O que é Economia Solidária ?



A Economia Solidária é um jeito bem diferente de produzir, vender, comprar e trocar o que é preciso para se viver. Sem explorar ninguém, sem querer levar vantagem, sem destruir o meio ambiente. Cooperando, fortalecendo o grupo, sem patrão nem empregado, cada um pensando no bem de todas/os e no seu próprio bem. Dessa forma, a economia Solidária é uma prática social regida pelos valores da autogestão, democracia, cooperação, solidariedade, respeito à natureza, promoção da dignidade e valorização do trabalho humano, tendo em vista um projeto de desenvolvimento sustentável global e coletivo. Também é entendida como uma estratégia de enfrentamento e superação da exclusão social e da precarização da relações de trabalho, sustentadas em formas coletivas, justas e solidárias de geração de trabalho e renda.


De onde vem essa idéia?

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A economia solidária não é algo que aconteceu por decreto, nem é fruto de uma cabeça privilegiada que, em um momento inspirado, se deu conta de que, assim como estamos as coisas só irão de mal a pior. A economia Solidária é então um movimento social amplo e profundo, cujas raízes históricas se encontram nas ações lutas de organizações de trabalhadores como o cooperativismo, de movimentos populares, de grupos engajados nas universidades e nas igrejas. Um movimento vivo, dinâmico, que se fortalece e organiza cada vez mais e que começa também a contar com o apoio dos governos.

Assim, pessoas do mundo inteiro estão se unindo para fazer e vivenciar essa economia solidária porque sabem que os frutos da economia capitalista dominante, como exclusão social, desemprego e degradação do meio ambiente, são muito amargos e sacrificantes. Rompendo com a lógica do lucro a qualquer custo, na economia solidária o mais importante é a vida. Para tanto, essa economia funciona à partir de empreendimentos onde todo mundo decide em conjunto, cooperando sem hierarquias ou patrões. Ou seja, onde não existe o “trabalho-proprietário” (assalariado) que separa aquelas/es que produzem do fruto do seu trabalho, tirando a sua liberdade de uso e distribuição sobre o que se produz. Pratica-se, nessa outra economia, a autogestão, um processo democrático de decisão em que todas/os são livres e responsáveis pelo que fazem no grupo econômico do qual participam.

Como isso acontece na prática?

A economia solidária não é um sonho distante. Ela está acontecendo aqui e agora. E está crescendo rapidamente, se espalhando em todo o planeta, em milhares de empreendimentos econômicos como por exemplo:

1. Empresas Autogestionárias

Empresas autogestionárias são empresas que passaram a ser autogeridas pelos próprios trabalhadores, normalmente, após os antigos donos terem decretado falência. Neste caso, a nova administração passa à ser constituída pelos próprios empregados, organizados em sociedade cooperativa ou análoga.

A recuperação de empresas pelos trabalhadores é experiência histórica da qual se dispõem registros desde pelo menos o século XIX. No Brasil, eventos desta natureza vêm se multiplicando desde a última década do século passado. Empresas recuperadas pelos trabalhadores são praticamente sempre antigas, com uma alta proporção de empregados velhos, que se encontram na firma há muito tempo. A longa convivência permite que fortes laços de confiança e solidariedade se desenvolvam entre os trabalhadores, reforçados pela participação comum em lutas de classe. A confiança mútua é elemento essencial para que os empregados da empresa em crise se unam para salvar seus postos de trabalho por meio da assunção da mesma. Em geral, os trabalhadores se organizam em algum tipo de sociedade e solicitam o arrendamento da massa falida ao juiz encarregado da falência.

Desta forma, muitas tentativas de recuperação empresarial pelos trabalhadores acabam dando certo. Os trabalhadores passam por um processo de capacitação em gestão empresarial e de prática de autogestão e após um período de sacrifícios, conseguem reabilitar a empresa. Na recente experiência brasileira, a quase totalidade das empresas recuperadas o foram pelos seus ex-empregados organizados de forma cooperativa. Isto significa que todos eles se tornam possuidores do empreendimento por igual, cada indivíduo dispondo de um voto numa administração em que os responsáveis são escolhidos pelo conjunto e as decisões de alguma importância são tomadas por voto, em reuniões gerais.

Os benefícios derivados da recuperação duma empresa vão além dos que resultam da fundação duma empresa nova, com as mesmas características. É que a nova empresa teria de passar por um período de aprendizagem, que em geral leva anos, até que seu pessoal adquira as habilidades e a capacidade de colaborar e trabalhar em conjunto que constituem o capital invisível duma empresa que já está no mercado há muito tempo. É por razões como estas que a legislação dos Estados Unidos oferece proteção às empresas em crise contra seus credores, tendo em vista dar-lhes chance de serem recuperadas, e que nossa própria legislação de falência está sendo reformulada.

Mas, aos benefícios de qualquer recuperação de empresas, acima delineados, acrescem-se outros que decorrem do fato de que a recuperação seja protagonizada pelos próprios trabalhadores das empresas em questão. A autogestão, em contraposição à gestão heterônoma (capitalista), distribui a renda gerada pela atividade empresarial de maneira aproximadamente igualitária entre todos que a realizam, em lugar de concentrar grande parte dela nas mãos dos proprietários do capital. Da mesma forma, a autogestão distribui o conhecimento e a competência gerencial entre todos que integram a sociedade, que possui e opera a firma, em vez de concentrá-los numa delgada camada de diretores e dirigentes. Em outras palavras, a autogestão torna a atividade econômica mais democrática e – à medida que se difunde – torna a sociedade inclusiva também mais democrática. Ou menos desigual e plutocrática do que seria se todos empreendimentos fossem dominados e explorados por uma pequena minoria proprietária da maior parte do capital. (Fonte: Artigo de Paul Singer)


2. Associações e cooperativas de produção e serviços

(Em construção...)


3. Finanças solidárias

O enfrentamento da perversidade sistêmica da globalização acontece por meio do desenvolvimento de uma consciência crítica ao sistema, pela conformação de grupos de pressão política contrários aos ditames da atual ordem sócio-política e econnômica e pelo desabrochar de práticas sociais contra-hegemônicas. Assim, por exemplo, o desenvolvimento de práticas de democracia direta e participativa para enriquecer e questionar os limites da democracia representativa. Do mesmo modo, na economia, pelo crescimento das formas autogestinárias e cooperativas de produção, pelo consumo consciente, ambiental e socialmente justo. E no campo das finanças, pelo surgimento das experiências e ações das finanças solidárias. Novos tratamentos da temática da poupança, novas finalidades para ela, novos tramentos das opções de investimento, novos tratamentos para o problema dos riscos do crédito, e portanto para o desenvolvimento de formas de garantir operações de financiamento, que permitam aos pobres acessar os recursos disponíveis para alavancar novos padrões de desenvolvimento humano. Resgatar a moeda como ferramenta de convivialidade e não como mecanismo de espoliação. Tais são alguns dos desafios para um sistema de finanças solidárias.

3.1 Organizações das finanças solidárias

Apesar de relativamente pouco conhecido, o movimento de finanças solidárias possui já um lastro histórico de cerca de dois séculos, se buscarmos suas origens no cooperativismo de crédito inspirado nos movimentos de Rochdale. Ao longo deste período, foi assumindo diversas formas organizacionais e diversificando as modalidades de sua intervenção.

Nos anos recentes, principalmente a partir dos anos de 1970, especialmente com a repercussão da experiência do desenvolvimento do microcrédito em Bangladesh, de constituição do Graemen Bank, sob a liderança do prof. Mohammed Yunus, este tipo de movimento passou a ser mais conhecido e estudado.

Dentre os tipos das organizações de finanças solidárias, deste modo, podemos citar:

  1. cooperativismo de crédito;
  2. organizações de microcrédito e microfinanças;
  3. bancos comunais;
  4. fundos solidários;
  5. moedas sociais;
  6. bancos alternativos;
  7. sociedades de garantia;


4. Clubes de troca e moeda social

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Clubes de Troca são espaços onde a gente leva coisas para trocar e não precisa levar nenhum real, só o dinheiro do clube. É uma pequena feira, um mercado de tipo diferente. As pessoas levam para essa feira o que produzem e que poderiam vender e também anunciam em cartazes o que sabem fazer.

O princípio do clube de trocas é o seguinte: todos nós sabemos fazer alguma coisa: cortar cabelo, consertar um carro, pintar uma parede, tomar conta de crianças, dar aula de reforço escolar etc. E muitas vezes no terreno da casa da gente dá para plantar algum tomate, ou alface, ou até para ter umas galinhas botando ovos. A gente também tem muitas vezes em casa coisas que não usa mais, mas que ainda estão em um muito bom estado. Mas não temos como vender essas coisas. Não temos licença para vender na feira, ou no mercado, não temos escritório nem oficina montada, nem salão de cabeleireiro e nem temos onde dizer que sabemos ou que fazemos isto ou aquilo. O clube de trocas cria essa possibilidade usando uma moeda social em vez de dinheiro.

A grande descoberta desse sistema é que a gente pode trocar as coisas que leva para a feira por outras coisas que a gente precisa, sem usar nenhum real. Cada clube de trocas cria sua própria moeda3 . Ela pode ter qualquer nome que os participantes do clube escolham. No Rio de Janeiro chama "Tupi", no Ceará chama "Palmas", no Rio Grande do Sul tem o "Pampa Vivo", num bairro de São Paulo chama "Lua", em outro chama simplesmente "Bônus".

Essa moeda só serve no clube. Lá dentro ela é usada como se fosse dinheiro. Ela possibilita que todos troquem com todos coisas de diferentes valores. Ela vai permitir, por exemplo, que eu ofereça sabão e aulas de ginástica para obter de várias pessoas arroz, feijão e a pintura da minha cozinha.

Mas fora do clube ela não pode ser trocada por dinheiro e nem substitui o dinheiro. Por isso eu não posso usar um bônus para tomar condução, para comprar leite na padaria, e nem adianta eu querer economizar juntando um monte de bônus. Mas eu posso propor para minha vizinha cuidar do meu nenê enquanto vou ao dentista e pagá-la com bônus, pois ela freqüenta o mesmo clube de trocas que eu. Portanto os bônus serão úteis para ela como se fosse dinheiro.

Desta forma, pode-se dizer que a moeda social não é um sistema alternativo e sim complementar à economia. Ela é produzida, distribuída e controlada por seus usuários. Por isso, o valor dela não está nela própria, mas no trabalho que pode fazer para produzir bens, serviços, saberes. Esta moeda não tem valor até que se comece a trocar o produto pelo produto, o serviço pelo serviço, o produto pelo serviço ou o serviço pelo produto. A moeda começa a servir como mediadora destas trocas. Ela é diferente também porque não está ligada nenhuma taxa de juros, por isso não interessa a ninguém guardá-la, mas trocá-la continuamente por bens e serviços que venham responder às nossas necessidades. Ela é livre!

4.1. Quando surgiram os Clubes de Troca?

Em diversos países, nos últimos vinte anos, começaram a aparecer diferentes formas de fazer transações sem moeda, seja por um sistema de contas, no qual cada pessoa tem direito a certa quantidade de débito (dívidas) e certa quantidade de crédito (poupança), seja pela utilização de alguma forma de vales e bonus feitos, distribuídos e controlados pelos mesmos. As experiências pioneiras foram os LETS (Let’s play significa “joguemos”) iniciados por Michael Linton em Vancouver (Canadá) em 1983, disseminados na Inglaterra, Escócia, Noruega, Finlândia, Bélgica, Holanda, França e Austrália.

Apareceram então, a partir de 1992, os Talentos de Aarau (Suíça) e os sistemas SHARE e as HORAS de Ithaca (Estados Unidos) que, impulsionadas por Paul Glover como formas de moeda destinadas a promover o desenvolvimento local, contam hoje com mais de 700 iniciativas, somente neste país. No México, a partir de 1995, no âmbito de PDP (Promoción del Desarrollo Popular) desenvolveram- se os “tianguis” com suas moedas denominadas Tlaloc e tequios, impulsados por Luis Lopezllera e Cristina Lavalle.

Na Argentina, a partir de 1995, apareceu um sistema que combinou ambas as formas e hoje funciona, principalmente, com vales emitidos em forma descentralizada pelos grupos de usuários. A estratégia teve um resultado extraordinariamente fértil, pois que em cinco anos passou de um grupo pequeno de vinte pessoas para mais de um milhão! Hoje é conhecida como Rede de Trocas e é considerada uma forma de economia solidária, já que nela todos colaboram entre si, sejam produtores e consumidores: todos tomam da rede na mesma medida que oferecem, a moeda nela utilizada não pode ser acumulada nem utilizada no mercado formal. Ademais, a adoção de doze princípios (mais éticos que organizacionais), como orientação das práticas da rede, garante certa homogeneidade, e , se observada, a transparência e igualdade requeridas pela socioeconomia solidária. (Fonte: Cartilha REDLASES)

  • Click AQUI e saiba de algumas dicas sobre como montar um clube de trocas!


5. Comércio Justo e Solidário

(Em construção...)


6. Cooperativas de consumo e grupos de compras coletivas

(Em construção...)


7. Redes de Colaboração Solidária (pro-consumidores).

A Rede de Colaboração Solidária integra grupos de consumidores, de produtores e de prestadores de serviço em uma mesma organização. Todos se propõem a praticar o consumo solidário, isto é, comprar produtos e serviços da própria Rede para garantir trabalho e renda aos seus membros e para preservar o meio ambiente. Por outro lado, uma parte do excedente obtido pelos produtores e prestadores de serviços com a venda de seus produtos e serviços na rede é reinvestido na própria rede para gerar mais cooperativas, grupos de produção e microempresas, a fim de criar novos postos de trabalho e aumentar a oferta solidária de produtos e serviços. Isso permite incrementar o consumo de todos, ao mesmo tempo em que diminui volume e o número de itens que a rede ainda compra no mercado capitalista, evitando com isso que a riqueza produzida na Rede seja acumulada pelos capitalistas. O objetivo da Rede é produzir tudo o que as pessoas necessitam para realizar o bem viver de cada um.

Quando os consumidores práticam o consumo solidário, consumindo os produtos de uma empresa (uma padaria comunitária, p. ex.) que não explora os trabalhadores e protege o meio ambiente, essa empresa vende toda a sua produção e gera um excedente, que na lógica capitalista seria lucro. Esse excedente, entretanto, na lógica da solidariedade é reinvestido na construção de novas empresas (granja, fábrica de macarrão, produção de sabão, confecções, etc.) gerando novos postos de trabalho, diversificando a produção e melhorando o padrão de consumo de todos os que participam da Rede. (Fonte: cartilha das Redes Colaboracao Solidária)

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