Gerando Negócios e Empregos com Software Livre

Vantagens competitivas

Inicialmente, é importante diferenciar a questão sob 2 perspectivas: a de organizações usuárias de software e a de organizações desenvolvedoras de software e/ou que tem no software um dos pilares de seu negócio (como empresas de capacitação, projeto e outros serviços de informática).

As empresas e outras organizações (universidades, órgãos públicos, ONGs etc) que _utilizam_ software livre para dinamizar seus processos produtivos têm menos custos iniciais para a informatização do seu negócio, em função da estrutura de custos do software livre, centrada em serviço e não em produtos. Utilizando software livre, estas organizações também se afastam do processo de pirataria que é comum em empresas "iniciantes". A pirataria é um grande problema no Brasil e que, infelizmente, se tornou algo considerado normal. O usuário de software livre pode copiar e distribuir o software livremente, sem incorrer em ilegalidade. Estes são, na verdade, alguns dos preceitos mais importantes ligados à dinâmica do software livre. Outras questões que beneficiam os usuários de software livre são tratados também mais adiante, como no item Independência tecnológica e de fornecedor.

Do lado das organizações desenvolvedoras de software, há também vantagens significativas. Elas podem se tornar especialistas no uso de determinadas soluções livres e assim oferer consultoria e serviços especializados. Podem buscar se tornar canais de representação, por exemplo, de software de terceiros, sejam estes brasileiros ou estrangeiros. Estes são diferenciais que o SL pode trazer.

A dinâmica do desenvolvimento de software, bem compreendida e bem implementada, é o que permite às cooperativas e às empresas de software livre participar do mercado, por vários motivos. O reaproveitamento de código propicia ganhos de produtividade, o que permite o desenvolvimento rápido (por não precisar "reinventar a roda" em cada novo projeto) e a possibilidade de estar mais cedo no mercado. Adicionalmente, como o código reaproveitado já foi testado e depurado em outras soluções haverá potencialmente uma menor quantidade de erros no software e ele será potencialmente mais estável e mais seguro.

Se uma organização decide adotar a dinâmica do software livre para um produto de sua propriedade (ou seja, adotar o padrão de desenvolvimento que envolve comunidade, reaproveitamento de código e colaboração), ela pode obter vantagens significativas. Por exemplo, pode ampliar seu capital intelectual dedicado ao projeto sem necessariamente investir em ampliação de quadro de pessoal. Isto ocorre pela participação de diversos desenvolvedores e colaboradores sem vínculo com a empresa que, por interesses próprios, podem passar a contribuir no desenvolvimento, correção e melhoria do software. Outro exemplo é a redução de custos internos, pois passa a utilizar plataformas de desenvolvimento livres compostas por ferramentas de baixo ou nenhum custo de licenciamento (compiladores, bibliotecas, ambientes de desenvolvimento, etc.). Além disso, os desenvolvedores desta organização passarão a ter acesso também a código de terceiras empresas e pessoas, em um processo permanente de aprendizado.

O modelo de desenvolvimento aberto e distribuído em comunidade permite, por exemplo, que muitos indivíduos, órgãos e empresas possam colaborar para produzir um produto que nenhum deles seria capaz de elaborar sozinho, quer seja por ser o projeto demasiadamente complexo ou pelo alto custo que poderia ter. Também permite uma correção rápida de bugs e o incremento da segurança, porque o código fonte pode ser inspecionado publicamente e isto faz com que ele seja exposto a severas avaliações, sem a influência de interesses empreendedores conflitantes -- todos trabalham para obter o melhor software.

As características inerentes aos softwares livres (sejam as que dizem respeito a filosofias, técnicas, políticas e outras) têm agregado comunidades em torno de projetos e softwares, dos mais simples aos mais complexos, dos mais generalistas (como sistemas operacionais e ferramentas de escritório) até de aplicação específica em nichos (tanto sistemas científicos quanto industriais e comerciais). Estas comunidades são compostas por desenvolvedores, usuários e outros interessados na continuação do desenvolvimento daqueles softwares.

Livre e não Grátis

O Livre e Grátis são modalidades diferentes, mas as duas são importantes. No entanto é possível mesmo sendo livre, proteger um software de ser comercializado. A licença Creative Commons permite isto. Você consegue liberar os fontes de uma aplicação para que outros possam estudar, conhecer, fazer uso pessoal, mas não fazer uso comercial. Isto eu vejo como sendo interessante. Você libera conhecimento para outros poderem aprender com seu trabalho, mas assegura os direitos de comercialização do software da empresa que fez o projeto e possivelmente do cliente que patrocinou a criação do software e permitiu a liberação do mesmo nesta modalidade.

[Esta discussão é profunda. Software livre tem que ser livre. Não "meio-livre". A licença Creative Commons a que te refere dedica-se, originalmente, à produção cultural. A CC assina embaixo da GNU GPL e da GNU LGPL, também. Estas 2 são licenças de software livre - que não restringem o uso comercial por quem quer que seja. As licenças de software livre são as que estão descritas ou em www.fsf.org ou em www.opensource.org. Fora isso... E gostaria de evocar aqui a questão do copyleft, que, para mim é fundamental para a propagação da liberdade...

A outra questão é a do cliente-contratante. A legislação brasileira deixa claro que é ele quem tem o direito de decidir sobre a licença do software COMPLETAMENTE produzido sob contratação dele. Entretanto, se um trecho de código GPL for utilizado, ele deixa de ter este poder, pois o código resultante deverá ser GPL, sob pena de sanções legais.

-- DeLucca?]

Entendo que o cliente também deve estar ciente da licença a ser associada ao trabalho e tem o direito de proteger o software ou liberar o mesmo.

Independência tecnológica e de fornecedor

Um software pode ser projetado de tal forma que o cliente não fique preso ao produto e que possa, no futuro, optar por um produto concorrente sem perder as informações que já dispõe em seus sistemas. Infelizmente, não é assim que a maioria dos softwares proprietários funciona, até porque vai contra os interesses econômicos das empresas, que tentam criar mini-monopólios em torno de seus produtos. Na verdade, o software proprietário e seu modelo de aprisionamento tecnológico dos seus usuários criam uma dependência tal para o cliente que ele pode se ver preso ao fornecedor de forma perpétua. O ciclo vicioso é tal que, depois de algum tempo, o cliente se verá obrigado inclusive a realizar atualizações de software e hardware mesmo que não as deseje, para poder obter suporte ou manutenção do fornecedor. Isto cria uma situação inaceitável (inclusive do ponto de vista de direito de consumidor), onde o fornecedor dita as normas da relação comercial e/ou de serviços para os clientes (exatamente o oposto de uma relação comercial normal, onde o consumidor é que toma as decisões de compra, após avaliar o que o mercado lhe oferece).

Os direitos outorgados aos usuários através de licenças de software proprietário são insuficientes para as necessidades operacionais dos mesmos. As empresas de software proprietário mantêm sob controle todos os aspectos da evolução do seu software. Isto faz com que seus clientes entrem obrigatoriamente em uma espiral de atualizações, compras e licenciamentos marcadas pela política da empresa produtora (e não pelas necessidades dos usuários), pelas incompatibilidades criadas com outros produtos e outros formatos de dados, pela obsolescência programada ou simplesmente pela descontinuação de produtos de forma unilateral. Em resumo: o mercado é dominado pelos produtores e não pelos usuários.

O software livre oferece alternativa a esta situação de aprisionamento tecnológico, oferecendo um retorno à lógica da relação fornecedor-consumidor e libertando o usuário do julgo dos produtores de software, trazendo liberdade de escolha de fornecedor e provedor de serviços e inexistência de taxas de licenciamento escorchantes. O usuário volta a ter o poder de decidir sobre suas instalações, aquisições e necessidades de crescimento e atualização além de adquirir o poder de (contratar quem quer que seja para) alterar um software para adequá-lo especificamente à sua necessidade/atividade.

Concorrência Ética

Capacidade de Inteligência Coletiva

Grandes portais como SourceForge?.net e CodigoLivre?.org.br disponibilizam diversos sistemas e bibliotecas muito interessantes para uso e estudo de outros. Este tipo de portal permite que a comunidade participe de perto e possa ajudar uma determinada solução a evoluir.

Outro tipo de serviço que nos ajuda a criar esta inteligência coletiva são os portais especializados que oferecem sistemas de Wiki e assim permitem a criação de conhecimento livre.

Vamos avaliar com maior detalhe esta situação:

Tradicionalmente, o desenvolvimento de software proprietário é realizado por grupos de desenvolvedores dentro de uma empresa ou de empresas contratadas para tal, sob contratos que impedem a divulgação e o uso de informações relacionadas ao produto em desenvolvimento. Tudo está envolvido em questões de sigilo industrial e o conhecimento relacionado à produção dos software é considerado como um ativo muito importante da empresa proprietária (ou contratante) dos mesmos. Com estas palavras não se está corroborando as afirmações, mas simplesmente transcrevendo a visão das empresas e desenvolvedores de software proprietário.

No âmbito do software livre, ao contrário, o desenvolvimento ocorre mais freqüentemente em grupos heterogêneos e fracamente relacionados, ou seja, sem que haja contratos formais nem vínculos dos desenvolvedores a empresas ou organizações que estejam diretamente envolvidas com o desenvolvimento de dito software. A Internet foi (e é) uma peça-chave desta nova forma de organização do trabalho, permitindo a criação simples e ágil de redes com participantes de todas as partes do mundo. Colateralmente, permite distribuir know-how, difundir as melhores práticas e repartir responsabilidades entre todos os participantes destas redes, sejam eles desenvolvedores, tradutores ou simples usuários, que colaboram da forma que podem: pela sugestão de melhorias e relatando bugs. Estas redes são conhecidas como comunidades. O conjunto resultante da união de todas estas comunidades “específicas” forma “a comunidade” de software livre.

Como já comentado, o desenvolvimento colaborativo de softwares permite que se reuna, em torno de um projeto, a inteligência coletiva (comunitária) para o desenvolvimento do mesmo. E o mais importante é que esta inteligência coletiva também extrapola os presentes e incorpora também aqueles que já desenvolveram código e o licenciou como software livre, pois todo este código (e a inteligência representada por ele) poderá ser reaproveitado em cada novo projeto de software livre.

Links

-- RicardoFilipo - 21 May 2005

-- JoseEduardoDeLUcca - 12 Jun 2005

Topic revision: r4 - 09 Aug 2005 - 13:33:28 - MarceloInuzuka








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