedofilia.
14.Os membros do terceiro setor posicionaram-se contrário ao projeto
de lei de Eduardo Azeredo (PLS 76), que envolve sérias restrições à
liberdade de acesso à rede e ao direito de privacidade. O projeto de
lei representa uma série de custos para a sociedade brasileira. São
custos sociais, políticos, jurídicos, econômicos e tecnológicos.
Depois de quase 15 anos de acesso público à internet no país, o Brasil
ainda não definiu qual é o marco regulatório civil da rede no país
(que já foi definido nos países desenvolvidos). A definição do marco
regulatório também é fundamental para a caracterização dos aspectos
criminais da rede. Privilegiar a regulamentação criminal da Internet
antes de sua regulamentação civil pode ter como consequência o aumento
de custos públicos e privados, o desincentivo à inovação e, sobretudo,
a restrição à liberdade de acesso e a violação a direitos de
privacidade. É inadmissível que um projeto de lei tão amplo e complexo
como o que está sendo proposto, que afetará diretamente a vida de mais
de 32 milhões de internautas no Brasil, seja aprovado sem um profundo,
amplo, democrático e transparente debate com todas os setores da
sociedade brasileira. Aprová-lo com açodamento, sem analisar e
discutir com profundidade e de forma transparente as inconsistências e
vícios de constitucionalidade existentes, é cometer um verdadeiro
atentado à democracia e às liberdades civis de milhões de brasileiros.
O leitor pode informar-se melhor sobre o projeto e assinar uma petição
contra o mesmo em:
http://www.safernet.org.br/petitioner/projeto_lei_azeredo/
15. O CGI.br tem participado de fóruns e eventos relevantes
relacionados à inclusão digital e à liberdade do conhecimento, como o
Fórum Internacional de Software Livre de Porto Alegre e a Oficina de
Inclusão Digital.
Propostas para o Mandato 2007-2010
1.Manter e qualificar a participaçao do terceiro setor no Comite Gestor.
2.Dedicar atencao para que aconteça o Congresso da Internet no Brasil,
promovido pelo Comite Gestor. Esse congresso deve, ao longo das
edicoes transformar-se no ponto de referência dos temas que envolvam a
área.
3.Nesse sentido devemos procurar convergir as diversas atividades já
mantidas pelo CGIBR, tais como os encontros dos grupos de trabalho
sobre segurança e de redes, do congresso da Simpósio Brasileiro de
Redes de Computadores e Sistemas Distribuídos (SBRC) da SBC que
apoaimos, além dos temas que estao ganhando expressao no CGIBR
(Conteudos, Anti-Spamm, Direitos Humanos, Indicadores, Governança, etc)
4.Manter um canal mais efetivo de prestaçao de contas com as entidades
do terceiro setor interessadas no tema internet. O site
http://debatecomitegestor.sofwarelivre.org tentou cumprir esse papel
mas ainda deixei a desejar.
5.Participar das iniciativas do CGIBR para a o avanço da inclusao
digital no Brasil.
6.Apoiar iniciativas para agregarmos a pesquisa de Indicadores da
internet no Brasil, os temas dos direitos humanos na rede, apartir da
experiencia com a ong Safernet.
7.Intensificar o intercambio entre a comunidade de software livre e as
demais comunidades que fazem a internet no Brasil e no Mundo.
8.Reforçar a proposta de reunioes do CGIBR nas regios brasileiras há
cada 3 meses. Essa iniciativa visa popularizar o Comite nos estados e
fortalecer as comunidades locais que tratam do tema.
9. Incentivar a adoçao das melhores praticas que conheci nas
atividades da ICANN (A Internet Corporation for Assigned Names and
Numbers (ICANN – Corporação para Atribuição de Nomes e Números na
Internet) ) e do IGF (Fórum de Governança da Internet IGF - Internet
Governance Forum), visando ampliar a tranparencia e a participaçao no
Comite Gestor da Internet no Brasil.
10.Reforçar a decisao do CGIBR sobre a publicacao de duas revistas que
tratem do tema internet.
11.Participar da Comissao de Trabalho Conteúdos de Lingua Portuguesa do CGIBR.
Mario Teza