Introdução

Contextualização

A utilização de aplicativos via Internet, no trabalho diário de funcionários e professores da Universidade Federal de Lavras - UFLA, vem crescendo ano a ano, o que se traduz em volume cada vez maior de tráfego na sua rede interna. Isso, por si só, não traz maiores problemas. Por outro lado, porém, a utilização inadequada de programas de Internet, particularmente no manuseio de páginas da web e do correio eletrônico, tem trazido certos problemas no gerenciamento da rede UFLA, tais como vírus, trojans e spams. Além deste problema, há ainda a questão da falta de licença legal, de uso, de vários softwares proprietários, tais como, por exemplo, o Microsoft Windows e o Microsoft Office.

Visando minorar problemas no gerenciamento da rede UFLA e contribuir para a legalização dos softwares utilizados por funcionários e professores da UFLA, propõe-se realizar neste projeto uma migração, gradual e voluntária, em um de seus departamentos, de software proprietário para software livre. Caso a experiência seja bem sucedida, o projeto poderá ser extendido para os demais órgãos e departamentos da UFLA.

Existem, atualmente, metodologias para se efetuar essa migração, apresentando ao usuário os softwares proprietários e softwares livres equivalentes, porém essas metodologias em geral não têm foco no usuário desses softwares, ou seja, pouco consideram o fator cultura envolvido na utilização dos softwares proprietários e a rejeição do novo vinda com os novos softwares.

Objetivos

Pretende-se, estudar o processo de migração e desenvolver uma metodologia, consistente, com foco no usuário, para se efetuar a migração de software proprietário para software livre.

Os objetivos deste trabalho têm foco na verificação do conhecimento dos participantes do projeto no que diz respeito à informática básica e Software Livre, além de realizar uma migração progressiva de softwares proprietários para Software livre e desenvolver uma metodologia, consistente, para se efetuar uma migração bem sucedida, com foco principal no usuário.

Tem-se como objetivos mais específicos: Verificar o grau de instrução em informática dos funcionários, professores e alunos de um departamento de uma universidade; Verificar o conhecimento sobre Software Livre de funcionários, professores e alunos desse departamento; Realizar um curso sobre Software Livre (Linux, softwares para escritório, entre outros); Verificar os softwares específicos da área utilizados pelos funcionários e professores daquele departamento; Criar uma remasterização (flavor) de uma distribuição Linux personalizada para aquele departamento; Implementar a migração progressiva; Oferecer suporte para os novos usuários; Acompanhar a utilização dos softwares livres e o grau de satisfação dos usuários.

Estrutura do Trabalho

Nos capítulos seguintes serão apresentados o Referencial Teórico, que aborda a literatura básica sobre o tema; A Metodologia, que descreve o tipo de pesquisa e os procedimentos metodológicos utilizados para desenvolvê-la; O Cronograma Físico e de Execução, que demonstra as tarefas e tempo gasto para executá-las durante todo o projeto; A equipe responsável pelo projeto e sua avaliação e por fim, as Referências Bibliográficas.

Referencial Teórico

Atualmente encontramos no mercado, basicamente, quatro categorias nas quais os softwares se enquadram, são elas: Software Proprietário, Software Livre, Software Código Aberto ou Open Source e os chamados Freewares.

Diante dessas categorias de software, observamos um intenso e indiscriminado uso de softwares proprietários, sem no entanto, efetuar a aquisição legal e respeitar suas licenças de uso, por parte de pessoas e instituições públicas e privadas.

Para [LOZANO & UCHÔA, 2006], a utilização indevida dos softwares da categoria proprietária é considerada “pirataria de software”, que é um ato ilegal. Para se utilizar esses softwares de maneira regular deve-se adquirir licenças de uso de software, que variam de acordo com o software e com a empresa ou instituição.

“Software livre se refere à liberdade dos usuários executarem, copiarem, distribuírem, estudarem, modificarem e aperfeiçoarem o software. Mais precisamente, ele se refere a quatro tipos de liberdade, para os usuários do software: A liberdade de executar o programa, para qualquer propósito (liberdade no. 0) ; A liberdade de estudar como o programa funciona, e adaptá-lo para as suas necessidades (liberdade no. 1). Acesso ao código-fonte é um pré-requisito para esta liberdade; A liberdade de redistribuir cópias de modo que você possa ajudar ao seu próximo (liberdade no. 2); A liberdade de aperfeiçoar o programa, e liberar os seus aperfeiçoamentos, de modo que toda a comunidade se beneficie (liberdade no. 3); Acesso ao código-fonte é um pré-requisito para esta liberdade.”[GNU, 2006]

Segundo [CAMPOS, 2006], os softwares da categoria Código Aberto são também softwares livres, porém diferenciam-se no foco, tendo o Software Livre um foco social e o Código Aberto uma visão voltada ao mercado e a diferença prática entre as duas entidades está em seus objetivos, filosofia e modo de agir, e não nos softwares ou licenças.

Para [CAMPOS, 2006], “as definições ‘oficiais’ de software livre e de código aberto são ligeiramente diferentes, com a definição de software livre sendo geralmente considerada mais rigorosa, mas as licenças de código aberto que não são consideradas licenças de software livre são geralmente obscuras, então na prática todo software de código aberto é também software livre.”

Os softwares freewares, são softwares gratuitos porém com código fonte fechado. O usuário pode somente utilizá-lo sem custo de aquisição, porém não tem acesso ao código fonte, logo não pode alterá-lo.

Para [GUIA LIVRE, 2004], uma descrição das condições iniciais relevantes que consistem, por exemplo: arquitetura de sistemas, aplicativos e os dados a eles associados, protocolos e padrões usados, hardware, ambiente físico, como largura de banda da rede, localização, requisitos sociais tais como idioma(s) e conjunto de habilidades do pessoal, deve ser considerada como primeiro item da migração.

Segundo [CONCEIÇÃO, 2005], “antes de iniciar na prática qualquer processo de migração, é altamente recomendável um levantamento completo de um conjunto de informações que auxiliarão na tomada de decisões importantes, principalmente na escolha de determinados programas específicos.”

Metodologia

Tipo de Pesquisa

Conforme [JUNG, 2004] e [GIL, 1994], tem-se que a presente pesquisa é de natureza aplicada ou tecnológica, com objetivos de caráter exploratório, utilizando procedimentos de estudo de caso fundamentados em referências bibliográficas e documental, classificada quanto ao local como pesquisa em campo e quanto ao tempo como estudo longitudinal.

Procedimentos Metodológicos

O presente trabalho será realizado no período de julho de 2006 a julho de 2007, no Departamento de Engenharia - DEG, da Universidade Federal de Lavras – UFLA.

Para a realização do projeto, uma equipe de suporte aos usuários composta por pelo menos dez pessoas deve ser preparada com conhecimentos sobre software livre. Este conhecimento deve compreender a filosofia do software livre, aplicativos, desde sua instalação e configuração até sua utilização. Além de possuir uma comunicação clara e eficaz junto aos participantes do projeto.

Esta preparação é um passo importante para o sucesso do projeto, pois os participantes dependerão dos conhecimentos da equipe para se habituarem com a utilização dos softwares livres.

Para coleta de informações sobre os conhecimentos dos participantes do projeto em informática e software livre, serão utilizados questionários, entrevistas e observações in loco. Essas informações serão coletadas no início do projeto e no seu término para verificação da eficácia dos métodos utilizados.

Segundo [REA & PARKER, 2002], alguns fatores críticos relacionados à construção de questionários devem ser avaliados, são eles: Clareza do Questionário; Abrangência do Questionário e Aceitabilidade do Questionário.

Para garantir a qualidade do questionário, ele deve ser construído seguindo-se técnicas para elaboração de questionário, observando-se a utilização de questões abertas e fechadas, a seqüência, inclusive lógica, das questões, sua extensão, entre outros.

Para [REA & PARKER, 2002], “as entrevistas pessoais são estruturadas para permitir ao entrevistador solicitar informações diretamente do entrevistado”, e possui como vantagens: Flexibilidade; Maior complexidade; Capacidade de contatar populações de difícil acesso; Alto índice de respostas e Garantia de que as instruções serão seguidas. Em contra partida existem as desvantagens: Alto custo; Viés induzido pelo entrevistador; Relutância do entrevistado em cooperar; Maior estresse; Menos anonimato e Preocupações a respeito da segurança pessoal.

Os meios adotados para divulgação da filosofia do software livre e treinamento dos participantes do projeto serão: Palestras, cursos e discussão em grupo.

Cronograma Físico e de Execução

Item Descrição 2006 - 2007
07 08 09 10 11 12 01 02 03 04 05 06 07
1 Coleta de material para embasamento teórico X X
2 Definição e preparação da equipe de suporte X X X                    
3 Coleta de informações sobre os participantes     X
4 Palestras e cursos     X X X X X X          
5 Implementação da migração       X X X X X X
6 Suporte aos usuários       X X X X X X X      
7 Observações sobre o uso efetivo de Software Livre       X X X X X X X X X
8 Publicação dos resultados                       X X

Equipe

Coordenadores: Ramon Simões Abílio (DCC/UFLA) e Prof. José Monserrat Neto (DCC/UFLA)

Atuadores: membros da equipe Tecnolivre - Cooperativa de Tecnologia e Soluções Livres (TWiki) - Site oficial

Referências Bibliográficas

CAMPOS, Augusto. O que é software livre. BR-Linux. Florianópolis, março de 2006. Disponível em <http://br-linux.org/linux/faq-softwarelivre>. Consultado em [27/07/2006].

CONCEIÇÃO, Paulo Francisco da. Estudo de Caso de Migração para Software Livre do Laboratório da UEG. Monografia de conclusão de curso de pós-graduação. Lavras, 2005.

GIL, Antônio Carlos. Métodos e técnicas de pesquisa social. 4ª ed. São Paulo: Atlas, 1994.

GNU. O que é Software Livre?. Disponível em <http://www.gnu.org/>. Consultado em [28/07/2006]

GUIA LIVRE. Referência de Migração para Software Livre do Governo Federal – Versão Ipiranga. Disponível em <http://www.serpro.gov.br/>. Consultado em [20/07/2006]

JUNG, C. F. . Metodologia para Pesquisa & Desenvolvimento: Aplicada a novas tecnologias, produtos e processos. Rio de Janeiro: Axell Books, 2004.

LOZANO, Fernando S., UCHÔA, Kátia Cilene Amaral. Cibercultura e Software Livre. 1ª ed. Lavras: UFLA/FAEPE, 2006.

REA, Louis M., PARKER, Richard A. .Metodologia de pesquisa: do Planejamento à Execução; Tradução Nivaldo Montigelli Jr.; revisão técnica Otto Nogami. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2002.

Topic revision: r3 - 19 Sep 2006 - 23:09:25 - RamonAbilio?
 
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