Matérias - Sustentabilidade - Agricultura, Energia
(2005/10/02) Texto no Jornal O Estado de São Paulo:
http://txt.estado.com.br/editorias/2005/10/02/eco062.html
Domingo, 2 de Outubro de 2005
O combustível que brota no coração da floresta
No coração da maior floresta tropical do mundo nasceu, em 1982, a Agropalma, um investimento feito pelo empresário Aloysio Faria, então dono do Banco Real, hoje à frente do Banco Alfa. Nos primeiros dez anos, a empresa instalada em Tailândia, a 150 quilômetros de Belém, transformou-se no maior fabricante de óleo de palma da América Latina.
De origem africana, o produto, também conhecido como óleo de dendê, é usado pela indústria alimentícia para fritura ou como componente de algumas receitas.
A empresa, que faturou R$ 440 milhões no ano passado, descobriu há pouco tempo um novo filão, o biodiesel. Os subprodutos da palma passaram a ser transformados em combustível vegetal. “Vendíamos o resíduo para a indústria saboeira”, diz César Augusto de Abreu, gerente operacional da Agropalma. Numa parceria com a Universidade Federal do Rio de Janeiro, dona da patente, chegou-se ao processo do biodiesel.
As perspectivas são promissoras. A partir de 2008, todo diesel vendido no país será obrigatoriamente misturado com 2% de biodiesel. Só esse passo pode gerar uma demanda de 700 milhões de litros por ano. A Agropalma tem capacidade para produzir 60 milhões de litros por ano, o equivalente a quase 10% do consumo nacional previsto . Dos 82 mil hectares da área ocupada pela Agropalma, 50 mil são destinados às reservas florestais e 32 mil à extração da palma. O cultivo de 5 milhões de palmeiras é intensivo e exige o emprego de cerca de 4 mil trabalhadores.
Todo o processamento do produto é físico, sem o uso de componentes químicos. Em tempos de valorização da alimentação saudável e ambientalmente sustentável, isso acaba se revelando um apelo importante para os importadores europeus e americanos .
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TupiDaTaba - 14 Oct 2005