Produção de informação responsável
Hoje, para produzir informação responsável não requer apenas domínio técnico sobre as linguagens e suportes, nem apenas a boa vontade de conteúdos politicamente corretos, mas é preciso pensar também em como se produziu essa informação e como ela chega ao público.
No caso da informação produzida na internet é preciso pensar que caminhos se percorreu até chegar o produto final. Pois, além do acesso aos aparatos tecnológicos, é importante uma visão crítica dos mesmos, e a consciência do potencial de criatividade que um computador pode ter. Também é necessário compreender as ideologias e as relações político-econômicas que perpassam a escolha pelos Softwares ou programas usados. Mas, por que se preocupar com os programas na hora de produzir conhecimento? O que muda para a produção usar um software proprietário ou um software livre? Isso influência o quê na hora da produção?
Primeiramente, a opção pelo uso de Software Livre numa produção está em sintonia com as propostas e processos que buscam uma sociedade mais justa e igual. Isto porque os softwares proprietários baseiam o seu modo de produção na lógica do mercado.
Com características e posturas competitivas, visam o monopólio da informação, visto que possuem suas licenças no modelo Copyright onde cobram um alto valor pela licença para a simples utilização de Software por máquina. Ou seja, não se pode copiar, distribuir, e nem pensar em modificar um software que está no modelo proprietário. Nesse cenário, o mediador de produção de informação e conhecimento, que seria o Software através do computador, não dá a liberdade do usuário usar da forma que quiser o produto que optou.
Ao contrário dos proprietários, os Softwares Livres, mesmo quando comprados, são licenciados de forma que se permita copiar, distribuir, e usar como se bem quiser, além de poderem ser modificados, pelo fato de ter seu código fonte aberto. A esse tipo de licença dá-se o nome de Copyleft, que pode ser entendido como �deixe copiar�. Esse modelo livre de licenciamento foi criado pelo americano Richard Stallmam em 1984, o fundador da Free Software Fundation, que possui além da GPL � GNU, General Public Licence para Softwares, também a FDL � GNU, Free Documentation License para textos.
O objetivo do Copyleft é assegurar o direito à liberdade de informação, e acesso ao conhecimento da humanidade, uma vez que nos Softwares estão contidos conhecimentos das matemáticas, das engenharias, de design, entre outros, conhecimentos que são de domínio público e que estão livremente abertos. Nesse sentido, manter políticas que usem modelos proprietários não proporciona a troca de informação livre, além de fortalecer uma concepção neoliberal do conhecimento, pois �no caso de softwares comerciais e proprietários, um usuário não compra um software, mas uma licença de uso do programa (Pinheiro, 2003, p.276), uma licença de uso monopolizadora, e cheia de limites, além de cara.
Apesar de já existirem infinidades de programas livres pela rede, nossa cultura digital está atrelada a modelos proprietários.
Já existem bons editores de textos, imagens, gráficos, planilha, banco de dados, programas para 3D, edição de áudio, vídeo, reprodutor de som, e muito mais em formato livre, sem nenhuma complexidade a mais para o uso. Porém, a falta de informação, e a acomodação, faz com que os usuários sustentem o monopólio da informação, mesmo não pagando pelas licenças. Isso se dá no momento da pirataria de um programa proprietário. Esse ato reforça o mercado e o leva a instalar-se não só pelo dinheiro adiquirido pelos licenciamentos, mas, pela ideologia intrínseca no software meramente comercial. É preciso posicionar-se criticamente nesse processo, para que a produção de conhecimento tenha um caráter livre, colaborativo e humano, não meramente mercadológico.
Porém apesar do esforço de alguns grupos ligados à filosofia livre para a sociedade, existe uma grande difuculdade de se criar uma nova cultura digital, pois a Microsoft (empresa de softwares proprietários) já estabelecida no mecado a anos, acabou ditando regras e modelos de produção criando formatos fechados de arquivos, padrões exclusivos objetivando o monopólio do que se produz, ou seja: o que se faz num computador que tenha o seu sistema operacional windows, geralmente só se vai abrir no windows. Como disse o professor Pedro Rezende da UNB numa palestra na ucsal � você não é dono do que produz�, pois é preciso ter um determinado sistema operacional ou um tal software específico para que se abra a sua produção...Você acha isso justo? E se tratando de algo voltado para o público é obrigação se preocupar com o acesso.
Exemplos de extensões de arquivos fechadas: cdr (corel Draw), doc (word), wmv (window midia video � arquivo de video), wma (window midia video � arquivo de audio), fla (aqrquivo do flash), pps (power point) entre outros.
Alguns dessas extensões de arquivos abrem em outros sistemas, porém muitas vezes não conservam as mesmas caracteristicas do documento por estar num modelo fechado e não permitir que seja conhecido a estrutura real desse formato, impossibilitando a colaboração.
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RozaneSuzart - 10 May 2005