Por Gustavo Pacheco, do Projeto de Documentação do
BrOffice.org.
Entre os dias 24 e 26 de agosto de 2006 foi realizado, nas Faculdades UNIME, na cidade de Lauro de Freitas, o Festival Software Livre da Bahia. O Festival é organizado pelo Projeto Software Livre Bahia e está na sua terceira edição. O evento aconteceu num local com uma ótima infraestrutura e aproximação com o meio acadêmico. A UNIME disponibilizou para o evento três salas de palestras, uma sala de InstallFest e uma sala para o Estúdio Livre. Com uma cerimônia rápida, o evento foi aberto no final da tarde do dia 24, com a presença dos representantes do PSL-BA, Colibre, CEBACAD, UNIME, Serpro e Secretaria Estadual da Ciência e Tecnologia.
Tive a oportunidade de participar do evento nos dois primeiros dias, como palestrante convidado da organização. Na quinta-feira, dia 25, apresentei o painel chamado "O
BrOffice.org e o Futuro dos Aplicativos de Produtividade". A palestra teve como foco a apresentação do projeto
BrOffice.org dentro do cenário atual do mercado de aplicativos de produtividade, além de algumas tendências apontadas para o futuro deste mercado, como a popularização dos Softwares Livres nos desktops dos usuários e o impacto da disponibilização de serviços de edição de textos e planilhas na web. Na sexta-feira, o painel apresentado foi sobre inclusão digital: "O projeto
BrOffice.org e o desenvolvimento de material didático para inclusão digital e marketing social".
Este é um dos projetos que considero um dos mais importantes dentro do
BrOffice.org. Na última edição do Fórum Internacional Software Livre, fizemos o lançamento de um conjunto de documentos voltados para o ensino de informática básica, formado por uma apostila do professor, uma apostila do aluno e um plano de atividades. Passados três meses do lançamento, divulgamos a pesquisa de utilização do material, através de um questionário na web. Para nossas surpresa, com pouco mais de dez projetos registrados, somamos, juntamente com os projetos de inclusão digital, mais de 5000 pessoas formadas com o material até o final de 2006. Acreditamos que sejam muitos mais, por isso, para confirmar essa afirmação, reiterei o apelo para que os coordenadores dos projetos de inclusão digital que usam o material registrem os seus dados no
BrOffice.org. Essa ação é extremamente importante para consolidarmos o projeto e continuarmos com o desenvolvimento do mesmo. Para minha surpresa, logo após a palestra, fui procurado por participantes que me contaram sobre a utilização do material nas suas organizações.
Além de participar como palestrante, tive a oportunidade de assistir a algumas palestras relacionadas a outros assuntos. Vi duas palestras de Otávio Salvador, "Debian - mais do que uma distribuição, um projeto" e "CDD - Um Debian sob medida". Ouvir o Otávio sempre vale a pena. É um desenvolvedor experiente, que avalia com qualidade a atuação e a importância do projeto Debian para o Software Livre. Um dos pontos mais interessantes detalhados pelo Otávio foi o ciclo de desenvolvimento do Debian, de 18 meses. Apesar de ser um ciclo relativamente longo se comparado a outras distribuições, Otávio destacou que este não é o interesse prioritário do projeto e a importância de avaliar a necessidade real da instalação de novas versões, principalmente em sistemas de missão crítica.
Outro destaque que posso fazer é sobre o painel "Balanço do uso do Software Livre no Governo Federal", de Corinto Meffe. Uma das questões que mais chamou a atenção na palestra do Corinto foi a observação de que vários dos desafios enfrentados na implantação do Software Livre no Governo Federal foram derivados de problemas da gestão pública e não de problemas da tecnologia. Corinto não deixou de apontar os pontos onde o desempenho do Governo poderia ser melhor, mas fechou a palestra com uma percepção positiva, baseada nos trabalhos desenvolvidos em projetos como o Guia Livre, o E-Ping e o Cacic. A palestra, última da grade do primeiro dia, foi uma das mais concorridas e, pela ótima receptividade, estendeu-se por quase 40 minutos além do horário de finalização previsto.
Na quinta-feira, Thiago Tavares e Thiago Castro apresentaram "Software Livre e Direitos Humanos no Brasil: é realmente possível mudar o mundo?" e o projeto
SaferNet Brasil, que pretende mobilizar redes sociais como a do Software Livre para a defesa dos direitos humanos na Web. Uma das palestras que mais gostei na sexta foi a do Felipe Machado, "Produção Multimídia Livre com Software Livre/Open Source", cujo conteúdo transcende os limites do Software Livre e leva conceitos já bastante conhecidos na nossa comunidade para outras áreas do conhecimento e para o meio cultural. Ao mesmo tempo, o Felipe trouxe ótimos exemplos da qualidade com que a cultura digital livre tem se desenvolvido nos últimos anos. Infelizmente, não pude assistir a outras palestras que gostaria, como a do Hugo Cisneiros, meu companheiro de vôo de São Paulo até Salvador, que, vestido de pirata, apresentou "Desenvolvendo em Software Livre: Um ideal de colaboração", logo após a minha palestra. Além das palestras do dia 26, sábado, quando estavam escalados Alexandre Oliva, Sérgio Amadeu, Omar Kaminski, Krishna Lélis, Hugo Cisneiros e Christiano Furtado, entre tantos outros palestrantes de qualidade.
Vale a pena falar, também, do contexto local apresentado no III Festival. Diversos palestrantes baianos mostraram a qualidade do Software Livre no território baiano. Lucas Rocha, Antônio Terceiro, Aurélio Heckert, entre tantos outros, mostraram o desenvolvimento local do Software Livre. Muitos destes profissionais estão reunidos na Colibre, Cooperativa de Tecnologias Livres. A Colibre é uma iniciativa recente, no entanto, já marcou o seu espaço dentro do mercado de tecnologia da Bahia e, agora, alça vôos para outros estados do Brasil. Os serviços ofertados pela Colibre vão desde a capacitação em Informática Básica até o desenvolvimento de softwares, passando pela estruturação de redes, todos em Software Livre. Segundo Aurélio, o trabalho da cooperativa está se desenvolvendo com bastante sucesso.
Por fim, parabenizo a organização pelo excelente trabalho e agradeço, em nome do Projeto
BrOffice.org, a oportunidade de participarmos de um evento tão qualificado. O Festival Software Livre da Bahia está consolidado. Esperamos que iniciativas como a Colibre sigam o mesmo exemplo de sucesso que caracteriza o evento baiano e que, em 2007, tenhamos novamente relatos vitoriosos da caminhada do Software Livre.