Rede de Comunicação e Articulação Popular, e
Aplicando o Modelo de Produção de Software Livre na Economia Solidária (Modelo CLAP - Conhecimento Livre e Aberto de Produção)

Rede de Comunicação e Articulação Popular

A idéia de que é preciso construir uma rede de comunicação e articulação popular para:

1) Uso de software livre por organizações e empreendimentos solidários, para que eles possam melhorar sua administração e seu funcionamento internos;

2) Acesso a rede de informações da Internet, para que possam acessar a vasta rede de informações, dados, notícias, conhecimentos, etc;

3) Contato e troca de informações entre organizações cooperativas; para que possam estabelecer vínculos, contratos, ações que sigam regras solidárias de mercado e, assim, se fortalecerem mutuamente frente ao mercado tradicional; (que poderiam usar o "CD Livre EcoSol?")

Essas fases criam as condições para construir em diferentes setores da economia (sapato, guarda-chuva, roupa, serviços de informática, etc) uma nova prática de produção e um novo modelo de relações econômicas.

Para que mais pessoas possam compreender e aplicar o novo modelo de relações econômicas e potencializar produtos e serviços solidários, precisamos trabalhar em rádios comunitárias, telecentros, casa brasil, ponto de cultura, disseminando uma cultura livre e cooperativa de uso e produção, tanto de informações como de conhecimentos. Esse é um ponto.

Fomentar a divulgação dos empreendimentos e Economia solidária nas radios comunitárias, articular a migração para software livre das rádios, integrar o software livre e economia solidária na construção da rede abraço de rádios comunitárias.

E para fazer com que as pessoas também sejam consumidores desse produtos e servicos precisamos de uma rede;

Precisamos de uma rede tanto para mudar o atual modelo como para criar uma base de consumidores de uma nova economia, a Economia Solidária.

Modelo CLAP - Conhecimento Livre e Aberto de Produção (ou, 'Aplicando o Modelo de Produção de SL na Economia Solidária')

4o.) Intercâmbio permanente e sistemático entre as organizações solidárias de um mesmo setor de produção e/ou serviço; para que possam trocar informações-chave sobre seu processo produtivo e/ou de serviço, tais como dados sobre matérias primas, preços, fornecedores, etc;

5o.) Compartilhamento do conhecimento de produção entre empreendimentos solidários de uma área específica de produção e/ou serviço; para que os empreendimentos solidários possam aprender uns com os outros e, assim, melhorarem sua produção e/ou serviço;

6o.) Desenvolvimento cooperativo e em rede, por uma comunidade de desenvolvedores, produtores (empreendimentos solidários) e consumidores, do conhecimento de produção para cada tipo de bem material e/ou serviço; para que possam não somente desenvolver novas tecnologias, mas em particular alterar o rumo deste desenvolvimento, tornando-o de fato orientado para as necessidades da comunidade solidária (consumidores, produtores e desenvolvedores);

RASCUNHO:

Aplicar o 'modelo de produção de software livre' na 'economia solidária' significa simplesmente tentar usar o modelo de produção de software livre em outras áreas da economia que não a de software. Por exemplo: produção de sapatos, sabão, guarda-chuva, móveis, aparelhos eletrônicos, carros, etc.

Mas há um problema logo de cara: enquanto software é imaterial (não tangível e de reprodução com custo baixíssimo), bens físicos são materiais (tangíveis e de "reprodução" cara).

Ora, o que pode ser compartilhado não é o bem em si, mas os meios para produzi-lo. Porém, enquanto os meios físicos para produzir (ferramentas, máquinas, etc) podem apenas ser localmente compartilhados, numa cooperativa autogerida por exemplo, os meios não físicos, tais como informações, dados, receitas e know-how de produção, em suma o conhecimento de produção, podem ser compartilhados globalmente.

Mas, como todos sabem, o modelo de software livre não é meramente um modelo de compartilhamento de software, é na verdade um modelo cooperativo de produção: é a produção cooperativa de software livre que traz todas as vantagens que ele oferece.

Ora, aplicar o modelo de produção de software livre na economia solidária significa então tentar transpor o modelo cooperativo de produção de software livre para a produção de quaisquer bens materiais, torná-la também compartilhada e cooperativa. Isso signfica, curto e grosso, compartilhar e desenvolver o conhecimento de produção (de qualquer bem) de forma cooperativa, entre inúmeras organizações cooperativas. Daí a idéia de modelo CLAP (paralelo com o modelo FOSS): uma comunidade de desenvolvedores, produtores e consumidores desenvolvendo, para cada área de produção material, um 'Conhecimento Livre e Aberto de Produção' (CLAP).

Novamente, fazendo paralelo com o modelo FOSS, a comunidade também poderia ter as 4 liberdades, mas só que sobre este conhecimento de produção, desenvolvido cooperativamente e apropriado coletivamente:

(0) liberdade de usar o conhecimento de produção, para qualquer finalidade;

(1) liberdade para estudar o conhecimento de produção e como funciona o bem produzido, de modo a adaptá-lo às suas necessidades;

(2) liberdade para redistribuir cópias do conhecimento de produção, de modo a poder ajudar o próximo;

(3) liberdade para melhorar o conhecimento de produção, e divulgar publicamente as melhorias, para que a comunidade inteira se beneficie.

Haveria uma característica-chave no modelo CLAP: suas licenças, do tipo GPL, manteriam livre todo novo conhecimento de produção desenvolvido a partir dos anteriores. Todos seriam livres para criar e distribuir o conhecimento de produção, mas somente se o distribuissem sob as mesmas licenças livres, que assegurariam a propriedade coletiva do conhecimento de produção (CLAP).

Viajei, ein? Aliás, esta viagem foi coletiva, escrita na seção Wiki do site Libervis. Pois é, mas a idéia básica é essa.

Não é difícil de perceber duas coisas:

1a.) Patente é o que de fato complica esse modelo CLAP; como resolver isso?

2a.) A maioria esmagadora das organizações e empreendimentos solidários estão ainda a "séculos-luz" de uma possível experiência com esse modelo CLAP. Poderíamos dizer que muitos ainda estão na idade do "bit lascado"! Ou seja, há uma fase inicial de inclusão digital das organizações solidárias, que pode ser feita, é claro, com software livre.

Por isso, pensei em etapas, fases, ou níveis de aplicação do modelo FOSS na Economia Solidária. Seriam 6 níveis:

1o.) Uso de software livre por organizações e empreendimentos solidários, para que eles possam melhorar sua administração e seu funcionamento internos;

2o.) Acesso a rede de informações da Internet, para que possam acessar a vasta rede de informações, dados, notícias, conhecimentos, etc;

3o.) Contato e troca de informações entre organizações cooperativas; para que possam estabelecer vínculos, contratos, ações que sigam regras solidárias de mercado e, assim, se fortalecerem mutuamente frente ao mercado tradicional;

4o.) Intercâmbio permanente e sistemático entre as organizações solidárias de um mesmo setor de produção e/ou serviço; para que possam trocar informações-chave sobre seu processo produtivo e/ou de serviço, tais como dados sobre matérias primas, preços, fornecedores, etc;

5o.) Compartilhamento do conhecimento de produção entre empreendimentos solidários de uma área específica de produção e/ou serviço; para que os empreendimentos solidários possam aprender uns com os outros e, assim, melhorarem sua produção e/ou serviço;

6o.) Desenvolvimento cooperativo e em rede, por uma comunidade de desenvolvedores, produtores (empreendimentos solidários) e consumidores, do conhecimento de produção para cada tipo de bem material e/ou serviço; para que possam não somente desenvolver novas tecnologias, mas em particular alterar o rumo deste desenvolvimento, tornando-o de fato orientado para as necessidades da comunidade solidária (consumidores, produtores e desenvolvedores);

Bem, foi essa a idéia que submeti pro FISL, mais ou menos, e que o pessoal aprovou. Agora só falta desenvolvê-la, alterá-la, melhorá-la. (Só isso! big grin ) Na verdade, é mais um rascunho para trabalho.

O que me falta é maior conhecimento sobre as iniciativas e empreendimentos solidários. Seria talvez interessante fazer um mapeamento das organizações solidárias, um censo, para tentar saber em que fase elas estariam. Saber quantos atuam de fato em rede, saber o que já trocam, etc.

Sugestões?



Discussão: críticas, comentários e sugestões. (Modelo FOD - Free Open Discussion big grin )


 
  • Monserrat, eu fiquei na dúvida sobre onde inserir alguns parágrafos que escrevi na tentativa de colaborar com o desenvolvimento de alguns aspectos do tema. Resolvi colocar aqui mesmo. Grande Abraço.

Euclides Mance

Software Livre e Economia Solidária

A Rápida expansão do software livre e da economia solidária nos últimos anos se deve, entre outros fatores, a uma mesma estratégia comum baseada na organização de redes colaborativas.

Não fosse pelo trabalho solidário de redes colaborativas compartilhando códigos, conhecimentos e valores, o software livre não teria alcançado tal magnitude em vigorosa expansão e não estaria continuamente crescendo. Igualmente redes colaborativas estão na base da difusão da economia solidária em todo mundo, envolvendo organizações de comércio justo, finança ética, consumo eco-solidário e produção autogerida, integrando atores que operam nos diversos segmentos de inúmeras cadeias produtivas nos vários continentes. Atores dessa outra economia de um novo mundo possível têm se reunido nas diversas edições do Fórum Social Mundial, avançando na dinamização internacional desse movimento, instituindo e alimentando processos colaborativos de diversos tipos.

Por isso, a integração dos movimentos de software livre e de economia solidária aparece como uma tendência promissora para ambos, na medida em que os empreendimentos econômicos solidários passem a se fortalecer pela utilização cada vez maior de tecnologias livres, particularmente no campo da Tecnologia da Informação, e profissionais que atuam na área do software livre comecem a organizar empreendimentos econômicos solidários que forneçam produtos, serviços e suporte em tecnologia de informação ao conjunto de organizações de economia solidária.

Essa sinergia permitirá consolidar os avanços percebidos em ambos os movimentos bem como desencadear novas oportunidades de crescimento e expansão nesse setor, uma vez que a economia solidária seria beneficiada com tecnologias adequadas para aprimorar o funcionamento de suas redes colaborativas, facilitando-se os fluxos de produção, comercialização e consumo solidários, e por outro lado, iniciativas empresariais solidárias na área de desenvolvimento, produção e difusão de softwares livres poderiam se propagar no atendimento das demandas de tecnologia da informação peculiares a essas redes e empreendimentos de economia solidária.

No mapeamento sobre a economia solidária no Brasil, recentemente realizado pela Secretaria Nacional de Economia Solidária, órgão do Ministério do Trabalho e Emprego, levantou-se a existência de mais de 15 mil empreendimentos de economia solidária em nosso país, envolvendo cerca de 1,5 milhão de trabalhadores e trabalhadoras. Cerca de 70% desses empreendimentos foram criados entre 1990 e 2005.

Há, portanto, um movimento em expansão da economia solidária e do software livre que muito tem a se dinamizar – pela apropriação, desenvolvimento, emprego e difusão do software livre na economia solidária, bem como, pela organização sustentável de empreendimentos solidários voltados, especificamente, ao atendimento de demandas na área de tecnologia da informação no campo da economia solidária. -- EuclidesMance - 03 Apr 2006 - 19:05


  • acho perfeita a iniciativa. inclusive a conexão SL/EcoPopSol também pode se dar a partir dos espaços de formação dos dois movimentos. Isso para além do valor utilitário e prático, onde os agentes incorporem uma compreensão mais profunda sobre os paradigmas tanto do conhecimento livre, quando desse tipo de associação de trabalhadores. tem um puta potencial organizativo para os dois lados. a oitava edição da feira estadual de Economia Solidária pode ser o grande start dessa ação, tanto quanto o FISL. Ambos são momentos de integração entre ativistas e militantes que pode ser potencializado em ações mais pontuais. -- EvertonRodrigues - 26 Mar 2006 - 11:16
  • Gostei muito da sua proposta, Monserrat! smile É incrível como ela se encaixa perfeitamente, na minha opinião, na proposta da Rede Brasileira de SócioEconomia Solidária RBSES (www.redesol.com.br), idealizada - inicialmente - pelo Euclides Mance. Penso que se conseguirmos - na prática- articular essa proposta do CLAP com a RBSES, estaremos dando um grande passo para a construção da economia economia solidária, tanto no Brasil quanto no mundo. Isto porque, para mim, um dos maiores desafio da economia solidária, além de elaborar um ambiente de cooperação e sustentabilidade dentro de cada empreendimento solidário, é construir um espaço de cooperação econômica entre empreendimentos que diminua a necessidade de compra e venda de produtos e serviços no mercado capitalista. Isso só será possível dentro de Redes de Compartilhamento e cooperação. E para tanto, as tecnologias livres e o seu modelo cooperativo de desenvolvimento são fundametais!! Caso não tenha sido muito claro, dê uma olhada nestes textos do Euclides que penso ser fundamental para o amadurecimento da sua proposta do CLAP:
  • Redes de Economia Solidária : a expansão de uma Alternativa Global.
  • A Revolução das Redes: como se constrói um "sistema solidário" e participativo
  • Rede Brasileira de Socioeconomia Solidária - Objetivos e Estratégia: uma apresentação sintética
  • No mais, parabéns pela sua proposta e vamos nos empenhar para superar todos os desafios inerentes à ela. wink -- VicenteAguiar - 02 Mar 2006 - 20:20

  • Vou começar revelando um pequeno "detalhe": não tenho comigo o resumo que submeti e foi aprovado pelo FISL... frown (que eles não nos "ouçam" aqui, fala baixo!) Mas explico: quando mandei a proposta, eu tava no SOLISC 2005 (Florianópolis). Foi lá queu tive o lampejo e me veio a idéia desta palestra. Escrevi uma proposta no penúltimo dia de submissão, só que deu pau no computador e perdi tudo... Mas não desisti, no dia seguinte re-escrevi a proposta e submeti, mas ela saiu diferente da versão anterior, com 6 níveis de aplicação (do Mod.Sof.Livre na Eco.Sol), ao invés de apenas 5 (ver no rascunho acima). Na verdade, estes níveis de aplicação não tão ainda resolvidos, pode ser que seja bem diferente dessa idéia inicial. É por isso que tô colocando a criação desta palestra, aqui no Twiki, para ser construída coletivamente. Caso não seja possível (o tema não atraia interesse, ou o pessoal tiver muito ocupado, escrevo sozinho mesmo: Kein Problem! smile )

  • Para os que desejam meter a "mão na massa" desta apresentação, aqui vai uma sugestão: dêem uma olhada nos seguintes artigos e/ou apresentações:
  1. ) About the Potential of E-democracy in Cooperative Organisations
  2. ) Modelo de Software Livre nas Outras Áreas da Economia
  3. ) Reflexão Sobre o Modelo de Software Livre como Caminho para Construção de um Novo Sistema Econômico
  4. ) Software Livre e Economia Solidária: duas faces de uma outra economia
  5. ) [[][]]


-- JoseMonserrat - 10 Feb 2006

  • ArticulaPopular_ModeloCLAP.sxi: Parte da Apresentação "Rede de Comunicação e Articulação Popular, e Aplicando o Modelo de Produção de Software Livre na Economia Solidária"
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elsesxi ArticulaPopular_ModeloCLAP.sxi manage 65.3 K 21 Apr 2006 - 20:55 UnknownUser Parte da Apresentação "Rede de Comunicação e Articulação Popular, e Aplicando o Modelo de Produção de Software Livre na Economia Solidária"
Topic revision: r10 - 21 Apr 2006 - 20:56:15 - JoseMonserrat?
 
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