Entrevista editada
TUDO COMEÇOU NO SERPRO
Mário Teza – Vice-Presidente da Procers
Quando a companhia começou a adotar softwares livres ?
A Procergs já usava software livre no seu provedor (
http://www.via-rs.com.br) desde o final de 1995, utilizando o sistema operacional GNU/Linux. Em novembro de 1997, também começamos a usar outro sistema operacional livre da família Unix, chamado
FreeBSD?. A escolha foi por decisão técnica das equipes de suporte. A atual diretoria da Companhia de Processamento de Dados do Estado do Rio Grande do Sul - Procergs, transformou uma opção técnica numa orientação geral para a empresa e para o governo do estado.
Como foi o processo de implantação na Procergs?
No período de 1995 a 1999 os diversos softwares livres foram utilizados como servidores de Internet, segurança (Firewall), serviços de rede (DNS, MRTG, PROXY, DHCP). A partir de 2000, passamos a utilizar software livre também em outras soluções como servidores de impressão e servidores de aplicação.
E no Rio Grande do Sul?
O Projeto foi lançado em julho de 1999, baseado em estudo do Serpro. Compareceram ao evento representantes de governos, companhias de processamento de dados, Serpro, Universidades, dentre outros. Aproveitamos o evento para constituir um grande movimento, não só de entidades públicas mas do conjunto da sociedade, já que a adoção de softwares livres exige uma nova postura dos profissionais da área, dos usuários, das instituições de ensino e das empresas públicas e privadas. Definimos a formação de uma rede de laboratórios nas empresas e universidades, para o estudo do Linux e demais software livre, a estruturação de curso de suporte e a criação de um Consórcio Editorial, a fim de publicar livros, manuais e apostilas sobre o assunto.
Que uso o Governo do Rio Grande do Sul faz do Linux?
Contamos com um leque muito grande de utilização. Diversos órgãos do Estado utilizam soluções livres ou híbridas. Órgãos como as Secretarias da Educação, da Agricultura, Segurança e do Meio Ambiente, Detran-RS, Telecentros, Casa Civil, Governadoria, Procuradoria-Geral do estado, dentre outros, fazem amplo uso. Merece destaque o Banco do Estado do Rio Grande do Sul – Banrisul, que introduziu o uso massivo do
StarOffice?, na época não existia o
OpenOffice?. Também foi o primeiro banco no mundo a utilizar Linux nos caixas eletrônicos. Por último, o banco fez uma licitação para mais de 2.000 estações de trabalho e exigiu vir de fábrica instalado o sotware livre.
Softwares pagos ainda são usados?
Com certeza. A rede do governo do estado tem mais de 30 anos. As soluções legadas demorarão para serem migradas. Por muito tempo conviveremos com uma rede e aplicações heterogêneas. O que desejamos é que as soluções livres cresçam e tornem-se maioria.
Como está sendo a estratégia da mudança?
Substituímos o MS-Office pelo
StarOffice? e agora começamos a migração para o
OpenOfficeOrg?. Também substituímos o Memo e Notes pelo Direto, solução de correio, agenda e catálogo corporativo desenvolvido pela empresa. Todos os micros novos vêm com dois sistemas operacionais, MS-Windows e Linux. Essa estratégia visa "aclimatar" as estações de trabalho para a próxima migração que serão as estações de trabalho livres. Para o governo do estado, a Procergs forneceu um conjunto de soluções baseadas totalmente ou em parte em software livre que estão em uso já há algum tempo.
É possível mensurar a economia?
Na Rede Escolar Livre RS, a economia é, aproximadamente, de R$ 40 mil, só em licença de uso do sistema operacional e pacote office convencional para 20 mil máquinas. Com o Direto economizamos de R$ 30 a R$ 60 milhões com licenças de uso, dependendo da solução convencional que adotássemos. Com o
StarOffice? e agora
OpenOfficeOrg?, economizamos R$ 500.000,00 só na empresa, por não fazermos upgrade do MS-Office. No Banrisul, os valores ultrapassam R$ 9 milhões.
Quais são as maiores diferenças entre o software livre e proprietário?
Software livre é uma questão de liberdade, não de preço. Para entender o conceito,o usuário deve pensar em "liberdade de expressão", não em "cerveja grátis". "Software livre" se refere à liberdade dos usuários executarem, copiarem, distribuírem, estudarem, modificarem e aperfeiçoarem o software. Portanto, acesso ao código-fonte é uma condição necessária ao software livre. Não importa se o usuário pagou para obter cópias do software livre ou as obteve sem custo: ele sempre terá liberdade de copiar e modificar o software.
Então software livre não é software de graça?
Quando falarmos sobre o software livre é melhor evitarmos o uso de termos como "dado" ou "de graça", porque estes termos implicam que a questão é de preço, não de liberdade. Alguns termos comuns como "pirataria" englobam opiniões que não devemos endossar. Usamos apenas definições da Free Software Foundation, que nós adotamos.
Como é feita a distribuição?
Certos tipos de regras sobre a maneira de distribuir software livre são aceitáveis, quando elas não entram em conflito com as liberdades principais. Por exemplo, copyleft (apresentado de forma bem simples) é a regra de que, quando redistribuindo um programa, não se pode adicionar restrições para negar para outras pessoas as liberdades principais. Esta regra não entra em conflito com as liberdades; na verdade, ela as protege.
Fonte:
http://www1.serpro.gov.br/publicacoes/tema/163/index.htm
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MarioTeza - 18 Sep 2004