Ferramentas utilizadas
Dividimos em duas categorias os softwares selecionados para compor a solução proposta. A primeira são os softwares básicos, onde consideramos os programas que se relacionam diretamente com a concepção do projeto e compõem uma base sólida para a segunda categoria, que são os softwares de interface.
O sistema operacional e o sistema que oferece os recursos para efetivação de uma estrutura de boot remoto consolidam a base da solução, enquanto o ambiente de desktop e os aplicativos mais utilizados por usuários nos Infocentros compõem o que consideramos os softwares de interface.
Softwares Básicos
Debian GNU/Linux
A distribuição GNU/Linux escolhida como base para a solução foi o
Debian-BR-CDD. O Debian é uma distribuição 100% livre, desenvolvido por
voluntários de diversos países, que mantêm um
Contrato Social Debian no sentido de manter a distribuição livre para sempre, onde todos seus pacotes sejam compatíveis com a sua
própria definição de software livre compatível com a GNU/GPL. Além de evitar problemas jurídicos com códigos proprietários ou patentes, o Debian apresenta uma
forte política de desenvolvimento que determina a notória qualidade do sistema. O Debian-BR-CDD é uma
Custom Debian Distribution atualmente baseada na versão estável do Debian (sarge) que traz uma coletânea de pacotes especialmente feita para os usuários brasileiros.
Além das qualidades conhecidas do Debian, a escolha do Debian-BR-CDD baseou-se também no fato do público alvo desta distribuição, que é bastante parecido com o público esperado nos Infocentros. O Debian-BR-CDD apresenta uma documentação no idioma português, é instalado por padrão também neste idioma e apresenta uma série de personalizações específicas para usuários leigos Esta distribuição conta também com uma comunidade brasileira que pode ser acessada por listas de discussão e canais IRC, onde sempre há pessoas dispostas a ajudar os iniciantes.
O Programa Identidade Digitalabriga hoje a maior rede de usuários de Debian-BR-CDD através dos Infocentros que, mesmo rodando uma personalização do sistema, pôde oferecer um retorno referente a eventuais problemas e sugestões dos milhares de usuários que acessam as unidades espalhadas pelo estado. Assim, o PID beneficia-se do desenvolvimento voluntário do Debian-BR-CDD, e o Debian-BR-CDD beneficia-se com os testes realizados pela equipe técnica do PID, e com o feedback dos usuários dos Infocentros.
LTSP - o servidor de terminais dos Infocentros
O
Linux Terminal Server Project é uma solução que agrega um conjunto de serviços, de forma que máquinas clientes com poucos recursos de hardware possam ser utilizadas executando seus processos num servidor LTSP mais robusto via rede. O LTSP é distribuído sob GPL e utiliza basicamente os seguintes componentes:
O DHCP (Dynamic Host Configuration Protocol) é um protocolo de configuração dinâmica de rede que permite a configuração de uma série de parâmetros da camada 3 do modelo OSI de uma estação.
O TFTP (Trivial File Transfer Protocol), definido na RFC1350, é uma especificação simplificada do ftp que usa UDP para transferência de arquivos e não utiliza auntenticação. O tftp é usado em situações em que a velocidade da taxa de transmissão seja mais prioritária do que a confiabilidade na entrega dos pacotes.
O NFS (Network File System) é um sistema de arquivos desenvolvido pela SUN que permite o compartilhamento de arquivos em estações numa rede como se fossem locais. O NFS compartilha toda a árvore de diretórios especificada nas configurações do servidor.
O X window System (X11) é um sistema de janelas para sistemas UNIX e similares que provê uma interface cliente-servidor entre o display do hardware (mouse, teclado e vídeo) e o ambiente desktop. Foi desenvolvido pelo MIT (Massachusetts Institute of Technology) em 1987 e é definido pela na RFC 1198. O protocolo X-Window (RFC: 1013) provê uma interface remota da janelas para aplicações distribuídas na rede. É um protocolo da camada de aplicação que usa o protocolo TCP/IP ou DECnet para transporte. O protocolo X é baseado em cliente-servidor, onde o servidor é o programa de controle executado na estação do usuário e o cliente é uma aplicação executada em qualquer lugar da rede. Um servidor X sendo executado em uma estação pode simultaneamente gerenciar o display para diversas aplicações, com cada aplicação atualizando suas janelas assincronamente a partir de informações transportadas pelo protocolo de rede X Window. O X Display Manager Control Protocol (XDMCP) gerencia o controle de conexões em sessões cliente-servidor que utilizam o X11.
A integração dessas tecnologias permitem que máquinas clientes sejam utilizadas sem a necessidade de um disco rígido e nem mais que 8MB de memória física. O processo de boot é realizado através da rede, até que um kernel linux seja carregado em memória, deixando que todo processamento seja realizado num servidor LTSP, este que pode ser único ou distribuído. Além de possibilitar a reutilização de máquinas consideradas obsoletas, o LTSP oferece o grande benefício de uma gerência centralizada, onde para dezenas de clientes é necessário apenas a manutenção de software num único servidor. No nosso caso reduzimos esta manutenção de aproximadamente 1100 para 100 máquinas, além da redução no custo de hardware dos terminais, que não necessitam ser equipados com discos rígidos, não demandam grandes quantidades de memória física e não oferecem restrições em relação ao poder de processamento das máquinas.
Softwares de Interface
GNOME
O ambiente de desktop adotado foi o
GNOME 2.8. é o ambiente de desktop oficial do projeto GNU, é livre, distribuído sob a licença GNU GPL e apresenta características bastante interessantes para os Infocentros:
O ambiente GNOME tem todas as ferramentas básicas que usuário comum pode precisar como ferramentas de escritório (editor de textos, planilhas eletrônicas e apresentação de slides), navegador Web, cliente de e-mail, ferramentas de edição de imagens, "players" de vídeo e música digitais, ferramentas de comunicação como messengers (ICQ, MSN, AOM, Jabber, etc.), clientes de IRC, clientes de videoconferência, entre outras. Além disso, o projeto GNOME tem como um de seus princípios fundamentais a usabilidade. Usabilidade é a medida de facilidade de utilização de um software. Todos os aplicativos básicos do ambiente GNOME adotam os princípios da "Human Interface GuidelinesciteHIG, um documento inovador criado por especialistas em usabilidade que participam do desenvolvimento do GNOME. Os
testes de usabilidade mostram que o GNOME é um ambiente que se adequa muito bem aos usuários leigos. A
UserInstinct Magazine, que trata de publicações centradas nas necessidades de usuários finais publicou em 18 de julho de 2004 o "GNOME 2.6 Usability Study and ReviewciteUserInstPost, oferecendo um passo a passo das tarefas realizadas por usuários leigos no sistema, e concluindo mais uma vez o avanço em usabilidade do GNOME.
Quando se fala em inclusão digital e telecentros, não se pode esquecer de garantir que pessoas com necessidades especiais possam utilizar normalmente os softwares utilizados nestes centros públicos de acesso. O GNOME tem um projeto, chamado GNOME
Accessibility Project, voltado exclusivamente para o desenvolvimento de técnicas e ferramentas que garantam que todas as ferramentas do ambiente sejam acessíveis por pessoas com necessidades especiais.
o GNOME trás uma série de ferramentas de acessibilidade. Uma delas é o
GOK, um teclado que aparece na tela e permite que os usuários escrevam em qualquer aplicação sem a necessidade de um teclado físico.
A ferramenta
Gnopernicus fornece um aumento na tela, uma característica que pode ajudar as pessoas que possuem problemas de visão ou que precisam de capacidades de zoom. Ele atua também como uma ponte para outros dispositivos de acessibilidade, como por exemplo, um leitor de Braille, para permitir a quem possui cegueira possa ter acesso facilitado ao desktop.
- Internacionalização e localização
O ambiente GNOME é desenvolvido por uma comunidade formada por contribuidores do mundo inteiro. Desta forma, GNOME é usado, desenvolvido e documentado em
dezenas de idiomas. O ambiente está muito bem traduzido para o idioma português brasileiro por uma
equipe voluntária organizada no Brasil.
Aplicativos mais comuns
Não foi difícil encontrar bons softwareslivres para satisfazer a necessidade de se oferecer os aplicativos necessários para atividades mais populares, como navegação Web, edição de textos, planilhas, imagens, etc. Os benefícios dos softwares selecionados foram além do que o esperado pelo PID, cumprindo de maneira exemplar com os requisitos técnicos de usabilidade e segurança. Lista-se abaixo as categorias e seus respectivos softwares mais utilizados nos Infocentros:
O software selecionado para compor o grupo de aplicativos para edição de textos, planilhas e apresentações foi o
OpenOffice.org. O Openoffice.org nasceu a partir da abertura de parte do código fonte do StarOffice, em julho de 2000. É uma suite de softwares de alta produtividade, de distribuição livre e conta com um processador de textos, um software para folha de cálculos, um programa para desenho vetorial, um gerenciador de banco de dados, um programa para apresentação de slides, um editor de fórmulas matemáticas e um editor de páginas HTML.
Utilizamos a versão 1.1 do
OpenOffice.org. nos Infocentros. Algumas de suas funcionalidades, como o suporte a internacionalização - já com localização para ptBR, suporte a exportação para arquivos nos formatos PDF, SWF, DocBook, XHTML e alguns formatos proprietários, e corretor ortográfico para o idioma português do Brasil, fazem do
OpenOffice.org. o software mais adequado para o seu propósito nos Infocentros.
O
GNU Image Manipulation Program GIMP foi selecionado para ser o programa de manipulação de imagens nos Infocentros. O
GNU Image Manipulation Program GIMP é um manipulador de imagens bitmaps (definidas em mapas de pixels) que suporta recursos de edição vetorial. O GIMP é utilizado para autoria gráfica, retoques fotográficos e composição de imagens e disponibiliza uma rica coleção de ferramentas, recursos avançados para o trabalho com artes gráficas e ações rápidas para uso cotidiano.
O GIMP não é só o mais popular editor para imagens bitmap do "mundo GNU/Linux", mas um dos melhores editores de imagens do mercado. Suporta o trabalho pesado de artistas gráficos que precisam fazer trabalhos em alta resolução em superfícies com área medida em metros quadrados e também o trabalho detalhista de webdesigners e outros artistas digitais.
O estudo e desenvolvimento de scripts para o GIMP é um grande estímulo para o desenvolvimento intelectual, estimulando a lógica matemática dos usuários nos Infocentros e preparando alguns para profissões que poderiam estar fora de suas espectativas.
Para manipulação de imagens vetoriais utilizamos o Inkscape. O Inkscape
Inkscape 2005 é um editor de imagens vetoriais do tipo
SVG, similar ao softwarebastante popular Corel Draw. O Inkscape suporta a maioria das características da especificação SVG e provê funcionalidades para facilitar o trabalho nesse tipo de imagem. Inkscape pode ser usado para o trabalho com a Web, já que o SVG tende a se tornar o tipo vetorial padrão da Websuportando até mesmo animaçãoes com scripts e também porque o esse aplicativo pode exportar uma representação bitmap da imagem vetorial que pode ser usada da forma natural em páginas Web.
O Inkscape segue o paradigma de janela única, onde o documento tem a coleção de ferramentas acopladas, o que se adequa melhor a resoluções de tela até 800x600. Neste quesisto torna-se mais interessante por exemplo que o
Sodipodi, considerando que os terminais nos Infocentros rodam em resolução de vídeo padrão 800x600 para reduzir processamento e tráfego de rede ao utilizar o LTSP.
O
Mozilla Firefox é um navegador Web livre, desenvolvido pela Mozilla Foundation com a ajuda de centenas de colaboradores. Este software já atingiu a marca de 100 milhões de downloads, e é referenciado como o melhor navegador Web da atualidade por diversas
fontes especializadas.
O Firefox é um software leve em relação aos seus semelhantes, pois possui a filosofia de somente incluir funções que sejam utilizadas pela maioria dos usuários. Funções extras podem ser instaladas a partir de extensões e plugins. Esta foi uma característica de enorme importância para sua escolha no projeto.
Algumas das características que fazem o Firefox uma excelente escolha para o projeto de Infocentros são:
Usabilidade - os desenvolvedores se esforçam para que o Firefox possua uma interface simples, sem "sujeira". A maioria das funcionalidades são ocultas por padrão, o que facilita o acesso para os usuários dos Infocentros, que muitas vezes estão tendo seu primeiro contato com o computador.
Segurança - a menor quantidade de linhas de códigos e a menor quantidade de funcionalidades nativamente oferecidas pelo Firefox o torna menos vulnerável a códigos maliciosos.
Personalização - o Firefox agrega extensões, plugins, temas, skins, que permitem ao usuário deixar o software com a "cara" que lhe for mais conveniente.
Suporte aos padrões Web - O Firefox é implementado seguindo os padrões definidos pela
W3C e possui um maior grau de evolução em relação aos outros navegadores mais populares, como por exemplo o suporte a transparência variável em imagens PNG, que vem sendo muito utilizada por apresentar algumas vantagens em relação ao formato GIF.
As características citadas acima proporcionam benefícios de usabilidade e segurança, dois requisitos básicos para os Infocentros. Outro fator decisivo para sua escolha foi o pouco consumo de recursos computacionais, devido a (1) sua filosofia de se manter o mais simples possível e (2) por ser linkado dinamicamente a bibliotecas que já estão carregadas em memória por processos de outros usuários, característica de grande importância para servidores de terminais remotos, como é o caso do LTSP.
Diversos outros softwares livres foram objetos de pesquisa para seleção nos Infocentros. Nesta etapa do projeto constatou-se mais do que a viabilidade de se construir um ambiente de desktop totalmente com software livre, mas as vantagens que eles oferecem em relação aos softwares proprietários mais disseminados.