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Introdução

O projeto livros livres tem por objetivo a criação de uma base de conhecimentos, de livre acesso, um instrumento de disseminação e socialização do conhecimento humano. Este projeto visa, através de contribuições da comunidade de forma geral, a criação de "livros" virtuais acessíveis a todos, independentemente de sua raça, cor, credo e principalmente condição social.

Segundo estimativas do IBGE, a população brasileira já superou os 184 milhões de pessoas. De acordo com o Radar Social 2005, uma publicação do IPEA com base nos dados do senso 2003, cerca de um terço da população brasileira (31,7%) vive com uma renda per capta de meio salário mínimo, e hoje seriam cerca de 58 milhões de pessoas. Em 2003, 1% dos brasileiros mais ricos (somente 1,7 milhão de pessoas) se apropriava de uma soma das rendas domiciliares semelhante àquela detida pelos 50% mais pobres (86,9 milhões de pessoas). Dito isto fica claro que a maior parte da população brasileira tem sérias dificuldades financeiras. E isto se reflete também na comunidade estudantil de forma geral e em especial na comunidade universitária.

Segundo resumo técnico produzido pelo INEP, baseado nos dados do Exame Nacional de Cursos (ENC - Provão) de 2003, com uma renda familiar de até R$ 720,00, estão 26,5% dos estudantes das instituições públicas e 12,9% das privadas. Nas instituições públicas, 70,8% dos formandos que participaram do ENC de 2003, tinham renda familiar de até R$ 2.400,00 enquanto nas particulares esse porcentual era de 58,4%. Com patamares maiores de renda, acima de R$ 2.400,00, estavam apenas 29,1% dos estudantes de instituições públicas e 41,6% das particulares. Desta forma podemos comprovar que a maior parte da comunidade universitária tem sérias restrições financeiras, ainda mais quando levado em conta gastos com transporte, alimentação e a própria universidade, quando paga. Acredita-se que cada estudante universitário gaste em média ????? reais com livros por semestre. Para um estudante que tem renda familiar de até R$ 720,00, onde estão 26,5% dos alunos das instituições públicas, este valor se torna proibitivo, comprometendo assim a própria formação do aluno e conseqüentemente a qualidade dos futuros profissionais.

De acordo com um informativo do INEP de 16 de Dezembro de 2003, ainda sobre o ENC de 2003, o acesso à biblioteca é um fator que está associado positivamente ao desempenho dos estudantes na prova. No grupo de melhor desempenho, 27,7% dos estudantes utilizam esse espaço da instituição com freqüência e 11% declararam que a instituição não tem biblioteca. Outros 19,7% afirmaram que não utilizam nunca a biblioteca. Já no grupo com desempenho mais fraco, 44,1% dos alunos afirmaram que a instituição não possui biblioteca, evidenciando a importância desse recurso pedagógico no aprendizado. O uso de microcomputador também causa impacto nas notas. Estudantes que utilizam esse equipamento diariamente ou de 3 a 6 vezes por semana situam-se em maiores proporções no grupo das notas mais elevadas, com uma participação de 26,7% e 27%, respectivamente. Nessa faixa de desempenho, 11% dos formandos nunca utiliza microcomputador. Com isto ressaltamos a importância do acesso ao conhecimento e de boas bibliotecas com acesso a todos os alunos. O projeto Livros livres poderia contribuir para a diminuição desta diferença entre instituições e, de certa forma, melhorar o acesso a bibliotecas. Isto o advém do fato de o conhecimento disponibilizado pelo projeto estaria disponível a todos os alunos 24 horas por dia e independentemente de se outro aluno também estar utilizando o mesmo recurso ao mesmo tempo, o que é inviável em bibliotecas convencionais.

Segundo o resumo técnico divulgado pelo INEP sobre o ENC de 2003, surgiram, naquele período, 5,6 novos cursos a cada dia no Brasil. Isto significa novos alunos e uma demanda maior ainda por livros e materiais didáticos de forma geral. O crescimento do número de cursos de graduação presencial necessariamente implica na ampliação de oportunidades educacionais para o jovem brasileiro. Porém há uma crescente defasagem entre o número de concluintes e o número de alunos matriculados e ingressantes: enquanto o número de matrículas nos últimos 10 anos aumentou 134% e o de ingressantes 172,6%,o número de concluintes aumentou apenas 114,7%. Embora se observe um aumento dos concluintes ao longo dos anos, fica evidente que esse aumento não acompanha o crescimento no número de ingressantes e matrículados. Um dos possíveis fatores para esta evasão escolar são os altos custos que uma educação superior representa.

Entretanto, de acordo com um relatório divulgado pelo CAE (Council for Aid to Education) em 1994 o acesso disseminado à educação superior é de fundamental importância para a saúde econômica e o bem-estar social de uma nação. Concordamos com esta afirmação e acreditamos firmemente que o desenvolvimento brasileiro passa pela educação. Assim, precisamos de alguma forma criar mecanismos para não só minimizar esta evasão escolar, mas de ir além atraindo ainda mais pessoas para os bancos das universidades. De acordo com o radar social produzido pelo INEP, apenas 10% da população brasileira de 18 a 24 anos está na universidade, sendo esta a idade ideal para este nível educacional.

Um relatório sobre educação, divulgado pela OECD (Organisation for Economic Co-operation and Development) em 2005, afirma que educação e ganhos financeiros estão positivamente ligados. Sendo que quanto maior o grau de educação maior são as recompensas financeiras e maior as possibilidades de manutenção da vaga no mercado de trabalho. Desta forma o acesso ao conhecimento torna-se também um objeto de incremento da renda e melhoria da qualidade de vida dos cidadãos. Cercear o acesso a educação, por falta de recursos financeiros, é não somente segregacional e imoral, como também vai contra os princípios de igualdade em que se baseia a nossa constituição. Principalmente no que se refere ao artigo 206, que garante a igualdade de condições para o acesso e permanência na escola.

Se por um lado temos estudantes carentes e com baixo poder aquisitivo, do outro lado temos o setor da industria do livro que tem sofrido graves perdas com a pirataria de livros. Segundo dados do Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL), a industria do livro faturou em 2003 R$ 2,36 bilhões e era composta por 500 editoras consideradas ativas. No entanto a pirataria foi responsável por uma perda de cerca de 20% no setor. De acordo com dados divulgados na edição 36 do Jornal do SNEL, a reprografia se dá em 90% do setor de livros Científicos Técnicos e Profissionais. Isto significa que para cada R$ 1 faturado R$ 1 é pirateado. O jornal também afirma que as vendas de livros têm decrescido num país onde o número de universidades e o de matrículas em cursos superiores multiplicou-se, nos últimos anos.

Infelizmente, o custo dos livros continua sendo proibitivo para a esmagadora maioria de nossos alunos. Contudo o incentivo a cópia ilegal de material, mesmo que represente uma economia significativa para o estudante, uma vez que um livro técnico pode custar até R$ 150,00, não somente é ilegal, pois vai contra a lei que regula os direitos autorais (Lei nº 9.610/98 de fevereiro de 1998), mas também prejudica a indústria do livro e os autores de forma geral.

Ainda no campo das cópias ilegais, temos uma grande outra preocupação dos educadores que é com a qualidade do material utilizado como referência pelos alunos. Grande parte dos estudantes faz cópias apenas da parte do livro visto na matéria, o que pode comprometer o entendimento do assunto como um todo. Outra parcela faz ainda pior e utiliza-se apenas de referências encontradas na Internet. Estas referências nem sempre os assuntos têm o tratamento ou a qualidade devidos. Em resumo, fica difícil garantir a qualidade do material utilizado pelos alunos quando boa parte deles não tem acesso aos livros da matéria. A criação de livros de livre acesso poderia solucionar estes problemas.

Num primeiro momento este projeto deve se focar nos estudantes das áreas de computação, contudo nada impede que o projeto se estenda a outras áreas do conhecimento. A edição 36 do jornal do SNEL o governo brasileiro é o maior comprador de livros do Brasil e do mundo, tendo adquirido em 2003 110,8 milhões de exemplares ao custo de R$ 455,6 milhões. Caso este projeto seja estendido a outras áreas este valor poderia ter uma diminuição substancial.

Segundo dados do INEP, referentes ao CENSO, existiam em 2003 201.562 estudantes em áreas correlatas a computação matriculados em universidades brasileiras. Este universo representa cerca de 5,2% de todos os estudantes universitários brasileiros, e que seriam diretamente beneficiados pela implantação da primeira fase do projeto. A tabela 1 detalha cada um dos cursos considerados, o número de estudantes matriculados neste curso em 2003 e o número de estudantes que concluíram o curso também em 2003. Os percentuais são relativos ao total de estudantes de todos os cursos superiores brasileiros.

Entretanto este projeto não somente visa atender apenas a comunidade universitária. O projeto livros livres pretende ser um portal onde qualquer pessoa possa acessa-lo de forma fácil, sem custos e principalmente encontrando material de qualidade. Ele pode beneficiar desde curiosos que simplesmente querem aprender mais sobre o assunto, até pesquisadores de áreas específicas dentro da computação. Passando ainda por cursos técnicos e possivelmente treinamentos internos de empresas. Enfim o portal visa atender a comunidade de forma geral, que precisa de meios simples e confiáveis de acesso ao conhecimento.

Cursos Matrícula Concluinte
Número PercentualdoTotal Número PercentualdoTotal
Administraçãoderedes 2722,0 0,07 126,0 0,02
Administraçãodesistemasdeinformações 679,0 0,02 55,0 0,01
Administraçãoemanálisedesistemas 1566,0 0,04 161,0 0,03
Análisedesistemas 17155,0 0,44 1821,0 0,34
Bancodedados 256,0 0,01 - -
Ciênciadacomputação 66043,0 1,70 7544,0 1,43
Ciênciadainformação 615,0 0,02 43,0 0,01
Eletrônica 9179,0 0,24 906,0 0,17
Engenhariadecomputação 4336,0 0,11 333,0 0,06
Engenhariadesoftwares 135,0 0,00 - -
Formaçãodeprofessordecomputação 2995,0 0,08 96,0 0,02
Gestãodainformação 591,0 0,02 46,0 0,01
Informática(ciênciadacomputação) 7243,0 0,19 645,0 0,12
Informáticaeducacional 563,0 0,01 5,0 0,00
Linguagensdeprogramação 444,0 0,01 69,0 0,01
Matemáticacomputacional 664,0 0,02 239,0 0,05
Processamentodedados 20758,0 0,53 4709,0 0,89
Segurançadainformação 432,0 0,01 - -
Sistemasdeinformação 51722,0 1,33 2865,0 0,54
Sistemasoperacionais 197,0 0,01 - -
Tecnologiadainformação 578,0 0,01 75,0 0,01
Tecnologiaemdesenvolvimentodesoftwares 1035,0 0,03 29,0 0,01
Tecnologiaeminformática 11654,0 0,30 1851,0 0,35
Total 201.562 5,2 21.618 4,1

Fonte : MEC/INEP/DEAES - CENSO 2003 ( INEP)

Tabela 1. – Relação de alunos em cursos relacionados a computação

HISTÓRICO INICIAL

O Prof. Carlos Campani da Universidade Federal de Pelotas escreveu um e-mail a lista da Sociedade Brasileira de Computação (SBC) explanando sua idéia sobre Livros livres e os benefícios que estes poderiam gerar. A idéia foi muito bem acolhida dentro da comunidade. Alguns pesquisadores apontaram iniciativas similares em outros lugares do mundo, como por exemplo, wikipedia. No endereço http://en.wikibooks.org/wiki/Computer_Science_bookshelf é possível ver um projeto de wikibook e através do site http://en.wikibooks.org entender o funcionamento do projeto. Após a discussão da idéia inicial a lista iniciou a discussão sobre qual tecnologia poderia ser utilizada. Então em uma tentativa de organizar a discussão, a SBC criou uma lista específica onde a discussão continuou culminando com a criação deste projeto.

Referências

Education at a Glance OECD Indicators 2005– Executive summary, 2005 http://www.oecd.org/dataoecd/20/25/35345692.pdf

Breaking the social contract, The fiscal crisis in Higher Education, Commission on National, Investment in Higher

Education. Established by the Council for Aid to Education in 1994 http://www.rand.org/publications/CAE/CAE100/

Edição 36 do Jornal do Sindicato Nacional dos Editores de Livros, junho 2004 http://www.snel.org.br/noticias/jornal36_2.htm

Informativo INEP, 16 Dez 2003 http://www.inep.gov.br/informativo/informativo19.htm

INEP,CENSO DA EDUCAÇÃO SUPERIOR, 2003, Resumo Técnico http://www.inep.gov.br/download/superior/censo/2004/resumo_tecnico_050105.pdf

Radar social 2005, IPEA, Diretoria de Estudos Sociais / Brasília, 2005. http://www.ipea.gov.br/Destaques/livroradar.htm

-- DanielCamara - 20 Oct 2005

Topic revision: r2 - 02 Dec 2008 - 18:35:56 - ViniciusMassuchetto?
 
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