Matérias - Sustentabilidade - Reciclagem, Alimentação, Artesanato, Agricultura

(2005/10/02) Texto de Célia Chaim no Jornal O Estado de São Paulo: http://txt.estado.com.br/editorias/2005/10/02/eco064.html

Domingo, 2 de Outubro de 2005

Do coco do Pará nada se perde, nem a casca

A paraense Poematec produz assentos para automóveis

Por Célia Chaim

ANANINDEUA - Um coco do Pará, aparentemente, só entraria num carro Daimler - Chrysler como um delicioso produto de consumo. Mas não é isso que acontece no Distrito Industrial de Ananindeua, na região metropolitana de Belém. Processada, a fibra da casca do coco vira a base do assento e do encosto de veículos. A Poematec, empresa de pequeno porte e grandes ambições, faz isso. Era fornecedora para o modelo Classe A, que deixou de ser produzido na fábrica de Juiz de Fora (MG), da Mercedes-Benz, subsidiária brasileira da Daimler-Chrysler, mas continua produzindo assentos e encostos para os caminhões da empresa, em São Bernardo do Campo (SP). Trata-se de um bem-sucedido empreendimento de caráter público-privado: uma parceria entre o setor privado, a Daimler Chrysler, que investiu R$ 8 milhões na aquisição das máquinas da fábrica (cedidas em comodato), e o setor público, por intermédio do Governo do Pará, do Banco da Amazônia e da Universidade Federal do Pará.

O modelo de negócios da Poematec procura aliar o respeito ao meio ambiente ao respeito social. A matéria-prima utilizada na fábrica é fornecida por oito unidades de processamento de fibras, todas localizadas no Pará, administradas por cooperativas comunitárias e por uma plantação de seringa revitalizada. Situada em área de assentamento da reforma agrária, a plantação gera trabalho para 500 famílias na coleta da seringa. Até 2006, serão cerca de 3 mil seringueiros em atividade.

A linha de produção da Poematec não se restringe em atender ao setor automotivo. Com a fibra do coco, a Poematec produz vasos, placas, estacas, adubo de pó de coco, lâminas para colchões e mantas de fibra de coco. Segundo Oscar Donizeti Lavine, diretor de Tecnologia da Poematec, todas as peças contêm tanino natural da fibra de coco (fungicida), que substitui produtos procedentes de fontes não sustentáveis.

O faturamento da empresa é de R$ 3 milhões por ano. Em agosto, a Poematec embarcou o primeiro contêiner de vasos e placas montadas da linha Amazon Garden para os Estados Unidos (o uso da fibra de coco é uma alternativa sustentável para substituir o xaxim, hoje ameaçado de extinção). No total serão exportados 10 mil itens. O material foi comprado pela Universal Taste, uma empresa sediada em Miami, que vende produtos de origem amazônica. Valor aproximado do negócio: US$ 30 mil.”Ainda é pouco”, diz Lavine. “Mas é o começo de alguma coisa que pode crescer muito.”

Capacidade para crescer a Poematec tem. Sua fábrica é equipada com máquinas de tecnologia de ponta, em parte compradas da empresa alemã F.S. Fehrer, e está instalada em uma área construída de 3,1 mil metros quadrados. Atualmente, a fábrica produz 20 toneladas por mês, podendo chegar a 80 toneladas caso crie o terceiro turno de trabalho. Isso significaria 120 postos de trabalho a mais.


Fonte: http://txt.estado.com.br/editorias/2005/10/02/eco055.html

O capim-dourado se transforma em brincos

O capim-dourado, que sempre cresceu na região do Jalapão, no Tocantins, transformou-se na fonte de renda de mais de 500 artesãos do lugar. E com vantagens. Utilizado na produção de bolsas, brincos e colares, o capim começa a ser visto como um recurso importante. O motivo é simples: quatro bolsas de capim-dourado podem ser feitas em uma semana e rendem o mesmo lucro de um boi, depois de três anos de engorda.

-- TupiDaTaba - 14 Oct 2005

Topic revision: r2 - 23 Nov 2006 - 17:01:34 - LeandroSantos
 
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