Na Folha de São Paulo

Brasil será a 4ª economia, diz consultoria Publicidade CÍNTIA CARDOSO da Folha de S.Paulo

O Brasil será a quarta maior economia do mundo. A data do feito, porém, é o longínquo ano de 2050, de acordo com projeções da consultoria PriceWaterHouseCoopers?.

A estimativa leva em consideração o PIB (Produto Interno Bruto) calculado a partir da paridade do poder de compra. O método mede o tamanho de uma economia de acordo com os preços e a capacidade de compra de seus habitantes. Segundo esse ranking, a China será a maior potência econômica em 2050, seguida pela Índia e pelos Estados Unidos.

Se for considerado o PIB apenas com valores em dólares, a lista de países sofre modificação. Os Estados Unidos mantêm a atual liderança como a maior economia mundial, seguidos pela China, pela Índia e pelo Japão. O Brasil, nessa projeção, fica na quinta colocação. "A economia brasileira teria um tamanho similar à do Japão em 2005 [em dólares] e um tamanho ainda maior em paridade de poder de compra, mas terá apenas cerca de 20% a 25% do tamanho da economia dos EUA", diz trecho do relatório. Nesse cenário, a renda per capita do brasileiro seria de US$ 26,9 mil, contra os US$ 3.400 atuais.

Mas, para conseguir ficar entre as cinco maiores economias globais, o Brasil terá que exibir uma taxa média anual de crescimento de 5,4% pelos próximos 45 anos. É nesse ponto, aliás, que reside o maior exercício de projeção. Como o país manterá taxas tão elevadas de alta do PIB diante de resultados recentes tão modestos? O PIB brasileiro cresceu 2,3% no ano passado.

A resposta da PriceWaterHouseCoopers? para essa pergunta é a mesma aplicada a outros emergentes. As projeções levam em consideração que nas próximas décadas muitas dessas economias irão experimentar uma expansão da mão-de-obra na faixa etária entre 15 e 59 anos. "Em contraste [com a China], um crescimento mais rápido da população mais jovem no Brasil e na Índia conseguirão manter uma taxa de crescimento relativamente estável por volta de 2030, embora esses dois países também experimentem um gradual envelhecimento da sua população", avaliou a PriceWaterHouseCoopers?, uma das maiores consultorias do mundo.

Outro fator que explica a ascensão desses países é o avanço do progresso tecnológico. Hoje, a maior parte desses países ainda está atrás do mundo desenvolvido nessa área. "Em alguns casos, na Indonésia, na Índia e no Brasil, por exemplo), deduzimos que a taxa de progresso tecnológico a curto prazo será lenta, mas deduzimos também que esse caminho vai se acelerar a longo prazo conforme esses países forem reforçando seus arcabouços institucionais", diz trecho do relatório da consultoria.

Milagre emergente

Em 2050, a soma das economias do "E7" (termo que reúne os emergentes China, Índia, Brasil, Rússia, Indonésia, México e Turquia) será 25% maior que o somatório atual das economias do G7 (EUA, Japão, Alemanha, Reino Unido, França, Itália e Canadá), hoje o grupo dos países mais ricos do mundo.

Nesse cenário futurista, a China e a Índia, que já é o celeiro mundial da indústria da terceirização, serão extremamente competitivas no serviços bancários, financeiros e de alta tecnologia.

Na avaliação da consultoria, entretanto, o declínio relativo do mundo desenvolvido é uma tendência natural da economia. Esse movimento, entretanto, pode ser benéfico para os integrantes da OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico), organização que agrupa os 30 mais ricos. "Esse mercado global maior deve permitir que as empresas desses países se especializem em áreas de maior vantagem competitiva", diz o estudo.

Obstáculos

Antes de comemorar a nova geografia econômica mundial, os países emergentes terão alguns obstáculos pela frente. O relatório aponta para "sensibilidades" exclusivas desses países.

Um exemplo é capacidade de acelerar a velocidade do aumento de produtividade. "Isso vai depender de como as maiores economias emergentes conseguirão manter um maior [ambiente] desenvolvimento favorável ao crescimento econômico e manter --e ampliar-- um ambiente político e institucional estável", argumenta a consultoria.

fonte: http://www1.folha.uol.com.br/folha/dinheiro/ult91u105685.shtml


Na Tribuna de Alagoas

05/03/2006 'Brasil será 5ª economia mundial em 2050'

O Brasil será a quarta maior economia do mundo. A data do feito, porém, é o longínquo ano de 2050, de acordo com projeções da consultoria PriceWaterHouseCoopers?. A estimativa leva em consideração o PIB (Produto Interno Bruto) calculado a partir da paridade do poder de compra. O método mede o tamanho de uma economia de acordo com os preços e a capacidade de compra de seus habitantes. Segundo esse ranking, a China será a maior potência econômica em 2050, seguida pela Índia e pelos Estados Unidos. Se for considerado o PIB apenas com valores em dólares, a lista de países sofre modificação. Os Estados Unidos mantêm a atual liderança como a maior economia mundial, seguidos pela China, pela Índia e pelo Japão. O Brasil, nessa projeção, fica na quinta colocação. "A economia brasileira teria um tamanho similar à do Japão em 2005 [em dólares] e um tamanho ainda maior em paridade de poder de compra, mas terá apenas cerca de 20% a 25% do tamanho da economia dos EUA", diz trecho do relatório. Nesse cenário, a renda per capita do brasileiro seria de US$ 26,9 mil, contra os US$ 3.400 atuais. Mas, para conseguir ficar entre as cinco maiores economias globais, o Brasil terá que exibir uma taxa média anual de crescimento de 5,4% pelos próximos 45 anos. É nesse ponto, aliás, que reside o maior exercício de projeção. Como o País manterá taxas tão elevadas de alta do PIB diante de resultados recentes tão modestos? O PIB brasileiro cresceu 2,3% no ano passado. A resposta da PriceWaterHouseCoopers? para essa pergunta é a mesma aplicada a outros emergentes. As projeções levam em consideração que nas próximas décadas muitas dessas economias irão experimentar uma expansão da mão–de–obra na faixa etária entre 15 e 59 anos. "Em contraste [com a China], um crescimento mais rápido da população mais jovem no Brasil e na Índia conseguirão manter uma taxa de crescimento relativamente estável por volta de 2030, embora esses dois países também experimentem um gradual envelhecimento da sua população", avaliou a PriceWaterHouseCoopers?, uma das maiores consultorias do mundo. Outro fator que explica a ascensão desses países é o avanço do progresso tecnológico. Hoje, a maior parte desses países ainda está atrás do mundo desenvolvido nessa área. "Em alguns casos, na Indonésia, na Índia e no Brasil, por exemplo), deduzimos que a taxa de progresso tecnológico a curto prazo será lenta, mas deduzimos também que esse caminho vai se acelerar a longo prazo conforme esses países forem reforçando seus arcabouços institucionais", diz trecho do relatório da consultoria. Milagre emergente Em 2050, a soma das economias do "E7" (termo que reúne os emergentes China, Índia, Brasil, Rússia, Indonésia, México e Turquia) será 25% maior que o somatório atual das economias do G7 (EUA, Japão, Alemanha, Reino Unido, França, Itália e Canadá), hoje o grupo dos países mais ricos do mundo. Nesse cenário futurista, a China e a Índia, que já é o celeiro mundial da indústria da terceirização, serão extremamente competitivas no serviços bancários, financeiros e de alta tecnologia. Na avaliação da consultoria, entretanto, o declínio relativo do mundo desenvolvido é uma tendência natural da economia. Esse movimento, entretanto, pode ser benéfico para os integrantes da OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico), organização que agrupa os 30 mais ricos. "Esse mercado global maior deve permitir que as empresas desses países se especializem em áreas de maior vantagem competitiva", diz o estudo.

Obstáculos Antes de comemorar a nova geografia econômica mundial, os países emergentes terão alguns obstáculos pela frente. O relatório aponta para "sensibilidades" exclusivas desses países. Um exemplo é capacidade de acelerar a velocidade do aumento de produtividade. "Isso vai depender de como as maiores economias emergentes conseguirão manter um maior [ambiente] desenvolvimento favorável ao crescimento econômico e manter –e ampliarum ambiente político e institucional estável", argumenta a consultoria.

fonte: http://www.tribunadealagoas.com.br/interna.php?id=16422&pagina=Economia


No Estadão

07 de março de 2006 - 22:07

Brasil é o 27º no ranking de patentes O crescimento mais expressivo entre todos os países pesquisados foi da China, com 43,7% mais patentes

Cristina Amorim

São Paulo - O Brasil está distante de Rússia, Índia e China, os outros membros do bloco de países emergentes conhecido pela sigla BRIC, no campo de pesquisa e inovação. Dados divulgados pela Organização Mundial de Propriedade Intelectual (OMPI) indicam que o Brasil depositou menos patentes internacionais do que as outras três nações em 2005. No ranking mundial, o País ocupa a 27ª posição entre aqueles que mais registram patentes.

Segundo o levantamento, feito com 128 países, foram 283 pedidos feitos por brasileiros no ano passado, um crescimento de apenas 0,7% em relação a 2004 - na prática, foram apenas dois pedidos a mais. A Rússia depositou 500 patentes na OMPI. O sistema permite que um único registro seja usado em diversos países.

O crescimento mais expressivo, não apenas dentro do BRIC mas entre todos os membros da OMPI, foi da China, com 43,7%: passou de 1.706 para 2.452 em apenas um ano, desbancando o Canadá da 10ª posição na lista geral. A Índia depositou 648 pedidos, uma queda em comparação com os 723 de 2004.

Os dois países são a maior promessa do bloco, vistas como potências econômicas em meados do século - a previsão é de que a China cresça numa média anual de 7% a 10% pelos próximos 20 anos, ultrapassando os Estados Unidos em 2050 como potência global. O investimento em pesquisa e desenvolvimento de produtos é parte do processo de enriquecimento, e instituições e empresas chinesas são pressionadas a registrar patentes internacionalmente.

A falta de conexão entre produção científica brasileira e pesquisa e desenvolvimento na indústria é um problema identificado há pelo menos 20 anos. Sinais concretos de solução, contudo, só começaram a aparecer de pouco tempo para cá, com a Lei de Inovação, de 2004, e a MP do Bem, do ano passado, desonerando impostos.

São políticas que podem aumentar o diâmetro do gargalo e transferir a maior parte do contingente de cérebros das universidades e instituições públicas para as empresas. Mas exigem tempo e comprometimento de academia, governo e indústria por médio e longo prazos.

A questão que se coloca é se o Brasil tem tempo para colher os frutos do esforço tardio. O presidente da Academia Brasileira de Ciências, Eduardo Krieger é sucinto: "Sem investimento, não criamos riqueza." Enquanto isso, a China se movimenta com velocidade. Mesmo entre os países em desenvolvimento, o Brasil está na modesta posição de 6º colocado, atrás de Coréia do Sul, China, Índia, África do Sul e Cingapura. Apenas em uma divisão o Brasil se destaca: é o que mais deposita patentes entre os países latino-americanos, na frente do México.

Pesquisa industrial

Um dos principais sintomas de que há pouca pesquisa dentro da indústria é a divisão da mão-de-obra qualificada, com ensino superior, voltada para desenvolvimento. "No Brasil, há um engano quando se supõe que lugar da pesquisa é na universidade. Em países industrializados, mais da metade está na indústria, que gera 90% das patentes", explica o diretor-científico da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), Carlos Henrique de Brito Cruz.

Assim acontece em todos os grandes países produtores de patentes: na Coréia do Sul, por exemplo, dos 124 mil profissionais com esse perfil, mais de 60% estão na indústria. No Brasil, o índice é de cerca de 18%. A mesma Coréia mostra outro fator que a coloca em 6º lugar na lista dos maiores, com 4.747 pedidos em 2005. A maioria de quem está nas empresas, 64%, tem mestrado ou doutorado. Por aqui, são 14%.

Ranking Geral - em número de patentes

1. Estados Unidos 45.111

2. Japão 25.145

3. Alemanha 15.870

4. França 5.522

5. Reino Unido 5.115

6. Coréia 4.747

7. Holanda 4.435

8. Suíça 3.096

9. Suécia 2.784

10. China 2.452

11. Canadá 2.315

12. Itália 2.309

13. Austrália 2.022

14. Finlândia 1.866

15. Israel 1.481

16. Espanha 1.109

17. Dinamarca 1.071

18. Bélgica 1.023

19. Áustria 889

20. Índia 648

21. Noruega 605

22. Rússia 500

23. Cingapura 438

24. Nova Zelândia 386

25. África do Sul 336

26. Irlanda 330

27. Brasil 283

28. Turquia 168

29. Hungria 165

30. México 136

31. República Tcheca 99

32. Luxemburgo 95

33. Polônia 91

34. Eslovênia 78

35. Croácia 67

36. Liechtenstein 62

37. Grécia 58

38. Porto Rico 57

39. Ucrânia 55

40. Barbados 52

41. Egito 48

42. Islândia 40

43. Eslováquia 35

44. Filipinas 34

45. Malásia 33

46. Emirados Árabes 31

47. Arábia Saudita 26

48. Sérvia e Montenegro 25

49. Colômbia 23

49. Chipre 23

50. Argentina 22

51. Bahamas 21

51. Romênia 21

52. Bulgária 19

53. Panamá 18

54. Letônia 17

55. Cuba 14

56. Brunei 13

56. Chile 13

56. Marrocos 13

57. Bielorússia 12

57. Indonésia 12

57. Mônaco 12

58. Estônia 11

59. Tailândia 10

59. Tunísia 10

60. Quênia 9

60. Sudão 9

61. Bósnia 8

61. Ilhas Virgens Britânicas 8

62. Argélia 7

62. Kuwait 7

62. Lituânia 7

63. Antilhas Holandesas 6

63. Maurícia 6

63. Moldávia 6

63. Síria 6

64. Casaquistão 5

64. Omã 5

64. Venezuela 5

65. Macedônia 4

65. Uruguai 4

65. Usbequistão 4

66. Andorra 3

66. Armênia 3

66. Belize 3

66. Bermudas 3

66. Burundi 3

66. Equador 3

66. Geórgia 3

66. Kiribati 3

66. Ilhas Caimã 3

66. Madagáscar 3

66. Malta 3

66. Zimbábue 3

67. Camarões 2

67. Costa Rica 2

67. Irã 2

67. Nigéria 2

67. São Marinho 2

67. Seychelles 2

68. Antígua e Barbuda 1

68. Azerbaijão 1

68. Costa do Marfim 1

68. Guatemala 1

68. Guiné Equatorial 1

68. Honduras 1

68. Jordânia 1

68. Namíbia 1

68. Papua Nova Guiné 1

68. Qatar 1

68. Quirguistão 1

68. Saint Kitts e Névis 1

68. Samoa 1

68. Vanuatu 1

68. Vietnã 1

Desconhecidos 272

fonte: http://www.estadao.com.br/ciencia/noticias/2006/mar/07/368.htm


Na Janela Web

Geo-Protagonistas III - O Elefante

Índia: O elefante da Ciência

Objectivo: em 2020 ser o maior centro de conhecimento do mundo

«A vantagem da Índia não é, apenas, o custo - é o custo associado à competência de alto nível, tendo em conta o enorme reservatório de talento que é», R. A Mashelkar

Jorge Nascimento Rodrigues, editor de janelanaweb.com, Fevereiro 2005

Entrevistas em inglês a R. A. Mashelkar e Ashish Arora em Transition Report

Em apenas uma geração, a Índia quer subir à posição de potência científica mundial, deixando bem para trás os Estados Unidos e a Europa. Depois da abertura da economia indiana em 1991, o segundo país mais populoso do mundo transformou-se, em quinze anos, no "paraíso" mundial do "off-shoring" em tecnologias de informação. Conquistou, também, a capa das revistas internacionais como a segunda grande potência emergente, desde que um relatório da Goldman Sachs de Outubro de 2003 a colocou ao lado da China como as duas "surpresas" do novo século.

Agora quer passar à etapa seguinte. Nos próximos quinze anos, a Índia quer ganhar o estatuto de "plataforma global de conhecimento", segundo R. A Mashelkar, o director do Conselho Científico e de Investigação Industrial da Índia (CSIR). «Posso predizer, com alguma segurança, que em 2020 será o centro de produção de conhecimento número um do mundo», acentua este cientista conhecido por ter definido um "road map" para a afirmação geo-estratégica da Índia sob o lema "TI-Talento Índia".

A convicção deste nativo de Goa - a antiga colónia portuguesa na Índia - deriva de duas vantagens significativas da Índia: um "stock" de capital humano de 3 milhões de cientistas e tecnólogos e a mais elevada "produtividade" científica do Planeta (medida em artigos científicos e citações anuais em função do PIB per capita), ultrapassando, com alguma folga, os EUA e a China. «A vantagem da Índia não é, apenas, o custo - é o custo associado à competência de alto nível, tendo em conta o enorme reservatório de talento que é», sublinha-nos Mashelkar, que é, também, presidente da Academia Nacional de Ciências.

A mesma opinião é partilhada por Ashish Arora, um indiano que é professor de economia e políticas públicas da Universidade norte-americana de Carnegie Mellon. «A Índia é o lugar certo para localizar determinado tipo de operações de investigação & desenvolvimento», refere este exemplo da diáspora científica deste país (a que os indianos designam por "bollystan").

Arora e Mashelkar coincidem, também, nas razões "estruturais" que poderão garantir a sustentabilidade deste sonho até 2020: a Índia é a maior democracia do mundo (619 milhões de votantes) «com um largo consenso desde 1991 sobre a direcção da economia e das reformas», e terá em 2020 a maior classe média do planeta (mais de 600 milhões). Os estrategos sublinham, ainda, que, em 2015, já será das nações mais jovens (50% da população terá menos de 20 anos).

Finalmente, no plano geo-económico, Mashelkar e Arora convergem na ideia de que a Índia e a China serão "complementares" e não concorrentes e que um certo tipo de "triângulo estratégico do Sul" se está já a formar entre a Índia, o Brasil e a África do Sul. Nesta óptica, a China seria uma potência do "Norte".

ÍNDIA NO SÉCULO XXI # País mais populoso do mundo em 2050: 1500 milhões (mais do que a China que ficará nos 1400 milhões); a posição actual inverter-se-á

# 3ª potência económica mundial em 2050, segundo a Goldman Sachs

# Plataforma mundial de ciência - número um na produção de conhecimento em 2020

# Taxas de crescimento ascendentes: 8% até 2007 (compare-se com 5,5% em média nos últimos dez anos); alguns analistas falam de 10% em média como "standard"

# "Off-shoring" de serviços avançados, não só nas TI, mas também na engenharia e na medicina

# Reversão da fuga de cérebros: a perca de talentos ascende a um equivalente a 2 mil milhões de dólares por ano; os analistas salientam sinais de reversão desta tendência nos últimos três anos

# Número um em classe média: 50% da população poderá atingir um estatuto médio (em paridade de poder de compra), o que transformará a Índia no maior mercado de consumo do mundo, à frente da própria China, da Europa e dos EUA

fonte: http://www.janelanaweb.com/vento/elefante.html


Na Janela Web

Observatório da Economia Mundial

Nº1 - 1º semestre de 2004

Made by Gurusonline.tv e Janelanaweb.com Editor: Jorge Nascimento Rodrigues © Adventus Group

Sumário: 1. As Dores da Actual Retoma 2. Ideias-Chave sobre o Petróleo, a commodity geo-política 3. Gestão de Risco vai disparar 4. Bolsas: O Urso ainda não foi de férias

1. As Dores da Actual Retoma

A retoma económica internacional ainda não é consistente e está a ser perturbada pela geo-política. A política internacional da Administração Bush e o comportamento dos preços do petróleo são os protagonistas mais visíveis desta perturbação. Em termos de tendência histórica de crescimento poderemos estar ainda a meio de uma transição para um novo ciclo. Vivemos uma década em que a depressão e o seu cortejo de efeitos sociais e empresariais continuarão a sentir-se, e em que as surpresas geo-políticas poderão acontecer. A luz ao fundo do túnel ocorrerá de uma vaga de inovações tecnológicas e sociais que desaguará num ponto de viragem.

10 P&R

A crise já acabou na "locomotiva" actual, nos Estados Unidos? No sentido estrito do termo, sim. Mas o período de depressão que se lhe segue ainda não terminou. O fim do último ciclo de 10 anos de crescimento económico nos Estados Unidos foi "decretado" em Março de 2001, o mês do ponto de viragem. A recessão que se seguiu terá durado oito meses, até Novembro desse mesmo ano, segundo o National Bureau of Economic Research (NBER), o organismo que "decreta" as crises e as retomas nos EUA, a partir da determinação de um mínimo de dois trimestres de contracção da taxa de crescimento. Segundo outro organismo americano, o Economic Cycle Research Institute (ECRI), esse período de recessão teria sido mais longo na Europa e nos países desenvolvidos da Ásia. Em termos técnicos, a crise é o ponto de viragem de um ciclo económico de média duração (o que os americanos chamam de "ciclo de negócios"), a que se segue um período de recessão visível, por exemplo, na regressão da taxa de crescimento. Mas até à retoma há um período mais ou menos longo de depressão, onde os efeitos da contracção anterior se fazem sentir a nível do tecido empresarial e social e da psicologia dos agentes económicos. Por exemplo, as análises empíricas realizadas pelo ECRI, baseadas num indicador diferente do do NBER, mostram que a economia americana parou de descer, de facto, nos finais de 2001, mas, contudo, verifica-se, ainda, um período descendente no ciclo de taxas de crescimento (o indicador usado pelo ECRI) entre meados de 2002 e o primeiro trimestre de 2003.

Há sinais de retoma? A identificação do ponto de viragem para um período de crescimento dos indicadores fundamentais pode ser feita de um modo simples - identificação do fim da recessão técnica, como o faz o NBER - ou de um modo mais complexo, através da observação de uma bateria de outros indicadores. A sincronização das curvas de crescimento do PIB em termos reais (e não nominais, como habitualmente se faz) dos principais actores mundiais (EUA, Europa, Japão, Países Emergentes, Países Industrializados) é um dos sinais de alerta. Na abordagem mais simples, os EUA já teriam atingido o ponto mais baixo do ciclo económico em finais de 2001 e a Europa e a Ásia desenvolvida no início de 2002. Numa análise mais complexa, depois de uma sincronização das curvas de crescimento real em 2003, a situação alterou-se para pior em 2004, segundo as projecções recentes do FMI. A retoma mundial no ciclo de negócios, desse ponto de vista, ainda não é visível.

Poderemos prever esse ponto de retoma no ciclo de negócios? Alguns factores têm baralhado as projecções desse ponto de viragem no ciclo de negócios. Um aumento médio dos preços nominais do barril de crude em 5 dólares durante 12 meses poderá cortar uma fatia de 0,3 pontos percentuais na taxa do PIB mundial, segundo o FMI. A alta continuada dos preços do crude - e o risco de um terceiro choque petrolífero, mais grave do que o "mini-choque" da greve na Venezuela em 2003 - pode provocar também situações de colapso de consumo (em termos técnicos, quebra anual de 2%) no mundo desenvolvido ou mesmo, mais grave, de crise do consumo (quebra anual de 4%). Por exemplo, Portugal sofreu colapsos do consumo em 1988 e 1993. A repetição de situações deste tipo atrasará a chegada do ponto de viragem.

Deverão as taxas de juro continuar a descer para estimular a retoma? Os estímulos económicos por via da gestão da taxa de juro de curto prazo foram levados ao extremo pelo presidente da Reserva Federal (FED) dos EUA, Alan Greenspan, particularmente desde 1998. Segundo os analistas, os cortes sucessivos nas taxas de juro permitiram continuar até Março de 2001 o período de crescimento, e criaram uma janela de oportunidade para a Nova Economia até a recessão ter rebentado. Depois da crise declarada, as taxas de juro continuaram a descer para estimular a retoma da economia norte-americana. Em 22 anos, nunca as taxas de juro de curto prazo (real FED funds rate for short-term US interest rates) estiveram tão baixas em termos reais (ou seja, corrigidas as taxas nominais pela inflação), segundo um estudo recente do FMI (IMF Survey, edição de 12 de Abril de 2004, pág.108). Desde 2002 que são negativas em termos reais (ou seja, o contraente do empréstimo paga menos do que pede emprestado). E, apesar destes estímulos extremos, os resultados não são concludentes. A experiência similar do Japão na gestão de taxas de juro (negativas) na última década já mostrou que não é alavanca de retoma. Por isso, é hoje concensual afirmar-se que o FED irá inverter a política. A janelanaweb.com apresentou a necessidade de mudança de política no âmbito das taxas de juro, com base nos pontos de vista de analistas independentes no Verão de 2002. É, contudo, relativamente assente entre os analistas independentes que o regresso às taxas de juro dos anos 80 está ainda longe.

Há alguma semelhança com a Depressão dos anos 30? Essas semelhanças têm sido recordadas, pois a depressão actual segue-se a um período de crescimento com deflação (preços em queda). O longo período de recessão e depressão de 1929 a 1954 seguiu-se, também, a um período de crescimento com deflação até 1929. Mas mais importante do que este "comportamento" histórico do indicador dos preços de produção, são as semelhanças em termos de posição no ciclo económico longo, designado pelo nome do seu autor, o economista russo Kondratieff. Este ciclo longo (entre 40 a 60 anos) é distinto do ciclo de negócios de médio prazo (entre 40 meses e 10 anos, consoante os autores de referência) a que nos referimos anteriormente.

Em que ponto desse ciclo longo estamos? Segundo os estudos do especialista Michael Alexander, estamos ainda a meio de um período de transição desde a crise de 2001 até um ponto de viragem para uma tendência de crescimento sustentado, como aconteceu entre 1954 e 1981 (os célebres "30 gloriosos anos") ou, anteriormente, entre 1897 e 1918. O que tecnicamente se designa por período extremamente perigoso de "redemoinho" ainda não foi atingido nesta ponta final do actual ciclo longo que ficou marcado pela revolução da computação desde que em 1947 se demonstrou cientificamente o efeito do transístor. O "redemoinho" nos anos 30 do século passado coincidiu com um período difícil de depressão e com o abrir de portas para grandes mutações geo-políticas. A história não se repete, mas o padrão do ciclo económico mostra semelhanças.

A Nova Economia não foi o ponto de viragem para um novo ciclo? Segundo alguns autores teria sido. Para esses analistas, a Web comercial (1994/95) desempenhou o papel de alavanca, e para outros teria sido a descodificação do cromossoma 22 do genoma humano em 1999. Mas o "crash" bolsista de 2000 e a recessão de 2001 levaram os analistas a considerar que se tratou de um "solavanco" temporário que, apenas, atrasou a queda por uns anos. Os estudos de Mike Alexander adiam esse ponto de viragem por mais uns anos nesta primeira década do século XXI. Os mais optimistas colocam, agora, as esperanças nos feitos da clonagem humana reprodutiva ou na investigação espacial longínqua. Mas, tal, como em 1947 poucos se aperceberam, na altura, do alcance da demonstração científica do efeito do transístor, também, agora, a história nos apanhará de surpresa.

Que oportunidades se abrem nesta década de transição? Apesar desta provável década de depressão estrutural (em termos do ciclo longo), muitas oportunidades estratégicas se irão desenrolar. O ciclo de negócios de médio prazo retomará o crescimento mais tarde ou mais cedo, ainda que abaixo da tendência das décadas anteriores - recorde-se que, no período de depressão estrutural, entre 1929 e 1954, o PIB cresceu 2% em média, no caso dos EUA. Poderá ocorrer, também, uma nova "clusterização" de descobertas científicas e de inovações técnicas e de gestão, como aconteceu entre 1936 e 1947, que abrirão oportunidades económicas ainda hoje imprevisíveis.

A alta está de regresso à bolsa? Depois do "crash" do ano 2000, muitos analistas procuraram vislumbrar em episódios pontuais o regresso de um período de euforia bolsista. Os estudos do especialista francês Didier Sornette (ver ponto 4) mostram que continuamos a assistir a um período de correcção que se estenderá provavelmente até 2005, com oportunidades pontuais de especulação. Robert Shiller, o americano que alertou para a "exuberância irracional" da bolha da Nova Economia, tem continuado a chamar a atenção para o multiplicador ainda muito elevado das valorizações em bolsa - o famoso P/E (price to earnings) ronda os 28, quando a média histórica deste rácio é 15 (em declarações recentes ao Survey do Fundo Monetário Internacional - IMF Survey, 12 de Abril de 2004, pág.111). Um ponto de viragem para um período "bullish" só ocorrerá quando houver um catalisador, tal como aconteceu em 1995 com a Web comercial.

O desemprego irá baixar? Uma das constatações actuais é que o crescimento tem sido feito sem criação líquida de emprego e com o aumento desmesurado do desemprego estrutural. Os analistas alcunham-na de "retoma sem emprego" (jobless recovery, em inglês). O crescimento tem sido alimentado pelo aumento da produtividade, através do uso da capacidade por utilizar e do recurso ao "outsourcing" e "offshoring" em proporções cada vez maiores. O problema do desemprego estrutural é particularmente grave em sete países europeus, a começar por dois dos "milagres" económicos dos últimos anos - Espanha e Finlândia.

2. Ideias-Chave Sobre o Petróleo A commodity geo-política

George Bush ganhou mais uma dor de cabeça - o preço do galão de gasolina nos Estados Unidos para Junho de 2004 poderá chegar aos 2,03 dólares, segundo a última estimativa oficial do Departamento de Energia norte-americano.

O impacto desta prenda no início de férias dos americanos não é bom para as sondagens. E para a economia mundial ainda pior. O preço do crude no mercado norte-americano já ultrapassou em Maio de 2004 os 41 dólares por barril e no mercado "spot" do Brent europeu os 38.

As previsões do Departamento de Energia dos EUA apontam para uma média anual do crude no mercado norte-americano na faixa dos 36-37 dólares por barril, quase dez dólares mais do que a média em 2003. O presidente da OPEP em exercício já referiu que a banda de variação para a intervenção no mercado poderá subir dos actuais 22/28 dólares para os 32/34. Ou seja, a OPEP anuncia que sobe o patamar político do poder do crude.

As previsões do Departamento de Energia dos EUA apontam para uma média anual do crude no mercado norte-americano na faixa dos 36-37 dólares por barril.

A factura deste aumento anual afectará o PIB mundial em 0,5% e o dos países ricos da OCDE em 0,4%. As dores da retoma vão, por isso, acentuar-se com esta efervescência no mercado do ouro negro.

Os analistas começam a interrogar-se sobre a possibilidade de um terceiro choque petrolífero (se ignorarmos o mini-choque provocado pela greve na Venezuela). Há três anos, a Shell aventava, como um dos cenários possíveis, um choque petrolífero em 2006, se a fragmentação política se acentuasse. Poderá ter acontecido que a mão invisível do crude resolveu antecipar o golpe. Contudo, há, ainda, alguma margem de manobra - os preços reais do choque de 1979-81 chegaram próximo dos 50/60 dólares actuais.

5 FRASES FUNDAMENTAIS

1. Choque do futuro O próximo choque petrolífero (com preços na banda dos 50 dólares) poderá ocorrer nos dois próximos anos, caso o cenário de fragmentação política se acentue, diz um dos cenários apresentados pela Shell em finais de 2001. Caso uma evolução mais "benigna" da globalização volte a dominar, o choque petrolífero poderá ser diferido de uma década, para 2015, segundo o segundo cenário da Shell.

2. Choque diferido A verdadeira alta de preços do barril de crude ocorre em geral dois a três anos depois da viragem inicial para a alta de preços. Este comportamento em diferido é particularmente visível no pós-choque petrolífero de 1979 (quando o barril passou para cerca de 6 dólares). O disparo recorde de preços ocorreu em 1981-1982 com o barril a mais de 30 dólares (equivalente a 50 dólares actuais), cinco vezes superior ao preço de 1979.

3. "Commodity" política O crude deixou de ser uma "commodity" (a designação técnica dos mercados para este tipo de mercadorias) na acepção puramente económica. Passou a ser um activo geo-estratégico, cujo objectivo central para as principias potências mundiais é "capturar e controlar". A caminhada histórica deste mudança de natureza levou trinta anos, desde a primeira decisão política de embargo decretada pela OPEP em 1973, que ficou conhecida como o primeiro choque petrolífero. O petróleo como poder foi já formulado por analistas da geo-estratégia.

4. Custo dos choques O maior impacto líquido acumulado após seis meses sobre a viragem de preço (vulgo "choque petrolífero") deu-se com o designado segundo choque petrolífero em que se juntou, num curto período, a revolução no Irão em 1978 e a Guerra Irão-Iraque em 1980, em que se perderam 450 milhões de barris. Seguiu-se-lhe o primeiro choque petrolífero na sequência do embargo da OPEP em Outubro de 1973 com 400 milhões de barris perdidos. Os analistas falam de um "mini" choque petrolífero em 2003 com a greve na Venezuela (4º exportador mundial) que implicou a perca de 250 milhões de barris, duas vezes e meia superior ao impacto da Guerra do Golfo de 1990-1991.

5. Pico de produção mundial O pico de produção do petróleo à escala mundial foi atingido no ano 2000 e o Golfo Pérsico - o principal baluarte de reservas - atingirá esse pico em 2014. O contexto estrutural do lado da oferta alterou-se, por isso, radicalmente. Em 2050 a produção mundial será 1/3 da actual e na década de 20 a oferta mundial cairá mais de 20% em relação a 2010. O impacto deste "cansaço" será mais agudo em três espaços geo-económicos: Europa e América do Norte onde a produção de petróleo convencional cairá mais de 40% na década de 20 e mais de 80% na década de 50; e no espaço euro-asiático (Rússia, Bacia do Cáspio e China) em que as quebras serão respectivamente de 35% e 73%. (ver também pico de produção mundial)

10 PONTOS SOGRE GEO-ECONOMIA

1. Reservas As reservas "provadas" de petróleo com hipótese de continuar a manter o ouro negro como galinha dos ovos de ouro até 2040, situam-se em 80% na OPEP e em particular nos 5 magníficos do Golfo Pérsico (Arábia Saudita, Iraque, Emiratos Árabes Unidos, Irão, Kuwait) que detém 63%. A Arábia Saudita lidera com 25% das reservas e o Iraque vem em 2º lugar com 11%

2. Guerras geo-económicas Se juntarmos os 10 países onde não ocorreu ainda o pico de produção do petróleo e os 10 em que há ainda um potencial de exploração de novos campos, destacam-se três espaços geo-económicos - Golfo Arábico (37% do potencial, com o Iraque à cabeça), Rússia e Bacia do Cáspio (15%) e Golfo do México, Caraíbas e costa sul-americana do Pacífico (7%, com a Venezuela à cabeça). O risco de conflitos nestas regiões por razões geo-económicas aumentará.

3. EUA É o maior produtor mundial (9 milhões de barris por dia), mas também o principal importador líquido (10,9 milhões de barris diários), seguido do Japão (5,7), Alemanha (2,5), Coreia do Sul (2,2) e França (1,8). Este grupo de cinco é o principal afectado pela turbulência no mercado petrolífero.

4. Dependência estratégica O caso mundial mais importante é o dos EUA. Dependiam da importação do petróleo em 37% em 1980, depois dos "choques" petrolíferos de 73 e 79. Evoluíram para 50% de dependência em 2000 e estima-se que cheguem aos 66% em 2020. Um "salto" de 10,4 milhões de barris diários importados hoje em dia para 16,7 daqui a 18 anos. A dependência geográfica em relação a duas regiões de grande turbulência - o Médio Oriente e as Caraíbas - atinge os 41% das importações. O célebre "relatório Cheney" de Maio de 2001 sobre a política energética dos EUA, baptizado a partir do seu inspirador Richard Cheney, o vice-presidente de Bush, é particularmente claro no seu capítulo 8: a questão do petróleo tornou-se "uma prioridade do nosso comércio e da nossa política de negócios estrangeiros".

5. Cartas fora do baralho da OPEP São duas. A Rússia (2º exportador mundial, depois da Arábia Saudita) e a Noruega (3º exportador). A Rússia, durante 2002 ultrapassou inclusive em produção petrolífera a Arábia Saudita, fruto de uma contra-ofensiva desde 1997 em termos de investimentos em tecnologia, dinâmica dos grupos petrolíferos privados russos (como Lukoil e Yukos) e estratégia da Transneft, o grupo governamental que controla os oleodutos. Depois do colapso da URSS em 1991 - então o primeiro produtor mundial com mais de 10 milhões de barris diários de crude -, ter empurrado a Rússia para um recuo na produção diária de petróleo que chegou ao ponto mais baixo em 1996 (com 6 milhões de barris diários), o país recuperou o nível de 7 milhões de barris em 2001, de 7,7 milhões em 2002 e 8,4 em 2003.

6. Grupo dos Cinco em 2050 Cinco países dominarão em mais de 70% o petróleo em 2050, já no período de declínio desta fonte de energia: Arábia Saudita, Canadá (se desenvolver a exploração das suas reservas em petróleo "pesado"), Iraque, Venezuela (que também tem imensas oportunidades no petróleo "pesado") e Irão.

7. Angola Está numa terceira "divisão" de produtores mundiais podendo vir a aproximar-se do patamar do milhão de barris diários. O seu offshore de Cabinda e ao largo de Angola, transformou este país num dos pólos de atracção no Atlântico Sul. As oportunidades no offshore em águas profundas poderão empurrar Angola para um patamar de 1,7 milhões de barris por dia em 2005 e 1,9 em 2010.

8. Arábia Saudita É o reino do ouro negro. Detém 25% das reservas provadas do planeta, as maiores do mundo. Lidera a exportação com 7 milhões de barris por dia e é a segunda potência mundial em produção (8,3 milhões de barris por dia em Abril de 2004), depois dos Estados Unidos (ver EUA).

9. Atlântico Sul É hoje o principal espaço marítimo que está a emergir no campo do petróleo. Está a assumir uma importância estratégica como plataforma offshore (Golfo da Guiné, África subtropical, Campos e Santos no Brasil) e como corredor de fornecimento alternativo. Já vale mais do que o Mar do Norte europeu, centrado na Noruega e no Reino Unido. O Atlântico Sul produz cerca de 8,5% do crude mundial, com destaque para a Nigéria (9º exportador mundial) e Brasil (ver adiante). O principal cliente deste espaço é os Estados Unidos (44% da exportação nigeriana, 44% da exportação angolana, 50% da exportação do Gabão).

10. Brasil Tem vindo a ampliar a sua plataforma offshore ao largo do norte e sul do Rio de Janeiro e a internacionalizar a sua estratégia petrolífera em direcção à Argentina (a Petrobras adquiriu 58,6% da Perez Companc, o segundo grupo argentino dos petróleos) e ao offshore de Cabinda e Angola.

Fontes de informação: - Ardina na Crise da Janelanaweb.com; - Pequena Enciclopédia Ilustrada do Petróleo (Semanário português Expresso, 15 de Maio de 2004).

3. Gestão de Risco Vai Disparar Os conselhos de Paul Laudicina, da ATKearney, vicepresidente e director do Global Business Policy Council

Números a reter: Segundo um estudo do grupo de resseguros Munich Re, citado por Laudicina, a frequência só dos desastres naturais triplicou desde os anos 60, e o seu custo decuplicou. O Gartner Group, por seu lado, prevê que 1 em cada 5 empresas atravessará uma situação de crise nos próximos cinco anos derivada de ocorrências naturais e provocadas pela mão humana, que em 60% dos casos conduzirá ao fecho das empresas no prazo de dois anos após a crise.

A falta de preparação para a volatilidade geo-política e geo-económica actual é confrangedora entre os responsáveis empresariais. A gestão estratégica do risco é cada vez mais uma função crítica nas empresas e vai certamente disparar, com o crescimento não só do número de desastres naturais, como dos provocados por actos humanos, derivados de acções terroristas, conflitos militares, ataques de vírus informáticos até simples descuidos ou falhas que conduzam a incêndios ou explosões. A evolução dos últimos 20 anos fala por si. "O facto até pode ser óbvio, o que fazer face a um mundo cronicamente cada vez mais volátil é que não é. Continuo a ficar admirado com a falta de preparação dos decisores para lidar com este tipo de choques exógenos e de ruptura, que são inevitáveis numa economia globalizada", referiu-nos Paul Laudicina, responsável pelo Global Business Policy Council (GBPC). O GBPC é um serviço de estratégia da consultora A T Kearney que funciona como um "radar" de mudanças de carácter geo-político, económico, tecnológico e social, e que reúne regularmente em "brainstorming" cerca de 50 chefes de empresas e estrategos oriundos de mais de uma dezena de países.

Segundo um estudo do grupo de resseguros Munich Re, citado por Laudicina, a frequência só dos desastres naturais triplicou desde os anos 60, e o seu custo decuplicou. O Gartner Group, por seu lado, prevê que 1 em cada 5 empresas atravessará uma situação de crise nos próximos cinco anos derivada de ocorrências naturais e provocadas pela mão humana, que em 60% dos casos conduzirá ao fecho das empresas no prazo de dois anos após a crise. "Também, a globalização dos negócios - com os movimentos de "outsourcing" e deslocalização de serviços e produção e com o desenvolvimento das redes entre empresas - a par das novas fontes de eficiência e crescimento, acarreta riscos interdependentes crescentes", sublinha o responsável da A T Kearney. A opção, diz Paul Laudicina, não é "voltar às soluções de antigamente, mas integrar a gestão do risco no planeamento e na decisão de topo, e transformá-la numa vantagem competitiva".

Recomendações de Laudicina: - Identifique as vulnerabilidades; - Elabore cenários; - Desenvolva respostas a emergências e imprevisíveis; - Monitorize o risco da envolvente.

Artigo de referência em PDF: Paul Laudicina, "Supply Chains in a Vulnerable, Volatile World" revista Executive Agenda, volume VI, number 3, ATKearney.

4. O Urso Ainda Não Foi de Férias

Os analistas independentes ainda olham as BOLSAS com cautela. A "correcção" da bolha especulativa de 1998-2000 nos Estados Unidos ainda não terminou. E a situação europeia estaria ainda mais retardada.

O TOURO AINDA NÃO DESCEU À ARENA

O "touro" (designação para um período de alta bolsista) ainda não desceu à arena das bolsas norte-americanas. O período em que o "urso" (designação para um período de baixa) domina a cena ainda não teria acabado. O que os técnicos designam por "assinatura anti-bolha" ainda seria visível nos índices bolsistas dos EUA e no comportamento psicológico dos investidores.

"O regime anti-bolha parece continuar e a correcção ainda está por concluir", afirmou-nos Didier Sornette, que na Universidade da Califórnia em Los Angeles produz mensalmente, desde há alguns anos, uma simulação com "predições" da evolução do índice norte-americano S&P 500, e mais recentemente de alguns mercados europeus. Estas predições no seu sítio na Web não se destinam a servir de guia de aconselhamento de decisões de investimento, mas de painel de bordo das tendências de evolução bolsista.

Depois dos "crashes" em 2000 e 2001, Sornette e o seu colega W.X. Zhou, previram que o "urso" não largaria os mercados americanos tão cedo, antevendo um "iô-iô" descendente durante uns anos. A partir de Outubro de 2002, a curva do S&P 500 parece querer descolar do fundo, em virtude das políticas de gestão anti-crise de Alan Greenspan, de manipulação em baixa (até valores reais negativos) da taxa de juro e da desvalorização do dólar (mais de 40% em relação ao euro desde 2002). Para Sornette, estas políticas "distorceram os sinais do mercado de um modo artificial e significativo", mas "encontram-se, agora, exaustas", tendo chegado a um beco sem saída. Se a "conversão" da curva do S&P 500 for feita para euros, as simulações de Sornette revelam que o sentido descendente nos EUA continua até final de 2004.

Por seu lado, Adam Hamilton, outro analista independente, responsável do sítio na Web Zealllc, alega que "a batida no fundo de Outubro de 2002 não foi, ainda, a definitiva", alegando que isso poderá ocorrer proximamente.

EUROPA MAIS RETARDADA

O "urso" ainda vai dominar as bolsas europeias por mais uns tempos, e poderá ir para hibernação mais tarde do que nos EUA.

As simulações realizadas por Didier Sornette revelam que em três bolsas-chave europeias - no DAX alemão, no CAC40 francês e no FTSE inglês - a descida poderá entrar por 2005 a dentro.

VALORIZAÇÂO HISTÓRICA ELEVADA

O rácio médio de avaliação da valorização das acções cotadas em bolsa - tecnicamente conhecido por P/E (em inglês, price-to-earnings) - continua, em termos históricos comparativos, muito elevado: 28 contra 15, segundo Robert Shiller (em declarações recentes ao FMI), o académico de Yale que previu o "crash" do ano 2000 e falou da "exuberância irracional" (tendo inclusive publicado um livro com esse título naquele ano). Pelo que haveria, ainda, que esperar por uma descida num mercado com acções ainda hiper-valorizadas em termos médios.

Contudo, outros analistas contestam que este rácio seja um bom sinal de previsão. "Tudo depende da percepção dos investidores. Pode ser útil numa escala de décadas, mas não decisivo no curto prazo", alega Didier Sornette. Outro analista independente, Eric Von Baranov, acrescenta, mesmo, que "as novas tecnologias criaram um nível de crescimento tal que pode justificar rácios mais elevados que os do passado". Um pequeno grupo de empresas cotadas muito sólidas pode "inflaccionar facilmente as médias do rácio", sublinha. Ou seja, podemos estar a caminho de uma batida no fundo, mesmo com um P/E médio elevado em termos históricos. Só uma atenção cirúrgica às empresas e aos sectores poderá dar indicações oportunas. Baranov adianta algumas áreas que estariam maduras para especulação, revelando um gosto especial pelas aplicações que resultarem do que chama de "fusão de tecnologias de comunicação", pela biotecnologia e pelo sector energético.

TOCA E FOGE

Uma das oportunidades em período do "urso" é o lançamento de IPO (entradas em bolsa) de "start-ups" ou "spin offs" destinados a explorar a moda tecnológica para capturar investimento bolsista útil para projectos com futuro. Eric von Baranov alcunha-as de empresas "toca e foge".

A vaga tecnológica - apesar do desprestígio trazido pelo estoirar da "bolha" bolsista em 2000 - continua a justificar rácios de valorização elevados em muitas áreas e "incursões" cirúrgicas nas bolsas tornaram-se moda. Baranov cita o caso do expediente usado pelo sector farmacêutico que utiliza "start-ups" de investigação & desenvolvimento com futuro para ir à bolsa agarrar uma janela de oportunidade de curto prazo. "Uma empresa destas, em vez de ser criada para o longo prazo, é organizada em torno de um mercado tecnológico onde há uma oportunidade limitada no tempo, ainda que promissora. Estas empresas poderão conseguir lucros espectaculares por períodos curtos de tempo, pagando generosamente aos investidores, que, de outra forma, seriam consumidos por I&D obsoleta e desnecessária", comenta Eric von Baranov.

AS DUAS PERNAS DO INVESTIDOR INTELIGENTE

O investidor global actua com duas pernas - uma nas oportunidades nos mercados emergentes, apesar do risco, e outra nos mercados desenvolvidos, apesar do actual período de baixa bolsista. Contudo, à medida que a política de manipulação em baixa da taxa de juro seja abandonada nos EUA e na Europa e que as bolsas destas regiões animem, a "competitividade" das aplicações no mundo desenvolvido poderá regressar em força.

Apesar do frenesim nos últimos três anos pela exploração de oportunidades nos mercados emergentes - de que a China e os países do Leste são destinos de moda -, o risco é grande. "À medida que a Reserva Federal dos Estados Unidos saia de uma posição acomodatícia, de modo a que as taxas de juro subam, os mercados emergentes deparar-se-ão, de novo, com um ambiente macro-económico menos favorável, com crédito mais difícil e prémios de risco elevadíssimos", acentua, por seu lado, Paul Laudicina, responsável na A T Kearney pelos estudos sobre investimento estrangeiro.

Fonte: http://www.janelanaweb.com/crise/observatorio1.html


Deu na Brasil-Web

Potências Do Século XXI BRASIL

SIMULA um Planejamento de Longo Prazo de DEFESA e DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO E SOCIAL no Brasil no período de 15 anos entre 2006 e 2020, com Pesquisa Científica e Desenvolvimento Tecnológico Inovadores (P&D), Integração Orgânica das 3 Forças e Construção + Exportação de Meios de Combate pelo Brasil, contando com crescente Orçamento de Defesa Real entre 1 % e 2 % do PIB, com Alianças Estratégicas de Defesa Conjunta, e visando a uma larga multiplicação de efeitos sobre a economia e manutenção da soberania sobre seu imenso território, sobre as riquezas da Amazônia e da Área Marítima Jurisdicional.

Mas seu formato acompanha o caminho natural do País, que poderá ser a 3ª maior potência mundial em até 2 décadas, de acordo com estudos do próprio Pentágono (Defesa dos EUA), somente sendo ultrapassado pelos EUA e pela CHINA.

Um estudo do Banco de Investimentos Goldman Sachs (BRICs) divulgado em outubro de 2003, prevê que o Brasil estará entre as 5 maiores potências mundiais em 2050, mesmo seguindo com sua baixa taxa de investimento atual (de 19 % ao ano) e apresentando crescimento anual da economia medíocre, inferior a 4 %. É um estudo bem feito, porém baseado no passado, sem considerar as novas opções que começam a se apresentar.

Segundo o Embaixador Samuel Pinheiro Guimarães, Secretário-Geral do Ministério das Relações Exteriores (MRE), comparando os dez maiores países do mundo em área territorial, em Produto Interno Bruto (PIB) e riqueza naturais, só três conseguem posição de liderança nesses três quesitos: China, Estados Unidos e Brasil. O próprio Presidente Richard Nixon comentou nos anos 60 : "no Brasil está o futuro".

Certamente, esse futuro de grandeza para o Brasil terá em seu caminho os EUA, a CHINA e os futuros CRÉDITOS DE CARBONO do mundo industrializado e poluidor. A produção brasileira do Agronegócio estará dedicada a ALIMENTAR E MOVER VEÍCULOS (aqui produzidos) na China e nos grandes países industrializados a preços elevados, em poucos anos.

Na pior das hipóteses, o Brasil estará entre as 5 maiores nações até 2020 e precisará estar preparado para exercer suas responsabilidades e a defesa da DEMOCRACIA em diversas partes do mundo.

Portanto, deve-se ter uma visão de como será o mundo no ano 2020, um tanto distante do presente ano de 2004 e com razoável otimismo na capacidade nacional e nas mudanças positivas ora iniciadas, tanto internas quanto externas.

O mundo em permanente estado de transformação saiu há pouco tempo de uma situação de Guerra Fria entre dois grandes blocos representados pelos Estados Unidos e a Europa Ocidental de um lado, e pela então União Soviética (englobando a Rússia e os países da Europa Oriental) de outro, além da ameaça nuclear representada pela China, também comunista.

Nos próximos anos, crises ambientais, econômicas e políticas continuarão a acontecer, intensamente, e todos países, grupos, alianças e continentes procurarão seus caminhos e novas lideranças surgirão, normalmente, como antes, como sempre, preenchendo espaços deixados por outros, em ocaso.

A partir de sua dimensão gigantesca e dos próprios acontecimentos desse início de Século XXI, o Brasil começará a ter maior presença internacional em diversos aspectos, inclusive mostrando liderança em negociações, e seus interesses econômicos, sociais e políticos passarão a tornar-se crescentes e mundiais.

Outrora grandes potências do Século XX continuarão a decair cada vez mais fortemente, como Inglaterra, Japão, Alemanha, França e Itália. São países exauridos, com populações em franco decréscimo, em pleno "inverno demográfico", com verões de elevado aquecimento e com raros recursos naturais, os quais serão mais escassos, mais valorizados e muito disputados. Esses Países não serão mais competitivos em muitos campos e perderão importância, o que já vem acontecendo aos poucos, inexoravelmente.

Ressalte-se que a temida Globalização e as tentativas de uma Nova Ordem Mundial tendem a conduzir e representar mais e mais um mundo de polaridades difusas imerso em novas Guerras Frias e em violentas crises, como as do Iraque, Israel e Coréia do Norte, tornando o ambiente mundial instável, temeroso e perigoso para o Planeta.

E ainda piores serão as disputas por sobrevivência causadas pelo aquecimento global e recursos escassos (água, combustíveis limpos, petróleo, alimentos, minérios, etc.), talvez muito antes de 2020.

RIQUEZAS E PROTEÇÃO

O Brasil dispõe de imensas fontes de recursos naturais de toda ordem, único povo e idioma, população em franco crescimento, mercado consumidor fantástico e sempre crescente, excelentes possibilidades de investimentos em agricultura, indústria e serviços, e de considerável proteção a catástrofes naturais.

Ainda é um País jovem, amadurecendo e procurando agora resolver seus sérios problemas, basicamente de inclusão social, o que virá a formar dezenas de milhões de novos consumidores e, consequentemente, uma nova e forte economia em grande escala. Trata-se de uma questão de tempo, ética, vontade e interesse maduro de Nação.

O Brasil tem fartura de ÁGUA DOCE em boa parte de seu território, sendo o mais rico do mundo. Somente a água doce encontrada na superfície representa 6,2 trilhões de m3, ou 17 % de todo o planeta. Mais isso ainda não é o total disponível.

Conta ainda com 71 % da maior reserva subterrânea de água doce do mundo, o AQUÍFERO GUARANI, com 50 bilhões de m3 úteis (com recarga das chuvas), que poderia abastecer, indefinidamente, ou por 2.500 anos, 360 milhões de pessoas. Sua área de 1,2 milhão de km2, é equivalente à Inglaterra, França e Espanha juntas, e está situada no espaço transfronteiriço do MERCOSUL, presente em 8 Estados do Brasil.

O gigantesco Aquífero Guarani no contexto da América do Sul.

Além disso, somente um dos reservatórios subterrâneos existentes no NORDESTE, região ameaçada de desertificação, possui um volume de 18 bilhões de m3 úteis, volume suficiente para abastecer toda a atual população brasileira por um período de, no mínimo, 60 anos.

Bacia Hidrográfica do Amazonas, a maior do mundo.

Todo o NORTE dispõe, mais que tudo, de inesgotável biodiversidade, de inimagináveis riquezas biológicas e minerais, como o petróleo, ainda a serem corretamente exploradas, mas já superficialmente calculadas em mais de US$ 4 trilhões.

O Sistema de Vigilância da Amazônia - SIVAM, parte do Sistema de Proteção da Amazônia - SIPAM, já é uma realidade desde julho de 2002.

O Brasil possui a maior parte da AMAZÔNIA (5,2 milhões de km2), o que significa 1/3 das florestas do mundo, ar e água doce abundantes. Sua reserva hídrica é a maior de todo o planeta, o que já lhe confere valor incalculável. Somente o Rio Amazonas despeja, diariamente, mais de 10 % de toda a escassa água doce do planeta no Oceano Atlântico.

Uma futura LIGAÇÃO NORTE-NORDESTE (LNN), com ÁGUA, CIVILIZAÇÃO, e um gigantesco POTENCIAL SINÉRGICO, inigualável no Planeta, fará com que produzam em menos de uma década mais do que CINCO CALIFÓRNIAS, a região mais rica dos Estados Unidos. Com isso, será garantida a soberania e o futuro promissor do Brasil, definitivamente.

Somente a redução do carbono terrestre proporcionada pelas novas florestas já terá valor inestimável para a humanidade. Portanto, aqui e em seus biocombustíveis poderão ser investidos os futuros CRÉDITOS DE CARBONO do mundo, brevemente em centenas de bilhões de Dólares anuais.

Defesa da Amazônia

Todo o TERRITÓRIO BRASILEIRO de 8.511.965 km2 corresponde, simplesmente, à maior área habitável e ainda disposta a ser produtiva em todo o mundo. Isso será de valor incalculável e sua conquista será muitíssimo desejada.

Sua Agricultura já explora hoje 50 milhões de hectares, colhendo 126 milhões de toneladas/ano. Porém, relatório da USDA revela que o País ainda pode agregar outros 170 milhões de hectares, igual a toda a área plantada dos EUA hoje, sem contar com a Amazônia e um futuro Nordeste irrigado. Apenas o Mato Grosso possui 90 milhões de hectares e não chega a explorar 5 milhões. Além disso, a Agricultura deverá ocupar outros 30 milhões dos 200 milhões de hectares hoje usados por pastagens para a pecuária.

Com essas novas áreas, a área total quintuplicará, chegando a 250 milhões de hectares, e podendo atingir uma produção anual de grãos total próxima a 600 milhões de toneladas. Com o advento do LNN, o que aumentará a produção em mais 400 milhões de toneladas, as estimativas de colheitas de grãos saltam para 1 bilhão de toneladas anuais. Isso poderá e deverá alimentar e mover o mundo (energia renovável) neste Século XXI. Uma imensa oportunidade.

Hidrovias (Ministério dos Transportes)

O próprio Worldwatch Institute (WWI-UMA) já argumenta hoje que a futura competição (ou guerra) mundial pela água provavelmente ocorrerá nos mercados mundiais de grãos, pois seus exportadores são, efetivamente, exportadores de água (utiliza-se 1.000 toneladas de água para produzir 1 tonelada de grãos) em crescente déficit em um mundo a caminho da desertificação.

Haverá uma explosão mundial nos preços dos alimentos e antes de 2020 a CHINA deverá estar importando acima de 2 bilhões de toneladas de alimentos ao ano, igual a todo o montante consumido no mundo hoje.

"Um 11 de Setembro Ambiental será um evento catástrófico próximo, que virá na forma de uma alta maciça no preço dos alimentos, causada pela queda na produção de grãos da China, resultado do aquecimento global e da escassez de água." Lester Brown - WWI

O OCEANO ATLÂNTICO é outra fantástica fonte de riquezas do Brasil. Sua costa de 7.491 km e sua área marítima de 4,5 milhões de km2, a Amazônia Azul, também de valores incalculáveis, serão fundamentais para o futuro do País.

Por sua causa, o Brasil já será auto-suficiente em petróleo em 2006 e um grande exportador mundial antes de 2008. Novas tecnologias permitirão mais e vultosas explorações minerais de toda ordem, junto com as biológicas. E as rotas comerciais no Atlântico Sul serão cada vez mais importantes .

Plataformas no Campo Gigante de Namorado da Bacia de Campo, litoral do Rio de Janeiro.

Isso tudo deve ser inserido em um quadro mundial de crescente escassez em contraposição ao explosivo excesso populacional e brutal acúmulo de riqueza do decadente Hemisfério Norte.

A água e as áreas para agricultura não vêm se renovando, como antes. E o petróleo vem acabando no planeta. A água mesmo já encontra-se no cerne de um número cada vez maior de tensões internacionais. A ONU calcula que 300 rios são hoje objeto de conflitos fronteiriços e que a desertificação avança fortemente, pois 4 dos 12 bilhões de hectares de um mundo em franco aquecimento já estão ameaçados agora.

E esse será o modelo dos grandes problemas mundiais no Século XXI, com uma mudança radical no paradigma da guerra, porque os espaços de terra útil, a água, os alimentos e os combustíveis redutores de carbono tendem a ser recursos ainda mais escassos que o escasso e poluente petróleo, causa das guerras no Oriente Médio.

O Brasil terá papel fundamental no fornecimento dessas necessidades da humanidade (água, alimentos, combustíveis limpos e redução de carbono) a custos explosivamente crescentes, pela lei da oferta e da demanda. Nesse ambiente, antes de 2020, ambiciosos e desesperados unidos podem e vão provocar muitas guerras por tais recursos, desde as comerciais e econômicas - as modernas Guerras Frias - até as de uso da força a todo custo, validadas pela ânsia de conquista e sobrevivência de povos inteiros.

Isso tudo é verdadeiro e tem que ser PROTEGIDO porque a cobiça foi, é e sempre será inerente à humanidade. Muitos países e grupos, prevendo sua inviabilidade com a crescente falta de recursos naturais mundiais, estão e estarão francamente interessados em conquistar nossas riquezas com base em nossas presentes e tão conhecidas fraquezas.

"O mais estratégico dos recursos para a sobrevivência na guerra do Século XXI é a tecnologia inovadora, que precisa ser dominada a todo custo, evitando-se dependências de terceiros."

Aqui começa nossa FICÇÃO para até 2020 :

INTRODUÇÃO

Para chegar-se a um modelo de revolução de Inovação Tecnológica, passando por forte evolução em Pesquisa Científica e Desenvolvimento Tecnológico (P&D) e seus resultados nas esferas de emprego civil e militar, é necessário que a Economia do País seja antes conduzida de modo estável e realmente profissional, com planejamento a longo prazo, além de um ou dois mandatos de governo, com real visão de Desenvolvimento Econômico e Social.

Como exemplo, espera-se do novo governo brasileiro políticas agrícola, mineral, industrial e de serviços abrangentes, amparadas pelo investimento em áreas sociais, principalmente, em educação & conhecimento, para a formação de um gigantesco Mercado Interno.

Espera-se ainda uma política exterior engajada em forte e consistente promoção comercial, na abertura de mercados e investimentos de longo prazo, e que seus Recursos Hídricos (2) sejam eleitos como prioridade de conservação e proteção para o futuro e de utilização inteligente.

Bacias Hidrográficas do Brasil (em Prossiga).

O Brasil deverá buscar fortalecer os laços de amizade com aqueles que possam, sobretudo, impulsionar a expansão de seu ''espaço da prosperidade''. Aposta-se na expansão do Mercosul para um Mercado da América do Sul e em acordos bilaterais e multilaterais com China, Índia, Associação do Sudeste Asiático, Rússia, África do Sul e África, União Européia, e o Grupo de 22 Países do Oriente Médio.

Porém, o acordo mais aguardado nesse início de Século XXI e que pode revolucionar a economia brasileira a curto prazo é o dos PAÍSES BALEIAS. Se no estudo BRICs (Brazil, Russia, India and China) o Brasil aparece como a 5ª maior potência mundial em 2050, atuando sozinho e com as deficiências atuais, poderá ser muito melhor aproveitado com esse acordo, e todos os 4 terão seus melhores resultados atingidos com 30 anos de antecedência, já em 2020.

Prevê-se a conclusão do acordo com a União Européia ainda para 2004. A ALCA também poderá ser formalizada em janeiro de 2005, qualquer que seja o seu patamar. Estes são os dois maiores mercados consumidores do mundo atual.

Uma visão internacional completa do Brasil está no ESTUDO INAE do Ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, de maio de 2003 : "As Transformações na Ordem Mundial e as Posições Multilateral e Regional do Brasil".

A ECONOMIA BRASILEIRA NO FUTURO

PROJEÇÃO PARA 2020

Como simulação de projeção para o ano de 2020, o ECONOMIA BR entende que o PIB brasileiro, caso tivesse se desenvolvido a contento nos anos 80 e 90, já poderia estar hoje em US$ 5 trilhões, metade do PIB dos EUA, e seu patamar de direito, a ser conquistado aberto ao comércio com o mundo.

A AGRICULTURA no Brasil é vista hoje como a semente que pode transformar o País e levá-lo a uma condição de respeito incontestável no mercado internacional, vindo a assumir esse destacado papel que lhe cabe na economia mundial, pois será o maior produtor de alimentos do mundo em 2012, de acordo com a ONU.

E as chaves para isso são a CHINA e os CRÉDITOS DE CARBONO. A produção brasileira do Agronegócio estará dedicada a ALIMENTAR E MOVER VEÍCULOS nesse país, nos demais PAÍSES BALEIAS e nos grandes países industrializados a preços elevados, em poucos anos. A atual crise do Petróleo com o barril acima de US$ 40 demonstra esse caminho.

Colheita no Brasil.

O País precisa investir no aprimoramento da infra-estrutura, tecnologia, meio-ambiente e educação para ser imbatível onde realmente tem diferenciais exclusivos : na agricultura e na indústria de alimentos. Neste Século XXI, o Brasil terá papel fundamental no fornecimento das necessidades da humanidade (água, alimentos e biocombustíveis) a custos explosivamente crescentes, pela lei da oferta e da demanda.

Para que o Brasil atinja um PIB ainda maior, de US$ 6 trilhões até 2020, a valores atuais, algumas áreas deverão ser extremamente incentivadas :

Educação

Investimento Estrangeiro Direto

Comércio Exterior

Agronegócio

Biocombustíveis

Infra-Estrutura & Logística

Ligação Norte-Nordeste

Indústria de Ponta

EDUCAÇÃO

Para o Brasil criar um gigantesco Mercado Interno, com alta renda e completa inclusão social, o primeiro passo será universalizar a educação, com grande acréscimo no tempo e na qualidade de estudo.

Toda criança em qualquer localidade terá creche a partir de 1 ano de idade, onde receberá todos os cuidados para seu perfeito desenvolvimento físico, emocional e intelectual. Mães carentes serão estimuladas e apoiadas para poderem oferecer o melhor atendimento a seus filhos, serão educadas e também instruídas a como fazerem o necessário planejamento familiar, em prol de um futuro melhor, como já é de praxe nas classes mais favorecidas.

Através do Programa Bolsa Escola, será implantado ensino obrigatório de 14 anos de duração, com acréscimo de mais 2 anos de formação técnica profissionalizante para quem não for cursar ensino superior.

A formação pré-escolar será feita dos 3 aos 5 anos de idade e dará início ao embasamento ético e moral necessário a uma Nação. O ensino fundamental terá início mais cedo, aos 6 anos, indo aos 13 anos. O ensino médio será feito entre 14 e 16 anos. Teremos 3 + 8 + 3 anos = 14 anos. Mais 2 = 16 anos no total.

Será estimulado o ensino superior para triplicar até 2013 as 3 milhões de vagas atualmente disponíveis, universalizando o acesso (cotas e cursinhos pré-vestibulares, como na UERJ e na USP) e manutenção dos estudantes carentes e provocando uma real redistribuição da renda nacional. Igual esforço será aplicado a níveis de mestrado e doutorado.

Introduzir-se-á formação profissionalizante, inicialmente, através das Forças Armadas para todo o contingente potencial anual, homens e mulheres (quadro superior a 2,5 milhões de pessoas), com verbas externas adequadas.

Como começou a ser feito em todo o País em 2003, esportes de todos os tipos serão oferecidos a milhões de crianças antes ou depois das aulas, para que possam estar livres de pressões malignas e até construírem carreiras esportivas visando a um digno Esforço Olímpico Nacional. Este programa contará com total apoio e estrutura dos 3 níveis de governo e financiado por elevados impostos sobre jogos (bingos sem máquinas) e loterias regularizados.

Daiane Dos Santos é OURO.

Transformar-se-á os programas sociais como o Fome Zero e Bolsa Família em alavancas para o crescimento sustentável de comunidades e regiões, com o desembolso de verbas ligado ao incentivo e à exigência de contrapartidas, como educação formal, formação profissional, saúde preventiva e planejamento familiar com controle de fertilidade feito pelas próprias famílias (justo acesso a métodos anticoncepcionais largamente usados pela classe média).

Com essas contrapartidas, construir-se-á um CÍRCULO VIRTUOSO, levando milhões de excluídos a uma grande Reforma Agrária, e incluindo-os na organização de milhares de cooperativas pelo País. Consequentemente, as grandes cidades sofrerão um positivo processo de emigração (para fora) dos explosivos excessos populacionais atuais, com estímulos. A renda nas cidades poderá voltara a crescer, trazendo novo desenvolvimento e qualidade de vida.

Com US$ 4 bilhões anuais, será possível atingir um universo superior a 60 milhões de pessoas (em núcleos de 15 milhões de famílias). Tal investimento trará resultados por todos os lados: sociais, educacionais, econômicos (PIB), financeiros e produtivos.

INVESTIMENTO ESTRANGEIRO DIRETO

O Brasil possui hoje um estoque de Investimento Estrangeiro Direto (IED) de US$ 236 bilhões (resultado acumulado entre 1990 e 2002), segundo a Conferência das Nações Unidas para Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD). Porém, em 2003, a entrada foi de US$ 10 bilhões, em tempos de reformas.

O estoque de investimentos estrangeiros dos EUA é de US$ 1,4 trilhão. O da China já é de US$ 443 bilhões, sendo que recebeu US$ 53 bilhões só em 2002. A China só perde hoje para os EUA, Grã-Bretanha (com 639) e Alemanha (452). Espera-se que a CHINA ultrapasse os EUA antes de 2010.

China com seus vizinhos.

O Brasil já ocupa o 8º lugar na lista. Em 1990, detinha apenas US$ 37 bilhões. Entretanto, precisa competir com a China, os EUA e o resto do mundo para subir à 3ª posição até 2020.

Os incentivos do Brasil a esses investimentos estrangeiros, hoje avaliados em um total de mais de US$ 7 trilhões no mundo, serão o maior indicativo de qual será o caminho do País para o desenvolvimento. Será necessário atrair muito mais que US$ 50 bilhões anuais para que ocorra um forte crescimento e há condições para isso. O Caminho ? Está nas demais áreas aqui tratadas e nos CRÉDITOS DE CARBONO.

A questão das mudanças climáticas fez surgir no mundo um novo mercado, o de Créditos de Carbono, que pode gerar, em uma só tacada, enormes oportunidades de ganho ambiental, social e econômico para o Brasil.

Estima-se que o mercado anual de carbono da UE venha a representar mais de US$ 10 bilhões em 2005 devido às extremas mudanças climáticas (a Europa ardeu em seu verão de agosto). O mercado dos EUA deverá valer mais de US$ 20 bilhões anuais e do Japão outros US$ 10 bilhões. O mercado mundial pode ser estimado em mais de US$ 60 bilhões apenas em 2005.

Em 2010, tal valor poderá ser multiplicado por 3, 5 ou 10. Tudo depende do aumento da temperatura global, causado pela poluição e devastação ambiental, que nunca (em 400.000 anos) esteve tão alta na Terra. Isso provocará um perigoso e também lucrativo efeito em cadeia. Se é um problema por um lado, também é uma oportunidade por outro.

O Brasil deverá capacitar-se para atrair para si esses Créditos de Carbono em valores explosivamente crescentes, tanto na geração de Energia Limpa como na preservação ambiental e ampliação de suas florestas (veja abaixo em LNN), que absorvem o CO2 e reduzem a temperatura global. Será como atuar na prevenção e na limpeza, ganhando pelos 2 lados, simultaneamente.

COMÉRCIO EXTERIOR

Em 2003, o Brasil teve um saldo comercial de US$ 24,829 bilhões. Na simulação do ECONOMIA BR, já a partir de 2005 concentrará todas as atenções empresariais em sua nova cultura exportadora (agressiva, desburocratizada e desonerada de impostos) em todos os campos, visando alcançar os seguintes saldos comerciais futuros até 2020, a valores atuais :

Saldos Comerciais de Produtos e Serviços - US$ Bilhões

ANO 2005 / 2008 AGRO 40 / 110 MIN 10 / 20 IND 5 / SERV 5 / TOTAL 50

ANO 2005 AGRO 40 MIN 10 IND 5 SERV 5 TOTAL 50

ANO 2008 AGRO 110 MIN 20 IND 15 SERV 5 TOTAL 150

...

2012 290 40 45 25 400

2015 500 90 100 60 750

2020 750 150 200 100 1.200

MIN = Minerais (minerais, petróleo, água em granel).

Para um PIB de US$ 6 trilhões em 2020, o saldo comercial de produtos e serviços será de US$ 1,2 trilhão (20 % do PIB). As exportações serão de US$ 2,1 trilhões contra importações de US$ 900 bilhões. O comércio total será de US$ 3 trilhões, representando exatos 50 % do PIB de 2020.

Esse comércio de bens e serviços significa que a economia do País estará intimamente ligada ao mundo, ao contrário de hoje, em que representa somente 1 % do comércio mundial. Passará a representar mais de 10 %.

O Brasil dominará mercados importantes como os de água, alimentos e biocombustíveis (todos beneficiados). Será ainda um grande exportador de produtos de alto valor agregado, devido aos enormes investimentos em inovação e renovação tecnológica, com educação, pesquisa & desenvolvimento, e também à gigantesca escala de produção e trocas com seus parceiros principais : CHINA, Índia & Ásia, África do Sul & África, e Rússia, os PAÍSES BALEIAS, além da América Latina. Some-se possíveis avanços com UE e ALCA.

AGRONEGÓCIO

O Brasil vem colhendo 125 milhões de toneladas de grãos (mt) na safra de 2003/2004. Isso resultará em saldo comercial agrícola de US$ 25 bilhões na parcela hoje exportada (previsão para 2004).

O País explora hoje somente 45 milhões de hectares (mh), devendo atingir quase 50 (>47) mh na próxima safra. Porém, recente relatório do USDA (Departamento de Agricultura dos EUA) revela que o País ainda pode agregar outros 170 mh, igual a toda a área plantada dos EUA hoje, sem contar com a Amazônia e um possível futuro Nordeste irrigado. Além disso, deverá ocupar outros 30 mh hoje usados por pastagens para a pecuária.

Com essas novas áreas, a área total cultivada no País quintuplicará, chegando a 250 milhões de hectares, ou 47 % a mais que os EUA (já no seu limite, além de amplamente subsidiado e protegido), podendo atingir uma produção anual de grãos total próxima a 600 mt.

Colheita no Brasil.

Contando-se com a Amazônia (parte mínima dos 5,2 milhões de km2) e com o Semi-Árido do Nordeste irrigado pelo desvio de águas do Norte, como dos Rios Parnaíba e Tocantins (ver abaixo em LNN), e com o manancial hídrico de seu subsolo (aqüíferos), além de constantes e inestimáveis avanços de produtividade e genética, chegarão tais estimativas a 1 bilhão de toneladas (bt) por ano. Esse montante representa a multiplicação das colheitas atuais por um incrível fator de 8 até 2020, em apenas 17 anos.

A crescente e explosiva demanda por alimentos no mundo, a falta de água em muitas regiões produtoras e a necessidade de biocombustíveis, ou combustíveis renováveis (caso do óleo de soja, girassol e mamona e do álcool da cana) nos países ricos, em obediência ao Protocolo de Quioto (2), com seus CRÉDITOS DE CARBONO, são apontados como os principais motivos para a forte expansão da agricultura brasileira no futuro próximo.

Em 2004, o mundo está consumindo mais de 2 bt de alimentos, sem contar o montante referente a combustíveis renováveis. Já em 2015 (12 anos), esse consumo deverá ser, pelo menos, 1,5 vezes maior, ou 3 bt. Somando-se os combustíveis renováveis então amplamente difundidos pelo mundo e calculados em 1 bt, chega-se a um consumo agregado de 4 bt.

O Brasil estará aumentando sua produção a passos gigantescos, a caminho de 1 bt de grãos anuais (em 2020), porém, a produção mundial não terá conseguido acompanhar o crescimento para 4 bt em 2015, sendo que, em muitas partes, entrará em colapso por causa do aquecimento global e a falta de água (China, Índia e EUA), além de outros recursos, passando a existir revoltas e guerras em muitos países e regiões. Os preços dos alimentos e biocombustíveis explodirão.

O Worldwatch Institute - WWI-UMA (grãos) (águas) argumenta hoje que a futura competição mundial pela água provavelmente ocorrerá nos mercados mundiais de grãos, pois seus exportadores são, efetivamente, exportadores de água (utiliza-se 1.000 toneladas de água para produzir 1 tonelada de grãos), em crescente déficit no mundo.

Os lençóis freáticos já estão caindo, continuamente, nas principais regiões produtoras de alimentos – a planície norte da CHINA (responsável por 1/3 da colheita de grãos do mundo), o Punjab na Índia (celeiro de quase 1,1 bilhão de pessoas) e o sul das Grandes Planícies dos Estados Unidos (que faz deles os ainda maiores exportadores mundiais de grãos). Satélites dos Estados Unidos revelam que milhares de lagos no norte chinês literalmente desapareceram e surgiram perigosas nuvens de Poeira da China. Tudo isso levará a uma explosão mundial nos preços dos alimentos.

"Um 11 de Setembro Ambiental será um evento catástrófico próximo, que virá na forma de uma alta maciça no preço dos alimentos, causada pela queda na produção de grãos da China, resultado do aquecimento global e da escassez de água." Lester Brown - WWI

No meio disso tudo, o incomensurável mercado chinês cresce meio Brasil (85 milhões de pessoas) a cada ano. Seu atual mercado consumidor estimado em 400 milhões de pessoas (de 1,3 bilhão de habitantes) já é maior que Brasil e Estados Unidos juntos. Desde os anos 90, a CHINA cresce a uma média anual superior a 8%. Até 2015, terá quadruplicado sua economia e terá mais de 1,5 bilhão de consumidores, com real poder aquisitivo. Sozinha, deverá estar importando mais de 2 bt ao ano antes de 2020.

Atualmente, o Brasil produz somente 6,25 % do consumo mundial (125 mt / 2 bt). Em 2015, poderá estar exportando excedentes de 20 % desse consumo (800 mt / 4 bt), tornando-se líder absoluto do mercado mundial. Seguirão a Argentina e a Austrália (se não virar um deserto, pois está ameaçada).

Colheita no Brasil.

O saldo comercial do agronegócio brasileiro poderá atingir a cifra anual de US$ 500 bilhões a partir de 2015, ou 20 vezes o saldo atual (500/25). Os preços agrícolas serão, pelo menos, 3 vezes superiores aos atuais (de US$ 200 para > US$ 600 a tonelada em valor presente). Daí para 2020, o saldo crescerá em 50 % somente pelo lado dos preços. Isso estará puxando e alavancando todo o resto da economia para patamares ainda muito superiores.

Enfim, já a partir de 2004 o Brasil deverá começar a tirar o justo partido do fim de subsídios de US$ 300 bilhões para a agricultura no Hemisfério Norte (EUA, UE, Japão e até da China) e da necessidade dos países ricos atenderem ao Protocolo de Quioto (redução de emissões de CO2) pelo desenvolvimento ambientalmente amigável, adicionando mais e mais combustíveis renováveis a suas hoje poluentes matrizes energéticas e disponibilizando mais e mais CRÉDITOS DE CARBONO.

BIOCOMBUSTÍVEIS

A maior parte do petróleo consumido no mundo deverá ser misturado e substituído por combustíveis renováveis (não-convencionais), a médio e a longo prazo. Portanto, biocombustíveis como o álcool e o biodiesel representarão ao Brasil um saldo comercial superior a US$ 100 bilhões em 2015, dentro do saldo acima. Este será o valor pago pelo mundo industrializado e poluidor para que sejam atingidas as crescentes metas de redução de suas emissões de carbono, que aquecem o Planeta.

Como exemplo disso, o Japão acaba de aprovar legislação permitindo a mistura de até 10 % de biocombustíveis à gasolina. No mundo, só o Brasil poderá atender a esta demanda hoje estimada em 7 bilhões de litros (bl) de álcool anidro por ano.

Como a safra 2003/04 no Brasil foi de 14 bl de álcool, apenas o mercado japonês representará em 5 anos um acréscimo anual de 50 % na produção nacional, indo a 21 bl. Com o resto da Ásia e a China seguindo o mesmo caminho, a produção nacional de álcool deverá triplicar até 2008 (42 bl). E isso se o percentual de mistura ficar em 10 %, modesto se comparado aos 25 % praticados internamente. Com 25 %, a demanda passaria de 100 bl ao ano, algo simplesmente inimaginável hoje. Isso deverá ser muito caro.

Outro biocombustível, o biodiesel será um dos combustíveis do futuro, por ser um éster de óleo vegetal, portanto, de origem renovável, sem poluir a atmosfera.

O Brasil passará a ter saldo comercial acima de US$ 1 bilhão em petróleo a partir de 2006 (Petrobras já teve pequeno saldo positivo de US$ 200 milhões em 2003), passando a ser grande Player mundial a partir de 2008, e tendo vendas mundiais anuais acima de US$ 20 bilhões em 2015.

Paulatinamente, passará a fazer somente venda casada de biocombustíveis já misturados à gasolina, com maior valor agregado, antes que terceiros o façam. O disputado fornecimento desses verdadeiros combustíveis redutores de carbono também estará associado à venda de veículos aqui produzidos, e por indústrias com capitais eminentemente NACIONAIS.

INFRA-ESTRUTURA & LOGÍSTICA

Investir em Parcerias Público-Privadas (PPP) mais de US$ 200 bilhões entre 2006 e 2015 (10 anos) e mais US$ 300 bilhões até 2020 (5 anos), garantirá o suporte básico para todo o desenvolvimento econômico e social para o Brasil atingir o almejado PIB de US$ 6 trilhões até 2020.

Serão construídas as ligações nacionais e internacionais, de regiões e países da América do Sul, levando a mais produção e escoamento em todas as direções necessárias, como as saídas para o Pacífico (Chile e Peru) e Caribe (Venezuela).

O transporte inter-modal será privilegiado, com interligações de ferrovias, rodovias, hidrovias, juntamente com a cabotagem e o transporte aéreo continentais. A grande revolução será a LNN :

Portos (Ministério dos Transportes)

LIGAÇÃO NORTE-NORDESTE (LNN)

A LIGAÇÃO NORTE-NORDESTE (LNN) é um processo necessário para o desenvolvimento sustentável de ambas as Regiões, pois uma tem ÁGUA (sem homens) e a outra tem CIVILIZAÇÃO (desertificando).

Juntas, detêm o maior potencial sinérgico em todo o Planeta, que luta para reduzir as emissões de carbono (feito por biocombustíveis) e também para limpá-las (feito pelas florestas). Aqui poderão ser investidos os futuros CRÉDITOS DE CARBONO do mundo.

A irrigação do Nordeste é fundamental para o futuro sucesso de qualquer Plano de Nação que se desenhe. Importa saber qual caminho deve ser percorrido para atingir-se a melhor relação custo x benefício, ou seja, atingir-se um nível de excelência nos resultados a partir de investimentos escassos e preciosos, tanto quanto a água do Semi-Árido (futuro deserto) o é, nessa situação.

A transposição das águas do Rio São Francisco (Velho Chico) é a melhor, mas não a única opção de desenvolvimento com irrigação, já que somente um dos reservatórios subterrâneos existentes no NORDESTE possui um volume de 18 bilhões de m3 úteis (reposto pelas chuvas), volume suficiente para abastecer toda a atual população brasileira por um período de, no mínimo, 60 anos. Esses aqüíferos deverão ser explorados de forma cautelosa, porém intensiva dentro dos limites de reposição.

Além disso, a AMAZÔNIA (com 5,2 milhões de km2), dona de 1/3 das florestas e da maior reserva hídrica do mundo, poderá assistir fortemente na irrigação do Nordeste, simplesmente :

AMPLIANDO-SE.

Somente o Rio Amazonas despeja, diariamente, mais de 10 % de toda a água doce do planeta no Oceano Atlântico, o que é um desperdício monumental, tanto de água como de biodiversidade, que poderia somar-se e adaptar-se à da Caatinga, multiplicando-se as duas e trazendo riquezas ambientais, econômicas e sociais.

Parcela dos recursos hídricos do Norte será dirigida e utilizada até o Nordeste através de NOVOS GRANDES CANAIS de irrigação e transporte, em um sistema inédito de transposições com rios de diferentes BACIAS HIDROGRÁFICAS (2) (3).

Também serão aproveitados Rios de Bacias mais próximas, como o Rio Tocantins (com 12.000 m3/s) da Bacia Tocantins-Araguaia e o Rio Parnaíba da Bacia Atlântico Norte e Nordeste. Estes abastecerão e alimentarão a Bacia do São Francisco (hoje com apenas 2.800 m3/s) e a própria Bacia do Nordeste, criando assim uma forte matriz para os GRANDES CANAIS da LIGAÇÃO NORTE-NORDESTE.

Este SISTEMA DE GRANDES CANAIS (SGC) percorrerá diferentes caminhos pelas 2 Regiões, Norte e Nordeste, e serão integrados para compensações de equilíbrio. Com isso, o SGC será o braço principal de milhares de mini-canais de irrigação e ainda suportará a formação de longas hidrovias, como engenhosamente executado há séculos (sem os presentes recursos de engenharia) no Grande Canal da China (2) (3), um gigantesco sistema de irrigação, construído há quase 1.400 anos (486 a 610 DC).

Trata-se do mais longo canal artificial do mundo, com 1.795 km, ligando Hangzhou na Província de Zhejiang (Sudeste) a Pequim (Nordeste), com as águas do 3º rio mais longo do mundo, o Yangzi. Possui 24 docas e 60 pontes. Ele será estendido agora no início do Século XXI de Hangzhou para Nimbo (também na Província de Zhejiang), completando 5.000 km.

Por séculos, serviu para transportar grãos produzidos no Sul para Pequim. Fazendo esse comércio pelo interior, os chineses evitavam os piratas que infestavam o litoral.

O Grande Canal da China.

No Brasil, essas hidrovias de GRANDES CANAIS estarão conectadas em um magnífico sistema de transporte inter-modal, interligando toda a Nação, o Atlântico e saídas para o Pacífico, que será o Sistema de Transportes Brasileiro (STB) interligado ao Sistema de Transportes do AMERCOSUL (STAM).

Hidrovias (Ministério dos Transportes)

Para tal, será implementada a ferrovia TRANSNORDESTINA, interligando todos os grandes portos do Nordeste (Itaqui, Suape e Pecém) aos do Norte, e terá extrema utilidade a controvertida Rodovia TRANSAMAZÔNICA, alongada ao Nordeste, a qual deverá cumprir seu papel original de levar o Nordestino a ocupar a Amazônia, integrando-a ao Brasil para sempre. Também passará a ter o papel de desenvolver a Macro-Região continental NORTE-NORDESTE.

Vista parcial do Terminal Portuário do Pecém.

Tendo o STB, o SGC e os Aqüíferos, o NORTE e o NORDESTE INTERLIGADOS produzirão com sinergia em menos de uma década mais do que CINCO CALIFÓRNIAS, a região mais rica dos Estados Unidos (e também irrigada). Isso já deverá ser necessário para atender aos dois grandes mercados do futuro próximo: a CHINA (e a Ásia) e os CRÉDITOS DE CARBONO.

O NORTE e o NORDESTE desistirão de crescer como eternas ilhas separadas de competência e terão enorme sucesso global como um ARQUIPÉLAGO DE EXCELÊNCIA, formando a futura LIGAÇÃO NORTE-NORDESTE e garantindo sua soberania ao Brasil.

Com ÁGUA, CIVILIZAÇÃO, e um gigantesco POTENCIAL SINÉRGICO, inigualável no Planeta, a LNN fará aumentar a produção brasileira de grãos, somente na Região, anualmente, para (hoje) inimagináveis 400 MILHÕES DE TONELADAS.

Em suma, possível perda parcial de florestas do NORTE (Amazônia) e a desertificação do NORDESTE (Semi-Árido) não serão mais o PROBLEMA, pois unindo-se ambas as Regiões com a LNN, haverá ainda mais florestas (manejadas para a redução do carbono mundial) e a ameaça de desertificação estará eliminada. Esta é a SOLUÇÃO para o sucesso do Brasil e para a fome no Mundo.

Uma informação impressionante, que serve para alimentar o desejo para tal projeto e indicar o caminho, é que até a SOJA começa a ser plantada no Semi-Árido do Nordeste, em Limoeiro do Norte, irrigada com o sistema de pivô central, experiência que já está sendo espalhada por toda a Macro-Região com o uso do SGC.

INDÚSTRIA DE PONTA

Como Indústria de Ponta não deve-se considerar somente indústrias de eletrônicos (exemplo), mas todas aquelas que dela se utilizam. Nesse contexto, incluem-se as indústrias aeronáutica e automotiva.

Todo o estímulo deverá ser dado à indústria brasileira de autoveículos e de máquinas agrícolas, que fechou 2003 com vendas externas de US$ 5 bilhões, US$ 1 bilhão acima de 2002. A própria Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) projeta que o País deverá estar exportando US$ 8 bilhões em 2005.

Com a universalização do Protocolo de Quioto, novas tecnologias de biocombustível, como o biodiesel (de mamona, soja, girassol, etc) e o novo motor flex-fuel (gasolina e álcool), representarão a fantástica alavanca para o País buscar patamares de exportações acima de US$ 20 bilhões ao ano para seus veículos, além de novos patamares também obtidos com os próprios combustíveis redutores de carbono, que moverão esses veículos.

Em uma abordagem mais ampla, até a indústria alimentícia do futuro será considerada como de ponta, quando o clima mudar o mundo e novas e urgentes necessidades despontarem. Esse será o desafio do Brasil.

BIBLIOGRAFIA

1) Livro com download gratuito - de Lester Brown, fundador do WWI : WWI-Worldwatch Institute / UMA-Universidade Livre da Mata Atlântica.

ECO-ECONOMIA - Uma Nova Economia Para a Terra

2) Estudo elaborado pelo Banco de Investimentos Goldman Sachs sobre as maiores economias do mundo em 2050. Página conduz ao download de 508 kb em PDF (importante conhecer) :

BRICs - Brazil, Russia, India and China

O mundo sempre esteve dividido em grupos, polarizado, com objetivos comerciais e de acesso a mercados. Acordos comerciais e econômicos são uma tradição da humanidade e no Século XXI as Alianças Estratégicas serão cada vez mais estimuladas, procurando-se alcançar um planeta multipolar e mais seguro.

Enquanto o Brasil atual procura o mundo para exportar com todo seu vigor, formalizando diversos acordos em uma inédita movimentação mundial em 2003 e 2004, também prepara-se para ser a grande potência mundial no Agronegócio em um futuro de seca generalizada, petróleo caro e fortes mudanças econômicas.

O Brasil vem buscando associar-se comercial e estrategicamente com os outros países do Estudo BRIC da Goldman Sachs (Brasil, Rússia, China e Índia), além da África do Sul, que já faz parte da Aliança do G-3, que também inclui a Índia, pois todos têm complementaridade entre si.

Portanto, essa iniciativa do Brasil em relação à China aponta no sentido de consolidação de um novo e promissor eixo de intercâmbio comercial, econômico, tecnológico e científico de um novo e promissor G-5.

Em 24 de maio, o Presidente Lula desembarcará em Pequim para dar mais um impulso a essa associação e a uma relação diplomática de 30 anos. Enorme comitiva de empresários, banqueiros e potenciais investidores - estimada em 400 participantes - estará acompanhando a visita presidencial.

Em seu programa de rádio de 17 de maio, Lula disse: "Esta viagem demonstra a certeza que têm o governo brasileiro e os empresários de que esta parceira estratégica que vamos fazer com a China pode ser muito importante para a economia brasileira".

As conveniências para ampliar essa relação são facilmente identificáveis tanto para China, quanto para o Brasil. Mas o caminho a percorrer é longo. As exportações brasileiras para a China, apesar de estarem crescendo em grande ritmo ainda são ínfimas. Conta-se nos dedos as empresas brasileiras presentes em território chinês. Os empresários chineses vendem muito aqui, mas ainda não há significativos investimentos diretos no país. Mas esse é o FUTURO.

PAÍSES BALEIAS

Uma grande Aliança Estratégica, englobando interesses comerciais, econômicos, tecnológicos e científicos entre os 5 Países BALEIAS - Brasil, China, Índia e Rússia - e mais África do Sul, vem sendo estruturada por seus governos desde 2003.

Em setembro de 2003, o Presidente Lula confirmou intensas negociações para a criação do bloco. Uma Aliança Estratégica entre Brasil e China estará sendo anunciada nesta viagem presidencial em maio de 2004, talvez já incluindo a China no G-3 (G-4). O próximo passo do grupo será incluir a Rússia (G-5).

Principalmente a integração econômica entre eles será interessante para todos, pois são complementares em sua grandeza. Esta ALIANÇA DOS PAÍSES BALEIAS promete revolucionar o mundo como hoje conhecemos, pois juntos formam o mercado gigante do futuro, com escala formidável e até inimaginável hoje.

COMPLEMENTARIDADE COM A CHINA

Em novembro de 2003, o Brasil propôs à China formar uma comissão de alto nível para estudar estratégias de parceria na área do agronegócio. O ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Roberto Rodrigues, disse ao vice-ministro da Agricultura da China, Qi Lingfa, que a iniciativa se encaixaria no planejamento de longo prazo do governo de Pequim.

Embora seja um gigante em extensão territorial, a China dispõe de uma parcela relativamente pequena de terras agricultáveis (sendo o maior produtor mundial), pois sua geografia é marcada por cadeias de montanhas e vastos desertos. Já o Brasil, além de contar com a melhor e mais eficiente agricultura tropical do mundo, ainda dispõe de milhões de hectares a serem explorados.

Em suma, casam-se a expansão da área agrícola no Brasil, com o crescimento da demanda da China por alimentos e energia (álcool e biodiesel). Estuda-se montar um plano estratégico de 10 a 15 anos para apoiar o programa de desenvolvimento rural em ambos os países com base na complementaridade de interesses. Tal planejamento abrangeria apenas nas áreas de alimentos e energia produtos como café, carne, açúcar, algodão, milho, tripa suína, frutas, álcool e biodiesel.

Contudo, a exploração da complementaridade das economias brasileira e chinesa – e isso se aplica também à russa, à indiana e à sulafricana – pode ir muito além e em muitas outras áreas, como a industrial. Diversos passos nesse sentido vêm sendo cada vez mais registrados com a formação de "joint ventures" de capitais nacionais com empresas desses países e seus governos estão cientes do esplêndido potencial.

Essa virada no relacionamento entre o Brasil e a China, que saem de uma relação meramente diplomática e comercial para uma fase de expansão dos investimentos, está sendo acompanhada de um conjunto de propostas. A China quer reduzir sua dependência dos fornecedores e prefere associar-se a eles para garantir qualidade, preço e fornecimento a longo prazo.

Prospecta parceiros mundo afora para garantir suas demandas por matérias-primas e estancar seus suspiros inflacionário, pois a classe média vem consumindo como nunca e a inflação em abril chegou ao incrível patamar de 3,8 %.

GRANDES PROJETOS - A LOGÍSTICA

O Brasil pretende dobrar sua produção de grãos para atender a demanda da China, partindo para a ocupação do Centro-Oeste e gerando empregos em massa. Como existe muita dificuldade de infra-estrutura para a saída de mercadorias e o transporte acaba encarecendo os produtos, planeja-se a construção de 2 CORREDORES PARA O PACÍFICO, sendo uma rota para o Peru e outra para o Chile.

Ao criar esses eixos de exportação via Oceano Pacífico, o Brasil encurtará os caminhos para enviar produtos para a China e a Índia, reduzindo os atuais custos de transporte e logística. Atualmente, a soja produzida no Centro-Oeste é levada em caminhões aos portos do Sul e do Sudeste, opção já hoje saturada.

Tal projeto será implementado pela iniciativa privada com recursos da ordem de US$ 9 bilhões. Além de construção de estradas para permitir que as mercadorias sejam escoadas pelo Oceano Pacífico, o projeto inclui a criação de estradas e a reforma de portos no Peru. Países da Comunidade Andina também estão interessados no projeto, que foi apresentado em 2003 ao Conselho Nacional de Desenvolvimento.

CHINA - A POTÊNCIA DO FUTURO

A China é hoje um caso exemplar de pujante crescimento econômico para o Brasil e todo o mundo. A locomotiva chinesa acumula expansões sucessivas em seu PIB nos últimos 23 anos, com uma média de crescimento de 9 % nos últimos anos. Sua agricultura é a maior do mundo, produzindo 20 % de todos os grãos, 30 % de todos os legumes e 28 % de toda a carne do planeta.

Suas exportações saltaram de pouco mais de US$ 18 bilhões em 1980 para US$ 438 bilhões no ano passado. Acumula reservas internacionais de impressionates US$ 582 bilhões, é responsável por 7 % do consumo mundial de óleo cru, por 31 % de carvão e por 27 % de aço. Sua indústria é a 4ª maior do planeta, atrás apenas dos EUA, Japão e Alemanha. Por enquanto.

Os contrastes sociais são semelhantes aos brasileiros, porém em escala grandiosa. De sua população de 1,3 bilhão, 250 milhões vivem com padrão de classe média alta. Outros 300 milhões ainda estão abaixo da linha de pobreza. A renda per capita é de apenas US$ 1.131. A brasileira é de US$ 2.855, também baixíssima. O desemprego é baixo e os salários também o são; e as relações trabalhistas têm poucas garantias e direitos.

A China tem uma das civilizações mais antigas do mundo e nasceu na grande planície banhada pelo Rio Amarelo. Passou por 19 dinastias. Nas dinastias Han e Tang, épocas prósperas da sociedade feudal chinesa, as técnicas agrícolas, artesanais e a construção naval tiveram grande desenvolvimento. Foi invadida pelos japoneses na 2ª GM e desde 1949 é um país comunista.

Nome: República Popular da China (RPC) Dados da CIA sobre a CHINA

Área: 9,5 milhões de km2 População: 1,3 bilhão, sendo 62% rural e 38% urbana Densidade populacional: 136,3 habitantes por km2 Área plantada: 130 milhões de hectares

Governo/b] Partido Comunista da China (fundado em julho de 1921) [b]Moeda/b] Renminbi (RMB) yuan [b]Cotação - US$ 1 = 8,28 yuan / R$ 1 = 2,87 yuan

População economicamente ativa/b] 750 milhões (58 % em 2002)

[b]Desemprego/b] 10% na zona urbana

[b]Inflação: 1% em 2003 / - 0,8% em 2002 / 0,7% em 2001

PIB: US$ 1,4 trilhão - 6º maior do planeta. França e Reino Unido devem ser ser ultrapassados no biênio 2004/2005

IED - Investimento Estrangeiro Direto em 2003 - US$ 53,5 bilhões Estoque Total de IED - US$ 443 bilhões Grau de abertura da economia - 60 % Entrou para a OMC em 2001

fonte: http://www.brasil-web.de/forum/showthread.php?t=1348

O ANO EM QUE O BRASIL GANHOU O EUROPEU Ao Embaixador da Língua João Augusto de Médicis

Corre o ano da graça de 2116.

A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, ainda não alcançou a estrutura económica da Commonwelth mas, em compensação, tem grande desenvoltura cultural.

Nesse gracioso ano, Timor Lorosae viu a sua Selecção Nacional de Futebol classificada para a Copa Asiática. A equipa, que tão bem se comportara na fase de apuramento, ficou desfalcada. Sentindo que não teria hipóteses contra os poderosos Japão e Coreia, já unificada e contra a coqueluche asiática, o Camboja, revelação do torneio, Timor pediu que Portugal vestisse a camisola da sua selecção, aproveitando-se das regalias conseguidas pela C.P.L.P.

Portugal ponderou e viu a possibilidade de tirar uns dividendos económicos principalmente na importaçãodo café da região, tão ao gosto dos portugueses e que ainda estava nas mãos do americano. O problema é que Portugal estava apurado para a fase final do Europeu, com boa cotação. O povo assustou-se com a possibilidade de ser representado pela Selecção B que não inspirava confiança, mas viu com bons olhos a substituição poder ser feita pela Selecção Canarinha do Brasil, que aceitou de chofre o convite. Nem pestanejou, pois seria a oportunidade de disputar o campeonato tido como de maior grau de dificuldade. Maior até que o da Copa do Mundo.

O Brasil estava com a mesma deficiência de Portugal para formar uma boa equipa B para representá-lo na Copa América. Solicitou a Angola que estava com uma esquadra de fazer inveja classificada em primeiro lugar do grupo, invicta, para o Torneio das Nações Africanas. Angola não aceitou vestir a camisa brasileira pois era uma grande oportunidade que tinha de sagrar-se campeã africana. E não deu outra...

Estava difícil arranjar um substituto para o Brasil pois, outra selecção que tinha um bom plantel era a de Moçambique que, já há muito estava mais para o lado da Commonwelth. Os outros países de língua oficial portuguesa não tinham boas selecções, na altura.

A solução foi encontrada pela Guiné. Treinar-se um combinado com os melhores jogadores de países cujas selecções não estivessem envolvidas nas competições. A própria Guiné formou o meio-campo. Os atacantes e o guarda-redes eram de Cabo Verde e de São Tomé e Príncipe. A zaga completa, inclusive, os reservas, era da Galícia que mesmo sendo considerada uma defesa de grande categoria, só disputava os regionais na equipa que pertencia. O guarda-redes suplente era um luso-americano de Nova Jersei. E assim foi constituída a selecção que venceu a CopaAmérica? representando o Brasil, que por sua vez...

Ena!... que uma coisa dessas é tão boa que eu quero viver para ver portanto, vou começar de novo a história:

Corre o ano da graça de 2024...

Ano gracioso em que o mundo falou português.

(Mané do café)

Lisboa, Março de 2004

Fonte: http://www.observatoriolp.com/cgi-bin/main?mmod=page&pg=125&popup=1

-- MarioTeza - 14 Mar 2006

Topic revision: r3 - 02 May 2006 - 15:10:06 - MarioTeza
 
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