Um pouco de Poesia com liberdade...

Salve!! smile

liberdade.jpg

Nossa, quem diria... Vicente com um blog!! Putz!!

Pois é, tudo isso só porque, a partir de um certo dia ( em particular, numa apresentação feita por um cabra sergipano arretado de nome Thiago Tavares - alguém conhece? wink ) - eu me dei conta que, apesar de toda contradição da babilônia capitalista, existia uma extraordinária força de cooperação e compartilhamento na gênese de tudo isso que entendemos por ciberespaço, internet, PCs e softwares livres. Que loucura!!! É por causa dessa força - e em razão dela - que eu estou aqui nesse pequeno (mas de coração) e humilde (porém ousado!) pedaço do ciberespaço.

Para então celebrar esse momento, nada como a companhia de uma bela poesia. Assim, é com muito prazer e alegria que eu compartilho os versos de um baiano que também tinha como causa a liberdade. Esse cara, já no século XIX, gritava em verso e prosa a importância de se compartilhar o conhecimento, as idéias e a tecnologia para a construção de um outro mundo possível.

Essa poesia é, em especial, para todas/os as/os colaboradoras/es do PSL- Ba!!!


O Livro e a América
de Castro Alves publicada no livro Espumas Flutuantes.

"Talhado para as grandezas,
P'ra crescer, criar, subir,
O Novo Mundo nos músculos
Sente a seiva do Porvir.
(...)

Filhos do sec'lo das luzes! [1]
Filhos da Grande Nação!
Quando ante Deus vos mostrardes,
Tereis um livro na mão:
O livro -- esse audaz guerreiro
Que conquista o mundo inteiro
Sem nunca ter Waterloo [2]...
Eólo [3] de pensamentos,
Que abrira a gruta dos ventos
Donde a igualdade voou!...

Por uma fatalidade
Dessas que descem de além,
O sec'lo, que viu Colombo,
Viu Gutenberg também.
Quando no tosco estaleiro
Da Alemanha o velho obreiro
A ave da imprensa gerou...
O Genovês salta os mares...
Busca um ninho entre os palmares
E a pátria da imprensa achou...

Por isso na impaciência
Desta sede de saber,
Como as aves do deserto
As almas buscam beber...
Oh! Bendito o que semeia
Livros... livros à mão cheia...
E manda o povo pensar!
O livro caindo n'alma
É germe -- que faz a palma,
É chuva -- que faz o mar.

Vós , que o templo das idéias
Largo - abris às multidões,
P'ra o batismo luminoso
Das grandes revoluções,
Agora que o trem de ferro
Acorda o tigre no cerro
E espanta os caboclos nus,
Fazeei desse 'Rei dos ventos'
- Ginete dos pensamentos,
- Arauto da grande luz!...

Bravo! a quem salva o futuro
Fecundando a multidão!...
Num poema amortalhada
Nunca morre uma nação.
Como Goethe moribundo
Brada 'Luz!' O Novo Mundo
Num brado de Briaréu [4]...
Luz! pois, no vale e na serra...
Que, se a luz rola na terra,
Deus colhe gênios no céu!..."


[1] Época do iluminismo da Europa do séc. XVII e XVIII, isto é, um movimento cultural que tinha a razão e o conhecimento como valor supremo.

[2] Cidade da Bélgica, onde, em 1815, houve a batalha que pôs fim ao império de Napoleão I.

[3] Deus dos Ventos da Mitologia Grega.

[4] Gigante Mitológico de cinqüenta cabeças e cem braços que, segundo nos conta a lenda dele, era "filho do céu e da terra".

Tags:
create new tag

Warning
Can't INCLUDE '', path is empty or contains illegal characters.