Carlos Afonso, Diretor da Rede de Informações para o Terceiro Setor (RITS) fez uma breve porém polêmica apresentação durante o Fórum Internacional de Software Livre, FISL. Sob o tema "Neutralidade da Internet: Todos os datagramas são iguais perante a rede", o palestrante discutiu técnicas de gerenciamento de tráfego, que têm sido praticadas por grandes provedores de acesso, sob uma perspectiva crítica, com ênfase na privacidade do usuário final. O conflito apontado por Carlos surge quando as grandes empresas que operam os principais backbones da internet começam a analisar o conteúdo semântico dos pacotes de dados que trafegam por seus equipamentos.
Há várias justificativas técnicas para esse procedimento, como aumentar a eficiência e qualidade de streams multimídia, ou melhorar a confiabilidade de tráfego voip. Porém há um conflito de interesses, quando empresas que são originariamente de telecomunicações começam a atuar como fornecedores de conteúdo multimídia. Nesse caso, um operador poderia utilizar técnicas de 'traffic shaping' para intervir negativamente na eficiência do serviço, dando ao usuário a impressão de que o serviço é ruim. Carlos Afonso citou o exemplo da BrasilTelecom, que recentemente declarou a público praticar a análise de datagramas, 'para maior segurança do usuário'. Segundo ele, todas as operadoras brasileiras fazem análise de conteúdo, mas os padrões de proteção à privacidade que elas seguem não são claros.
Carlos falou para um auditório bem cheio, que contribuiu com perguntas críticas aos modelos de governança e legislação praticados atualmente na internet. A discussão que se seguiu revelou uma boa dose de desconfiança por parte do público em relação à Anatel e às operadoras brasileiras de banda larga.