Informe de Paris

Informação para todos: o papel da informação no espaço global

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Cheguei a Paris, no aeroporto de Orly, na tarde do dia 2. Estava chovendo e fui direto para o meu hotel. A noite fui jantar com os organizadores da atividade e com os palestrantes.

No dia 3 sai cedo em direção a UNESCO (7, place de Fontenoy), juntamente com a Sra. Geeta Malhotra que seria minha companheira de mesa. Como eu não falo inglês bem e ela não fala castelhano nem português, até que conseguimos nos entender bem...pelo menos para pegar o táxi e chegar até ao local.

O auditório II, aos poucos, foi tomando forma com as representações oficiais de vários países. O representante oficial do governo brasileiro foi o Sr. Emir José Suaiden, Diretor do IBICT (Instituto Brasileiro de Informação) ligado ao Ministério de Ciência e Tecnologia. Por grata surpresa minha, vi que um velho amigo, Cláudio Menezes (ex-UNESCO) compunha a delegação brasileira. Depois de minha mesa de trabalho, almoçamos todos juntos...

Vamos ao trabalho

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A abertura da seção foi feita pelo Sr. Laurence Zwimpfer, chefe do conselho do IFAP e Presidente dos trabalhos. Em seguida o Sr. Embaixador da Letônia Janis Karklins e do ICANN deu um relato sobre as evoluções e perspectivas da convergência do mercado e das TIC e do trabalho do ICANN, tudo na sua visão pessoal.

Após o Sr. Peter Lor, Secretário Geral da Federação Internacional das Associações de Bibliotecas descreveu a sua visão sobre o tema.

Muito interessante foi a apresentação da Sra. Geeta Malhotra, Diretora de Projetos e Alianças Estratégicas, da Fundação de Empoderamento Digital. Ela uma indiana de Deli, expôs uma visão feminista e de um país em desenvolvimento e de seu trabalho prático naquele país.

Síntese do que falei

(de 6 à 8 minutos)

Eu falei sobre "era da informação" pós-Internet e de suas novas formas de relacionamentos que desencadearam na "sociedade em rede". Que devemos pensar estratégias e programas distintos dos da "era industrial" pré-Internet. Que nestes 14 anos, ou de forma mais intensa nos últimos 10 anos, a humanidade está experimentando novas formas de relacionamentos provocados pelo novo patamar tecnológico desta revolução e que devemos construir novas organizações e novas formas que potencializem os novos atributos oriundos desta nova era.

Os criadores da Internet foram, em primeiro lugar os acadêmicos e em seguida os próprios usuários, que a partir de suas necessidades concretas criaram as ferramentas e as disponibilizaram livremente na rede para serem aperfeiçoadas. Esta dinâmica de liberação, com domínio público ou licenças livres, provocou um grande crescimento e inovação da Internet e o surgimento da "era da informação". Este fenômeno social de inovação e de criação dos últimos 15 anos está muito mais "na rede", do que nos laboratórios ou nos centros de pesquisa das grandes corporações.

Modelos de criação que deram certo

Os modelos que deram certo na distribuição, na disseminação do conhecimento ou mais êxitos neste período foram: os mais colaborativos, os mais distribuídos, os mais descentralizados, os mais abertos, os mais livres, os sem patentes, os sem DRM's.

O usuário ou o cidadão como o sujeito da inovação e da criação!

O resultado foi uma criação sem limites e uma inovação permanente.

A Internet e a "cultura da rede" sempre tiveram o P2P como um princípio, um direito básico e original e que esta facilidade deveria ser potecializada pelos organismos internacionais, pelos governos com objetivo de universalizar a cultura e o conhecimento e não de colocar as descargas P2P? feitas na Internet como uma vilã ou criminalizá-la.

Porém ainda existem interesses contrariados da indústria intermediária do século XX (fonográfica, cinematográfica, software, editoras...) que ainda vêem a Internet como uma ameaça e não como uma oportunidade e tentam controlar ou bloquear a inovação e a criatividade para manter os benefícios e o controle que tinham na era industrial. O mesmo poder ou controle que não se justificam mais neste período, pois não existe mais o processo industrial (matéria prima+produção fabril+distribuição física). A Internet pode eliminar o intermediário entre o criador+produtor e o público final e reestabelecer uma relação mais direta entre ambos.

As leis e tratados de Copyright, e com as ideologias da propriedade intelectual criadas na era industrial também não se justificam na "era da informação" e a UNESCO deveria encabeçar uma luta por novos paradigmas de proteção de direitos autorais centrados na máxima liberdade de criação, numa maior remuneração dos criadores e que universalizassem a cultura, o conhecimento e o acesso a maioria da população colocando as ferramentas da Internet como aliadas. Não podemos pensar na lógica e termos com a única preocupação, tentar manter a indústria intermediária da cultura da era industrial. Uma bom caminho para a proteção dos direitos, com liberdade, são as licenças livres e as licenças Creative Commons.

Sobre o papel dos Governos

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Deveriam criar novo um marco legal que tenha como base os direitos humanos diante das novas tecnologias. Um marco que proteja a privacidade dos cidadãos e que tenha a ética, o multilinguismo, os standares abertos, como um direito básico. Por outro lado, uma política industrial, ou melhor, uma política de desenvolvimento adequada a nova sociedade da era da informação e não mais nos velhos paradigmas industriais. Criando ecossistemas de produção, clusters de inovação, sistemas locais de produção de empresas funcionando em rede. Chamei isso de E-desenvolvimento. Os governos deveriam avançar também em outras áreas como as de E-Inclusão (medidas compensatórias), E-democracia, E- Governação (serviços públicos), E-redes sociais...

O Brasil

Na segunda intervenção, falei sobre o Brasil e a Internet: (mais uns 6 minutos)

Falei que somos um país de 50 milhoes de Internautas, se contarmos os que acessam dos serviços públicos e dos centros coletivos, como telecentros. Do exito do programa Pontos de Cultura do MINC. Somos dos povos do mundo, os que mais tempo passam conectados por mês: uma média de 22,5 horas. Superior a média européia e dos EUA. Estamos em primeiro lugar ou em liderança em quase todas as redes sociais da Internet: Orkut, MSN, etc. Somos um país de blogueiros e da WEB 2.0: 13,5 dos internautas tem seu próprio blog, quase a metade dos internautas brasileiros lêem blogs, temos uma presença importante na comunidade de software livre e nos movemos muito bem na rede. Aprendemos muito fácil a utilizar as novas tecnologias e somos generosos e colaborativos por natureza e isso está nos dando vantagens na sociedade em rede. Contei a experiência exitosa do Campus Party Brasil o que demonstrou grande interesse de tod@s.

Porém ainda temos problemas de infra-estrutura, de preços altos, e...

terminou meu tempo....

A tarde sai da UNESCO caminhando em direçao a torre Eiffel, depois caminhei margeando o rio Sena até o Louvre num dia de sol e frio.

No outro dia voltei a Barcelona.

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Mais sobre o evento da UNESCO

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