Áudio (anexado) para o programa Cultura Hacker. Tema: sementes e software
Texto:
Olá pessoal
Quem fala é Rafael Evangelista e essa é a Zona de Combate, para o programa Cultura Hacker
Hoje quero falar de um iniciativa tocada pelo pessoal que organiza o Fórum de Internacional de Software Livre, o fisl, e que se chama Banco de Sementes Livres.
Mas o que sementes tem a ver com software? Tem muito a ver.
Desde que algumas leis internacionais foram mudadas, e passaram a ser permitidas as patentes sobre a vida, essa relação ficou mais forte. Isso aconteceu em 1995, ano de fundação da Organização Mundial do Comércio, a OMC
A partir desse momento, a vida passou a ser encarada pela lei como se fosse código. No caso, esse código é o DNA.
Assim como o código do software proprietário é fechado, secreto, o código de uma semente patenteada é controlado pelos donos dessa patente, em geral grandes empresas.
Se alguém te der uma semente transgênica, que em geral são patenteadas, e você platá-la no seu quintal, você corre o risco de ser processado pela empresa que possui a patente. Ou seja, é igual ao software proprietário, se um amigo te der um CD e você instalar no seu computador corre o risco de ser enquadrado como pirata.
Nós gostamos de compartilhar e de colaborar, sejam softwares ou sementes. Por isso surgiu o Banco de Sementes Livres, iniciativa que serve tanto para alertar sobre o problema das patentes sobre a vida como para distribuir muitas sementes com códigos livres.
Funciona assim: parte do dinheiro arrecadado nas incrições do fisl vai para um fundo que serve para comprar sementes livres de patentes. Essas sementes são então distribuídas para comunidades indígenas e quilombolas e geram mais sementes. Assim espera-se que as comunidades não fiquem presas a fornecedores de insumos agrícolas que, do mesmo modo que certas empresas de software, usam a tática de aprisionamento de seus consumidores.
É isso aí pessoal aqui foi Rafael Evangelista falando para o zona de combate