Software Livre: Que futuros se descortinam?
Quando lançou as bases do método científico, Descartes não podia
antever as consequências. Foi cauteloso, pois sua proposta erodia os
mecanismos de controle do conhecimento que sustentavam o poder. Mas a
revolução que causou não pôde ser detida, pois tais controles são
efêmeros. Os de então, baseados na dogmática eclesiástica, haviam
esgotado seu ciclo de eficácia.
Enquanto software foi recurso escasso, apesar de replicável, seu direito
de uso prevaleceu como mercadoria, ensejando a mais vertiginosa
acumulação de riqueza da história. Mas na medida em que abunda, junto
com o hardware, tal regime se torna fetichizante, e seu negócio
ineficiente e monopolizante. Ao abundar, o software se assemelha ao
conhecimento, estratificado e operativo; e seu regime prevalente,
baseado no fundamentalismo neoliberal, a mecanismo de controle do
conhecimento que sustenta poderes políticos e econômicos.
Embora recente, esta forma de controle já mostra sinais de fadiga.
Doutra feita, a filosofia que trata software como conhecimento, e seu
processo produtivo como o da ciência, ensejou o movimento do software
livre. A internet é seu maior caso de sucesso, e de ameaça ao regime
fundamentalista prevalente. Refletiremos sobre esse movimento, e o que
representa para o futuro da civilização.