De acordo com esta
notícia, a Microsoft "está tentando a todo custo encaixar o Windows nos computadores portáteis do projeto OLPC (Um Laptop por Criança, em português), também conhecido como laptop de US$ 100".
De acordo com a mesma matéria, a equipe do OLPC forneceu unidades do produto para que a Microsoft testasse a viabilidade da idéia.
Mesmo que a Microsoft ofereça gratuitamente licenças de seu sistema proprietário, discordamos veementemente da idéia e elencamos argumentos em favor de que apenas softwares livres equipem os laptops do OLPC.
- Sendo o OLPC um programa com apoio governamental, não cabe a nenhuma administração distribuir produtos cuja propriedade intelectual é controlada por uma determinada empresa e cuja utilização completa (cópia, estudo e alteração do código) depende de autorização da mesma.
- Sendo o sistema proprietário, as crianças que receberam os computadores serão educadas na utilização de um produto de uma determinada empresa, que notoriamente obtém vantagens indevidas na venda de serviços, produtos e pela disseminação da base de usuários.
- O OLPC com software proprietário vai em direção contrária à opção do governo brasileiro pelo Software Livre como escolha estratégica para desenvolvimento tecnológico e soberania nacional. Um dos maiores problemas desse processo tem sido a resistência dos usuários, que aprendem a usar computadores utilizando sistemas proprietários e têm mais dificuldades de se habituarem aos sistemas livres. Se utilizar software proprietário, o OLPC aumentará ainda mais a base de usuários de sistemas proprietários e criará dificuldades para opção tecnológica por sistemas livres do próprio governo.
- O suporte e manutenção, sendo o sistema proprietário, ficam dependentes de uma única empresa, que pode futuramente descontinuar o serviços ou praticar preços abusivos.
- O software proprietário não é transparente, não é possível inspecionar o código desses sistemas. Se utilizado no OLPC isso pode significar uma falha de segurança, já que não há como garantir de que empresas privadas serão impedidas de entregar softwares indesejados, a serem utilizados na educação de milhões de crianças sem o acompanhamento do governo e de educadores.